terça-feira, 10 de junho de 2025

Entenda os principais pontos do depoimento de Cid, que complicam ainda mais Bolsonaro

Mauro Cid diz ao STF que Bolsonaro recebeu minuta do golpe e "enxugou", mantendo prisão de Moraes

       Mauro Cid (Foto: Gustavo Moreno / STF)

Durante quatro horas de interrogatório no Supremo Tribunal Federal (STF), o tenente-coronel Mauro Cid confirmou, com detalhes, os principais elementos da delação premiada firmada com a Polícia Federal, que incriminam diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro. A audiência, realizada na segunda-feira (9/6), faz parte da série de interrogatórios dos réus acusados de articular uma tentativa de golpe de Estado para manter Bolsonaro no poder após a derrota eleitoral em 2022.

Cid reafirmou, logo no início, a veracidade de todas as informações prestadas à PF durante a colaboração. “Confirmo integralmente o conteúdo da minha delação”, disse, ao ser questionado pelo relator do caso, ministro Alexandre de Moraes. O ponto mais contundente do depoimento foi a confirmação de que Bolsonaro não apenas teve conhecimento da chamada “minuta do golpe”, como também a editou pessoalmente. O documento previa, entre outras medidas, a prisão do próprio Moraes, além da anulação das eleições que elegeram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“De certa forma, ele enxugou o documento, retirando autoridades das prisões, ficando somente o senhor como preso. O resto…”, relatou Cid, provocando uma reação irônica do ministro: “O resto foi conseguindo um habeas corpus”.

Outro trecho revelador envolveu um documento batizado de “Copa 22”, que segundo Cid detalhava gastos com deslocamentos a Brasília e teria sido discutido na casa do general Braga Netto. A peça, conforme denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), citava até o assassinato de Lula, Moraes e do vice-presidente Geraldo Alckmin. Cid, no entanto, negou ter repassado esse material. “Não me lembro se imprimi para mostrar para o coronel, tesoureiro do PL, ou se mostrei no próprio computador ou no celular”, disse.

Visivelmente nervoso durante o depoimento, com voz embargada, gaguejos e longas pausas, Cid respondeu a todas as perguntas feitas, como é obrigatório em acordos de colaboração. Ele também foi questionado sobre uma foto da minuta do decreto golpista encoberta parcialmente por um papel. Disse que não sabia quem tirou a imagem: “Não me lembro quem mandou. É um documento mal escrito. Mas não fui eu quem tirou a foto.”

Ao ser indagado sobre os participantes da suposta trama, Cid negou a existência de um grupo estruturado, mas afirmou que havia pessoas no entorno do governo que levavam ideias golpistas a Bolsonaro. “Os grupos não eram organizados. Era cada um com sua ideia. Não existia uma organização e nem reuniões. Tinham dos mais conservadores aos mais radicais.”

Sobre os militares, apontou o almirante Almir Garnier, ex-comandante da Marinha, como “um dos mais radicais”, enquanto descreveu Braga Netto e Paulo Sérgio Nogueira como figuras mais moderadas.

A defesa de Cid fez apenas uma pergunta ao final: se Bolsonaro havia expressado o desejo de se manter no poder após a derrota. Cid respondeu que a maior preocupação do ex-presidente “sempre foi encontrar uma fraude nas urnas”. Repetiu a afirmação de que Bolsonaro insistia nessa tese sem nunca conseguir comprovar nada.

Do lado do ex-presidente, o advogado Celso Vilardi criticou o ex-ajudante: “Tem uma memória seletiva. Quando confrontado, diz que esqueceu.” O próprio Bolsonaro, ao sair do tribunal, falou brevemente com a imprensa: “Não vou ser condenado. Estou bem, estou tranquilo. Mas é lógico que ninguém queria estar aqui.”

A audiência de Mauro Cid marca o início da fase mais aguardada do processo. O ministro Alexandre de Moraes reservou todos os dias desta semana para os interrogatórios dos réus. As sessões ocorrem com transmissão pelo canal do Metrópoles no YouTube. Nesta terça-feira (10/6), o depoimento será do ex-comandante da Marinha, Almir Garnier.

A denúncia apresentada pela PGR foi aceita por unanimidade na Primeira Turma do STF, composta por Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin. Os réus respondem por crimes como tentativa de golpe de Estado, organização criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.

