segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Lula prepara veto a projeto que reduz penas por atos golpistas

Presidente quer dar peso simbólico ao veto no aniversário dos ataques às sedes dos Poderes

        Lula e destruição de terroristas bolsonaristas (Foto: Agência Brasil)


O Palácio do Planalto organiza para esta quinta-feira (8), uma solenidade destinada a marcar o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao projeto de lei que prevê a redução de penas para condenados por atos golpistas, incluindo Jair Bolsonaro (PL). A escolha da data coincide com o aniversário de três anos dos ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília, e busca reforçar o caráter simbólico e político da decisão.

Segundo a Folha de São Paulo, Lula decidiu barrar o chamado PL da Dosimetria e reservar o 8 de janeiro para dar maior visibilidade institucional ao veto. O prazo legal para a manifestação presidencial se encerra em 12 de janeiro, quinze dias após o envio do texto aprovado pelo Congresso Nacional ao governo federal.

☉ Evento no Planalto marca posição contra anistia

A solenidade está sendo preparada sob a coordenação do ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Sidônio Palmeira. A programação prevê transmissão em telões instalados em frente ao Palácio do Planalto, enquanto, do lado externo, movimentos sociais, partidos políticos e centrais sindicais organizam um ato em defesa da democracia, com o mote “sem anistia para golpistas”.

Entre os organizadores estão as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo. O secretário-geral da Presidência, Guilherme Boulos, deverá participar da mobilização. A expectativa é que, no fim da tarde, o presidente Lula desça a rampa do Planalto para se encontrar com os manifestantes.

☉ Bastidores do veto e divergências entre aliados

Pela programação em discussão, a assinatura formal do veto deverá ocorrer no mesmo dia. Antes disso, Lula pretende discutir o teor da decisão com seus auxiliares na terça-feira (6), quando retorna de Marambaia, no litoral do Rio de Janeiro, onde passou o Réveillon.

No fim do ano passado, o presidente já havia antecipado publicamente sua posição. Em café com jornalistas realizado em 18 de dezembro, Lula afirmou de forma categórica: “Ao chegar na minha mesa, eu vetarei”. Em seguida, completou: “Tenho dito há algum tempo que as pessoas que cometeram o crime contra a democracia brasileira terão que pagar pelos atos cometidos contra esse país. Nem terminou o julgamento, ainda tem gente sendo condenada, e o pessoal já resolve diminuir as penas.”

O texto do projeto foi encaminhado à Presidência no dia seguinte, após aprovação no Senado. Entre aliados do presidente, houve divergências sobre o melhor momento para a assinatura do veto. Parte defendia que o gesto ocorresse ainda em dezembro, enquanto outros avaliaram que o ato poderia perder impacto em meio às festas de fim de ano.

☉ Impacto do projeto nas condenações do 8 de janeiro

O PL da Dosimetria contou com amplo apoio no Congresso, inclusive de partidos do centrão com presença no primeiro escalão do governo. No Senado, a proposta foi aprovada por 48 votos a 25. Na Câmara, o placar foi de 291 votos favoráveis e 148 contrários.

Caso entrasse em vigor, o projeto poderia reduzir significativamente o tempo de cumprimento de pena de Jair Bolsonaro no regime fechado, passando de um intervalo entre 6 e 8 anos para algo entre 2 anos e 4 meses e 4 anos e 2 meses, a depender da interpretação do Supremo Tribunal Federal. A condenação total do ex-mandatário soma 27 anos e 3 meses.

☉ Críticas do Supremo à redução de penas

Antes de Lula se posicionar de forma aberta, auxiliares chegaram a recomendar cautela e sugeriram aguardar manifestações formais do Supremo. Nos bastidores, a articulação do projeto teve aval de ministros da Corte. No entanto, na véspera da aprovação, o ministro Alexandre de Moraes fez duras críticas à proposta durante o julgamento de mais um grupo de réus da trama golpista.

“Não é possível mais discursos de atenuante em penas, em penas aplicadas depois do devido processo legal, aplicadas depois da ampla possibilidade de defesa, porque isso seria um recado à sociedade de que o Brasil tolera ou tolerará novos flertes contra a democracia”, afirmou Moraes.

Além da defesa da democracia, integrantes do governo avaliam ampliar a pauta do evento do dia 8 de janeiro, incorporando uma mensagem de respeito à soberania dos povos, após o ataque dos Estados Unidos à Venezuela, o que pode dar dimensão internacional ao ato organizado pelo Planalto.

Fonte: Brasil 247 com informações da Folha de S. Paulo

Crescimento da renda do trabalho acumula alta real de 16,6% em três anos

Dados da FGV Social indicam avanço acima do esperado mesmo com juros elevados e mostram impacto direto da redução histórica da desigualdade

                Carteira de trabalho digital (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O rendimento do trabalho no Brasil apresentou um avanço expressivo nos últimos três anos, contrariando previsões pessimistas de parte do mercado. No período, a renda real obtida por trabalhadores com suas atividades profissionais registrou crescimento acumulado de 16,6%, segundo dados publicados pelo FGV Social. As informações são do jornalista Ancelmo Gois, do jornal O Globo.

O levantamento considera a renda do trabalho descontada da inflação, permitindo avaliar o ganho real no poder de compra dos trabalhadores.

