Em entrevista à TV 247, Fórum e DCM, presidente projeta avanços: "quarto mandato é para fazer esse país dar um salto definitivo"
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acabou com as dúvidas referentes à sua candidatura à reeleição, afirmando que esta decisão está diretamente ligada às circunstâncias políticas e ao seu compromisso com o país, indicando, ainda, um quarto mandato com avanços superiores aos alcançados no atual governo. A declaração foi feita em entrevista à TV 247, em parceria com a Revista Fórum e o DCM, nesta terça-feira (14), quando Lula abordou temas como economia, democracia, inclusão social, segurança pública, política internacional e imprensa.
◆ Candidatura e defesa da democracia
Lula afirmou que sua decisão de disputar a reeleição não é motivada por vontade pessoal, mas pelo contexto político e pela necessidade de preservar conquistas democráticas. “Não se trata de querer um quarto mandato. As circunstâncias políticas e o momento eleitoral que você vive decidem”, disse.
O presidente destacou ainda o que considera um compromisso histórico. “É um compromisso moral, ético - e eu diria, até, cristão - não permitir que os fascistas voltem a governar este país”, afirmou, ao relembrar a trajetória democrática brasileira desde o fim do regime militar.
Ele também declarou estar em boas condições para continuar na vida pública. “Me sinto fisicamente muito bem, politicamente muito bem. Estou com a saúde muito bem preparada e motivado, porque tem muita coisa para fazer pelo Brasil. A razão da minha candidatura é essa. Tenho um compromisso com o país e o povo brasileiro”, afirmou.
◆ Economia e promessa de desenvolvimento
Ao tratar da economia, Lula afirmou que o Brasil voltou a crescer após seu retorno ao governo. “A economia brasileira não crescia acima de 3% desde que eu deixei a Presidência em 2010. Só voltou a crescer acima de 3% quando voltei em 2023”, disse.
Ele destacou resultados na indústria, no comércio exterior e no crédito. “Abrimos 518 novos mercados em três anos e meio para produtos brasileiros. O Brasil voltou a ser levado a sério no mundo inteiro”, afirmou.
Lula também indicou que um eventual novo mandato teria metas mais ambiciosas. “Eu jamais concorreria a um mandato para fazer as coisas darem errado. Meu quarto mandato é para fazer esse país dar um salto definitivo e se transformar em um país desenvolvido”, declarou.
◆ Mercado e políticas de inclusão social
O presidente reconheceu divergências com o mercado financeiro, especialmente em relação às prioridades econômicas. “O mercado sempre vai querer outro candidato. O mercado não quer políticas de inclusão social. Ele quer política para pagar a taxa de juros deles”, afirmou.
Segundo Lula, seu governo pretende ampliar investimentos sociais. “Nós vamos fazer muito mais investimento em política de inclusão social, porque o povo brasileiro merece ter mais do que tem”, disse.
Ele afirmou ainda que suas decisões são guiadas pela realidade da população. “Eu converso com as pessoas para saber o seguinte: ‘como está sua vida? Seu salário? Como você gasta seu dinheiro?’”, declarou.
◆ Bets, endividamento e combate ao crime
Lula também demonstrou preocupação com o impacto das apostas online na renda das famílias. “As pessoas gastam R$ 300 ou R$ 400 por mês com internet [...] e agora tem as bets para assaltar o povo. Agora o cassino está dentro da sua casa”, afirmou.
O presidente disse que o governo prepara medidas para enfrentar o problema. “Estamos preparando um programa para resolver parte da dívida das pessoas, como já fizemos com o Desenrola”, declarou.
Ele também relacionou o tema ao crime organizado. “Tem muita lavagem de dinheiro nesse mundo. E se a gente quiser combater o crime organizado, a gente vai ter que atacar todos os flancos”, disse.
◆ Política internacional e críticas a Trump
Ao comentar o cenário internacional, Lula criticou a postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. “Trump faz um jogo na tentativa de agradar o povo americano”, afirmou.
Ele relatou uma conversa com o líder norte-americano. “Eu disse para o Trump: ‘a gente tem que escolher se a gente quer ser temido ou amado’”, disse.
Lula defendeu o diálogo como base da liderança global. “Ninguém precisa ter medo de ninguém [...] minha guerra é no argumento”, declarou.
◆ Democracia e papel das instituições
O presidente também destacou a importância das instituições democráticas. “Fora da democracia, qualquer coisa é pior”, afirmou.
Ele ressaltou que o regime democrático exige convivência com divergências. “A democracia é um regime difícil porque você tem que conviver com imprensa, sindicato, com oposição, Congresso… Mas essa é a riqueza da democracia”, disse.
◆ Privatizações e controle estatal
Lula criticou privatizações realizadas nos últimos anos, especialmente no setor energético. “Na privatização da BR [...] e a mesma coisa vale para a Eletrobras. São dois escândalos”, afirmou.
Ele indicou que pretende ampliar a presença do Estado nesses setores. “Ainda sonho que a gente vai ter uma empresa distribuidora de gás e de combustível”, declarou.
◆ Segurança pública e combate à corrupção
O presidente afirmou que pretende criar o Ministério da Segurança Pública, caso seja aprovada a PEC da Segurança Pública no Congresso. “Na hora que for aprovada a PEC [...] esse país vai ter segurança pública com Polícia Federal com mais gente e mais inteligência”, disse.
Sobre corrupção, Lula afirmou que investigações tornam os crimes mais visíveis. “Quando você apura a corrupção [...] aparece a corrupção. Aparece no governo de quem combate a corrupção”, declarou.
Ele também citou casos como Banco Master e INSS, associando a origem ao governo Jair Bolsonaro (PL).
◆ Críticas à imprensa e memória da Lava Jato
Lula criticou a atuação de parte da imprensa em episódios passados, como a cobertura da Lava Jato. “Não posso permitir que eles achem que eu esqueci o que eles fizeram”, afirmou.
Ele citou o episódio de um PowerPoint exibido pela Globo e relatou ter cobrado explicações. “Tive uma conversa com o dirigente da Globo, para mostrar a irresponsabilidade daquele PowerPoint”, disse.
Apesar das críticas, o presidente defendeu liberdade de imprensa, com responsabilidade. “Seja livre. Fale mal, mas fale a verdade. Não invente história”, declarou.
Fonte: Brasil 247
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