Fonte: Brasil 247

No STF, advogado divulga áudio em que Cid lista empresários que pressionavam por relatório golpista; entre eles, Hang e Nigri

Advogado de Bolsonaro, Celso Vilardi, usou a gravação para confrontar Mauro Cid e tentar livrar Bolsonaro, réu pela tentativa de golpe

                              Jair Bolsonaro e Celso Vilardi - 09/06/2025 (Foto: Ton Molina/STF)

O advogado de Jair Bolsonaro, Celso Vilardi, divulgou nesta segunda-feira (9) um áudio do ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, Mauro Cid, em que o militar lista alguns empresários, entre eles Luciano Hang e Meyer Nigri, responsabilizando os homens por pressionar o ex-capitão a elaborar um relatório de teor golpista, após as eleições de 2022, vencidas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O objetivo dos empresários era que Bolsonaro interferisse em um resultado divulgado pelo Ministério da Defesa, que dava conta de que as urnas eletrônicas não haviam sido fraudadas.

Ainda de acordo com o áudio de Cid, obtido pela Polícia Federal (PF), Bolsonaro foi contra uma "ação mais contundente" a favor da execução do golpe de Estado. Confira o trecho:

"Oi, general, bom dia! É, ontem, o presidente, eu senti que ele já praticamente... Acho que desistiu de qualquer coisa, de qualquer ação mais contundente. Ontem, por várias vezes, ele comentou que o governo Lula, que um possível governo Lula, como ele sempre fala, não daria certo. Ele [Lula] vai meter o pé pelas mãos, é, ele vai botar os servidores todos contra ele. Tanto que ontem ele [Bolsonaro] comentou e pediu para deixar tudo andar, não quer que ninguém fique pressionando nada. Ele conversou bastante tempo com o Valdemar também. Ontem no começo da tarde, ontem, o general Pazuello esteve com ele dando sugestões, ideiais de como ele podia de alguma forma tocar o artigo 142, uma coisa assim. Ele desconversou, não quis nem saber, não, não deu bola para o que o general Pazuello estava levando para ele.

Também deixou o general Paulo Sergio tranquilo com relação a prazo de entrega e o que vai ser escrito no relatório. Inclusive, deu até a entender que o que estiver lá está bom, o que escrever está ótimo. Aquele outro relatório do IVL [Instituto Voto Legal] que deve estar saindo também, não quis pressionar Valdemar, deixou rodar.

E na conversa que ele [Bolsonaro] teve depois com os empresários, estava o Hang, aquele cara da Centauro, estava o Meyer Nigri [dono da Tecnisa], ele [Bolsonaro] também falou: 'olha, o governo Lula vai, vai, vai cair de podre'. E o pessoal ficou um pouco de moral baixa porque os empresários estavam querendo pressionar o presidente a fazer um relatório contundente, duro, para virar jogo, aqueles negócios. E ele mesmo já descaracterizou e já falou para os empresários: 'vocês que vão se prejudicar muito com Lula'".

Questionado por Vilardi, Cid disse não se lembrar da gravação. Contudo, Cid disse que a gravação foi "possivelmente" encaminhada ao general Freire Gomes, ex-comandante do Exército.

Ele disse ainda que não se lembra da reunião entre Bolsonaro e os empresários. O encontro teria ocorrido em 7 de novembro de 2022, segundo Cid.

Vivaldi disse ainda que Bolsonaro irá esclarecer na terça-feira (10) o "enxugamento da minuta", fato citado pelo ex-ajudante de ordens, que, segundo a defesa de Bolsonaro, caiu em contradição diversas vezes ao longo do depoimento no Supremo Tribunal Federal (STF).

Fonte: Brasil 247

Governo Lula retira mais de 6 mil crianças e adolescentes do trabalho infantil desde 2023

Maioria dos casos envolvia as piores formas de exploração

       Trabalho infantil no Brasil (Foto: Valter Campanato - Abr)

No marco do Dia Nacional e Mundial de Combate ao Trabalho Infantil, que transcorre na próxima quinta-feira (12), o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou um balanço que reforça a urgência de enfrentar essa violação de direitos humanos. Segundo informações da Agência Gov, mais de 6 mil crianças e adolescentes foram afastados de situações de trabalho infantil entre 2023 e abril de 2025 em todo o país.

