segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Boulos critica ideia de “CEO” para o Brasil e ataca “bolsonarismo envernizado” de Tarcisio e da Faria Lima

Ministro diz que tratar o País como empresa revela “falta de projeto nacional” e afirma que “na direita, quem tem voto é o Bolsonaro”

                       Guilherme Boulos (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, criticou duramente a visão de que o Brasil deveria ser administrado como uma empresa e ironizou a tese de um “novo CEO” para o País. Para ele, essa concepção revela “falta de um projeto nacional” e, na prática, reduz a população à condição de “empregados” do governante. “Tratar um País como se fosse a gestão de uma empresa privada mostra falta de um projeto nacional”, disse. “Se o presidente é CEO, ele (Tarcísio) deve enxergar a população como seus empregados”, completou.

As declarações foram dadas em entrevista ao jornal Estado de S. Paulo, na qual Boulos também mirou o governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o ambiente político-eleitoral que começa a se desenhar para 2026. Há três meses no cargo, o ministro afirma ter recebido do presidente Lula a missão de colocar “o governo na rua” e reacender a base social da esquerda, com foco em trabalhadores que, segundo ele, passaram a ser disputados pela direita — incluindo motoristas e entregadores de aplicativos, além de pequenos empreendedores.

● “Bolsonarismo envernizado” e disputa na direita

Boulos afirmou que setores do mercado financeiro desejariam uma direita com aparência mais palatável, mas sem romper com o bolsonarismo. “O time da Faria Lima adora um bolsonarismo envernizado”, disse, ao falar sobre a projeção de Tarcísio como alternativa. “Tudo o que eles querem é um bolsonarismo que coma de garfo e faca. Mas a Faria Lima não tem voto. Na direita, quem tem voto é o Bolsonaro”, completou, referindo-se ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso por tentativa de golpe.

O ministro também disse que, na prática, a definição do nome competitivo da direita dependerá da indicação de Bolsonaro. “Então, na prática, quem o Bolsonaro indicar como candidato, será o candidato”, afirmou.

● Polarização, pesquisas e o desafio de comunicação do governo

Questionado sobre a pesquisa Genial/Quaest em que a avaliação negativa do governo superou a positiva, Boulos atribuiu o resultado ao ambiente de polarização. “Hoje tem uma situação da polarização no Brasil e no mundo. O eleitor que se define como de direita vai desaprovar o governo do presidente, por mais que possa sentir melhora na vida dele, por uma razão da polarização ideológica. Acabou a era do consenso”, declarou, destacando que o mesmo levantamento aponta Lula como favorito à reeleição em diferentes cenários.

● Trump, soberania e recado ao “vira-lata”

Ao comentar o impacto eleitoral da política externa, Boulos defendeu a posição do presidente Lula diante das ações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e afirmou que o governo vai transformar o tema em eixo de campanha. “O que o presidente fez foi defender a paz no continente e dizer que nem o Brasil nem a América Latina devem admitir nenhum tipo de colonialismo, de imperialismo”, disse.

Boulos também citou episódios envolvendo Trump e criticou quem, segundo ele, relativiza agressões à soberania de países da região. “Mas no dia seguinte o Trump foi lá e sequestrou o Maduro e fez um ataque militar numa República soberana. Ele (Trump) disse que faria (a mesma coisa) na Colômbia, que tomaria a Groenlândia. Então, para defender esse tipo de política tem que ser muito vira-lata. Patriotismo não é só na hora de levantar a bandeira em manifestação”, afirmou.

● Três temas para 2026 e promessa de fim da escala 6x1

Boulos disse que a eleição será marcada por três grandes temas. “Primeiro: soberania nacional. Haverá uma discussão com a sociedade se a gente quer um Brasil soberano ou o Brasil como uma colônia dos Estados Unidos. Quem usou o bonezinho do MAGA vai ter que se explicar”, afirmou.

O segundo tema, segundo ele, será a tributação. “Justiça tributária. Esse é o governo que pela primeira vez mexeu no vespeiro de taxar super rico no Brasil e zerar o Imposto de Renda (para quem ganha até R$ 5 mil). Qual é a posição daqueles que vão ser nossos adversários?”, questionou.

O terceiro eixo é a pauta trabalhista. “Defesa dos trabalhadores. Este governo defende o fim da escala 6x1”, declarou, sustentando que o Planalto quer aprovar ainda neste ano duas agendas: o fim da escala 6x1, com redução da jornada de 44 para 40 horas semanais sem redução salarial, e um marco de direitos para trabalhadores de aplicativos.

● Aplicativos: limite de retenção e transparência do algoritmo

Sobre a regulamentação das plataformas, Boulos descreveu um cenário em que a parcela retida pelas empresas pode chegar a metade do valor das corridas. “No caso dos motoristas, a taxa de retenção pode chegar a 50%. O texto do projeto de lei coloca um limite de 30%”, disse.

Para entregadores, apontou a disputa por um ganho mínimo por entrega e citou parâmetros debatidos no setor. “O iFood já trabalha com taxa mínima de R$ 7,50, em entregas até 3 quilômetros, e R$ 1,50 por quilômetro adicional. A demanda deles é que isso chegue a R$ 10 (fixos) e R$ 2,50 por quilômetro adicional. O projeto chegou a R$ 8,50”, afirmou.

