Paulo Sérgio Neves de Souza, economista e servidor de carreira do Banco Central, foi alvo de buscas da Polícia Federal nesta quarta (4) na Operação Compliance Zero, que também levou à prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A decisão foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que também determinou o afastamento de Souza de suas funções. No despacho, o magistrado afirmou haver indícios de que o ex-dirigente atuava em alinhamento com os interesses do banqueiro.
“Mesmo sendo servidor do Bacen [Banco Central], Paulo Sérgio torna-se uma espécie de empregado/consultor de Vorcaro para assuntos de interesse exclusivamente privado deste último”, escreveu o magistrado.
Souza tem uma longa trajetória na autarquia. Nascido em 16 de junho de 1970, é formado em Ciências Econômicas pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) e possui MBA executivo em risco pela Fipecafi, ligada à Universidade de São Paulo.
Com mais de duas décadas no Banco Central, ele atuou principalmente na área de supervisão e fiscalização do sistema financeiro. Ao longo dos anos, ocupou cargos como supervisor, gerente técnico e chefe de divisão no Departamento de Supervisão Bancária.
Entre 2019 e 2023, durante a presidência de Roberto Campos Neto no Banco Central, Paulo Sérgio comandou a Diretoria de Fiscalização da instituição. Nesse período, ele assinou a autorização para a compra do Banco Máxima por Daniel Vorcaro, operação que resultou na criação do Banco Master.

As investigações agora apuram se o ex-diretor teria atuado como uma espécie de consultor informal do banqueiro. A Polícia Federal suspeita que informações sensíveis sobre fiscalizações e procedimentos internos da autarquia possam ter sido repassadas para beneficiar o banco.
Outro ponto sob análise é a possível omissão diante de irregularidades já identificadas anteriormente. Relatórios internos do Banco Central apontavam problemas na instituição desde 2018.
A nova fase da Operação Compliance Zero também incluiu medidas contra Bellini Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central.
Fonte: DCM
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