Governo federal reforça saúde em Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa após chuvas que deixaram 72 mortos e mobilizaram força nacional do SUS
Presidente da Republica Luiz Inacio Lula da Silva durante declaração à imprensa.Prefeitura de Juiz de Fora-MG. (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, sobrevoaram neste sábado (28) a Zona da Mata mineira para avaliar os danos provocados pelas fortes chuvas que atingem a região desde o início da semana. Durante a agenda, o Governo Federal anunciou a liberação de R$ 16,4 milhões para reforçar a assistência à saúde em Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa.
Os recursos contemplam verbas emergenciais e a habilitação de novos serviços. Entre as medidas estão a entrega de 50 ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192), uma carreta do programa Agora Tem Especialistas e seis unidades móveis destinadas à Atenção Primária.
Nove kits emergenciais com medicamentos e insumos estratégicos já foram enviados à região. Cada kit reúne 16 itens estratégicos e 32 medicamentos, incluindo antibióticos, analgésicos, anti-hipertensivos e soluções injetáveis, além de materiais como ataduras, gazes, dispositivos de infusão, seringas, luvas e máscaras. Segundo o Ministério da Saúde, cada conjunto tem capacidade para atender até 1,5 mil pessoas por mês, totalizando cobertura potencial para 13,5 mil pessoas no período.
Do montante anunciado, R$ 12,5 milhões são destinados a ações emergenciais para suprir as necessidades imediatas da população afetada. Outros R$ 3,8 milhões serão utilizados na habilitação de novos serviços de saúde nos municípios atingidos.
A atuação da Força Nacional do SUS foi destacada pelo ministro. “A Força Nacional do SUS está desde terça-feira aqui (24), eles fizeram o diagnóstico de toda a situação, monitoramos de Brasília e o que anunciamos hoje está focado em Ubá, Juiz de Fora e Matias Barbosa. Os outros municípios da região que trouxeram as demandas hoje, a Força Nacional ficará aqui para ajudar no detalhamento para que a gente possa acelerar os recursos, repasses e ações”, afirmou Padilha.
Ele também agradeceu às equipes envolvidas na resposta à crise. “Queria fazer um agradecimento a todos os profissionais do SUS, aos profissionais das secretarias municiais de toda a região e da secretaria estadual de Saúde e à Força Nacional que estão atuando neste momento”, completou.
A carreta do programa Agora Tem Especialistas, equipada para a realização de exames de imagem, como tomografia e ultrassonografia, começará a funcionar em Juiz de Fora na segunda-feira (2). Além disso, seis unidades móveis — duas destinadas a Juiz de Fora e quatro a Ubá — reforçarão a Atenção Primária e darão suporte às ações emergenciais.
Em parceria com a CCM Indústria de Descartáveis e com a Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias (Febrafar), o ministério articulou a doação de 318 mil fraldas, sendo 101 mil unidades adultas e 217 mil infantis, para atender grupos vulneráveis, como crianças e idosos.
A partir de segunda-feira, o Programa Farmácia Popular do Brasil terá regras de dispensação flexibilizadas para moradores das cidades afetadas, facilitando o acesso gratuito a medicamentos e insumos e reduzindo exigências administrativas em meio à situação de emergência.
O ministério informou ainda que mantém tratativas com outras empresas e parceiros institucionais para ampliar o volume de doações e fortalecer a rede de apoio às cidades atingidas.
Padilha ressaltou a dimensão sanitária da crise climática. “Para o SUS, a crise climática é acima de tudo uma crise de saúde pública, pessoas morrem, unidades de saúde são destruídas, novas doenças surgem em locais que não existiam e profissionais de saúde vivem sob uma pressão permanente por conta das mudanças climáticas que impactam na saúde, foi isso que o Brasil mostrou na COP 30”, declarou.
◉ Atendimento, vacinação e reorganização da rede
Equipes da Força Nacional do SUS e do Departamento de Emergências em Saúde Pública atuam na região desde o início da crise. Ao todo, 18 profissionais — entre médicos, enfermeiros, psicólogos e especialistas em logística — realizam diagnóstico situacional para mapear as principais demandas.
As ações incluem atendimento psicossocial, reorganização da rede local de saúde e vacinação preventiva contra o tétano, doença associada ao contato com água contaminada. A imunização contra hepatite A também será intensificada. O contingente de profissionais poderá ser ampliado conforme a evolução do cenário.
Outras medidas em curso abrangem o monitoramento de casos suspeitos de doenças, apoio ao restabelecimento do abastecimento de água potável, distribuição de hipoclorito de sódio para tratamento domiciliar da água e orientações de higiene em abrigos.
◉ Vigilância da qualidade da água
No campo da vigilância ambiental, o ministério atua por meio do Programa Nacional de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Vigiagua), coordenando ações para prevenir doenças relacionadas ao consumo de água imprópria.
Em conjunto com a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, são repassadas orientações sobre os cuidados com a água durante o período de emergência, com monitoramento intensificado da qualidade da água distribuída nos municípios, incluindo atenção especial a abrigos e ao abastecimento por carros-pipa.
◉ Número de mortos chega a 72
O número de mortes provocadas por deslizamentos e enchentes na Zona da Mata de Minas Gerais chegou a 72 na manhã deste domingo (1º), segundo atualização divulgada em entrevista coletiva pela Polícia Civil de Minas Gerais.
De acordo com a corporação, 72 corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML), sendo sete de moradores de Ubá e 65 de Juiz de Fora. Uma pessoa permanece desaparecida em Ubá, onde as buscas seguem intensificadas.
Em Juiz de Fora, o corpo do último desaparecido, o menino Pietro, de 9 anos, foi localizado na noite de sábado (28), no bairro Paineiras, e as buscas foram encerradas no município. Desde a noite de segunda-feira (23), o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais informou ter encontrado 61 corpos em Juiz de Fora e sete em Ubá, em operações realizadas em áreas íngremes e instáveis, marcadas por condições adversas e trabalho exaustivo das equipes de resgate.
Fonte: Brasil 247
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