sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Caixão fechado ou R$ 4 mil: o drama das famílias dos mortos em massacre

 

Atendimento aos familiares durante o reconhecimento dos corpos dos mortos na Operação Contenção no IML. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
As famílias das vítimas da Operação Contenção, no Rio de Janeiro, enfrentam um dilema doloroso após a chacina que deixou 121 mortos: pagar ao menos R$ 4 mil por um sepultamento particular ou aceitar o enterro gratuito oferecido pela prefeitura, sem velório e com o caixão fechado. A Defensoria Pública do Estado montou um posto de atendimento no Instituto Médico-Legal (IML) Afrânio Peixoto para orientar parentes e agilizar o acesso ao serviço.

Segundo o defensor público André Castro, a prefeitura disponibiliza o enterro gratuito apenas para quem comprovar vulnerabilidade social. Famílias que não se enquadram nos critérios podem solicitar uma tarifa social, intermediada diretamente pelas funerárias.

“Não precisa de ação judicial, nem nada do tipo. A gente faz a orientação e o contato é direto com as empresas”, explicou. Castro, no entanto, criticou as condições do serviço oferecido pelo município. “Não são condições que consideramos dignas para a despedida dos entes queridos. Mas muitas famílias realmente não têm condições de pagar. Esse tem sido o principal pedido na nossa atuação”, disse.

Em nota, a prefeitura alegou que o serviço gratuito garante um sepultamento “digno” às famílias vulneráveis e que nenhum corpo deixará de ser enterrado por falta de recursos. O município justificou que os caixões precisam ser fechados porque o serviço não inclui o preparo dos corpos.

“Por se tratar de um serviço gratuito, não estão incluídos procedimentos laboratoriais de preparação, o que faz com que os caixões sejam fechados. Também não estão contempladas despesas com velórios”, afirmou a prefeitura.

Corpos de mortos em massacre no Rio de Janeiro, na última terça (28). Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress
Enquanto isso, familiares continuam lotando o IML à espera da liberação dos corpos. Muitos aguardam há dois dias por informações. “Eles mandaram colocar o nome na lista e disseram que ligariam quando identificassem. Voltamos hoje e seguimos sem resposta”, contou uma mulher que buscava o sobrinho desaparecido desde segunda-feira.

Outra parente, que procurava o irmão, relatou falta de estrutura no local. “Não tem bombeiro, nem máquina para medir pressão. Ontem muita gente passou mal e não havia quem ajudasse”, afirmou. Do lado de fora, familiares aguardam em pé ou sentados nas muretas, sob o sol.

Até agora, mais da metade dos 117 corpos considerados suspeitos pela polícia foi identificada. As necropsias estão sendo realizadas no IML Afrânio Peixoto, que foi fechado exclusivamente para os mortos da operação. Parte dos corpos será levada para outras cidades — ao menos 17 já seguiram para Manaus e Belém — enquanto outros serão velados em bairros da zona norte, como Irajá e Inhaúma.

Fonte: DCM

VÍDEO – Bolsonarista Felipe Melo defende chacina no Rio: “Mostrou quem comanda”

                    O bolsonarista Felipe Melo em vídeo publicado nas redes. Foto: Reprodução


O bolsonarista Felipe Melo, ex-jogador e comentarista esportivo da Globo, publicou um vídeo nas redes sociais defendendo a operação policial no Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, que resultou em chacina. A ação, promovida pelo governo do estado, deixou 121 mortos.

“Quero começar esse vídeo parabenizando todos os policiais que subiram o morro. Esses sim, são verdadeiros heróis”, disse. Ele ainda afirmou que a ação foi “violenta, mas necessária” e que as forças de segurança enfrentam “um exército paralelo”.

“Não é mais tráfico de drogas, gente. São quadrilhas fortemente armadas com tecnologia militar. Sim, muita gente morreu. Mas o que você esperava? Que os criminosos entregassem os fuzis cantando o hino da paz?”, prosseguiu. Ele elogiou os quatro policiais mortos na operação, chamando-os de “heróis” e “protetores da sociedade”.

