O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) definiu a equipe jurídica que comandará sua campanha à Presidência da República e anunciou que pretende profissionalizar a estratégia eleitoral. A coordenação ficará sob responsabilidade da ex-ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Maria Claudia Bucchianeri, enquanto o advogado Tracy Reinaldet atuará como coordenador jurídico-geral.
Segundo o Estado de Minas, a definição foi comunicada por Flávio em reunião com a bancada de deputados e senadores do PL na semana passada. Segundo relatos, o senador afirmou que a campanha será conduzida de forma estruturada, sem o improviso que marcou a primeira disputa presidencial de seu pai, Jair Bolsonaro, em 2018.
Maria Claudia Bucchianeri já atuou em casos de grande repercussão na Justiça Eleitoral. Ela integrou a defesa do então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2018, ao lado dos advogados Fernando Neisser e Luiz Fernando Pereira, quando o petista buscava manter sua elegibilidade mesmo preso em Curitiba, em razão de condenação na Operação Lava Jato.
Naquele momento, a inelegibilidade foi mantida, e Fernando Haddad assumiu a candidatura. As condenações contra Lula seriam anuladas apenas em 2021 pelo Supremo Tribunal Federal.
Apesar de ter defendido Lula, Bucchianeri foi indicada por Jair Bolsonaro ao TSE, com articulação do então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Entre 2021 e 2023, atuou como ministra substituta na Corte, mas não foi efetivada quando se encerrou o mandato do titular. À época, uma indicação apoiada pelo ministro Alexandre de Moraes rompeu o rito tradicional de sucessão.

Já Tracy Reinaldet, advogado de Curitiba especializado em direito penal eleitoral, será responsável por centralizar as demandas jurídicas da campanha, coordenar respostas à imprensa e orientar diretórios estaduais. Ele ganhou projeção nacional ao firmar acordos de delação premiada na Lava Jato, como os do doleiro Alberto Youssef e do ex-ministro Antonio Palocci.
Ao ser apresentado como coordenador jurídico, Reinaldet afirmou aos parlamentares do PL que a orientação é agir com rapidez e responder de forma imediata a ataques dos adversários. Ele também é próximo do governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), possível concorrente de Flávio caso o partido confirme candidatura própria.
A nova equipe já iniciou atuação em frentes judiciais. Flávio protocolou pedido antecipado de produção de provas com o objetivo de embasar futura ação para questionar a elegibilidade de Lula, em razão do desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente.
A ação de investigação eleitoral só poderá ser apresentada após o registro formal da candidatura, previsto para agosto. A peça foi assinada por Maria Claudia Bucchianeri e pelo escritório de Marcelo Ávila de Bessa, que presta serviços ao PL há mais de duas décadas.
Em outra frente, Reinaldet obteve decisões favoráveis em ações de danos morais. O juiz Cleber de Andrade Pinto, da 16ª Vara Cível de Brasília, determinou a exclusão de postagens que vinculavam Flávio ao caso Banco Master, apontado pelo senador como fake news. Já em recurso no Tribunal de Justiça do Distrito Federal, o desembargador Eustáquio de Castro manteve publicações em que o PT é chamado de “Partido dos Traficantes” até julgamento definitivo.
Desde a semana passada, Flávio também tem estruturado outras áreas da campanha. Na sexta-feira (27/2), anunciou que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), coordenará a estratégia eleitoral no estado.
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