Segundo Marcelo Neri, pesquisador da FGV Social, o desempenho positivo ocorreu mesmo diante de fatores tradicionalmente associados à desaceleração econômica. “Isso apesar dos juros altos fixados para esfriar a economia e a inflação”, afirmou o economista, ao comentar o resultado apurado pela fundação.

Neri também destacou o papel central da redução da desigualdade na sustentação desse crescimento. Para ele, a melhora na distribuição de renda tem efeitos diretos sobre o consumo e a dinâmica econômica. “A queda da desigualdade, que acaba de chegar ao mínimo histórico, turbina os gastos nas faixas mais pobres, que têm maior propensão ao consumo, retroalimentando o processo”, disse.

Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo

Moraes determina que PF preste informações sobre ruídos em cela após reclamações de Bolsonaro

Defesa afirma que ruídos constantes no ar-condicionado comprometem repouso e saúde do ex-presidente preso, levando STF a exigir relatório em cinco dias

O ex-presidente Jair Bolsonaro em sua casa em Brasília-DF, onde cumpre prisão domiciliar, enquanto aguarda a execução penal pela condenação por golpe de Estado - 29/09/2025 (Foto: REUTERS/Diego Herculano)


O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal apresente esclarecimentos sobre ruídos no sistema de ar-condicionado do local onde o ex-presidente Jair Bolsonaro está custodiado, em razão de investigação por tentativa de golpe. A decisão estabelece o prazo de cinco dias para que a corporação encaminhe um relatório técnico sobre a situação. As informações são do G1.

A medida foi adotada após manifestação da defesa de Bolsonaro, que protocolou pedido ao Supremo relatando condições inadequadas no ambiente de detenção.

Segundo os advogados, o barulho contínuo do equipamento de climatização estaria afetando diretamente o repouso e a saúde do ex-presidente. No pedido encaminhado ao STF, a defesa sustenta que o problema ultrapassa o nível de simples incômodo e representa um fator de risco ao bem-estar físico e psicológico do preso.

“O ruído persiste sem interrupção, durante as 24 horas do dia, gerando ambiente incompatível com o repouso mínimo necessário à manutenção das condições físicas e psicológicas do custodiado, configurando situação que ultrapassa o mero desconforto e passa a caracterizar perturbação contínua à saúde e integridade do preso”, afirmaram os advogados.

Ao acolher o pedido de informações, Alexandre de Moraes determinou que a Polícia Federal detalhe as condições do sistema de ar-condicionado, bem como eventuais providências já adotadas ou previstas para sanar o problema apontado pela defesa.

Fonte: Brasil 247 com informações do G1

Celso de Mello vê crime internacional grave no sequestro de Maduro pelos EUA

Ex-ministro do STF alerta que ação dos Estados Unidos ameaça a soberania latino-americana e rompe princípios do direito internacional

Celso de Mello vê crime internacional grave no sequestro de Maduro pelos EUA (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)


O sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pelos Estados Unidos representa um grave precedente nas relações internacionais e um ataque direto à soberania dos países da América Latina. A avaliação é do ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello, que vê na iniciativa um risco concreto à estabilidade regional e à ordem jurídica global, ao normalizar o uso da força acima do direito internacional.

Em entrevista ao SBT News, Celso de Mello afirmou que a ação configuraria um “sequestro armado”, incompatível com tratados multilaterais e com a própria lógica da convivência entre Estados soberanos. Para o ex-decano do STF, a postura adotada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revive práticas históricas de dominação que já produziram graves consequências no continente.

Ao analisar a política externa norte-americana, Mello criticou o que classificou como tentativa de ressuscitar doutrinas ultrapassadas sob uma nova roupagem militarizada. Segundo ele, esse movimento representa uma afronta direta aos povos latino-americanos. “A pretensão americana de restaurar doutrinas anacrônicas, com roupagem militarizada, constitui desrespeito ostensivo aos povos latino-americanos. A América Latina não é protetorado, tampouco área de segurança nacional de qualquer potência. Os povos desta região lutaram, pagaram com sangue, para conquistar sua independência e consolidar regimes constitucionais próprios, plurais, socialmente sensíveis e vocacionados à paz”, afirmou.

O ex-ministro também alertou para o perigo de se legitimar novas formas de imperialismo travestidas de atualização doutrinária. “Não se podem tolerar novas formas de imperialismo travestidas de doutrina ‘renovada’ (Corolário Trump à doutrina Monroe), muito menos admitir que a História retroceda aos tempos infelizes da política do ‘big stick’, quando o ‘porrete’ (poder militar) falava mais alto que o Direito Internacional, e a razão jurídica era substituída pelo arbítrio geopolítico”, declarou.

Para Celso de Mello, a defesa da soberania nacional não se limita ao discurso político, mas funciona como um freio essencial à imposição da força entre Estados. Ele sustenta que a atual política externa conduzida por Trump se baseia na coerção, em detrimento dos princípios estabelecidos pela Carta das Nações Unidas. “Nenhuma conveniência repressiva autoriza substituir tratados e acordos de cooperação internacional por sequestro, que constitui ato essencialmente criminoso”, enfatizou.

O ex-magistrado lembrou ainda que o direito internacional oferece mecanismos legítimos para conflitos entre países, como pedidos de extradição ou instrumentos formais de cooperação jurídica. A adoção de caminhos opostos, segundo ele, cria um cenário de insegurança global. “Instala uma lógica perigosa: a de que fronteiras valem apenas para os fracos e acordos valem apenas quando convenientes”, advertiu.