De acordo com os dados consolidados pela Inspeção do Trabalho, foram 6.372 casos de trabalho infantil identificados e interrompidos no período. O foco das fiscalizações esteve especialmente voltado para as piores formas de exploração, aquelas que oferecem riscos graves à saúde, à segurança e ao desenvolvimento físico e emocional de crianças e adolescentes.

Em 2023, foram registrados 2.564 afastamentos. No ano seguinte, esse número subiu para 2.741. Apenas nos primeiros quatro meses de 2025, 1.067 crianças e adolescentes já haviam sido retirados de atividades laborais irregulares. Um dado particularmente alarmante é que 86% dos casos identificados se enquadravam nas piores formas de trabalho infantil.

O coordenador nacional de Fiscalização do Trabalho Infantil da Secretaria de Inspeção do Trabalho do MTE, Roberto Padilha Guimarães, enfatizou o impacto negativo da exploração precoce:

“O trabalho infantil compromete o pleno desenvolvimento de crianças e adolescentes, afasta-os da escola e contribui para a reprodução de ciclos de pobreza e desigualdade social”, afirmou. Ele reforçou a importância do 12 de junho como um momento de reflexão e mobilização:

“O Dia Nacional e Mundial de Combate ao Trabalho Infantil é um momento crucial para sensibilizar a sociedade sobre essa grave violação de direitos humanos e reforçar que a erradicação do trabalho infantil depende da ação conjunta do poder público, trabalhadores, empregadores, sindicatos e da sociedade civil.”

Os dados revelam ainda um perfil demográfico preocupante das vítimas: 74% eram meninos e 26% meninas. Entre as crianças de até 13 anos — idade em que qualquer forma de trabalho é proibida — foram identificados 791 casos. Já entre adolescentes de 14 e 15 anos, o número chegou a 1.451. O maior contingente, porém, estava na faixa dos 16 aos 17 anos, com 4.130 adolescentes, a maioria envolvida em atividades consideradas nocivas ao desenvolvimento integral.

As atividades econômicas onde o trabalho infantil foi mais frequentemente detectado incluem o comércio varejista, o setor de alimentação, oficinas mecânicas, agricultura e pecuária. Todas são áreas em que o trabalho envolve riscos físicos, exposição a agentes nocivos ou jornadas exaustivas.

Após o afastamento das crianças e adolescentes, o trabalho da Auditoria Fiscal do Trabalho continua. Os auditores emitem Termos de Pedido de Providência, acionando conselhos tutelares, secretarias municipais de assistência social e educação, o Ministério Público do Trabalho e os Ministérios Públicos Estaduais. O objetivo é integrar esses jovens a políticas públicas de proteção social, saúde e educação.

Quando possível, adolescentes a partir de 14 anos são encaminhados a programas de aprendizagem profissional, que garantem formação e qualificação em ambientes seguros, respeitando a legislação trabalhista e assegurando direitos previdenciários. Esses programas são considerados essenciais para a transição segura da escola para o mundo do trabalho.

O combate ao trabalho infantil está entre as prioridades do governo federal, que tem reforçado a atuação da Auditoria Fiscal do Trabalho com a intensificação de operações, capacitações e ações articuladas com outras instituições. A meta, segundo o MTE, é garantir que nenhuma criança seja privada de seu direito de brincar, estudar e viver plenamente sua infância.

Com ações sistemáticas e coordenação interinstitucional, o governo reafirma o compromisso de romper o ciclo de pobreza e desigualdade social que empurra crianças para o trabalho precoce. A erradicação do trabalho infantil, como destacou Roberto Padilha, exige vigilância constante e o envolvimento de toda a sociedade:

“Só com esse esforço coletivo será possível garantir a todas as crianças e adolescentes um futuro livre da exploração e com acesso real a oportunidades e dignidade.”

Fonte: Brasil 247 com Agência Gov

Almirante Garnier, ex-comandante da Marinha, é o primeiro interrogado de hoje no STF e terá que responder sobre adesão ao golpe

Ex-comandante da Marinha é acusado de apoiar plano golpista de Bolsonaro e atentar contra a democracia

                            Almirante Garnier, ex-commandante da Marinha (Foto: Marcos Correa/EBC)

O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta terça-feira (10) os interrogatórios dos réus no processo que apura a tentativa de golpe de Estado planejada nos últimos meses do governo de Jair Bolsonaro. O primeiro a prestar depoimento nesta nova rodada será o almirante Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha, acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de ter endossado a trama golpista que visava romper a ordem constitucional e impedir a posse do presidente legitimamente eleito em 2022.