O ministro também enfatizou a exigência de transparência algorítmica. “É inadmissível que um motorista não saiba o quanto o cliente está pagando; só saiba o quanto ele recebe. E que um motoboy, ao não aceitar uma corrida, receba uma punição algorítmica e fique duas horas sem receber outra chamada”, afirmou, defendendo ainda “uma contribuição majoritária das empresas para o INSS e uma minoritária dos trabalhadores”.

● Emendas, “captura do Orçamento” e freio de arrumação

Boulos minimizou o impacto político do veto presidencial a cerca de R$ 400 milhões em emendas parlamentares e criticou o volume total aprovado no Orçamento. “Nós estamos vivendo um negócio do rabo abanando o cachorro. R$ 61 bilhões em emenda aprovados no Orçamento? Gente, isso é uma esculhambação. Como é que você vai governar o Brasil desse jeito? Você perde a noção de projeto de país”, disse. “Nesse estágio, em algum momento, nós vamos ter que fazer um freio de arrumação”, completou.

● Segurança pública e confronto com Flávio Bolsonaro

Na disputa eleitoral, o ministro disse estar pronto para enfrentar ataques relacionados à sua trajetória em movimentos sociais e reagiu a críticas sobre “invasões”. “Existe um preconceito tremendo contra o movimento social. O Movimento Sem-Teto nunca invadiu a casa de ninguém”, declarou, explicando que o MTST “identificou imóveis em situação ilegal” e pressionou pelo cumprimento do Estatuto da Cidade.

Sobre segurança pública, Boulos afirmou que, caso o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) seja candidato, o governo pretende confrontá-lo diretamente. “Eu estou doido para o Flávio Bolsonaro, se for o candidato, falar de segurança pública porque daí a gente vai falar de milícia do Rio de Janeiro, de Rio das Pedras, de Adriano da Nóbrega, que teve familiar assessor no gabinete dele, de Escritório do Crime”, disse. “Qual é a autoridade moral do Flávio Bolsonaro para falar de segurança?”, completou, defendendo a PEC enviada por Lula para ampliar responsabilidades federais no tema.

● Evangélicos, nova classe trabalhadora e lições de 2024

Boulos afirmou que a esquerda precisa aprender a dialogar com a nova classe trabalhadora e disse ter tirado lições da eleição municipal de 2024, quando concorreu à Prefeitura de São Paulo. “A gente aprende mais na derrota do que na vitória”, afirmou, defendendo “um diálogo franco” com segmentos que hoje vivem de ocupações informais.

Sobre evangélicos, apontou a necessidade de reconstruir pontes. “Nós temos que repensar, inclusive, a relação de resistência que se construiu, dos dois lados, entre a esquerda e o povo evangélico”, disse, descrevendo o perfil majoritário do grupo como “mulheres das periferias que usam o SUS” e têm filhos na escola pública.

● Permanência no governo e papel em São Paulo

Questionado sobre deixar o cargo para disputar as eleições, Boulos disse que pretende permanecer. “Eu pretendo ficar, porque entrei no governo em outubro. O presidente me fez pedidos, me deu missões, e eu não largo missão no meio do caminho”, afirmou, acrescentando que tem compromisso de ajudar na construção do palanque em São Paulo.

Ao comentar a indefinição de nomes para o governo paulista, voltou a criticar a retórica do “CEO” e a postura de Tarcísio. “Tratar um país como se fosse a gestão de uma empresa privada? Isso mostra a cabeça tacanha, a falta de projeto nacional e de projeto popular”, declarou, retomando a síntese de sua crítica: “Se o presidente é CEO, ele (Tarcísio) deve enxergar a população como seus empregados”.

Fonte: Brasil 247

Erika Hilton desmente nova fake news da extrema-direita

Deputada afirma que não estava em evento com Lula no Rio e critica obsessão bolsonarista com ataques transfóbicos

      Erika Hilton (Foto: ViniLoures / Agência Câmara)

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) desmentiu neste domingo uma nova fake news impulsionada pela extrema-direita, segundo a qual o presidente Lula teria se referido a ela no masculino durante um evento no Rio de Janeiro. Em um tweet contundente, ela afirmou que sequer participou da atividade e denunciou a tentativa de transformar um trecho descontextualizado em pretexto para uma nova onda de ataques transfóbicos.

“Não, o presidente Lula não me chamou de ‘ele’ durante um evento no Rio de Janeiro. Porque eu literalmente não estava nesse evento”, escreveu Erika. Ela explicou que, há dias, está no interior de São Paulo e que Lula, na verdade, conversava com uma pessoa na plateia. “Eu não sou a única mulher chamada Erika do mundo”, completou.


No mesmo texto, a parlamentar criticou a fixação dos bolsonaristas com sua figura pública e relacionou a ofensiva a um sentimento de medo e incômodo diante de sua ascensão política. Segundo ela, a extrema-direita reage de maneira agressiva sempre que acredita ver qualquer menção ao seu nome. “A fixação dos bolsonaristas com a minha figura, e o medo que meu crescimento causa, os leva a um comportamento quase animalesco”, afirmou.

Erika também denunciou o caráter estruturalmente preconceituoso da campanha. “Pois é inaceitável, pra eles, uma mulher, travesti, não apenas ousar existir como ser uma política que produz mais e é mais útil à sociedade brasileira do que todos os ídolos bolsonaristas somados”, disse. Em outro trecho, ela ironizou os parâmetros morais do bolsonarismo ao lembrar que, para se destacar em relação a certas lideranças, bastaria não cometer crimes. “Qualquer político que não roubar, atropelar ou matar ninguém já se torna melhor do que as grandes lideranças bolsonaristas”, escreveu.

