Movimentações de Pacheco e do PL complicam montagem da chapa de Mateus Simões para o governo de Minas Gerais em 2026
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, e o vice, Mateus Simões, ambos do Partido Novo (Foto: Daniel Protzer/Assembleia Legislativa de Minas Gerais )
A sucessão ao governo de Minas Gerais já provoca ruídos na base aliada do governador Romeu Zema (Novo). Escolhido para liderar o projeto governista na eleição de outubro, o vice-governador Mateus Simões (PSD) enfrenta entraves na montagem de sua chapa majoritária diante das articulações do senador Rodrigo Pacheco (PSD) e da movimentação do PL no estado, informou o jornal O Globo.
As negociações envolvem a possível mudança partidária de Pacheco, a definição de alianças nacionais e a estratégia do PL para fortalecer o palanque do senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial.
☉ Pacheco articula saída e reconfigura alianças
Com a permanência no PSD considerada inviável após a filiação de Simões, Rodrigo Pacheco passou a encaminhar sua ida para o União Brasil. Nos bastidores, o senador atuou para afastar a federação formada entre União e PP do projeto político do vice-governador.
Como parte dessa estratégia, conseguiu emplacar o deputado federal Rodrigo Castro (União-MG) na presidência do diretório estadual da legenda. A indicação foi oficializada na última terça-feira (17) em nota divulgada pelo partido e substituiu o deputado Delegado Marcelo Freitas (União-MG), aliado de Zema que defendia o apoio ao vice-governador.
Mateus Simões, por sua vez, afirma ter garantias das direções nacionais do União Brasil e do PP de que a federação seguirá ao seu lado. Ele declarou ao jornal: "Eu tenho a garantia pessoal dos presidentes Antonio Rueda, do União Brasil, e Ciro Nogueira, do PP, de que a federação estará conosco na eleição, com Marcelo Aro como candidato ao Senado. Não tenho motivos para duvidar do compromisso assumido por eles".
Simões trabalha para manter na chapa o secretário de Governo, Marcelo Aro, como pré-candidato ao Senado pelo PP.
☉ Lula e o cenário nacional influenciam decisão
Rodrigo Pacheco é apontado como o nome preferido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para disputar o governo mineiro. Na última semana, os dois voltaram a discutir a possibilidade. O senador teria apresentado alternativas, mas ouviu que seria o único nome viável para representar o campo político aliado ao Planalto em Minas.
Diante do cenário, Pacheco afirmou reconhecer sua responsabilidade com o estado e com a democracia, indicando que tomará uma decisão no momento oportuno, após resolver sua situação partidária.
Além do União Brasil, o senador também voltou a avaliar uma eventual filiação ao MDB. A definição depende do posicionamento nacional das siglas, especialmente diante das negociações sobre a vice na chapa presidencial. O MDB recebeu oferta para indicar o candidato a vice de Lula, mas enfrenta resistência interna: 16 dos 27 diretórios estaduais são contrários à aliança com o presidente.
Enquanto isso, a federação União Progressista busca aproximação com o Planalto, que trabalha para manter o grupo em posição de neutralidade na disputa presidencial. A escolha final de Pacheco deverá considerar esse alinhamento nacional.
Em meio à indefinição, parte do PT mineiro defende o apoio ao ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil para o governo estadual e avalia outros nomes da legenda ou alternativas externas.
☉ PL ensaia candidatura própria em Minas
No campo da direita, o PL também movimenta o tabuleiro político. Embora tenha espaço reservado na composição de Simões para uma das vagas ao Senado, a legenda busca estruturar candidatura própria ao governo mineiro.
A iniciativa é impulsionada por Flávio Bolsonaro, que pretende consolidar palanques em todos os estados. Em Minas, há articulações para lançar o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) ao Executivo estadual.
O parlamentar, contudo, sinaliza que descarta essa hipótese e que pretende focar na reeleição para a Câmara. Nos últimos dias, ele utilizou as redes sociais para rebater críticas de apoiadores que o acusam de falta de engajamento na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.
Em publicação na plataforma X, escreveu: “Nos últimos 10 dias, em todas as entrevistas, deixei claro que Flávio é o candidato escolhido pelo presidente Bolsonaro e terá o meu apoio. Disse isso de forma objetiva e afirmei que estarei na campanha, mesmo sem participar da coordenação ou planejamento do processo”.
No mesmo post, solicitou que perfis de direita responsáveis por ataques contra ele sejam publicamente desautorizados pelo senador.
☉ Outras opções à direita
Além de Nikolas Ferreira, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) aparece como alternativa no campo conservador. Ele tem desempenho superior ao de Simões em pesquisas, mas enfrenta desconfiança desde o ano passado, quando afirmou que sua dívida com Bolsonaro “estava paga” após o apoio em 2022.
Ao ser questionado se apoiaria um nome indicado pelo ex-presidente, Cleitinho declarou que devia lealdade a Bolsonaro, mas não à família do ex-mandatário nem ao conjunto de apoiadores. Após críticas do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), o senador pediu perdão.
Com alianças indefinidas, disputas internas e articulações nacionais em curso, a sucessão em Minas Gerais tende a ganhar novos contornos à medida que os partidos consolidem suas estratégias para 2026.
Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo
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