O bolsonarista concluiu o vídeo reafirmando solidariedade às famílias dos agentes mortos e criticando quem, segundo ele, “defende bandidos enquanto cidadãos de bem vivem aterrorizados”. “O Rio de Janeiro merece paz. E essa paz só virá quando o Estado mostrar quem comanda e quem comanda é a lei, não o crime”, afirmou.

Fonte: DCM

Cabeleireiro é condenado por dizer que não contrata “preto, gordo, petista e viado”


         Diego Beserra Ernesto, cabeleireiro condenado por injúria racial e discriminação. Foto: Reprodução

A Justiça de São Paulo condenou o cabeleireiro Diego Beserra Ernesto, de 38 anos, por injúria e discriminação após a divulgação de áudios em que ele afirmava não contratar “gordo, petista, preto e viado”. As gravações, feitas em janeiro de 2023, foram enviadas a Jeferson Dornelas, um homem negro que sublocava parte do salão de Diego, localizado na rua Cardoso de Almeida, em Perdizes, zona oeste da capital.

Segundo a denúncia do Ministério Público, o caso veio à tona após Jeferson registrar um boletim de ocorrência. Ele havia enviado uma mensagem ao proprietário informando que uma assistente desistira de trabalhar no local um dia após aceitar a vaga.

A resposta de Diego, em áudio, foi considerada abertamente discriminatória. “Eu coloquei uma regra para mim… não contrato gordo, não contrato petista e não contrato preto”, afirmou o cabeleireiro. Em outra mensagem, completou: “Esqueci de falar, não contrato mais veado, velho. Principalmente veado, nem fodendo.”

A profissional mencionada, Ana Carolina de Sousa, contou à polícia que chegou a participar de uma entrevista no salão, mas desistiu do emprego após notar olhares de desprezo do proprietário. Segundo o Ministério Público, as investigações mostraram que todos os funcionários do salão eram “brancos, magros e heterossexuais”, o que reforçou o caráter discriminatório da conduta.

A promotora Mariana Camila de Melo classificou o comportamento como “criminoso e de graves efeitos sociais”. Na defesa, Diego alegou que os áudios foram retirados de contexto e que o conteúdo refletia “um momento político do país, com a esquerda dominando o cenário”.

Ele disse manter boa convivência com pessoas negras, homossexuais e gordas, e que jamais teria agido com preconceito em seu salão. Seu advogado, José Miguel da Silva Júnior, afirmou que o caso foi distorcido e que as testemunhas confirmaram que o réu atende todos os públicos.

A juíza Manoela Assef da Silva rejeitou os argumentos da defesa. Em sua sentença, destacou que “não há contexto possível que justifique a postura discriminatória” do cabeleireiro. Segundo ela, a tentativa de relacionar o discurso a um “contexto social” apenas reforça uma visão equivocada e preconceituosa sobre a diversidade.

Diego Beserra Ernesto foi condenado a dois anos, quatro meses e 24 dias de reclusão, pena substituída por serviços comunitários e pagamento de um salário-mínimo a uma instituição social. Também deverá indenizar a vítima em R$ 15.180 e pagar o mesmo valor a um fundo público por danos morais coletivos.

Fonte: DCM

EUA preparam ataque à Venezuela para as próximas horas, dizem fontes da Casa Branca


      O USS Gravely, um destróier equipado com mísseis guiados

O governo dos Estados Unidos está pronto para lançar ataques contra instalações militares dentro da Venezuela, segundo fontes com acesso direto às decisões da Casa Branca ouvidas pelo Miami Herald e pelo Wall Street Journal.

A ofensiva marcaria o início de uma nova fase da campanha norte-americana contra o Cartel de los Soles, organização que Washington afirma ser chefiada pelo presidente Nicolás Maduro e operada por altos oficiais do regime.