A deputada apontou ainda que a narrativa foi construída em grupo, com base em suposições e preconceitos, e que a simples citação do nome “Erika” teria sido suficiente para alimentar a mentira. “Eles viram Lula falar com alguma Erika e concluíram que só podia ser eu. Aí viram Lula falar ‘ele’, e foi o suficiente pra começar a nova onda de ataques”, relatou.

Para ela, o aspecto mais grave do episódio é que a manipulação desvia o foco do conteúdo central do discurso de Lula, que tratava de um tema sensível e urgente. Erika destacou que o presidente fazia um alerta “duro, e importantíssimo” sobre o risco de inteligências artificiais serem usadas para produzir pornografia sem consentimento e até pornografia infantil.

“Pros bolsonaristas, isso não parece ser um problema”, denunciou. “Pra eles problema é gente trans existir”, concluiu.

Fonte: Brasil 247

domingo, 18 de janeiro de 2026

“Affordability”‘: como o custo de vida pode decidir a próxima eleição no Brasil


      Consumidora faz as contas no mercado. Foto: Reprodução/ Food Storage Moms

O aumento do custo de vida, sintetizado no conceito de “affordability”, vem ganhando peso decisivo em eleições nos Estados Unidos e na Europa e pode entrar com força no debate eleitoral brasileiro em 2026. Analistas ouvidos pelo g1 avaliam que a percepção de que a renda já não cobre despesas básicas passou a orientar o voto em democracias afetadas pela inflação do pós-pandemia.

O termo “affordability” se refere à capacidade real das pessoas de custear bens e serviços do dia a dia. O professor de Ciência Política da UnB, Carlos Oliveira, explica que se trata do impacto direto do bolso na decisão eleitoral. “Em palavras mais diretas, é o impacto do custo de vida sobre a decisão de voto”, afirmou, citando a máxima atribuída à campanha de Bill Clinton em 1992: “É a economia, estúpido”.

Nos Estados Unidos, o conceito foi central em vitórias democratas recentes. O analista da FGV Leonardo Paz lembra que o choque inflacionário teve efeito mais intenso em países acostumados a índices baixos. “Quando você pega uma inflação que chega a 8% ao ano, você sente, em dois anos seguidos. A pessoa sente que está conseguindo comprar menos”, disse. Em Nova York e Nova Jersey, campanhas vitoriosas apostaram em temas como aluguel, energia e serviços públicos.

Especialistas avaliam que o Brasil vive um cenário parecido. Pesquisa Quaest mostra que 61% dos brasileiros acreditam conseguir comprar menos hoje do que há um ano. Para Leonardo Paz, o tema é inevitável. “Eu posso garantir com 100% certeza que esse tema vai ser importante, porque custo de vida é um tema importante de todo país em desenvolvimento”, afirmou. Segundo ele, a classe média tende a sentir mais o impacto da inflação.

Eleitora registra voto em urna eletrônica durante eleição no Brasil. Foto: Reprodução
No embate político, o custo de vida pode favorecer tanto governo quanto oposição. Carlos Oliveira avalia que “se o custo de vida estiver baixo, sem dúvida, ‘affordability’ é um tema de quem busca reeleição”. Caso contrário, torna-se munição da oposição ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva, liderada pelo campo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Apesar do peso econômico, a segurança pública segue como fator central no Brasil. Carlos Oliveira pondera que emoções contam muito na escolha do voto. “É difícil convencer as pessoas de que a segurança vai bem se elas estão com medo”, afirmou. Para ele, a eleição de 2026 dependerá de quem conseguir colocar na cabeça do eleitor o tema dominante: “tudo vai depender da capacidade de a esquerda ou direita colocar um (custo de vida) ou outro (segurança) tema na cabeça dos eleitores”.

Fonte: DCM com informações do G1

“Não desista”: a provocação de Lula a Flávio Bolsonaro sobre a disputa presidencial


       Lula e Flávio Bolsonaro. Foto: Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um comentário irônico sobre a possível candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência durante uma conversa reservada, em dezembro, com um dirigente partidário que mantém interlocução com o senador. O episódio ocorreu fora da agenda oficial e foi relatado por pessoas a par do encontro. As informações são de Lauro Jardim, do Globo.

Em tom de galhofa, Lula perguntou ao interlocutor se ele poderia levar um recado ao filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, frequentemente citado nos bastidores como potencial nome da direita para a disputa presidencial de 2026. Diante da resposta positiva, o presidente fez o pedido de forma direta e jocosa.

“Então, peça que ele não desista”, disse Lula, arrancando risos dos presentes. A frase foi interpretada como uma provocação política, mas também como uma leitura estratégica do cenário eleitoral, marcada pela fragmentação do campo bolsonarista e pela disputa interna na direita.

Nos bastidores do governo e do partido, o anúncio de Flávio como possível escolhido do pai é visto menos como ameaça direta e mais como um fator de instabilidade no campo adversário. A leitura predominante é que a direita, já fragmentada, teria dificuldade para se unificar em torno de um nome com alto potencial de transferência de votos.

