quarta-feira, 22 de abril de 2026

Pré-candidato ao Senado por SP, Derrite vê imagem se deteriorar com crise na PM


      Guilherme Derrite, pré-candidato ao Senado por SP. Foto: reprodução

A demora de mais de um ano para ouvir os pais do estudante de medicina Marco Aurélio, morto por um policial militar em 2024, expõe a crise de comando na Segurança Pública de São Paulo e amplia a pressão sobre o secretário Guilherme Derrite (PP), pré-candidato ao Senado. Segundo Marcelo Godoy, do Estadão, episódios como esses se tornaram símbolo das críticas à condução da pasta no governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos).

No dia 16, os médicos Júlio César Navarro e Silvia Mónica Cárdenas finalmente foram recebidos por Oswaldo Nico Gonçalves, atual secretário da Segurança. O encontro ocorreu após um longo período de silêncio institucional. Marco Aurélio, de 22 anos, foi morto após dar um tapa no retrovisor de uma viatura. Desarmado, levou um tiro à queima-roupa. Durante a reunião, Silvia se emocionou ao lado de Nico, evidenciando o peso da espera por respostas.

A demora no atendimento à família levanta questionamentos dentro do Ministério Público. Integrantes da instituição afirmam que a gestão de Derrite ainda deve explicações não apenas sobre esse caso, mas sobre uma série de episódios envolvendo a Polícia Militar. No entorno do governador Tarcísio de Freitas, a avaliação é que houve erro ao colocar à frente da Segurança alguém com pretensões políticas.

Derrite também enfrenta críticas de coronéis da própria corporação. Ele é acusado de ter promovido um grupo de oficiais próximos, passando por cima da hierarquia tradicional e enfraquecendo a estrutura de comando.

Guilherme Derrite e Tarcísio de Freitas em ato bolsonarista. Foto: reprodução
Entre os nomes citados está o coronel José Augusto Coutinho, ligado à Rota, que, segundo o promotor Lincoln Gakiya, teria sido omisso diante de denúncias envolvendo o PCC, incluindo vazamentos de investigações e a atuação de policiais na segurança de empresa ligada à facção.

O ambiente dentro da PM, segundo relatos, foi agravado por discursos que incentivam uma lógica de confronto. Um comandante chegou a dizer à tropa que estavam em “uma guerra”, expressão apontada como fator de estímulo a ações violentas. Esse contexto ajuda a explicar uma sequência de casos recentes, como policiais que mataram suspeitos ou civis em situações controversas, além de episódios de abuso e violência nas ruas.

A lista inclui desde a morte de um empresário com um tiro na nuca até a execução de um homem em situação de rua e o assassinato de Thawanna Salmázio. Há ainda relatos de agentes que se divertem agredindo pessoas ou praticando imprudências com viaturas. Para oficiais mais antigos, o cenário atual se distancia do padrão de comando de coronéis como Nilton Viana, Francisco Profício, Rui César Melo e Nivaldo Restivo.

Além das denúncias operacionais, há questionamentos sobre a gestão administrativa. Licitações suspeitas no Centro Integrado de Comando e Controle e acusações de irregularidades em exames psicotécnicos aumentam a pressão. Enquanto isso, a corporação enfrenta déficit de efetivo, com cerca de 13 mil vagas abertas.

Para críticos internos, o problema central é a perda de comando e controle. A avaliação é que a política partidária passou a influenciar diretamente a estrutura da PM. Derrite, apontam, sequer recebeu os pais de Marco Aurélio ao longo de um ano, o que reforça a percepção de distanciamento e falta de sensibilidade diante de um caso emblemático.

Fonte: DCM com informações do Estadão

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