As fontes afirmaram que os ataques aéreos podem ocorrer a qualquer momento e têm como objetivo destruir centros de comando, pistas clandestinas e depósitos de armas usados pelo cartel, além de “decapitar sua estrutura hierárquica”.

Segundo estimativas do Pentágono, o grupo exporta cerca de 500 toneladas de cocaína por ano, divididas entre os mercados europeu e norte-americano. Questionados sobre se Maduro seria um alvo direto, integrantes do governo responderam de forma ambígua. “O tempo dele está acabando”, disse uma das fontes.

A escalada militar ocorre após meses de movimentação no Caribe. Desde agosto, os EUA reforçaram sua presença naval na região, criando uma força-tarefa conjunta com três destróieres equipados com mísseis guiados, aviões P-8 de reconhecimento e drones MQ-9 Reaper baseados em Porto Rico.

Em outubro, o porta-aviões USS Gerald R. Ford, acompanhado pelos destróieres USS Carney, USS Roosevelt, USS Ramage e USS Thomas Hudner, foi deslocado para o sul do Caribe.

O grupo de ataque, com mais de 4 mil militares e 90 aeronaves de combate, é descrito por oficiais venezuelanos exilados como o núcleo da “fase final” da operação, voltada a neutralizar líderes do Cartel de los Soles e do grupo criminoso Tren de Aragua.

O Gerald R. Ford, maior porta-aviões do mundo. Imagem: reprodução
A Casa Branca tenta minimizar a possibilidade de uma ação imediata. Donald Trump, ao ser questionado a bordo do Air Force One, negou ter tomado uma decisão definitiva, embora tenha endurecido o tom contra Maduro e seus aliados.

Em agosto, o governo norte-americano dobrou a recompensa pela captura de Nicolás Maduro para US$ 50 milhões, a maior já oferecida, e mantém prêmios de US$ 25 milhões para seus principais assessores, entre eles Diosdado Cabello (ministro do Interior) e Vladimir Padrino López (ministro da Defesa), ambos acusados de envolvimento no tráfico internacional de drogas.

A procuradora-geral Pam Bondi afirmou, à época, que Maduro é “um dos maiores narcotraficantes do mundo e uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos”.

A ofensiva militar foi moldada após Trump reclassificar os principais cartéis latino-americanos como organizações terroristas e criminosas transnacionais, entre eles o Tren de Aragua e o Cartel de los Soles.

O presidente também intensificou as operações marítimas no Caribe, com ataques a embarcações suspeitas de transportar cocaína — 61 supostos traficantes morreram em ações recentes.

Analistas ouvidos pelo Miami Herald avaliam que a amplitude do destacamento indica um plano de pressão direta sobre Caracas, mas não necessariamente uma invasão. “Há poder de fogo suficiente para realizar ataques aéreos e missilísticos, mas não para ocupar o país”, explicou o coronel da reserva Mark Cancian, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais.

Ele compara o cenário a operações de ataques pontuais, como o assassinato do general iraniano Qasem Soleimani, realizado por Washington em 2020.

Pedido de recompensa pela cabeça de Maduro e Diosdado Cabello

Outros observadores, no entanto, acreditam que a movimentação visa desestabilizar Maduro internamente, criando incentivos para deserções dentro das Forças Armadas venezuelanas. “Há mais de um general disposto a capturá-lo, ciente de que há uma diferença entre falar de morte e vê-la se aproximar”, disse uma das fontes ao jornal.

Apesar das negativas oficiais, a movimentação das forças norte-americanas — e a saída nesta semana do destróier USS Gravely, de Trinidad — sugere que a Venezuela está no centro de uma operação militar sem precedentes desde a invasão do Panamá, em 1989.

Fonte: DCM

Deputados aplaudem mortes em favelas, mas protegem grandes sonegadores

 

Deputados do PL. Foto: reprodução
Deputados do PL que elogiaram a “firmeza” da polícia na megaoperação que deixou mais de 120 mortos no Rio de Janeiro, na terça-feira (28), mostraram outro padrão de rigor quando o assunto foi o combate aos criminosos do colarinho branco. Na Câmara, os mesmos parlamentares votaram contra o pedido de urgência para um projeto que aperta o cerco aos grandes sonegadores — empresários que devem bilhões aos cofres públicos e corroem a arrecadação dos estados.

