quarta-feira, 4 de março de 2026

Presidente da CPMI do INSS critica decisão de Flávio Dino que anulou quebra de sigilo de empresária

Senador Carlos Viana argumenta que medida do STF invade prerrogativas do Congresso

      Senador Carlos Viana (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou nesta quarta-feira (4) que a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino de anular a quebra de sigilos da empresária Roberta Luchsinger representa invasão das prerrogativas do Congresso. Dino concedeu parcialmente mandado de segurança à empresária e suspendeu o requerimento aprovado pela comissão. As informações são do G1.

Roberta é amiga de Fábio Luís da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). "Eu recebo com profunda indignação e enorme preocupação institucional a decisão liminar proferida pelo ministro Flávio Dino que suspende o requerimento da CPMI do INSS", afirmou Viana. O senador declarou que a medida representa interferência nas atribuições do Parlamento. "Até quando o parlamento brasileiro aceitará que decisões soberanas sejam interrompidas quando alcançam estruturas de poder?", questionou.

☉ Comissão avalia recurso

No despacho, Dino apontou que a aprovação conjunta de 87 requerimentos, na chamada votação em globo, violou o devido processo constitucional. Viana afirmou que o procedimento é usual nas CPIs e informou que o colegiado avalia recorrer. "Nós estamos, juntamente com a advocacia do Senado, analisando todas as repercussões. No nosso entender, ela pode ser estendida a todos. E eu espero que a turma do Supremo volte a respeitar o Parlamento", disse.

Segundo o presidente da comissão, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), reconheceu a validade da deliberação ao responder questionamento da base governista sobre a votação. "A própria presidência do Congresso reconheceu a legalidade do processo e, ainda assim, a investigação da CPMI sofre mais uma interrupção", declarou Viana.

Na reunião da comissão realizada na quarta-feira (26), houve tumulto após a votação. Parlamentares da base governista protestaram junto à mesa, o que resultou em empurra-empurra e troca de socos. Integrantes da base afirmaram que Viana teria contabilizado apenas sete votos contrários, quando 14 parlamentares teriam se posicionado contra a quebra de sigilo. O argumento foi sustentado com imagens da sessão.

Alcolumbre considerou o número de presentes registrado no painel, que indicava 31 parlamentares. Segundo ele, 14 votos não configurariam maioria para rejeitar o requerimento, sendo necessários 16 votos.

☉ Empresária nega irregularidades

Fábio Luís passou a ser citado por parlamentares da oposição bolsonarista após a Polícia Federal apreender mensagens trocadas entre Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e uma empresária com possíveis menções a ele.

Roberta Luchsinger teria recebido pagamentos de Antunes para atuar junto a órgãos de saúde na comercialização de produtos de cannabis medicinal. Ela foi alvo de operação da Polícia Federal e nega irregularidades na relação com o empresário.

Fonte: Brasil 247 com informações do G1

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