sexta-feira, 17 de abril de 2026

Haddad denuncia jogo sujo de fake news do bolsonarismo (vídeo)

Ministro divulga vídeo nas redes sociais sobre mentiras espalhadas pela extrema-direita nas redes sociais

     Fernando Haddad (Foto: Reprodução Youtube)

O ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, hoje pré-candidato ao governo de São Paulo, publicou um vídeo em que acusa o senador Flávio Bolsonaro de espalhar desinformação antes mesmo do início formal da campanha eleitoral. Na gravação, Haddad contesta duas das principais alegações atribuídas ao parlamentar: a tentativa de associar ao governo do presidente Lula imagens de pessoas buscando restos de comida e a narrativa de que a atual gestão teria sido responsável por liberar os sites de apostas esportivas no País.



No vídeo, o ministro afirma que há manipulação deliberada de fatos e datas. Segundo ele, o conteúdo compartilhado por Flávio Bolsonaro retira de contexto imagens dramáticas da crise social vivida pelo Brasil e tenta atribuí-las a um período que não corresponde à realidade.

Logo no início da gravação, Haddad faz uma crítica direta ao que classifica como método recorrente do bolsonarismo. “A campanha nem começou e o Bolsonarinho já tá espalhando fake news. É impressionante como eles não têm nenhum compromisso com a verdade”, afirma. Em seguida, ele se refere à circulação de imagens de pessoas, inclusive crianças, recolhendo restos de comida, usadas de forma enganosa para atacar o atual governo.

De acordo com o ministro, as cenas exibidas são de outubro de 2021, portanto registradas durante o governo de Jair Bolsonaro, e não na atual administração. “Ele pega essa cena chocante de gente catando o resto de comida, incluindo crianças, e bota como se fosse no governo Lula”, disse Haddad. Na sequência, reforçou a localização temporal das imagens e associou o episódio ao agravamento da miséria durante a pandemia: “As imagens são de outubro de 2021, no governo do pai dele, um governo cruel na pandemia que virou as costas pros mais pobres, deixando 33 milhões de brasileiros com fome”.

● Disputa narrativa sobre a fome
A fala de Haddad busca recolocar no centro do debate um dos temas mais sensíveis da vida nacional: a explosão da fome e da insegurança alimentar nos anos recentes. Ao mencionar o número de 33 milhões de brasileiros com fome, o ministro procura associar o drama social ao período anterior e reagir à tentativa de inversão narrativa feita por adversários políticos.

A crítica do ex-titular da Fazenda não se limita ao uso de imagens antigas. Para ele, a estratégia bolsonarista consiste em descolar fatos de seu contexto histórico para produzir impacto emocional nas redes sociais. O ministro sustenta que essa prática distorce a memória recente do país e tenta apagar responsabilidades políticas por um ciclo de aprofundamento da pobreza.

Nesse ponto, a declaração de Haddad se insere numa batalha política mais ampla sobre a herança econômica e social dos últimos anos. Ao classificar o governo Bolsonaro como cruel durante a pandemia, ele atribui à gestão anterior a deterioração das condições de vida de milhões de brasileiros, especialmente entre os mais pobres.

● Haddad contesta versão sobre bets
O segundo eixo central do vídeo é a resposta à acusação de que o governo do presidente Lula teria liberado os sites de apostas esportivas, conhecidos como bets. Haddad sustenta exatamente o contrário: segundo ele, a base legal para esse mercado foi criada ainda em 2018, no fim do governo Michel Temer, e o governo Bolsonaro, que veio em seguida, não regulamentou o setor no prazo previsto.

Na gravação, o ministro faz questão de enfatizar a cronologia. “As bets foram aprovadas no final do governo Temer em 2018”, declarou. Em tom didático, ele insistiu para que o público verifique a informação por conta própria: “Pode pesquisar aí no Google, vai aí no chat GPT e pergunta qual o presidente legalizou as apostas esportivas, as bets”.

Haddad também explicou que a legislação aprovada naquele momento previa um prazo de quatro anos para regulamentação. “A lei do Temer dizia mais, dizia que o governo tinha 4 anos para regulamentar”, afirmou. Na sequência, apontou diretamente para a omissão do governo seguinte: “E qual foi o governo seguinte? Justamente o governo do Bolsonaro. E o Bolsonaro não fez absolutamente nada, deixou rolar solto, sem regra, sem limite, sem pagar imposto”.

