Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL) avaliam que um dos principais desafios de sua eventual campanha à Presidência da República será o impacto político do caso da “rachadinha” em sua imagem pública. Embora as investigações tenham sido encerradas após decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que anularam provas do processo em 2021, o episódio deixou questionamentos que continuam sendo lembrados no debate político.
O primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi denunciado em novembro de 2020 pela Procuradoria-Geral de Justiça do Rio de Janeiro sob acusação de liderar um esquema para recolher parte dos salários de assessores em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Segundo a acusação, a prática conhecida como “rachadinha” teria desviado cerca de R$ 6 milhões de recursos públicos.
O senador sempre negou irregularidades. Em nota divulgada à época, afirmou que ele e seus colaboradores tiveram suas contas investigadas sem que fossem encontradas provas de crime.
“As investigações são prova irrefutável da honestidade de Flávio Bolsonaro. Ao contrário de Lula, que foi condenado por nove juízes diferentes. Atualmente, não existe qualquer inquérito que acuse ou investigue Flávio Bolsonaro por ilícito ou malversação”, declarou sua assessoria.
Apesar do arquivamento do caso, algumas questões levantadas nas investigações continuam sendo citadas por analistas políticos e adversários. Entre elas estão dúvidas sobre movimentações financeiras e transações imobiliárias realizadas pelo senador antes de assumir o mandato no Senado.
A apuração do Ministério Público do Rio de Janeiro indicou que parte das despesas pessoais de Flávio Bolsonaro teria sido paga com dinheiro vivo, embora ele não tivesse realizado saques em volume equivalente. Entre 2010 e 2014, período analisado pela investigação, o senador e sua esposa, a dentista Fernanda Bolsonaro, teriam exercido apenas cargos públicos, sem renda declarada em espécie.
Nesse intervalo, segundo o Ministério Público, o casal realizou diversas operações imobiliárias. A investigação apontou ao menos R$ 977 mil em gastos sem origem comprovada. Também foram identificados depósitos em dinheiro vivo realizados pelo ex-assessor Fabrício Queiroz na conta de Fernanda Bolsonaro pouco antes do pagamento de parcelas de imóveis.

Outra transação que chamou atenção dos investigadores foi a compra de dois apartamentos em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro.
Os imóveis foram adquiridos em 2012 por R$ 310 mil e revendidos dois anos depois por R$ 1,12 milhão. O lucro de 260% levantou suspeitas, assim como o fato de o corretor envolvido na venda ter depositado R$ 638 mil em dinheiro vivo na conta do senador no mesmo dia da transação.
As investigações também mencionaram a existência de um cofre compartilhado por Flávio e seu irmão Carlos Bolsonaro em uma agência do Banco do Brasil. Ao comentar o tema, o senador afirmou que guardava “itens pessoais” no local “por razões de segurança”.
Outro ponto analisado foi a movimentação financeira da loja de chocolates da qual o senador se tornou sócio. O Ministério Público apontou divergência entre a receita registrada pela administração do shopping Via Parque e os valores depositados na conta da empresa.
Mesmo com o arquivamento do caso após decisões judiciais que anularam provas da investigação, o episódio continua sendo lembrado no debate político e é considerado por aliados um tema sensível para a imagem do senador em eventual disputa presidencial.
Fonte: DCM
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