Uma multidão tomou as ruas de Minab, no sul do Irã, nesta terça-feira (3), para acompanhar o cortejo fúnebre das cerca de 165 meninas mortas no bombardeio a uma escola da cidade no último sábado (28), primeiro dia letivo do ano no país. Imagens que circulam nas redes sociais mostram a província de Hormozgan lotada, com moradores carregando bandeiras iranianas e prestando homenagens às vítimas.
Além de Minab, houve registros de bombardeios a uma escola a leste de Teerã, com pelo menos dois mortos, e em Abyek, onde um estudante morreu e outros ficaram feridos.
Diante dos ataques, o governo iraniano solicitou reunião extraordinária do Conselho de Segurança da ONU. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baqai, denunciou as ações de Estados Unidos e Israel como grave violação da soberania do país e pediu condenação internacional, classificando os episódios como crime de guerra.
A presidenta do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), Mirjana Spoljaric, também se pronunciou. Ela destacou que hospitais, escolas e residências devem ser protegidos em conflitos armados e alertou para consequências devastadoras caso a escalada continue no Oriente Médio.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel, Oren Marmorstein, evitou comentar o bombardeio à escola feminina de Minab durante coletiva no domingo (1º).
Questionado por um repórter do Channel 4 News, que afirmou que Israel “carece de autoridade moral” enquanto o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu enfrenta mandado de prisão por crimes de guerra, Marmorstein foi instado a responder: “E quanto às cerca de 100 alunas mortas no ataque no Irã?”. Ele encerrou o tema dizendo: “Próxima pergunta. […] Vamos dar oportunidade a outros, por favor”.
O bombardeio ocorreu no sábado, quando Israel lançou ofensiva em larga escala contra o território iraniano, alegando necessidade de “eliminar as ameaças ao Estado” israelense. Explosões foram registradas em diferentes áreas de Teerã, com relatos de impactos de mísseis. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou a participação norte-estadunidense na operação e declarou que “bombas cairão por toda parte”.
A ofensiva foi precedida por semanas de tensão envolvendo o programa nuclear iraniano. Washington e Tel Aviv pressionavam Teerã a alterar sua política nuclear, enquanto o governo iraniano defendia o direito de desenvolver tecnologia com fins pacíficos.
A vencedora do Nobel da Paz Malala Yousafzai também reagiu. Em publicação na rede X, lamentou as mortes. “Eram meninas que iam à escola para aprender, com esperanças e sonhos para o futuro. Hoje, suas vidas foram brutalmente interrompidas”, escreveu.
Ela condenou o bombardeio à escola feminina de Minab, que teria resultado na morte de pelo menos 108 estudantes. “O assassinato de civis, especialmente de crianças, é inadmissível, e eu condeno isso de forma inequívoca”, afirmou.
Malala também pediu o fim imediato da escalada de violência. “Toda criança merece viver e aprender em paz… Todos os estados e partes devem cumprir suas obrigações sob a lei internacional para proteger civis e garantir a segurança das escolas”.
Fonte: DCM
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