● Vácuo regulatório no governo Bolsonaro
A crítica do ministro se concentra no que ele descreve como um período de permissividade total no mercado de apostas. Segundo Haddad, a ausência de regulamentação permitiu que o setor se expandisse sem controle estatal, sem tributação adequada e com forte impacto social, inclusive sobre menores de idade e famílias vulneráveis.

Ao detalhar esse cenário, o ministro afirmou: “Até as crianças ficaram expostas a jogos de azar no celular. Tinha gente jogando com dinheiro de programa social”. A fala reforça a ideia de que o problema não nasceu no atual governo, mas se agravou justamente por falta de ação do governo anterior diante do prazo legal existente.

Ainda segundo Haddad, o crescimento acelerado das bets durante aqueles quatro anos produziu efeitos políticos, econômicos e midiáticos relevantes. “Nesses 4 anos sem regra, as bets ganharam força, financiando times de futebol, contratando influenciadores nas redes sociais, colocando dinheiro em rádio e TV e criando a bancada do tigrinho no Congresso Nacional”, afirmou.

A expressão usada pelo ministro mira a influência crescente do setor de apostas sobre o ambiente político e comunicacional brasileiro. Ao citar patrocínios esportivos, publicidade em massa e o avanço de interesses parlamentares ligados ao segmento, Haddad sugere que a falta de regulamentação ajudou a consolidar um poderoso lobby econômico no país.

● O que o governo Lula diz ter feito
No vídeo, Haddad argumenta que a atual gestão não criou o problema, mas passou a enfrentá-lo com medidas concretas. Em sua versão, o governo do presidente Lula apertou o cerco sobre o setor, estabelecendo regras, tributação e fiscalização sobre empresas que operavam de maneira descontrolada.

O ministro resumiu assim a atuação do governo: “O que que a gente fez foi apertar o cerco, botando limite, criando regra, cobrando imposto, fiscalizando”. Em seguida, apresentou medidas que, segundo ele, já foram adotadas: “Nós tiramos mais de 500 bets irregulares do ar e colocamos a Polícia Federal para investigar possíveis ligações com o crime organizado”.

Haddad também afirmou que foram adotadas restrições para proteger públicos vulneráveis. “E proibimos o acesso de crianças e beneficiários do Bolsa Família”, declarou. Com isso, o ministro tenta mostrar que a ação governamental foi no sentido oposto ao da liberação irrestrita atribuída falsamente ao atual governo.

A mensagem política é clara: para Haddad, a gestão Lula herdou um mercado já liberado por lei e deixado sem regulação durante quatro anos, passando depois a organizar e restringir sua operação. Em outras palavras, o governo atual tenta se apresentar como agente de contenção de um problema que encontrou já instalado.

● “Nós estamos enfrentando o problema que eles criaram”
No encerramento do vídeo, Haddad sintetiza sua linha de argumentação numa frase de forte carga política: “Nós estamos enfrentando o problema que eles criaram. Essa é a verdade”. A declaração procura inverter a acusação bolsonarista e atribuir ao campo adversário tanto a desinformação quanto a responsabilidade original pelos fatos mencionados.

Ao final, o ex-ministro ainda faz uma observação sobre o tom da disputa eleitoral que se desenha. “Começa muito mal essa campanha do Flávio, né?”, disse. A frase indica que, na leitura de Haddad, a antecipação do confronto político já vem marcada pela disseminação de fake news e pela tentativa de reescrever fatos recentes da vida nacional.

O vídeo se insere num ambiente de tensão crescente nas redes sociais, onde disputas políticas têm sido travadas com grande intensidade e forte circulação de conteúdos descontextualizados. Ao rebater ponto por ponto as alegações atribuídas a Flávio Bolsonaro, Haddad tenta não apenas se defender, mas também enquadrar o adversário como agente de uma máquina de desinformação.

A ofensiva do ex-ministro mira temas altamente sensíveis para o eleitorado brasileiro: fome, pobreza, programas sociais, jogos de azar e proteção de crianças. Ao trazer datas, responsabilidades de governo e medidas adotadas, Haddad busca consolidar uma narrativa segundo a qual o bolsonarismo tenta apagar a própria herança enquanto transfere ao atual governo problemas que se originaram ou se agravaram em administrações anteriores.

Fonte: Brasil 247

Nenhum comentário:

Postar um comentário