Dirigentes petistas apontam que Flávio carrega fragilidades políticas e jurídicas que dificultariam a construção de uma candidatura ampla, sobretudo quando comparada a alternativas como a do governador paulista Tarcísio de Freitas, considerado mais competitivo eleitoralmente. A eventual entrada do senador na disputa reforçaria disputas internas e reduziria as chances de formação de uma frente única contra Lula.

Essa avaliação interna encontra respaldo nos números da mais recente pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta semana, que mostra Luiz Inácio Lula da Silva à frente de Flávio Bolsonaro tanto em cenários de primeiro turno quanto em simulações de segundo turno para 2026.

Cenários de segundo turno em 2026. Foto: Reprodução/Quaest

 

Fonte: DCM com informações do jornal O Globo

União Europeia convoca reunião de emergência após ameaça de Trump à Groenlândia

Declarações do presidente dos Estados Unidos sobre anexação da ilha geram reação imediata do bloco

O presidente dos EUA, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, D.C., EUA - 5 de maio de 2025 (Foto: REUTERS/Leah Millis)

A União Europeia decidiu convocar uma reunião de emergência com os embaixadores dos 27 países do bloco após novas pressões do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, relacionadas à Groenlândia. O encontro está marcado para este domingo (18), às 17h no horário local (12h em Brasília), no Chipre, país que ocupa a presidência temporária do bloco. As informações são do G1.

A iniciativa ocorre em meio a um aumento das tensões diplomáticas depois que Trump voltou a defender a anexação da Groenlândia aos Estados Unidos e passou a usar ameaças tarifárias como instrumento de pressão política sobre aliados europeus.

◈ Reação imediata do bloco europeu

Desde o início de seu segundo mandato, há cerca de um ano, Donald Trump tem afirmado que a Groenlândia é estratégica para os interesses de segurança do país. Segundo o republicano, o território é “vital” para o Domo de Ouro, um escudo antimísseis que ele pretende construir.

As declarações provocaram reação imediata em Bruxelas. Em publicação conjunta na rede social X, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, alertaram para os riscos de agravamento das relações entre Europa e Estados Unidos. “Tarifas prejudicariam as relações transatlânticas e poderiam desencadear uma perigosa escalada negativa. A Europa permanecerá unida, coordenada e comprometida em defender sua soberania”, afirmaram.

◈ Tarifas e risco de escalada transatlântica

A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, também criticou duramente as ameaças do governo norte-americano. Para ela, eventuais tarifas trariam prejuízos econômicos significativos para ambos os lados do Atlântico e desviariam a atenção do bloco de prioridades estratégicas.

“A China e a Rússia devem estar se divertindo muito. São elas que se beneficiam das divisões entre os aliados”, disse Kallas. Em seguida, acrescentou: “As tarifas podem empobrecer a Europa e os Estados Unidos e prejudicar nossa prosperidade compartilhada. Se a segurança da Groenlândia estiver em risco, podemos resolver isso dentro da OTAN”.

◈ Importância estratégica da Groenlândia

Situada entre os Estados Unidos e a Rússia, a Groenlândia é considerada há décadas uma área de grande importância geopolítica, especialmente no contexto da segurança do Ártico. Os Estados Unidos mantêm uma base militar no território, embora tenham reduzido de forma significativa sua presença nos últimos anos.

Diante das recentes declarações de Trump, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Holanda e Suécia enviaram tropas militares à Groenlândia na última quinta-feira (15). Segundo o governo alemão, a missão foi solicitada pela Dinamarca, responsável pela custódia do território, com o objetivo de avaliar possíveis contribuições militares e reforçar a segurança na região.

◈ Críticas diretas do presidente dos EUA

No início da semana, Donald Trump voltou a adotar um tom provocativo ao comentar as capacidades defensivas da ilha. “Se não tomarmos a Groenlândia, a Rússia ou a China o farão, e não vou deixar isso acontecer. Eu gostaria de fazer um acordo com eles, é mais fácil. Mas a teremos de um jeito ou de outro”, afirmou.

O presidente dos Estados Unidos também ironizou a defesa local. “A Groenlândia deveria fazer um acordo [com os EUA], porque eles não querem ver a Rússia ou a China dominar. (...) E sabe qual a defesa da Groenlândia? Basicamente dois trenós puxados por cachorros”, disse.

As declarações ampliaram o mal-estar diplomático e levaram a União Europeia a acelerar articulações internas em busca de uma resposta coordenada à postura do governo estadunidense sobre o território estratégico do Ártico.

Fonte: Brasil 247 com informações do G1

Delação de Daniel Vorcaro entra no radar e vira ameaça real para aliados em Brasília

Após nova fase da operação Compliance Zero, a hipótese de colaboração do dono do Banco Master passa a ser tratada como risco político e jurídico

       Daniel Vorcaro (Foto: Reprodução)

A possibilidade de uma delação premiada de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, voltou a circular com força em Brasília depois da segunda fase da operação Compliance Zero, quando uma nova rodada de busca e apreensão reacendeu o temor de que o ex-banqueiro decida contar o que sabe sobre negócios e conexões construídas nos bastidores do sistema financeiro e do poder. A informação foi divulgada pelo jornalista Lauro Jardim, em O Globo.