Segundo denúncia da PGR, Garnier foi um dos principais nomes do núcleo militar que conspirou com Bolsonaro para a adoção de medidas autoritárias, incluindo um decreto de exceção. Em reuniões realizadas em dezembro de 2022, o almirante se colocou à disposição do então presidente para executar o plano golpista. De acordo com os autos, ele reafirmou sua adesão à conspiração em uma segunda reunião, nos dias que antecederam a virada do ano.

A participação do alto comando militar nas articulações golpistas, agora investigada pelo STF, evidencia a interferência indevida das Forças Armadas na vida política nacional. O depoimento de Garnier é considerado estratégico para esclarecer o papel desempenhado por setores da Marinha na tentativa de ruptura institucional.

As acusações contra o almirante indicam não apenas uma grave violação da Constituição, mas também uma afronta ao Estado Democrático de Direito. Seu posicionamento, conforme descrito na denúncia, não foi isolado: ele compunha, junto a outros generais e ministros, o chamado “núcleo duro” da organização criminosa que visava impedir a transferência pacífica de poder no país.

Garnier, agora na condição de réu, seja questionado diretamente pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, e pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Na véspera, a Corte ouviu o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, que confirmou o envolvimento do ex-presidente no plano golpista. Em seu depoimento, Cid declarou que Bolsonaro teve acesso à “minuta do golpe”, sugeriu alterações no texto e defendeu a inclusão de dispositivos como a prisão do ministro Alexandre de Moraes. “Presenciei grande parte dos fatos, mas não participei deles”, disse Cid, reiterando a veracidade das informações prestadas em sua colaboração premiada.

Em relação à postura de Bolsonaro, Cid foi direto: o ex-presidente solicitou um texto “duro” contra as urnas eletrônicas e pressionou o então ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, por um relatório que deslegitimasse o sistema eleitoral.

Também na segunda-feira foi ouvido o deputado federal Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Ele negou qualquer envolvimento com o plano e disse que os documentos produzidos por ele eram “rascunhos pessoais”, sem repasse ao então presidente. “Decerto que não fiz monitoramento de autoridades”, afirmou, ao ser questionado sobre possível espionagem política conduzida pela Abin.

Os interrogatórios desta semana marcam a fase final da instrução processual. A partir do encerramento dessa etapa, o processo entrará em diligências, caso sejam requeridas, e em seguida será aberto o prazo de 15 dias para que as defesas e a acusação apresentem suas alegações finais. Depois disso, a Primeira Turma do STF poderá julgar o caso e decidir pela condenação ou absolvição dos réus.

Além de Garnier, devem ser ouvidos ainda:

  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça
  • Augusto Heleno, ex-ministro do GSI
  • Jair Bolsonaro, ex-presidente da República
  • Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa
  • Walter Braga Netto, ex-ministro e ex-candidato a vice
O processo histórico revela o grau de comprometimento de figuras centrais do Estado brasileiro com uma tentativa de ruptura autoritária. A eventual responsabilização penal de membros das Forças Armadas, como o almirante Garnier, será um divisor de águas na relação entre instituições militares e o regime democrático, e poderá abrir espaço para um necessário debate nacional sobre os limites constitucionais da atuação dos militares na política.

Fonte: Brasil 247

segunda-feira, 9 de junho de 2025

Ramagem diz que ataques a urnas não refletem mais seu pensamento real: "anotações privadas"

Bolsonarista é acusado de usar a estrutura da Abin para fazer espionagem ilegal

Alexandre Ramagem no STF - 09/06/2025 (Foto: Ton Molina/STF)

O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou na noite desta segunda-feira (9) o interrogatório do ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e deputado federal bolsonarista, Alexandre Ramagem (PL-RJ).

Ramagem é o segundo réu do núcleo 1 da trama golpista ocorrida durante o governo de Jair Bolsonaro a ser interrogado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal da trama golpista.

O ex-diretor é acusado de usar a estrutura do órgão para espionar ilegalmente desafetos do ex-presidente.

Logo no início da oitiva, Ramagem disse que vai provar a inocência durante o depoimento.

"Não há veracidade na imputação de crimes. Estamos aqui para demonstrar inocência", afirmou.