Dos 50 deputados que rejeitaram a urgência, 35 pertencem ao PL, partido do governador fluminense Cláudio Castro. Entre eles está o general Eduardo Pazuello (PL-RJ), conhecido pelo discurso implacável contra o crime. O discurso, no entanto, desaparece quando os infratores são empresários influentes. O projeto atingiria devedores contumazes de tributos, incluindo grandes grupos que há anos acumulam dívidas bilionárias sem punição efetiva.

A Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, é um dos principais exemplos. A empresa deve cerca de R$ 13 bilhões ao estado de São Paulo e outros R$ 9 bilhões ao Rio de Janeiro. O tema interessa diretamente aos governadores Cláudio Castro e Tarcísio de Freitas (Republicanos). Enquanto Tarcísio foi ao Supremo Tribunal Federal (STF) contestar decisões do Tribunal de Justiça do Rio que favoreciam a refinaria, Castro seguiu na direção oposta: entrou na Justiça pedindo a reabertura da empresa, em ação assinada pelo procurador-geral do Estado, Renan Miguel Saad.

A contradição é evidente. Parte da bancada bolsonarista defende operações policiais com saldo recorde de mortos nas favelas, sob o argumento de que “bandido bom é bandido morto”, mas poupa os que saqueiam o Estado por meio da sonegação. O resultado é um rigor seletivo que atinge pobres e pretos das comunidades, enquanto empresários endividados e aliados políticos seguem protegidos pela condescendência de quem confunde justiça com vingança.

             Moradores protestam contra o governador Cláudio Castro. Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress.

Fonte: DCM

Efeito Lula: Desemprego segue em 5,6% e atinge recorde histórico pelo 3° mês seguido

O presidente Lula (PT). Foto: Reprodução

A taxa de desemprego no Brasil se manteve em 5,6% no trimestre encerrado em setembro, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (31) pelo IBGE. O índice repete o menor nível da série histórica, iniciada em 2012, e marca o terceiro mês consecutivo de estabilidade no patamar recorde.

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), a taxa de desocupação manteve-se estável em relação ao trimestre anterior, quando estava em 5,8%. No mesmo período de 2023, o índice era de 6,4%.

O número de pessoas desocupadas caiu para 6,045 milhões, o menor já registrado desde o início da pesquisa. Isso representa uma redução de 209 mil pessoas em relação ao trimestre encerrado em junho e 809 mil a menos em comparação com o ano anterior.

Renda e emprego formal em alta

O levantamento também apontou avanço em outros indicadores. A renda média real cresceu 4% em um ano, e o número de trabalhadores com carteira assinada atingiu 39,229 milhões, o maior patamar da série histórica.

Além disso, a taxa de subutilização da força de trabalho, que inclui pessoas que gostariam de trabalhar mais horas ou que desistiram de procurar emprego, caiu para 13,9%, também a menor já registrada.

Aplicativo da Carteira de Trabalho Digital exibido em tela de smartphone ao lado de versão física do documento. Foto: Reprodução

Brasil cria 213 mil empregos formais em setembro

Economistas avaliam que os dados reforçam o cenário de mercado de trabalho aquecido e favorável ao trabalhador, impulsionado pela recuperação da renda e pela expansão do emprego formal.


O resultado, obtido a partir de 2,29 milhões de admissões e 2,07 milhões de demissões, ficou acima da projeção de 170 mil vagas feita por analistas consultados pela Bloomberg.

O desempenho também foi superior ao registrado em agosto, quando o saldo foi de 147,4 mil vagas, mas inferior ao de setembro de 2024, que havia somado 252,2 mil novos postos de trabalho. No acumulado de 2025, o país registra 1,717 milhão de vagas criadas, ligeiramente abaixo do resultado de 1,743 milhão no mesmo período do ano anterior.