Segundo o relato publicado, a defesa de Vorcaro tende a negar a existência de tratativas, “é do jogo”, mas, desde a semana passada, a oferta de delação “entrou na roda” e chegou a ser considerada. A avaliação, no entorno do caso, é de que, se Vorcaro detalhar “o que sabe” e “o que viu” sobre operações e acordos de que participou, o estrago político pode ser grande.

O que mudou com a nova fase da Compliance Zero

A nova etapa da investigação é tratada, nos bastidores, como um ponto de inflexão por elevar a pressão processual sobre o investigado e ampliar a disputa por versões dentro do caso.

No mundo político, o cálculo é simples: delações não produzem apenas novos fatos, mas podem reordenar alianças, expor cadeias de intermediação e acionar mecanismos de autoproteção em série, sobretudo quando o alvo tem histórico de relações transversais com diversos polos de influência.

Fonte: Brasil 247

Governo Lula adota cautela sobre Venezuela, mas avalia que interlocução de Trump com Delcy reduz desgaste político

Planalto vê menor espaço para exploração eleitoral da aliança histórica do PT com o chavismo

        Lula e Delcy Rodríguez (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil | Reuters/Gaby Oraa)

O presidente Lula adotou um tom mais cauteloso e passou a evitar declarações públicas sobre a atuação dos Estados Unidos na Venezuela, depois de uma reação inicial mais enérgica, segundo avaliação de integrantes do governo

As informações constam em reportagem do jornal Folha de S.Paulo, que relata que, apesar do cuidado diplomático, auxiliares do presidente consideram que a aproximação entre Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, e Delcy Rodríguez tende a reduzir a capacidade de a oposição explorar, na eleição, a relação histórica do PT com o chavismo.

☉ Menos munição para ataques e tentativa de “colar” Lula a Maduro

De acordo com a avaliação de aliados do Planalto, a saída de Nicolás Maduro do centro da crise, após ser retirado da Venezuela por militares norte-americanos para ser julgado nos EUA, deixa Lula em posição politicamente mais confortável, por esvaziar tentativas de associação direta entre os dois líderes.

Ainda segundo interlocutores citados, a decisão de Trump de reconhecer Delcy Rodríguez, então vice-presidente venezuelana, como principal interlocutora de Washington, e de escantear a opositora María Corina Machado, também reduziria a pressão política sobre o governo brasileiro.

O texto aponta ainda que Lula já vinha, desde 2024, calibrando o distanciamento de Maduro, ao não reconhecer de forma aberta a vitória do líder venezuelano na última eleição, marcada por denúncias de fraude.

☉ Itamaraty evita sinalizar endosso ao regime venezuelano

Mesmo com o Itamaraty classificando o episódio como um “sequestro”, houve, nos bastidores, cautela para que a posição do Brasil não fosse interpretada como endosso ao regime de Caracas, conforme a reportagem.

A preocupação, segundo auxiliares, é administrar o custo político interno sem abrir uma crise diplomática adicional em um cenário internacional já instável e altamente polarizado.

☉ PT aposta em campanha com foco no bolso e no trabalho

No plano eleitoral, petistas avaliam que temas internacionais tendem a ter influência reduzida na campanha presidencial, não apenas no caso da Venezuela, porque frequentemente não afetam o cotidiano do brasileiro e acabam perdendo ressonância junto ao eleitorado.

A estratégia do partido, de acordo com a reportagem, é priorizar uma agenda doméstica e destacar medidas como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000.

Outra frente é reforçar propostas ligadas ao mundo do trabalho e ao custo de vida, incluindo o fim da escala 6x1 e a tarifa zero para transporte público, iniciativas que o PT considera capazes de mobilizar apoio em bases populares e também em segmentos urbanos.

☉ Relação Brasil–EUA deve entrar na disputa pelo episódio do “tarifaço”

Ainda segundo o relato, a relação bilateral entre Brasil e Estados Unidos pode aparecer na campanha a partir da reação de Lula ao tarifaço imposto por Trump em 2025.

A linha política pretendida por aliados do presidente é sustentar que o governo buscou reverter o cenário sem abrir mão da soberania nacional, transformando um conflito comercial em vitrine de firmeza diplomática e capacidade de negociação.

☉ Principal temor envolve interferência externa e plataformas digitais

Apesar do diagnóstico de que a agenda internacional terá menor peso, persiste um temor central no Planalto, a possibilidade de interferência dos Estados Unidos no processo eleitoral, não apenas por ações oficiais, mas também por meio de plataformas digitais.

A expectativa descrita por auxiliares é que o relacionamento positivo construído entre Lula e Trump desde o primeiro encontro entre ambos na Assembleia-Geral da ONU diminua o risco de uma ingerência direta.

Ainda assim, a imprevisibilidade de Trump e a volatilidade do cenário internacional mantêm aliados apreensivos, especialmente diante da avaliação de que o presidente norte-americano poderia repetir, no Brasil, estratégias políticas atribuídas a episódios recentes na Argentina e em Honduras, com sinalizações públicas e condicionantes de apoio que tensionam disputas domésticas.

Fonte: Brasil 247 com informações da Folha de S. Paulo

Lula lidera ciclo histórico de concessões e amplia investimentos em infraestrutura no Brasil

Com 50 leilões entre 2023 e 2025, governo acelera projetos em portos, rodovias e aeroportos e prepara nova carteira para 2026

    Renan Filho e Lula (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerra 2025 à frente do maior volume de concessões federais de infraestrutura já registrado no país, com 50 leilões de rodovias, portos e aeroportos no ciclo 2023–2025.