Mesmo reconhecendo que há precedentes na Suprema Corte dos Estados Unidos que admitem o julgamento de pessoas capturadas de forma ilícita, Celso de Mello ressaltou que isso não elimina a ilegalidade do ato. Para ele, “a jurisdição penal não pode ser exercida pelo Estado sequestrador como se nada houvesse ocorrido”.

O ex-ministro também apontou o que chamou de “arrogância imperial” do presidente dos Estados Unidos, citando episódios de hostilidade contra imigrantes e populações vulneráveis, além do desprezo por compromissos humanitários internacionais. Segundo Mello, esse comportamento se expressa ainda “pela indiferença prática a compromissos humanitários; pelo tom insultuoso com que trata países menores, como se soberanias alheias fossem apenas variáveis negociáveis; e, sobretudo, pela disposição de substituir a ideia de uma ordem multipolar — equilibrada por regras e responsabilidades — por um projeto de sujeição assimétrica, em que ‘quem pode mais’ define o aceitável”.

Fonte: Brasil 247 com informações do SBT News 

PT processa Paulo Bilynskyj por postagem falsa que liga partido ao narcotráfico

Ação pede retirada imediata de vídeo nas redes sociais e indenização por dano moral após publicação associar sem provas o PT e Lula a crimes na Venezuela

                 Delegado Paulo Bilynskyj (Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados)

O Partido dos Trabalhadores (PT) ingressou com uma ação judicial por dano moral contra o deputado federal Paulo Bilynskyj (PL-SP) em razão de um vídeo publicado nas redes sociais no qual o parlamentar associa a sigla e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao narcotráfico. A legenda solicita à Justiça a remoção imediata do conteúdo divulgado no Instagram e o pagamento de indenização no valor de R$ 30 mil. As informações são do jornal O Globo.

Os argumentos foram apresentados à pelo partido na petição protocolada na 2ª Vara Cível de Brasília, no Distrito Federal. Segundo o PT, a publicação difundiu uma “narrativa sabidamente falsa e difamatória sem qualquer lastro fático ou jurídico”, além de ter alcançado “ampla circulação e elevado engajamento” nas redes sociais.

Na ação, o partido sustenta que o conteúdo ganha “gravidade adicional” por ter sido divulgado em período pré-eleitoral. O documento afirma ainda que o deputado teria utilizado o tema de forma deliberada para atacar a honra da legenda. “É absolutamente inaceitável que o requerido se utilize do tema como pretexto para insuflar narrativa falsa e difamatória, com o claro objetivo de degradar a honra objetiva do requerente perante a opinião pública”, diz um dos trechos da petição.

O PT argumenta que a medida judicial não tem caráter de censura. De acordo com a ação, a acusação feita por Bilynskyj “serve apenas para macular a honra alheia e induzir o ódio político na população”. A legenda também ressalta o alcance do parlamentar, que possui cerca de 1,4 milhão de seguidores, o que, na avaliação do partido, amplia o potencial de propagação das ofensas.

Outro ponto destacado no processo é que esse tipo de acusação já teria sido repetidamente refutado. “Trata-se de acusação recorrente, reiteradamente desmentida, inclusive por decisões judiciais que enfrentaram diretamente a matéria e determinaram a remoção de conteúdos que associavam o PT ao narcotráfico ou a organizações criminosas”, afirma a ação.

Na publicação questionada, o deputado atribui ao narcotráfico o financiamento da esquerda na América Latina, do PT e do presidente Lula. Em um dos trechos, Bilynskyj escreveu sobre o petista: “Tem que ser preso”. O parlamentar também compartilhou uma foto de Lula abraçado com o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, sequestrado pelo governo dos Estados Unidos, que o acuso de narcoterrorismo.

Fonte: BRasil 247 com informações do jornal O Globo

“Maluco” e “pilantra”: sobrenome Bolsonaro desgasta até entre os seus eleitores, aponta pesquisa


       O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Foto: Reprodução

Mesmo entre eleitores que votaram em Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno de 2022, o sobrenome Bolsonaro passou a ser rejeitado. É o que indica uma pesquisa qualitativa realizada pelo Instituto Travessia, a pedido do Estadão, com oito eleitores do ex-presidente reunidos em São Paulo no dia 16 de dezembro.

O grupo, diverso em idade, gênero, bairro e classe social, foi unânime em recusar votar novamente em alguém da família Bolsonaro. Provocados a definir Jair Bolsonaro em uma palavra, os participantes foram diretos: “maluco”, “covarde”, “falastrão”, “instável”, “mentiroso” e “pilantra”.

Uma entrevistada disse sentir-se “traída”. “Ele prometeu tanta coisa. A gente sentia que haveria uma mudança”, afirmou M., comerciante de 59 anos, identificada apenas pela inicial para preservar o anonimato.

Em outro momento, ela criticou a condução da pandemia: “Ele viu muita gente morrer e não fez nada”, antes de acrescentar que Bolsonaro “falava muita asneira”.

A avaliação negativa também recaiu sobre o excesso de declarações desastrosas e a percepção de que o ex-presidente “prometeu demais e, na hora H, se acovardou”, nas palavras do vendedor D., de 44 anos.