Durante a divulgação dos dados, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, ironizou as previsões do mercado. “Não sei se tão especialistas assim, porque projetaram no máximo 175 mil, e o número é de 213 mil postos de trabalho”, afirmou.

Fonte: DCM

VÍDEO: Presidente da CBF fala em trazer final da Libertadores, com Flamengo e Palmeiras, ao Brasil


       Samir Xaud, presidente da CBF. Foto: Mauro Pimentel/AFP

Após a classificação do Palmeiras que garantiu uma final 100% brasileira da Copa Libertadores, o presidente da CBF, Samir Xaud, sugeriu tentar trazer a decisão para o Brasil. A partida entre Palmeiras e Flamengo está marcada para 29 de novembro no Estádio Monumental de Lima, no Peru, país que enfrenta grave instabilidade social.

“Por enquanto é Lima. É uma competição organizada pela Conmebol. Com essa final brasileira agora nós vamos poder ver a possibilidade de vir para o Brasil”, disse Xaud à imprensa. “Se os clubes se manifestarem, tiverem a intenção, a CBF pode ajudar nessa interlocução com a Conmebol”.

Xaud afirmou que Belém e Brasília já se ofereceram para sediar a final. No entanto, fontes da Conmebol indicam que a entidade não pretende mudar a sede. Dirigentes já comunicaram ao Flamengo que não há planos de alteração, especialmente após as pré-inscrições para ingressos realizadas esta semana.

O Peru vive intensa instabilidade após o congresso destituir a presidente Dina Boluarte. O presidente interino decretou estado de emergência de 30 dias em Lima, permitindo que as Forças Armadas atuem nas ruas. A medida acentua o clima de tensão no país que sediará a final.

Fonte: DCM

Advogados tentam livrar Zambelli da prisão alegando “insanidade mental”; entenda


       Bolsonarista Carla Zambelli persegue, armada, o jornalista Luan Araújo em São Paulo. Foto: Reprodução

A defesa da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) vai apresentar ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido para instaurar um incidente de insanidade mental momentânea, em uma tentativa de reduzir a pena de 5 anos e 3 meses de prisão imposta à parlamentar após a condenação por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal com uso de arma de fogo, conforme informações da CNN Brasil.

O advogado Fábio Pagnozzi, que representa Zambelli, afirmou que a bolsonarista “estava momentaneamente em estado de insanidade mental, em razão das ameaças reiteradas que vinha sofrendo, somadas ao uso de medicamentos” no momento em que perseguiu um homem pelas ruas de São Paulo.

Segundo o defensor, Zambelli “posteriormente retomou seu estado normal”. A estratégia, segundo ele, foi definida com a concordância da parlamentar, que atualmente está presa na Itália.


A perseguição armada

O episódio ocorreu em outubro de 2022, um dia antes do segundo turno das eleições presidenciais. Zambelli foi filmada discutindo com o jornalista Luan Araújo em uma rua de um bairro nobre de São Paulo e, logo depois, perseguindo o homem com uma arma em punho.

O caso levou o STF a condená-la por 9 votos a 2, em agosto deste ano. O relator, ministro Gilmar Mendes, classificou a conduta como de “elevado grau de reprovabilidade”, ressaltando que a deputada perseguiu “um homem desarmado e de corrente política adversária, na véspera da eleição”.

Essa é a segunda condenação de Zambelli no Supremo. Em maio, os ministros já haviam imposto pena de 10 anos de prisão por invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inserção de documentos falsos. As duas penas deverão ser somadas.

Zambelli está presa na Itália desde julho, após fugir do Brasil. Na semana passada, o Ministério Público italiano emitiu parecer favorável à extradição da deputada. A decisão final caberá ao juiz do Tribunal de Apelação, que analisará se concorda ou não com o pedido apresentado pelo governo brasileiro.