Os dados constam de um levantamento dos ministérios dos Transportes e dos Portos e Aeroportos, feito a pedido da Folha de S.Paulo, que mostra a concentração recente dessa política: desde 1995, quando entrou em vigor a Lei das Concessões, foram 160 leilões federais de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos, e quase um terço, 31%, ocorreu entre 2023 e 2025.

O desempenho supera o volume executado em governos anteriores. Entre 2019 e 2022, a gestão Jair Bolsonaro foi responsável por 45 leilões, enquanto Fernando Henrique Cardoso realizou 26, sendo 22 no primeiro mandato, de 1995 a 1998.

A leitura de especialistas e do próprio governo é que o avanço das concessões responde a uma estratégia pragmática para elevar investimentos, acelerar obras e ampliar a capacidade de entrega em um contexto de restrições fiscais, aproveitando uma carteira considerada atrativa e um ambiente regulatório mais amadurecido. “O presidente percebeu que, para ampliar o investimento, era importante aumentar a participação da iniciativa privada dadas as restrições fiscais”, disse o ministro dos Transportes, Renan Filho, em entrevista à Folha.

☆ Portos puxam o recorde e Tecon 10 entra no radar de 2026

O setor portuário é o principal motor do recorde recente, com 26 terminais concedidos desde o início do governo. Segundo o Ministério dos Portos e Aeroportos, os projetos somam R$ 15,5 bilhões em investimentos.

Para 2026, a pasta projeta a realização de um dos leilões mais aguardados pelo mercado. O Tecon 10, megaterminal de cargas no porto de Santos, deve ser ofertado em março, com investimento previsto de R$ 6,5 bilhões, reforçando a perspectiva de continuidade da carteira e de ampliação da capacidade logística do país.

☆ Rodovias ganham escala e concentram investimentos bilionários

O segundo maior peso da carteira está nas rodovias, com 22 certames no ciclo atual, sendo 13 somente em 2025. De acordo com o Ministério dos Transportes, os projetos somam R$ 247 bilhões em investimentos, e a expectativa para 2026 é de mais 13 rodovias licitadas.

Além dos portos e rodovias, completam a conta dos 50 leilões do atual mandato a relicitação do aeroporto de Natal e a concessão de um bloco de terminais aeroportuários regionais, ampliando o alcance da política para diferentes modais e regiões.

☆ Perfil dos projetos muda e governo prepara retomada ferroviária

A série histórica também revela mudanças no perfil das concessões ao longo de três décadas. As ferrovias viveram a “era de ouro” durante o governo FHC, quando ocorreram 9 dos 12 leilões feitos desde 1995, embora alguns ativos daquele período tenham enfrentado dificuldades de conservação e operação, caso da FCA (Ferrovia Centro-Atlântica), concedida em 1996. Segundo o relato presente no material, o governo fechou recentemente um acordo de renovação com a concessionária responsável pelo trecho, com compromissos de investimentos e indenização à União.

Hoje, o setor ferroviário passa por um momento de renegociações e busca por novos projetos. A última concessão ocorreu em 2021, no governo Bolsonaro, referente a um trecho da Fiol (Ferrovia de Integração Oeste-Leste). Para enfrentar a paralisia, o Ministério dos Transportes prepara oito leilões de ferrovias para 2026, com expectativa de movimentar cerca de R$ 140 bilhões.

☆ Aeroportos: de onda forte a ritmo menor, com foco em reequilíbrios

O setor aeroportuário, que teve forte ciclo em períodos anteriores, aparece agora com ritmo mais baixo, em meio a reacomodações do mercado. No primeiro mandato de Dilma Rousseff (2010 a 2014), ativos considerados atrativos foram concedidos, como Guarulhos, Viracopos e Galeão. Depois, o governo Michel Temer (2016 a 2018) destravou projetos que ficaram represados durante a crise econômica e leiloou quatro aeroportos. A gestão Bolsonaro intensificou a agenda, com 9 leilões que agruparam 49 aeroportos em blocos.

Ao comentar a orientação da atual política, Renan Filho afirmou à Folha que o impulso recente tem base pragmática. “O presidente Lula, apesar de ser pessoalmente de esquerda, faz um governo de frente ampla. Ele nunca foi um político ideológico”, disse.

☆ Investimento privado ganha protagonismo e sustenta expansão da carteira

Renan também citou um levantamento da Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base) indicando que o volume de investimento privado no Brasil deve ter batido a máxima histórica em 2025, segundo projeção feita em novembro. Do total de R$ 280 bilhões projetados para investimentos em infraestrutura no ano, 84% (R$ 235 bilhões) devem ter vindo de grupos privados, com alta real de 11% em relação a 2024, enquanto a participação pública recua.

Para Fernando Vernalha, sócio-fundador do escritório Vernalha Pereira, o cenário reforça a necessidade de ampliar a presença privada para aproximar o país do patamar considerado adequado de investimento. “Nós não tivemos muita alternativa que não buscar esses investimentos na iniciativa privada. A forma de fazer isso foi por meio de concessões e PPPs [parcerias público-privadas]”, disse.

