Valores foram pagos entre 2022 e 2025 a dois escritórios com mesmo nome e CNPJs distintos
Segurança do lado de fora do Banco Master, após a prisão do acionista controlador do banco, Daniel Vorcaro, em São Paulo - 18 de novembro de 2025 (Foto: REUTERS/ Amanda Perobelli)
O advogado Daniel Monteiro, ligado ao Banco Master e preso pela Polícia Federal nesta quinta-feira (16), recebeu R$ 79 milhões entre 2022 e 2025 por meio de repasses destinados a dois escritórios de advocacia com o mesmo nome, mas com registros distintos. Os dados constam em informações da Receita Federal encaminhadas à CPI do Crime Organizado.
Segundo a coluna do jornalista Tácío Lorran, do Metrópoles, os pagamentos foram realizados ao escritório Monteiro, Rusu, Cameirão e Bercht Advogados, que aparece nas planilhas do Banco Master sob dois CNPJs diferentes.
⊛ Pagamentos cresceram ao longo dos anos
Os valores repassados aumentaram de forma significativa no período analisado. Em 2022, o montante pago foi de R$ 2,5 milhões. Em 2023, subiu para R$ 14,1 milhões. Já em 2024, os repasses chegaram a R$ 23,8 milhões, alcançando R$ 38,7 milhões em 2025.
⊛ Operação investiga esquema financeiro
A prisão de Monteiro ocorreu em São Paulo e integra uma nova fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. A investigação apura um esquema de emissão e negociação de títulos de crédito falsos envolvendo instituições do Sistema Financeiro Nacional, entre elas o Banco de Brasília (BRB).
Segundo a Polícia Federal, o advogado seria responsável pela administração de fundos utilizados em operações financeiras com o objetivo de dificultar o rastreamento de recursos de origem ilícita ligados ao Banco Master.
⊛ Ligação com ex-presidente do BRB
A operação também levou à prisão, em Brasília, do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. As investigações apontam que Daniel Monteiro teria ligação direta com o ex-dirigente e participação nas negociações investigadas.
De acordo com a Polícia Federal, o pagamento de vantagens indevidas teria sido realizado por meio da compra de imóveis, mecanismo que estaria sendo utilizado para ocultar a origem dos recursos.
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