● Inelegibilidade e episódios recentes

Embora alguns participantes considerem que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, tenha agido de forma pessoal, a condição de Bolsonaro como inelegível e detido na Superintendência da Polícia Federal não gerou contestação emocional.

Já a tentativa de romper a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda foi criticada e virou motivo de piada. “Não consigo pensar que um ex-presidente da República meteu um ferro de solda na tornozeleira eletrônica. Você é um ex-militar, como perdeu o controle?”, comentou um participante, ao citar a justificativa de “paranoia” e “alucinações”.

● Rejeição se estende à família

A rejeição alcança o sobrenome Bolsonaro como um todo. A relação do ex-presidente com os filhos é vista como problemática, e a maioria descarta votar em familiares.

“Qualquer membro da família Bolsonaro que entrar na política terá Bolsonaro por trás de tudo”, avaliou uma auxiliar administrativa.

Família Bolsonaro se prepara para as eleições pós prisão de Jair Bolsonaro - Bahia Na Política
Clã Bolsonaro durante ato na Avenida Paulista, em São Paulo. Foto: Reprodução
Outro participante afirmou que o ex-presidente usou “a máquina para proteger os filhos”. A advogada M., de 41 anos, disse que “qualquer filho do Bolsonaro que disputar uma eleição contra Lula perde”.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro enfrenta menos resistência, mas foi lembrado que ela nunca exerceu mandato. “A gente precisa de político, não de alguém que fique bem nas fotos”, ponderou uma gerente de logística.

Já Flávio Bolsonaro é pouco conhecido pelo grupo. As impressões variam entre “sensato” e “muito manipulador”, com lembranças de “muitas coisas que ele fez e o pai cobriu”. A dinâmica, mediada pelo cientista político Renato Dorgan, não tem valor estatístico, mas ajuda a dimensionar o desafio eleitoral que o sobrenome Bolsonaro enfrenta.

Fonte: DCM

Democratas pedem impeachment de Trump após ataque dos EUA à Venezuela

Parlamentares questionam ofensiva militar, falta de aviso ao Congresso e falam em violação da Constituição americana

              O presidente dos EUA, Donald Trump - 03/12/2025 (Foto: REUTERS/Brian Snyder)

Um grupo de parlamentares do Partido Democrata nos Estados Unidos reagiu às recentes ações militares ordenadas pelo governo norte-americano contra a Venezuela. Os congressistas criticaram o bombardeio a diferentes localidades do país sul-americano e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, operações realizadas sem comunicação prévia ao Congresso, o que aprofundou a crise política em Washington.

A informação foi divulgada originalmente pela teleSUR, que acompanhou as reações no Capitólio e detalhou o posicionamento de líderes democratas diante da decisão tomada por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. Para os parlamentares, a ausência de informações ao Legislativo em um tema de alta relevância para a política externa representa uma ruptura institucional grave.

A liderança democrata no Congresso passou a exigir explicações formais do Executivo. Em comunicado conjunto, o líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, e o líder democrata na Câmara dos Representantes, Hakeem Jeffries, solicitaram que os congressistas fossem informados “a princípios da próxima semana” sobre os fundamentos e as consequências da ação militar.

No mesmo sentido, Gregory Meeks, principal representante democrata no Comitê de Relações Exteriores da Câmara, afirmou não ter recebido qualquer aviso antecipado. “Nesse momento, recebi toda a informação pelos meios de comunicação”, declarou, ao criticar a condução do governo em um episódio de grande impacto internacional.

O tom das críticas se intensificou com manifestações que defendem a abertura de um processo de impeachment. A deputada Delia Ramirez divulgou uma nota afirmando que “Trump deve ser submetido a um juízo político” e anunciou a apresentação de uma resolução para limitar os poderes presidenciais em assuntos de guerra. Já o congressista Dan Goldman classificou a operação como uma afronta direta à ordem constitucional. “Essa violação da Constituição dos Estados Unidos é um delito que pode dar lugar a um juízo político”, afirmou.

Outros parlamentares democratas também atacaram o plano apresentado pela Casa Branca. Jared Huffman descreveu a iniciativa como “verdadeiramente insana” e disse que o país estaria entrando no terreno da 25ª Emenda da Constituição, mecanismo que permite afastar um presidente por incapacidade, com participação do gabinete.

As dúvidas não se restringiram ao campo democrata. No Partido Republicano, o deputado Brian Fitzpatrick também demonstrou desconforto com a estratégia anunciada pelo governo. Ao comentar a ideia de que os Estados Unidos “assumiriam” a condução da Venezuela, afirmou que “o único país que os Estados Unidos deveriam ‘dirigir’ são os próprios Estados Unidos da América”.

Em resposta às críticas, Donald Trump declarou que o Congresso não foi informado previamente porque “tem tendência a filtrar” informações sensíveis. O presidente também afirmou ter pedido aos meios de comunicação que não divulgassem nada antes da ofensiva, sob o argumento de não colocar em risco as tropas norte-americanas.