Vernalha avalia ainda que o Brasil conseguiu oferecer oportunidades raras em comparação internacional, citando os aeroportos como exemplo de ativos que atraíram forte interesse de grupos estrangeiros. Renan Filho, por sua vez, aponta que poucos países reúnem simultaneamente carteira atrativa e condições institucionais para sustentar a confiança do investidor, como sustentabilidade ambiental, agências regulatórias com autonomia e mercado de capitais sofisticado.

☆ Contratos estressados e relicitações entram como “segunda rodada” de eficiência

A trajetória das concessões também inclui casos em que a primeira rodada não funcionou como esperado, com desequilíbrio financeiro, obras atrasadas e investimentos não realizados, os chamados “contratos estressados”. Parte desses ativos voltou ao mercado nos últimos anos, permitindo que novos desenhos contratuais e concorrência reorganizem projetos e viabilizem a execução.

No setor rodoviário, o governo já realizou quatro leilões envolvendo ativos problemáticos, e ainda há pelo menos outras seis estradas nessa situação. Para 2026, a previsão é de certames simplificados em alguns desses casos, com disputa para a assinatura de novo contrato.

Marco Aurélio Barcelos, diretor da ABCR (Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias), disse que o setor vive um momento especialmente favorável, embora com desafios operacionais a endereçar. “É o melhor momento, sem dúvida alguma. Agora, isso não significa que não temos desafios.” Entre os pontos citados, Barcelos mencionou melhorias na estrutura de seguros e maior celeridade no licenciamento ambiental, destacando o horizonte de obras à frente. “Nunca vivemos no Brasil o que vamos viver nos próximos oito anos em termos de execução de investimentos. É muita obra que vai acontecer”, afirmou.

Na avaliação do diretor, apesar do volume, o mercado ainda deve ter apetite e capacidade de absorção no curto prazo, mas com possível acomodação adiante. “Eu diria que vamos ter essa esteira de produção intensiva em 2026 e talvez até 2027. Depois, veremos uma queda na quantidade de leilões.”

Fonte: Brasil 247 com informações da Folha de S. Paulo

Bia Haddad Maia cai na estreia do Australian Open e se despede na primeira rodada

Brasileira venceu o primeiro set, mas Yulia Putintseva reagiu e virou o jogo em três parciais após momento tenso em quadra

                        Bia Haddad Maia (Foto: Reprodução Instagram/Beatriz Haddad Maia)

A tenista Beatriz Haddad Maia está fora do Australian Open logo na primeira rodada. Neste domingo (18), a número 1 do Brasil foi superada pela cazaque Yulia Putintseva e deu adeus precocemente ao primeiro Grand Slam da temporada.

A informação foi publicada pela CNN Brasil, que destacou o retorno de Bia ao circuito após um período de afastamento e a virada sofrida em Melbourne.

● Volta ao circuito após pausa para cuidar do corpo e da mente

A estreia no Australian Open ocorreu em um contexto de recomeço. Antes da turnê australiana — iniciada por Bia no WTA de Adelaide — a brasileira estava sem competir desde setembro, quando caiu na segunda rodada do WTA de Seul, na Coreia do Sul, e anunciou uma pausa para priorizar a recuperação física e mental.
Jogo começou bem para Bia, mas rival cresceu nos momentos decisivos

O roteiro da partida teve mudanças bruscas. Bia começou melhor e venceu o primeiro set contra Putintseva, atual número 105 do ranking da WTA

A segunda parcial foi mais equilibrada e marcada por tensão. Em determinado momento, Putintseva demonstrou irritação com o andamento do jogo e chegou a jogar a raquete no chão. Ainda assim, a cazaque conseguiu quebrar o último saque de Bia e fechou o set, levando o duelo para o terceiro.

No set decisivo, a brasileira chegou a abrir 3 a 1, mas viu a adversária devolver a quebra e assumir o controle a partir daí. Putintseva aproveitou problemas no saque e erros não forçados de Bia para confirmar a virada, com parciais de 3/6, 7/5 e 6/3.

Fonte: Brasil 247 com informações da CNN Brasil

UE avalia sanções e ameaça a bases americanas para conter pressão de Trump por “aquisição” da Groenlândia

The Economist diz que Europa pode usar tarifas, sanções e até a retirada de instalações militares dos EUA

      Groenlândia (Foto: Reuters)

A União Europeia pode recorrer a sanções econômicas, à imposição de tarifas comerciais e até à ameaça de eliminar bases militares dos Estados Unidos em território europeu para pressionar Washington na disputa sobre o futuro da Groenlândia, segundo análise publicada pela revista The Economist.

A informação foi divulgada pela agência russa TASS neste domingo (18), ao relatar os principais pontos do texto da revista britânica sobre a escalada de tensões após novos anúncios do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, envolvendo tarifas contra países europeus vinculadas ao tema da Groenlândia.

☉ Pressão econômica e o “ponto sensível” das bases

De acordo com a The Economist, seria “extremamente difícil” para os EUA projetarem poder militar para regiões como África e Oriente Médio sem acesso a bases europeias estratégicas, como Ramstein, na Alemanha.

O texto citado pela TASS afirma ainda que operações recentes — como o sequestro de petroleiros na costa da Venezuela — dependeram diretamente do acesso a recursos em aeródromos militares britânicos, o que evidenciaria a relevância da infraestrutura europeia para a atuação externa de Washington.

☉ Ártico exige cooperação com aliados e com a própria Groenlândia

A avaliação destacada pela revista aponta que a capacidade da Casa Branca de monitorar e conter ameaças no Ártico exigiria cooperação com a Groenlândia, Islândia, Reino Unido e Noruega, além de outros aliados da OTAN.