Ramagem também declarou que seus ataques ao sistema de votação não refletem seu pensamento real. "Houve duas publicações minhas no Twitter que diferem do meu pensamento sobre as urnas", afirmou Ramagem. "No meu particular, quando eu coloco um ataque, é uma forma de argumentar. Mas isso não quer dizer que eu tenho passado, encaminhado esses documentos".

Ele havia sido questionado pelo ministro Moraes sobre a formação da Abin paralela, alegações, sem provas, de fraude eleitoral em 2022, e o monitoramento ilegal durante o governo Bolsonaro.

Ramagem também negou que a Abin buscasse fraudes nas eleições sob sua gestão. O deputado foi confrontado pelo magistrado sobre a existência de algum indício de fraude nas eleições presidenciais. Em resposta, o parlamentar negou que houvesse qualquer prova ou elemento nesse sentido. Diante da pergunta direta de Moraes, ele respondeu: "Não. O que eu quero colocar é que eu estava construindo uma mensagem".

Em um documento, Ramagem diz que "tem certeza" de que houve fraude na eleição de 2018, vencida pelo próprio Bolsonaro. "Por tudo que pesquisei, mantenho certeza de que houve fraude. O argumento da anulação de votos não é uma boa linha de ataques a urnas, que se encontram em total descrédito perante a população. A prova da vulnerabilidade já foi feita em 2018, resta apenas trazê-la novamente", disse Ramagem no documento, segundo foi lido por Moraes. Ramagem então reconheceu a autoria.

Ele então admitiu que não há prova de fraudes nas urnas. Ele chamou suas anotações de "privadas" e "nada novas".

Mais cedo, o tenente-coronel do Exército Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, confirmou que o ex-presidente sabia da minuta do golpe para reverter o resultado das eleições de 2022.
Interrogatórios

Entre os dias 9 e 13 de junho, Alexandre de Moraes vai interrogar o ex-presidente Jair Bolsonaro, Braga Netto e mais seis réus acusados de participarem do "núcleo crucial" de uma trama para impedir a posse do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva após o resultado das eleições de 2022.

Confira a ordem dos depoimentos:

  • Mauro Cid, delator e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro (encerrado);
  • Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);
  • Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal;
  • Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional;
  • Jair Bolsonaro, ex-presidente da República;
  • Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa;
  • Walter Braga Netto, general do Exército e ex-ministro de Bolsonaro.

Fonte: Brasil 247 com informações da Agência Brasil

Quem era Raissa Suellen, miss assassinada por amigo humorista

 

Raissa Suellen: miss foi assassinada pelo humorista Marcelo Alves. Foto: reprodução


Raissa Suellen Ferreira da Silva, de 23 anos, modelo, influenciadora digital e Miss Serra Branca Teen 2020, foi assassinada por enforcamento na última semana em Curitiba. O autor do crime, o humorista Marcelo Alves, de 42 anos, confessou o homicídio à Polícia Civil do Paraná nesta segunda-feira (9).

Natural de Paulo Afonso (BA), Raissa havia se mudado para Curitiba há três anos em busca de oportunidades na carreira de modelo. Recentemente, começou o curso de estética e planejava se mudar para Sorocaba, no interior de São Paulo. Em suas redes sociais, com mais de 10 mil seguidores, compartilhava conteúdos sobre beleza, moda e viagens.

Segundo a delegada Aline Manzatto, Marcelo e Raissa se conheciam desde a infância na Bahia, onde ele ministrava um projeto social esportivo que ela frequentou. Após se mudar para Curitiba, Marcelo teria oferecido à vítima uma suposta oportunidade de emprego em São Paulo.

Marcelo Alves, humorista que confessou ter matado Raissa. Foto: reprodução

No dia 2 de junho, data em que Raissa foi vista pela última vez, Marcelo a buscou para a suposta viagem. Após almoçarem, foram até sua casa, onde ele confessou seus sentimentos por ela. “Ele conhecia tanto a Raissa desde pequena, quanto toda a família da Raissa”, afirmou a delegada.

De acordo com a versão do suspeito, Raissa teria reagido mal à declaração, xingando-o. Em seguida, Marcelo afirmou ter se “descontrolado”, usando um fio de plástico para estrangular a jovem.

Após o crime, Marcelo enrolou o corpo em uma lona e, com ajuda do filho, transportou-o no porta-malas de um carro até uma área de mata em Araucária, na região metropolitana de Curitiba, onde o enterrou.

