sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Frigorífico que distribuiu “picanha do Bolsonaro” em helicóptero já barrou petistas e causou morte

 

Leandro Batista Nóbrega, Flávio e Jair Bolsonaro. Foto: reprodução

Nos últimos dias, as “picanhas do mito”, com fotos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), foram distribuídas em diferentes contextos iniciando a corrida da eleição presidencial de 2026, repetindo práticas já consideradas criminosas associadas ao empresário Leandro Batista Nóbrega, do Frigorífico Goiás, que já teve Gusttavo Lima como sócio.

Durante o Natal, na periferia de Goiânia, pacotes de picanha com a imagem de Bolsonaro foram lançados de um helicóptero para moradores, que corriam para tentar pegar os kits. A iniciativa, batizada de “Natal solidário 2025”, foi gravada e divulgada nas redes sociais sem qualquer cuidado com a exposição das pessoas envolvidas.

Após a repercussão negativa, o empresário afirmou que não conseguiu organizar filas para a entrega e justificou o uso da aeronave como medida de segurança.



Já no Réveillon, empreiteiro Renato Araújo Renato Araújo, presidente regional do PL, entregou as “Picanhas do Flávio” a turistas em iates em Angra dos Reis (RJ).

Em setembro, o Frigorífico Goiás já havia sido alvo de decisão judicial após exibir um cartaz com a frase “Petista aqui não é bem-vindo”. A Justiça determinou a retirada da mensagem e de qualquer comunicação semelhante, após ação do Ministério Público motivada por denúncia de discriminação. Nóbrega declarou à época que não proibia a entrada de clientes por motivo político, religioso ou esportivo e que todos eram atendidos normalmente.

Cartaz em loja de carnes em Goiânia. Foto: Reprodução



Picanha eleitoreira

O histórico de crimes eleitorais começou em outubro de 2022, quando ainda tinha o cantor Gusttavo Lima como um dos sócios, durante o primeiro turno das eleições presidenciais. O frigorífico anunciou a venda da chamada “picanha mito” por R$ 22 o quilo, quando o preço real do corte era de R$ 129,99.

A promoção era condicionada ao uso da camiseta da seleção brasileira, o que gerou filas, tumulto e a intervenção da Polícia Militar. Uma mulher passou mal durante a confusão, foi atendida posteriormente e acabou morrendo dias depois, em decorrência de complicações vasculares. O caso foi registrado inicialmente como morte acidental.

Picanhas vendidas pelo Frigorífico Goiás, em Goiânia. Foto: reprodução
Após a repercussão, o Procon Goiás fiscalizou o estabelecimento, apreendeu mais de 44 quilos de carne sem informações de validade, além de produtos vencidos, e autuou a empresa. A multa prevista pode variar de R$ 754 a R$ 11,3 milhões. O órgão também notificou o frigorífico a prestar esclarecimentos detalhados sobre a promoção, estoques e preços praticados.

Na esfera eleitoral, a promoção foi suspensa por decisão judicial, que apontou indícios de abuso do poder econômico. “A venda de carne nobre em preço manifestamente inferior ao praticado no mercado revela indícios suficientes para caracterizar conduta possivelmente abusiva do poder econômico”, escreveu o juiz responsável. Especialistas em direito eleitoral avaliaram que o desconto poderia configurar incentivo ao voto, hipótese de corrupção eleitoral.

Fonte: DCM

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