Fonte: DCM com informações da CNN Brasil

Advogado bolsonarista é investigado pela PF após ataques a Lula, Janja e Moraes


          O advogado bolsonarista Thomas Crisóstomo. Foto: reprodução

O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, autorizou a Polícia Federal a instaurar um inquérito para investigar o advogado pernambucano Thomas Crisóstomo por publicações em redes sociais com críticas e ironias ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), à primeira-dama, Janja, e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação tramita na Justiça Federal em Recife.

De acordo com documento obtido pela Folha, que foi encaminhado por Lewandowski ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, o objetivo é apurar se as postagens feitas em 2023 configuram crime contra a honra.

As manifestações de Crisóstomo incluíam pedidos de impeachment de Moraes e comentários sobre a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), vinculada ao governo federal. Em uma das publicações, o advogado afirmou que a estatal se tornou um “cabide de emprego para mulher do ex-presidiário”, em referência à primeira-dama Rosângela Lula da Silva, conhecida como Janja.

Após a repercussão do caso, o advogado se defendeu, classificando a investigação como desproporcional. “É absurdo ver o Estado mobilizar tempo e recursos públicos para investigar tuítes com pouco alcance e nenhuma ofensa real. Não cometi crime algum, apenas exerci meu direito de crítica”, disse Crisóstomo à Folha.

O Ministério da Justiça informou que não poderia se manifestar sobre o caso, alegando que o inquérito corre sob sigilo. A investigação foi conduzida pela Polícia Federal e, ao final, encaminhada ao Ministério Público Federal (MPF), que concluiu que Crisóstomo cometeu o crime de injúria contra o presidente.

Segundo o parecer do MPF, o advogado teria agido com a intenção de ofender o decoro de Lula ao chamá-lo de “ex-presidiário”.

Ricardo Lewandowski, ministro da Justiça. Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo
A procuradora da República Polireda Madaly Bezerra de Medeiros escreveu, em despacho datado de 13 de outubro, que “a liberdade de expressão não pode ser utilizada como salvo conduto para autorizar a publicação de mensagens com claro cunho vexatório e atentatório à imagem de terceiros”.

Com base nessa avaliação, o Ministério Público ofereceu ao advogado a possibilidade de um acordo de não persecução penal, medida que permitiria o encerramento do processo sem condenação, mediante condições como retratação pública ou pagamento de multa.

O dispositivo é previsto na legislação brasileira para casos de menor potencial ofensivo, desde que o investigado reconheça a prática do delito e aceite as condições propostas.

Crisóstomo, no entanto, afirmou que rejeitará qualquer acordo e que pretende recorrer da decisão na Justiça Federal. “Não há crime em manifestar opinião sobre agentes públicos. É um absurdo criminalizar críticas a autoridades”, disse o advogado.

Fonte: DCM

William Bonner se despede do Jornal Nacional hoje após 29 anos


        William Bonner na bancada do “Jornal Nacional”. Foto: reprodução

William Bonner se despede do “Jornal Nacional” nesta sexta-feira (31) após 29 anos na bancada principal do telejornal. No final da edição, ele e Renata Vasconcellos receberão César Tralli no estúdio em simbólica passagem de bastão. Tralli assume o comando do “JN” a partir de segunda-feira (3), enquanto Bonner migra para o “Globo Repórter”.

Em setembro, ao anunciar sua saída, Bonner explicou que os filhos motivaram a decisão. Ele afirmou que “a conta não estava fechando” entre as demandas profissionais e a vida familiar. A mudança integra uma ampla reestruturação nos telejornais da Globo que começou na quinta-feira (30).

Bonner chegou à Globo em junho de 1986, inicialmente apresentando o “SPTV”. Foi nessa época que adotou o nome William Bonner, já que seu sobrenome real é Bonemer. Sua trajetória inclui passagens pelo “Globo Rural” e “Fantástico” antes de assumir o “Jornal da Globo” em 1989.

