A deputada democrata Alexandria Ocasio-Cortez durante evento em frente ao Congresso dos EUA, em Washington – Foto: Drew Angerer/AFP
A deputada democrata Alexandria Ocasio-Cortez, conhecida como AOC, apresentou uma emenda ao projeto de orçamento da Defesa dos Estados Unidos para obrigar o governo a explicar por que considera o Brasil uma ameaça que justifique a aplicação das tarifas de 50% decretadas por Donald Trump. A medida, no entanto, tem poucas chances de prosperar, já que os democratas são minoria no Congresso americano.
Na proposta, AOC pede que o Departamento de Defesa envie ao Congresso um relatório detalhando quais políticas do Brasil “constituem uma ameaça incomum e extraordinária” à segurança nacional, à política externa e à economia dos EUA.
“Instrui o Departamento de Defesa a conduzir uma avaliação sobre se a imposição de tarifas ao Brasil […] contribui para os objetivos de segurança nacional dos EUA na região e no cenário global”, diz o texto da emenda.
A parlamentar solicita também que seja feita uma análise sobre os impactos dessas medidas nas relações entre Brasil e Estados Unidos, ressaltando que são “as duas maiores democracias do hemisfério”.
Para ela, as sanções não apenas afetam a economia, mas também podem prejudicar a cooperação política e diplomática entre os dois países.
Não é a primeira vez que AOC se mobiliza em relação ao Brasil. Em 2023, ela apresentou uma emenda pedindo a divulgação de documentos da inteligência americana sobre a ditadura militar brasileira. Naquele mesmo ano, visitou Brasília, se reuniu com autoridades para discutir os ataques de 8 de janeiro e manifestou preocupação com a defesa da democracia na América Latina.
O decreto assinado por Trump, em vigor desde 6 de agosto, atingiu 36% das exportações brasileiras, incluindo café, carnes e máquinas agrícolas.
Apesar da medida, 43% do valor exportado ficou isento, graças a exceções previstas no texto, que protegeram setores como petróleo, ferro-gusa, aviação civil, o que livrou a Embraer, e suco de laranja.

A Casa Branca justificou as tarifas como resposta a “ameaças incomuns e extraordinárias” e citou diretamente o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Fonte: DCM
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