Fonte: Brasil 247

Mercado prevê inflação na meta e Selic em 12,25% em 2026, diz Boletim Focus

Projeções indicam IPCA próximo da meta, Selic em trajetória de baixa e crescimento econômico ainda visto com cautela pelo mercado

           Sede do Banco Central, em Brasília - 17/12/2024 (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

O primeiro Boletim Focus de 2026 sinaliza um cenário de inflação sob controle e expectativa de redução gradual dos juros, ao mesmo tempo em que revela uma postura conservadora do mercado em relação ao crescimento da economia brasileira e à situação fiscal. As estimativas indicam desaceleração dos preços e um ciclo de alívio monetário após um período prolongado de aperto.

O relatório semanal do Banco Central, divulgado no início de janeiro, aponta que a mediana das projeções para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 é de 4,06%. O número permanece dentro do intervalo de tolerância da meta de inflação de 3,5%, que admite variação de até 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

As expectativas captadas pelo Focus também indicam perda de fôlego da inflação ao longo do tempo. Para os primeiros meses de 2026, o mercado projeta índices mensais mais baixos e uma inflação acumulada em 12 meses próxima de 4%, reforçando a leitura de um ambiente mais favorável para a política monetária. Nesse contexto, a taxa básica de juros, a Selic, é estimada em 12,25% ao final de 2026, abaixo do patamar atual de 15% definido pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

Apesar do cenário considerado benigno para preços e juros, as projeções de crescimento seguem moderadas. O Boletim Focus aponta expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,26% em 2025 e de 1,80% em 2026, revelando uma avaliação cautelosa sobre o ritmo da atividade econômica nos próximos anos. No mercado de câmbio, as estimativas permanecem praticamente inalteradas, com o dólar projetado em torno de R$ 5,50 entre 2025 e 2027.

O setor externo aparece com números expressivos, segundo as expectativas do mercado. O superávit comercial é estimado em mais de US$ 60 bilhões, enquanto o déficit em conta corrente deve se aproximar de US$ 75 bilhões em 2025, indicando desequilíbrios que ainda preocupam analistas, mesmo diante de um comércio exterior robusto.

Fonte: Brasil 247

Conselheiro de Trump ataca Lula após críticas ao sequestro de Maduro: “Vai se ferrar”

Jason Miller, conselheiro de Trump. Foto: Bruce Schaff

A reação do governo dos Estados Unidos às críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à ofensiva militar na Venezuela provocou um novo episódio de tensão diplomática. Jason Miller, um dos principais conselheiros do presidente Donald Trump, atacou Lula de forma direta nas redes sociais após o brasileiro condenar os bombardeios que resultaram no sequestro de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.

Em publicação no X, Miller compartilhou uma reportagem que noticiava o posicionamento crítico de Lula e escreveu: “Vai se foder, Lula. Agora todos nós sabemos qual é a sua posição”. A mensagem, divulgada em tom ofensivo, repercutiu rapidamente e elevou o grau do embate verbal entre aliados do presidente estadunidense e o Palácio do Planalto.

Horas após os ataques dos Estados Unidos à Venezuela, Lula havia se manifestado publicamente, afirmando que a ação ultrapassava uma “linha inaceitável”.

“Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”, declarou.

Em seguida, o presidente brasileiro reforçou que “atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”.

Lula também afirmou que a condenação ao uso da força segue a tradição diplomática brasileira. “A condenação ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado em situações recentes em outros países e regiões. A ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe e ameaça a preservação da região como zona de paz”, disse.

A ofensiva militar dos Estados Unidos ocorreu no sábado (3), quando bombardeios atingiram diferentes regiões da Venezuela. Trump afirmou que Maduro e Cilia Flores foram capturados e levados de navio para Nova York, onde o líder chavista será julgado por narcoterrorismo.

Horas depois, o presidente estadunidense divulgou uma fotografia de Maduro algemado, com os olhos vendados e abafadores nos ouvidos, segurando uma garrafa de água. Segundo Trump, a imagem foi registrada a bordo do USS Iwo Jima, embarcação utilizada na transferência do prisioneiro.

Fonte: DCM

Montanhista apresenta nova versão sobre o mistério do desaparecimento de jovem no Pico Paraná

O desaparecimento de Roberto Farias Thomaz, de 19 anos, durante uma trilha no Pico Paraná, voltou a ganhar destaque

Leandro Pierroti viralizou nas redes ao contar detalhes do que aconteceu no dia em que Roberto Farias desapareceu (Foto: Reprodução)


O desaparecimento de Roberto Farias Thomaz, de 19 anos, durante uma trilha no Pico Paraná, voltou a ganhar destaque após a divulgação de um novo relato feito pelo montanhista e corredor de montanha Leandro Pierroti. Voluntário nas buscas pelo jovem, ele usou as redes sociais para apresentar uma versão diferente da que vem circulando amplamente na internet, especialmente em relação à conduta de Thayane Smith, amiga que acompanhava Roberto na trilha. As informações foram divulgadas pelo Metrópoles

Segundo Pierroti, a narrativa que aponta Thayane como responsável direta pelo desaparecimento do jovem é reducionista e pode atrapalhar o esclarecimento do caso. “Estão colocando apenas a menina como vilã, e isso não ajuda em nada na resolução do caso”, afirmou. Em vídeo que viralizou nas redes sociais, o montanhista explicou que participou ativamente das buscas e chegou a subir a montanha ao lado de Thayane na tentativa de localizar Roberto. De acordo com ele, os dois jovens estavam acampados no ponto conhecido como A1 e decidiram subir até o cume do Pico Paraná apenas para assistir ao nascer do sol, prática comum entre trilheiros experientes.