O advogado do acusado, Caio Percival, afirmou que não houve premeditação: “Marcelo é réu primário, tem bons antecedentes e foi arrastado pelas barras da paixão a essa situação”. Ele citou a confissão espontânea e “domínio de violenta emoção” como atenuantes.

Fonte: DCM

Mauro Cid diz que agronegócio contribuiu com acampamentos golpistas


O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, no Supremo Tribunal Federal (STF). Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, afirmou que representantes do agronegócio contribuíram financeiramente com os acampamentos golpistas em frente a quartéis-generais do Exército. Em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda (9), ele detalhou como recebeu dinheiro do general Walter Braga Netto para repassar aos manifestantes.

O militar diz que recebeu mensagens de bolsonaristas que queriam articular os acampamentos golpistas e decidiu conversar com o general. “Eu fui procurar o general Braga Netto, que me orientou a procurar o pessoal do partido [PL]. Lembro que o intuito, pelo menos na minha cabeça, eram manifestações apoiadas pelo Exército na frente dos quarteis”, afirmou.

Segundo Cid, os articuladores dos acampamentos pediram ajuda para levar pessoas de outros estados, como do Rio de Janeiro, a Brasília. Posteriormente, ele conversou com um coronel que atuava como tesoureiro do PL para buscar recursos, mas não teve apoio.

“Depois, o general [Braga Netto] trouxe uma quantia em dinheiro, que eu não sei precisar quanto foi, mas com certeza não foram R$ 100 mil, que foi passado para o major de Oliveira, no próprio Alvorada”, prosseguiu.

O militar citado pelo tenente-coronel é Major Rafael de Oliveira, um “kid preto”, que teria pedido R$ 100 mil para manter os acampamentos. O dinheiro repassado por Braga Netto estava dentro de uma caixa de vinho, segundo ele.

Em outro momento, Cid foi questionado sobre qual seria a origem do dinheiro. “Na época, disseram que era do pessoal do agronegócio”, respondeu.

O tenente-coronel é o primeiro réu da trama golpista interrogado no processo. Ele é um dos oito membros do chamado “núcleo crucial” e atuava como porta-voz do ex-presidente, levando informações e orientações aos demais integrantes, segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Os outros réus serão ouvidos em ordem alfabética:

  1. Alexandre Ramagem;
  2. Almir Garnier;
  3. Anderson Torres;
  4. Augusto Heleno;
  5. Jair Bolsonaro;
  6. Paulo Sérgio Nogueira;
  7. Walter Braga Netto.
Fonte: DCM

VÍDEO – Cid diz que Bolsonaro mandou monitorar rotina de Moraes

   Jair Bolsonaro, ex-presidente e réu por golpismo, e Alexandre de Moraes, ministro do STF. Foto: reprodução

Em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira (9), o tenente-coronel Mauro Cid confirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) solicitou o monitoramento da rotina do ministro Alexandre de Moraes. Segundo o militar, que foi ajudante de ordens do governo de extrema-direita, o objetivo era verificar possíveis encontros entre Moraes e o então vice-presidente Hamilton Mourão no final do mandato.

Cid, que atualmente colabora com a Justiça como delator, afirmou que “era comum” o ex-presidente pedir o acompanhamento de adversários políticos.

“Por várias vezes, o presidente recebia algumas informações de que aliados políticos estariam se encontrando com adversários políticos. Então, foi comum a gente verificar se isso era verdade ou não”, declarou.

O militar ainda explicou que essas ações não envolviam técnicas sofisticadas de inteligência, mas sim consultas à Força Aérea ou à agenda pública dos ministros.


Participação direta na minuta golpista

Além do monitoramento, Cid revelou detalhes sobre o envolvimento de Bolsonaro na elaboração do documento que ficou conhecido como “minuta do golpe”. Segundo seu depoimento, o ex-presidente não apenas recebeu e leu o texto que propunha medidas autoritárias para anular as eleições de 2022, mas também fez alterações específicas no conteúdo.

“De certa forma, ele (Bolsonaro) enxugou o documento, retirando as autoridades das prisões. Somente o senhor (Alexandre de Moraes) ficaria como preso”, afirmou Cid ao ministro relator. A minuta circulou entre aliados do ex-presidente após sua derrota para Luiz Inácio Lula da Silva e detalhava ações para mantê-lo no poder contrariando o resultado das urnas.