Nesse contexto, o argumento central é que a Europa dispõe de instrumentos de pressão, mas que o próprio funcionamento da estratégia americana no Ártico passa por coordenação multilateral, reduzindo o espaço para uma política de imposição sem custo diplomático.

☉ Por que a revista considera improvável um confronto direto

Apesar de listar opções de retaliação, a The Economist afirma que uma confrontação frontal com os EUA seria improvável, porque exigiria que a União Europeia elevasse rapidamente seus gastos militares, diante da dependência do continente de tropas americanas e do setor militar-industrial dos EUA.

Além disso, uma guerra comercial imporia um peso elevado aos orçamentos europeus, ampliando o custo político e econômico de uma escalada prolongada.

☉ Tarifas anunciadas por Trump ligam comércio à “aquisição” da Groenlândia

Segundo o relato, Trump anunciou em 17 de janeiro, na rede Truth Social, que seu governo impôs tarifas de 10% sobre Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Finlândia e Países Baixos. As medidas, afirmou, permaneceriam em vigor até que haja um acordo sobre a “aquisição completa e final da Groenlândia” pelos Estados Unidos.

Ainda de acordo com a publicação, o presidente disse que a decisão entra em vigor em 1º de fevereiro e que, a partir de 1º de junho, a alíquota subiria para 25%.

Trump também criticou a intenção europeia de enviar forças para a Groenlândia, chamando a iniciativa de “um jogo muito perigoso”, e sustentou que a posse do território seria necessária para reforçar a segurança nacional dos EUA e viabilizar a implantação do sistema de defesa antimísseis “Golden Dome”.

Fonte: Brasil 247 com informações publicada pela revista The Economist

Cidades do CE e MG iniciam vacinação contra dengue com dose única

Maranguape e Nova Lima começaram a aplicar vacina do Butantan

Mosquitos (Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom / ABr)


Guilherme Jeronymo, repórter da Agência Brasil - As cidades de Maranguape (CE) e Nova Lima (MG) iniciaram a vacinação-piloto com o imunizante de dose única contra a dengue desenvolvido pelo Instituto Butantan. Nesta primeira etapa, 204,1 mil doses serão distribuídas entre Maranguape (60,1 mil), Nova Lima (64 mil) e também Botucatu, em São Paulo (80 mil). O quantitativo é suficiente para a vacinação em massa da população-alvo nessas cidades, composta por cidadãos com idade entre 15 e 59 anos. Em Botucatu, a vacinação começa no domingo (18).

Os resultados da imunização serão acompanhados durante um ano. As análises serão conduzidas com apoio de especialistas, que irão avaliar a incidência da dengue nos municípios selecionados, além de monitorar eventuais efeitos adversos raros após a imunização. Metodologia semelhante já foi adotada em Botucatu na avaliação da efetividade da vacina contra a covid-19.

Se os resultados forem positivos, será iniciada a produção em massa para atender todo o país. Até o momento, o Butantan fabricou 1,3 milhão de doses. Antes dos resultados, porém, será realizada a imunização de públicos prioritários com a chegada de mais doses da Butantan DV. A imunização de profissionais da atenção primária à saúde está prevista para o início de fevereiro. Esse grupo, composto por médicos, enfermeiros e agentes comunitários, deve receber as cerca de 1,1 milhão de doses que não foram usadas nesta fase prioritária.

Segundo o Ministério da Saúde, com a transferência de tecnologia entre o Instituto Butantan e a empresa chinesa WuXi Vaccines, a vacinação será gradualmente ampliada para todo o país, começando pela população de 59 anos e avançando até o público de 15 anos. A expectativa é de ampliação da produção em até 30 vezes.

No lançamento da vacinação em Maranguape, o ministro da Saúde em exercício, Adriano Massuda, destacou os critérios adotados para a escolha dos municípios. “Cidades [que foram] escolhidas por terem população entre 100 mil e 200 mil habitantes e uma rede de saúde estruturada, que permite implementar a vacina e avaliar seu impacto na imunização da população e na circulação do vírus na comunidade”, afirmou. Massuda destacou, ainda, que a vacina é a primeira contra a dengue aplicado em dose única, o que permite imunização mais rápida e eficaz.

Os estudos clínicos indicaram eficácia global de 74%, com redução de 91% dos casos graves. Entre os vacinados, nenhum precisou de hospitalização por conta da dengue. A vacina foi desenvolvida em um processo de 20 anos, juntando tecnologias de diversos centros de pesquisa nacionais e apoio de pesquisadores estrangeiros. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) apoiou com um financiamento de R$ 32 milhões, ainda em 2008. Um segundo aporte, para financiar a fábrica de vacinas, colocou R$ 97 milhões do banco à disposição, em 2017. Até o momento, o imunizante recebeu investimentos de R$ 305,5 milhões.

A rede de saúde das cidades que atuam nesta fase atenderá moradores com documento oficial, com foto, e a orientação é que se leve também o Cartão SUS. Mesmo com a imunização, o cuidado com essa e outras arboviroses permanece. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde de Nova Lima, "mesmo com a ampliação da cobertura vacinal, as ações de prevenção seguem fundamentais, especialmente o combate ao mosquito Aedes aegypti, com a eliminação de água parada".

Fonte: Brasil 247