Segundo Pierroti, a dupla fez a subida sem mochilas ou equipamentos pesados, deixando os pertences no acampamento. “Muita gente deixa os pertences no A1 e sobe leve. Foi isso que eles fizeram”, explicou. Ele acrescentou que o celular de Roberto teria molhado durante a virada do ano e, por esse motivo, permaneceu guardado dentro da barraca, o que explicaria o fato de Thayane estar com objetos pessoais do jovem ao retornar da trilha.O montanhista também esclareceu como teria ocorrido a separação entre Roberto e Thayane. Conforme o relato, o distanciamento aconteceu durante a descida, em um trecho de pedras. Nesse momento, Thayane teria avisado que seguiria à frente junto a corredores de montanha que passavam pelo local.

“Ela ultrapassou o Roberto e seguiu com dois corredores. Um terceiro corredor permaneceu atrás dele. Essa informação foi confirmada pelos próprios corredores”, relatou Pierroti. Segundo ele, essa dinâmica desmonta a versão de que Roberto teria sido abandonado sozinho em situação de risco imediato.

Sobre os rumores de que o jovem estaria passando mal no momento do desaparecimento, o montanhista afirmou que as informações não procedem. Ao conversar com os corredores que estavam na trilha, Pierroti disse ter ouvido o seguinte relato: “Eles disseram que ele estava cansado, mas não passando mal, não vomitando”.

Pierroti também comentou os boatos sobre uma possível discussão grave entre Roberto e Thayane. De acordo com ele, não houve briga durante a descida da montanha. Segundo o atleta, a própria Thayane relatou apenas desentendimentos pontuais ocorridos anteriormente, ainda no acampamento A1, sem qualquer confronto relevante no momento crítico da trilha.Enquanto as buscas seguem e o caso continua sob investigação das autoridades, o novo depoimento reacende o debate em torno das circunstâncias do desaparecimento e reforça o apelo por cautela na disseminação de versões não confirmadas, especialmente nas redes sociais.

Confira seu depoimento postado no Instagram:

Fonte: Brasil 247 com informações do Metrópoles

Venezuela cria comissão especial para libertação de Maduro

Órgão será liderado por Jorge Rodríguez e busca libertar o presidente venezuelano e Cilia Flores após agressões norte-americanas e prisão em Nova York

Brasília (DF) - 29/05/2023 - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)


O governo da Venezuela anunciou a criação de uma comissão especial de alto nível para atuar pela libertação do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, que, segundo Caracas, foram sequestrados durante uma ofensiva militar dos Estados Unidos contra o país. A medida ocorre em meio à escalada de tensões após ataques aéreos que atingiram Caracas e os estados de Miranda, La Guaira e Aragua. As informações são da RT.

De acordo com o ministro da Comunicação e Informação da Venezuela, Freddy Ñáñez, a comissão foi instituída por Delcy Rodríguez, que assumiu como presidente encarregada após decisão do Tribunal Supremo de Justicia, enquanto Maduro permanece detido.

O organismo será presidido por Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional, e contará ainda com a participação do chanceler Yván Gil, da vice-ministra para a Comunicação Internacional, Camilla Fabri, além do próprio Freddy Ñáñez. O objetivo central do grupo é articular ações políticas, jurídicas e diplomáticas para garantir a libertação do chefe de Estado venezuelano e de sua esposa.

Segundo o governo venezuelano, Nicolás Maduro e Cilia Flores foram capturados por forças militares dos Estados Unidos e transferidos para Nova York. O casal deu entrada no Centro de Detenção Metropolitano, no bairro do Brooklyn, uma prisão federal conhecida por abrigar detentos de grande repercussão internacional.

A procuradora-geral dos Estados Unidos, Pamela Bondi, declarou que Maduro e Flores “em breve enfrentarão a ira da Justiça norte-americana em solo norte-americano e em tribunais norte-americanos”. A afirmação reforçou a posição de Washington, que passou a justificar a operação como parte de sua política externa em relação à Venezuela.

Após os bombardeios em larga escala, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Washington passaria a conduzir a política venezuelana até que a Casa Branca considere possível “fazer uma transição segura”. “Não podemos correr o risco de que outra pessoa assuma o controle da Venezuela”, declarou.

Em resposta, o governo da Venezuela classificou as ações norte-americanas como uma “gravíssima agressão militar”. Em comunicado oficial, Caracas advertiu que o objetivo da ofensiva “não é outro senão apoderar-se dos recursos estratégicos da Venezuela, em particular de seu petróleo e de seus minerais, tentando quebrar pela força a independência política da nação”.

Fonte: Brasil 247 com informações da RT

China condena ataque dos EUA à Venezuela e denuncia "grave violação do direito internacional"

Chancelaria chinesa critica uso da força, apoia reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU e defende respeito à autodeterminação venezuelana

               Guo Jiakun, porta-voz da chancelaria chinesa (Foto: Global Times)

A ofensiva militar lançada pelos Estados Unidos contra a Venezuela no sábado (3), que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, provocou forte reação internacional e ampliou a tensão geopolítica na América Latina e no Caribe. A operação, considerada sem precedentes na região desde a invasão do Panamá em 1989, incluiu bombardeios aéreos em Caracas e em outras áreas do norte do país, além da captura do chefe de Estado venezuelano por forças especiais norte-americanas.