Em 1996, o jornalista assumiu o comando do “Jornal Nacional”, tornando-se editor-chefe em 1999. Ele deixa o telejornal como o âncora mais longevo de sua história, marcando o fim de uma era no jornalismo brasileiro após quase três décadas na bancada.

Fonte: DCM

Moraes autoriza Mauro Cid a retirar tornozeleira e cumprir pena em regime aberto

Ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, tenente-coronel foi condenado por participação na tentativa de golpe de Estado de 2022

      Mauro Cid (à esq.) e Alexandre de Moraes (Foto: Reprodução | ABR)

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (30) que o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, inicie o cumprimento de sua pena de dois anos em regime aberto. A decisão marca o encerramento do processo criminal contra o militar, que foi condenado por sua participação na tentativa de golpe de Estado articulada para manter Bolsonaro no poder após a derrota eleitoral de 2022.

De acordo com informações da Agência Brasil, Moraes declarou o trânsito em julgado da ação penal em relação a Cid, uma vez que sua defesa optou por não recorrer da condenação. Com isso, o ministro determinou a execução imediata da pena e revogou as medidas cautelares anteriormente impostas, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica. A retirada do equipamento foi agendada para a próxima segunda-feira (3), às 14h, em audiência no Supremo.

O ex-ajudante de ordens também poderá reaver o passaporte e os bens que haviam sido apreendidos no curso das investigações. Cid recebeu a menor das penas entre os oito condenados no processo, em razão de sua colaboração com a Justiça. A Primeira Turma do STF reconheceu a relevância das informações prestadas por ele para o esclarecimento da trama golpista.

A defesa de Mauro Cid argumenta que o tempo em que o militar permaneceu em prisão preventiva e em regime domiciliar seria suficiente para considerar a pena já cumprida. No entanto, Moraes determinou que seja feita a detração penal — ou seja, o abatimento do tempo de prisão provisória — antes de qualquer decisão sobre eventual extinção da pena.

Enquanto isso, os demais réus, incluindo Jair Bolsonaro, apresentaram recursos dentro do prazo legal. O julgamento dos embargos de declaração pela Primeira Turma do Supremo está previsto para ocorrer entre os dias 7 e 14 de novembro, em sessão virtual.

Em setembro, o STF condenou Bolsonaro, Cid e outros cinco acusados pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça, e deterioração de patrimônio tombado.

O ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, atualmente deputado federal, foi condenado apenas pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado. Ele teve parte das acusações suspensas, conforme decisão da Corte, e responde a três dos cinco crimes originalmente imputados pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

A decisão de Moraes encerra uma das etapas mais emblemáticas do julgamento que apura a tentativa de ruptura institucional após as eleições de 2022, abrindo caminho para a execução das demais penas impostas aos envolvidos.

Fonte: Brasil 247 com informações da Agência Brasil

EUA retiram destróier do Caribe após protestos da Venezuela

Navio de guerra USS Gravely deixou Trinidad e Tobago em meio a acusações de Caracas sobre manobra militar dos Estados Unidos

       USS Gravely (Foto: Reuters/Andrea de Silva)

Um destróier da Marinha dos Estados Unidos deixou o porto de Trinidad e Tobago nesta quinta-feira (30), a pouco mais de 10 quilômetros da costa venezuelana, em meio a uma crescente tensão entre Washington e Caracas. Segundo informações divulgadas pela agência RT, a embarcação fazia parte de uma ampla movimentação militar norte-americana no Caribe que, de acordo com o governo dos EUA, integra uma “operação antidrogas”. Já a Venezuela considera a ação uma provocação direta em suas fronteiras.

O USS Gravely é um dos sete navios de guerra enviados pelos Estados Unidos à região, acompanhado por caças F-35 e pelo porta-aviões USS Gerald R. Ford. Trata-se de uma das maiores demonstrações de força naval norte-americana no Caribe nos últimos anos, o que aumentou as preocupações do governo de Nicolás Maduro sobre um possível cerco militar ao país.