O depoimento de Mauro Cid ocorre no âmbito das investigações sobre a chamada “trama golpista”, conduzidas pelo ministro Alexandre de Moraes. O militar foi o primeiro réu do Núcleo 1 do inquérito a ser interrogado pelo ministro e agora atua como colaborador da Justiça.

Fonte: DCM

VÍDEO – Bolsonaro mandou Zambelli apresentar hacker ao ministro da Defesa, diz Cid

 

Carla Zambelli, foragida da Justiça, e Bolsonaro, réu por golpismo. Foto: reprodução

O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), revelou novos detalhes sobre as tentativas do ex-presidente de investigar supostas fraudes nas urnas eletrônicas em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira (9). Segundo Cid, Bolsonaro pediu ao então ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, que recebesse o hacker Walter Delgatti e a deputada Carla Zambelli (PL-SP) para discutir o assunto.

De acordo com o depoimento, Zambelli agendou uma primeira reunião entre Bolsonaro e Delgatti no Palácio do Alvorada. “O ex-presidente queria saber sobre quais as possibilidades de as urnas serem fraudadas e como descobrir possíveis fraudes, a intenção era ter um ponto de vista técnico”, afirmou Cid.

Após esse encontro, Bolsonaro teria solicitado que o Ministério da Defesa recebesse Zambelli e o hacker para aprofundar as discussões. O militar confirmou que a reunião ocorreu, mas não soube informar se Paulo Sérgio Nogueira participou pessoalmente. “Acho que foi com um general, logo abaixo dele [na pasta], que estava cuidando desse tema das urnas”, explicou o tenente-coronel.

Cid também declarou que, apesar de todos os levantamentos e estudos realizados, não foi identificado qualquer indício de fraude nas urnas após as eleições de 2022.

No entanto, segundo seu primeiro depoimento à Polícia Federal, confirmado nesta segunda-feira, Bolsonaro trabalhava com duas hipóteses: “A primeira seria encontrar uma fraude nas eleições e a outra seria, por meio de um grupo radical, encontrar uma forma de convencer as Forças Armadas a aderir ao golpe de Estado”, diz o trecho lido por Moraes e confirmado por Cid.

O tenente-coronel afirmou que as conversas sobre o tema não eram claras, portanto a interpretação da intenção de golpe coube a ele. “Não era algo tão explícito assim”, disse. “Sempre se teve a ideia de que pudesse, até o fim do mandato dele, aparecer uma fraude real nas urnas”. Cid também relatou que reforçou a outros militares que não havia evidências de irregularidades.

Segundo o depoente, os relatórios produzidos pelos militares após as eleições de 2022 continham apenas estatísticas que não comprovavam nenhuma fraude.

Fonte: DCM

VÍDEO – Heleno dorme durante depoimento no STF e vira piada

Augusto Heleno é visto dormindo durante depoimento de Mauro Cid. Foto: reprodução

Durante o depoimento de Mauro Cid, ex-ajudante de Ordens do governo de Jair Bolsonaro (PL), a atenção se voltou, por alguns segundos, para o general Augusto Heleno, também réu por tentativa de golpe de Estado. Enquanto Cid confirmava suas declarações sobre a trama, o ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) foi flagrado em um aparente cochilo.

A soneca virou meme nas redes sociais. “Um retrato fiel do militar brasileiro”, ironizou o vereador de São Paulo Toninho Vespoli (PSOL), antes de completar: “Grita ‘olha o comunismo’ que ele acorda”. Já o humorista Daniel Duncan comparou o general a um animal que se finge de morto para “escapar em um momento oportuno”.

O julgamento do “núcleo 1”, separado assim pela Procuradoria-Geral da República (PGR), começa por Cid dado o seu acordo de delação premiada. Após o militar, os demais investigados, incluindo o ex-presidente Bolsonaro, vão depor seguindo uma ordem alfabética, sendo:

– Alexandre Ramagem (ex-diretor da Abin)
– Almir Garnier Santos (ex-comandante da Marinha)
– Anderson Torres (ex-ministro da Justiça)
– Augusto Heleno (ex-GSI)
– Jair Bolsonaro (ex-presidente)
– Paulo Sérgio Nogueira (ex-Defesa)
– Walter Braga Netto (ex-Casa Civil)

Veja as reações ao cochilo de Heleno: 

Fonte: DCM