Em comunicado divulgado nesta segunda-feira (5), o Ministério das Relações Exteriores da China condenou duramente a ação militar dos Estados Unidos. Segundo a chancelaria chinesa, “a China condena o uso flagrante da força pelos Estados Unidos contra a Venezuela, que viola gravemente o direito internacional e as normas básicas das relações internacionais, infringe a soberania da Venezuela e ameaça a paz e a segurança na região da América Latina e do Caribe”.

A nota oficial afirma ainda que Pequim “exorta as partes a respeitarem o direito da Venezuela de escolher de forma independente seu caminho de desenvolvimento e a trabalharem pela estabilidade e pelo retorno da ordem no país”. A China também declarou apoio ao Conselho de Segurança das Nações Unidas na convocação de uma reunião de emergência para discutir os ataques militares dos Estados Unidos e ressaltou que o órgão deve “desempenhar seu papel conforme o mandato que lhe foi conferido”.

De acordo com o governo chinês, o país está disposto a atuar junto à comunidade internacional para “defender firmemente a Carta da ONU e os princípios fundamentais da justiça internacional”, em referência às normas que regem a soberania dos Estados e a resolução pacífica de conflitos.

A ofensiva norte-americana, batizada de Operação Resolução Absoluta, teve início nas primeiras horas da manhã, com o emprego de mais de 150 aeronaves das Forças Armadas dos Estados Unidos em ataques a alvos militares e estratégicos. No centro da ação esteve a detenção de Nicolás Maduro, que foi levado a Nova York, onde deverá responder a acusações de narco-terrorismo e tráfico de cocaína em tribunais federais norte-americanos.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a operação em suas redes sociais, afirmando que a intervenção fazia parte de um esforço para combater o narcotráfico e enfrentar supostas ameaças à segurança nacional. Trump também declarou que Washington administraria temporariamente a Venezuela até uma “transição segura de poder” e mencionou interesses estratégicos ligados ao setor petrolífero venezuelano.

O governo da Venezuela classificou a ação como um ato de agressão e uma violação direta de sua soberania. Após o sequestro de Maduro, a vice-presidente Delcy Rodríguez foi nomeada presidente interina. Autoridades cubanas informaram que 32 oficiais de Cuba que atuavam junto às forças venezuelanas morreram durante a operação militar.

A reação da China se soma a uma série de críticas internacionais ao ataque, que reacendeu o debate sobre intervenções unilaterais, o respeito ao direito internacional e o papel das Nações Unidas diante de conflitos armados envolvendo grandes potências.

Fonte: Brasil 247

Colômbia busca apoio do Brasil contra ameaça dos EUA

Depois de atacar a Venezuela e sequestrar Maduro, Trump fala publicamente em lançar uma operação contra Gustavo Petro, da Colômbia

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e presidente da Colômbia, Gustavo Petro (Foto: REUTERS/Luisa Gonzalez)

O governo da Colômbia aprofundou a busca por apoio diplomático do Brasil em meio à escalada de tensões provocada pelas ações militares dos Estados Unidos na Venezuela e por declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, que admitiu considerar positiva uma eventual operação militar também contra território colombiano. O movimento de Bogotá ocorre diante do temor de que a instabilidade regional se agrave e ultrapasse as fronteiras venezuelanas, informa Paulo Cappelli, do Metrópoles.

Assessores do presidente Gustavo Petro procuraram técnicos do Itamaraty para discutir mecanismos de proteção internacional. A avaliação no Ministério das Relações Exteriores do Brasil é de que há preocupação concreta de que Washington amplie o alcance de suas operações militares na América do Sul.

A apreensão ganhou novos contornos após declarações de Donald Trump na noite de domingo (4), feitas a repórteres a bordo do Air Force One. Um dia depois da ofensiva militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou no sequestro de Nicolás Maduro, em Caracas, Trump afirmou ver “com bons olhos” a possibilidade de uma ação militar contra a Colômbia. Ao comentar a situação, fez ataques diretos ao presidente colombiano. “A Colômbia é governada por um homem doente, que gosta de produzir e enviar cocaína aos Estados Unidos, e ele não vai fazer isso por muito mais tempo”, declarou. Questionado sobre uma eventual ofensiva militar, respondeu que a ideia lhe parecia boa.

Ainda no domingo, Gustavo Petro reagiu à operação contra Maduro, classificando-a como um sequestro e questionando sua legalidade. “Sem base legal para realizar uma ação contra a soberania da Venezuela, a detenção se transforma em sequestro”, escreveu o presidente colombiano em publicação na rede social X. Petro é um crítico frequente de Donald Trump e se posiciona contra ações militares dos Estados Unidos na região, que Washington afirma ter como objetivo o combate ao narcotráfico.

Diante da repercussão das falas do presidente norte-americano, Petro divulgou uma longa mensagem na qual afirmou que só responderia plenamente após confirmar o sentido exato das declarações em inglês atribuídas a Trump. O presidente colombiano classificou as falas como uma “ameaça ilegítima” e advertiu para o risco de uma crise política e social de grandes proporções caso haja qualquer ação contra seu governo. “Hoje verei se as palavras em inglês de Trump se traduzem como diz a imprensa nacional. Portanto, mais tarde as responderei até saber o que significa realmente a ameaça ilegítima de Trump”, escreveu.