Nos últimos meses, Washington afirmou ter realizado ao menos 15 ataques a embarcações no Caribe e no Pacífico, com saldo de 62 mortos, alegadamente contra alvos ligados ao narcotráfico. Nenhuma prova direta dessas conexões foi apresentada até o momento. O mais recente ataque, confirmado pelo secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, deixou quatro mortos em águas internacionais.

Em resposta à escalada, o presidente venezuelano Nicolás Maduro anunciou que a Força Aérea interceptou três aeronaves suspeitas de envolvimento com o narcotráfico — duas procedentes “do norte” e uma “do Caribe”. “Temos uma lei de interceptação. Dois aviões do narcotráfico. Isso é exercer soberania”, declarou Maduro durante um evento oficial transmitido pela televisão estatal.

A retirada do USS Gravely de Trinidad e Tobago não reduziu as tensões na região, onde permanece uma expressiva presença militar norte-americana. Especialistas em segurança latino-americana apontam que o movimento pode marcar o início de uma nova etapa de pressão dos Estados Unidos sobre a Venezuela, sob o argumento de “combate ao narcotráfico”, mas com claros efeitos geopolíticos.

Fonte: Brasil 247 com informações da agência RT

Secretário nacional do Podemos é alvo da PF em nova fase da Operação Overclean

Oitava fase da Operação Overclean apura fraudes em licitações e desvio de verbas públicas

      Polícia Federal (Foto: PF/Divulgação)

A Polícia Federal deflagrou, nesta sexta-feira (31), a oitava fase da Operação Overclean, que apura um esquema milionário de fraudes em licitações e desvio de recursos públicos em diversas regiões do país. Segundo a coluna da jornalista Mirelle Pinheiro, do Metrópoles, a ação, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), tem como um dos alvos Luiz França, secretário nacional do Podemos. As investigações apontam que o grupo sob suspeita teria manipulado contratos públicos para lavar dinheiro e financiar campanhas políticas com verbas desviadas.

◈ Mandados e bloqueios em quatro estados

Nesta etapa, a PF cumpriu cinco mandados de busca e apreensão em endereços no Distrito Federal, em São Paulo e nas cidades de Palmas e Gurupi, no Tocantins. Também foi determinado o bloqueio de bens e valores atribuídos aos investigados, a fim de evitar a dissipação do patrimônio suspeito.

A operação conta com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Receita Federal, que colaboram no rastreamento do dinheiro público desviado. Os envolvidos podem responder por organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações e lavagem de dinheiro.

◈ Esquema teria origem em obras superfaturadas

A Operação Overclean teve início em 2024, quando a PF descobriu irregularidades em contratos vinculados ao Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs). As apurações indicam que recursos de emendas parlamentares foram desviados por meio de obras superfaturadas e serviços não executados em municípios da Bahia.

Empresas de fachada teriam sido criadas para simular concorrência em licitações, assegurando o controle das contratações e o fluxo de dinheiro ilícito. Estima-se que o esquema movimentou mais de R$ 1,4 bilhão.

◈ Alvo alcança cúpula política em Brasília

Com o avanço das investigações, a operação passou a atingir políticos com foro privilegiado, entre eles integrantes do União Brasil. Em etapas anteriores, a PF apreendeu celulares e documentos de parlamentares e de operadores supostamente ligados ao esquema. Agora, com o nome de Luiz França entre os investigados, o foco se estende ao Podemos — partido com presença expressiva no Congresso Nacional.

◈ STF mantém controle do caso

Por envolver autoridades com mandato federal e dirigentes partidários, o caso permanece sob relatoria do Supremo Tribunal Federal. O tribunal autorizou as medidas de busca e apreensão e o bloqueio de bens, garantindo que o patrimônio suspeito não seja transferido antes do encerramento do inquérito. A assessoria de Luiz França e do Podemos foi procurada para comentar as acusações, mas não respondeu até a publicação da matéria.

Fonte: Brasil 247 com informações do Metrópoles