Parlamentares pedem que parlamentar explique uso de jatinho ligado ao Banco Master na campanha de 2022
O deputado federal Alencar Santana (PT-SP) utilizou a tribuna da Câmara dos Deputados, nesta terça-feira (3), para cobrar esclarecimentos do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) sobre o uso de uma aeronave privada durante o segundo turno das eleições presidenciais de 2022. Segundo o parlamentar petista, o voo teria sido realizado em um jatinho pertencente ao empresário Daniel Vorcaro, CEO do Banco Master, e não constaria na prestação de contas da campanha.
O caso motivou a apresentação de requerimentos na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, que investiga suspeitas de fraudes em empréstimos consignados de aposentados e pensionistas.
Durante o pronunciamento, Alencar afirmou que o uso da aeronave deveria ter sido declarado. “Nós vamos pedir convocação na CPMI do INSS. O Nikolas andou num jatinho particular do dono do Banco Master, visitando diversos estados e fazendo campanha no segundo turno para o Bolsonaro. Existe foto dele junto com um dos donos da aeronave. Esse dinheiro foi declarado na campanha? Não. A doação das horas de viagem no avião? Não. E isso tinha que ser declarado, porque é custo de campanha”, declarou.
O deputado acrescentou que o episódio será apurado no âmbito da comissão. Segundo ele, Nikolas teria utilizado “da amizade com o dono do Master, que teve autorização em 2020, no Governo Bolsonaro, para fazer empréstimo consignado, roubando milhões de aposentados — foram mais de 250 mil contratos falsos”.
No mesmo contexto, o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) protocolou requerimento na CPMI do INSS solicitando a convocação de Nikolas Ferreira para prestar depoimento sobre o uso da aeronave ligada ao empresário. O pedido foi formalizado após a divulgação de que o parlamentar mineiro teria utilizado o jatinho para deslocamentos pelo país durante o segundo turno da disputa presidencial.
Além da convocação, Rogério Correia requereu a quebra de sigilos bancário, telefônico e telemático relacionados ao caso. Em publicação nas redes sociais, afirmou: “Apresentando requerimentos na CPMI do INSS convocando para depor Nikolas Ferreira e pastor Guilherme Batista e a quebra de sigilo bancário, telefônico e telemático, por uso de recursos do banco Master, responsável por fraudes nos consignados de aposentados”.
Em outra postagem, reforçou o pedido em caráter de urgência: “Protocolei requerimento urgente para convocação do aviador Nikolas Ferreira para a CPMI do INSS. Ele voou no jatinho de Vorcaro para fazer campanha contra Lula nas eleições de 2022. Qual o interesse de Vorcaro e dos banqueiros do Master em ter Bolsonaro presidente?”.
Rogério Correia também direcionou críticas ao grupo ligado à Igreja Lagoinha e a aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Provado o BolsoMaster e a lavagem de dinheiro na Lagoinha, uma verdadeira organização de extrema-direita, que tem até banco clandestino, Clava Forte, que reúne Zettel, Vorcaro, Nikolas, Viana, Valadão e outros bolsonaristas. Jamais foi Igreja, jamais foi pelo evangelho”, escreveu.
O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) também se manifestou sobre o tema em vídeo publicado nas redes sociais, respondendo ao relator da CPMI, Alfredo Gaspar. “Mas olha só quem pegou carona no jatinho de Vorcaro: Nikolas Ferreira e o pastor da Lagoinha, Guilherme Batista. E antes que tentem negar ou criar cortina de fumaça, a imagem está aí. A foto fala por si só e confirma exatamente o que foi dito. Contra fatos, não existe narrativa. A prova está exposta”, afirmou.
Em nova publicação, Pimenta acrescentou: “Como eu disse ontem, isso confirma exatamente o que eu já havia afirmado: Zetel, cunhado de Vorcaro e maior contribuinte das campanhas de Tarcísio e Bolsonaro, estava no avião ligado à Igreja Lagoinha. Está tudo conectado. Zetel é da Igreja Lagoinha, a mesma igreja associada a Nikolas, que é apontada como suspeita de ter sido utilizada para a lavagem de dinheiro. A foto prova tudo o que eu falei ontem”.
A CPMI do INSS analisa os requerimentos apresentados e poderá deliberar sobre a convocação dos citados e eventuais medidas adicionais no decorrer das investigações.
Fonte: Brasil 247
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