Na mesma manifestação, Petro criticou duramente o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que teria tentado dissociar setores do governo norte-americano das declarações do presidente. “Em relação ao senhor Rubio, que desliga autoridades do presidente e diz que o presidente não quer colaborar e que as autoridades sim, solicito que leia a Constituição da Colômbia porque sua informação é completamente errada”, afirmou.

O tom da mensagem se intensificou quando o presidente colombiano mencionou a possibilidade de ser alvo direto de ações externas. “E se detêm o presidente que boa parte do meu povo quer e respeita, despertarão o jaguar popular”, escreveu, sugerindo que uma medida desse tipo poderia desencadear mobilizações massivas e um cenário de confronto interno e externo.

Petro afirmou ainda ter dado ordens explícitas às forças armadas e à polícia em defesa da soberania nacional. “Cada soldado da Colômbia tem uma ordem desde já: todo comandante da força pública que prefira a bandeira dos EUA à bandeira da Colômbia se retira imediatamente da instituição”, declarou, ressaltando que a Constituição determina que a força pública deve defender a soberania popular.

Em outro trecho, o presidente afirmou que, embora não seja militar, conhece “a guerra e a clandestinidade” e lembrou que jurou não voltar a usar armas após o pacto de paz de 1989. Ainda assim, deixou uma advertência simbólica: “Mas pela Pátria tomarei de novo as armas que não quero”.

Petro também rebateu as acusações feitas por Donald Trump, negando qualquer ligação com o narcotráfico ou questionamentos sobre sua legitimidade. “Não sou ilegítimo, nem sou narco. Só tenho como bem minha casa familiar, que ainda pago com meu salário”, escreveu, acrescentando que seus extratos bancários são públicos e que ninguém conseguiu provar gastos superiores à sua renda.

Ao final da mensagem, o presidente colombiano convocou a população a se mobilizar contra qualquer tentativa de agressão que considere ilegítima. “Eu tenho uma enorme confiança em meu povo e por isso solicitei ao povo que defenda o presidente de qualquer ato violento ilegítimo contra ele. A forma de me defender é tomar o poder em todos os municípios do país”, afirmou.

Enquanto isso, a crise segue no centro da agenda internacional. Líderes da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) se reuniram no domingo para discutir a situação na Venezuela e buscar uma resposta regional coordenada, sem chegar a consenso. Já o Conselho de Segurança da ONU agendou para esta segunda-feira (5) um debate sobre os ataques realizados na Venezuela, ampliando o peso diplomático do impasse que envolve Estados Unidos, Colômbia e o conjunto da América Latina.

Fonte: Brasil 247 com informações do Metrópoles

VÍDEO: Trump admite interesse das companhias dos EUA no petróleo da Venezuela


        Trump a bordo do Air Force. Foto: reprodução

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, admitiu publicamente o interesse no petróleo da Venezuela após a operação militar que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro. Em conversa com jornalistas a bordo do avião presidencial, no domingo (4), Trump afirmou que dialogou com companhias petrolíferas dos Estados Unidos “antes e depois” da ofensiva.

Ele afirmou que empresas estadunidenses pretendem gastar vários bilhões de dólares para reerguer o setor. “Eles querem entrar, e vão fazer um grande trabalho para o povo da Venezuela”, disse o republicano.

A declaração foi feita um dia depois de forças estadunidenses realizarem uma operação militar durante a madrugada em território venezuelano, prendendo Maduro e a esposa, Cilia Flores.

Autoridades dos Estados Unidos informaram que o casal está detido no Centro Metropolitano de Detenção, no Brooklyn, e enfrenta acusações relacionadas a narcotráfico e crimes envolvendo armas.



O impacto das ações foi imediato nos mercados financeiros. No primeiro pregão da semana de 2026, ações de grandes companhias de petróleo registraram forte valorização com a possibilidade de se apossarem do petróleo venezuelano.

Chevron, ConocoPhillips e Valero Energy avançaram cerca de 9% cada, enquanto os papéis da ExxonMobil subiram quase 4% no pregão noturno. A Marathon Petroleum também teve alta superior a 9%, segundo dados do Yahoo Finance.

Com a abertura do mercado prevista para a manhã seguinte, analistas apontaram que as grandes petroleiras dos Estados Unidos poderiam adicionar mais de US$ 100 bilhões em valor de mercado de forma combinada, impulsionadas pela expectativa de investimentos bilionários na reconstrução da infraestrutura energética da Venezuela.

O reflexo também foi sentido nas empresas de serviços de campos petrolíferos. As ações da Halliburton saltaram 11%, enquanto a SLB registrou alta de 12% no pregão noturno.

O movimento reforçou a percepção de que a ofensiva dos Estados Unidos abriu caminho para uma ampla reorganização do setor de energia venezuelano sob influência direta de companhias estrangeiras.

Os preços do petróleo também reagiram, ainda que de forma moderada. De acordo com a CNBC, o barril do West Texas Intermediate subiu 11 centavos, para US$ 57,43, enquanto o Brent avançou 17 centavos, alcançando US$ 60,92 por barril no início da noite de domingo.

A Venezuela é membro da Opep, e a perspectiva de intervenção externa em sua produção gerou especulações sobre impactos futuros na oferta global.

Fonte: DCM