sexta-feira, 1 de março de 2024

Brasil se torna 9ª maior economia do mundo após alta de 2,9% do PIB


Cédulas de Real. Foto: Reprodução

 O Brasil subiu duas posições no ranking de maiores economias do mundo, passando da 11ª posição em 2022 para a 9ª, após alta de 2,9% no PIB (Produto Interno Bruto) em 2023. Segundo a agência de classificação de risco Austin Rating, o país ultrapassou as economias do Canadá e da Rússia após o resultado positivo.

Os cálculos da agência levam em consideração estimativas feitas pelo FMI (Fundo Monetário Internacional). Os Estados Unidos lideram o ranking e, na sequência, aparecem China, Alemanha, Japão, Índia, Reino Unido, França, Itália, Brasil e Canadá. A Rússia deixou o ranking dos 10 mais ricos, caindo para a 11ª posição.

A Austin Rating ainda aponta que o Brasil está em 14ª lugar no ranking de melhor desempenho de crescimento do PIB no ano de 2023. As melhores pontuações são da Mongólia (7,1%), Índia (6,7%), Irã (6,4%), Malta (5,6%), Filipinas (5,6%), China (5,2%), Indonésia (5,0%), Vietnã (5,0%), Turquia (4,5%) e Islândia (4,2%).

Os Estados Unidos tiveram um crescimento de 2,5%, enquanto a economia da Alemanha recuou 0,3% e o Japão registrou alta de 1,9%.

Fachada do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Foto: Divulgação

Nesta sexta (1), o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou o resultado do crescimento econômico acumulado do país em 2023. Segundo a instituição, o PIB permaneceu estável em relação aos três meses anteriores.

O resultado foi influenciado positivamente pelo desempenho do setor agropecuário e impulsionado por medidas do governo como a transferência de recursos por meio do Bolsa Família. O PIB encerrou o ano com um desempenho superior às projeções iniciais dos analistas, que projetavam um crescimento de apenas 0,8% acumulado.

As projeções para 2024 estimam uma desaceleração da atividade econômica, com um avanço de 1,75% para o PIB no ano. O mercado financeiro, que esperava inicialmente um crescimento de 1,52%, tem revisado as expectativas recentemente.

Fonte: DCM

Ciro abandona a política e volta a ser advogado após sequência de fracassos

 

Ciro Gomes decidiu se afastar da política e atuar como advogado após derrotas nas eleições e crise no PDT. Foto: Reprodução

Em meio a briga no PDT e após sucessivas derrotas em eleições, Ciro Gomes decidiu abandonar a política e anunciou que voltará a atuar como advogado. Ele, que teve seu pior desempenho em disputas presidenciais em 2022, afirmou que vai trabalhar em sua carreira de formação.

“Feliz de poder me associar como colaborador ao escritório Porto Advogados com história de mais de 80 anos e muito serviço prestado ao Brasil”, anunciou Ciro nesta quarta (28). A decisão ocorre depois de romper com o irmão, Cid Gomes, com quem teve uma briga que gerou um racha no partido, gerando debandada de filiados.

Em 2023, a tensão aumentou dentro do partido, com Ciro querendo ser oposição ao governo Lula e Cid interessado em fazer parte da base da gestão petista. Em outubro, eles tiveram uma discussão acalorada durante encontro partidário no Rio de Janeiro e quase se envolveram em um confronto físico.

Ciro já foi candidato à Presidência quatro vezes, com 11% dos votos em 1998, 12% em 2002, 12,5% em 2018 e tendo seu pior desempenho em 2022, quando conquistou apenas 3% do total de votos.

Ele vinha ensaiando um abandono da carreira política desde o ano passado. Em entrevista à GloboNews em dezembro de 2023, ele afirmou que “dificilmente” voltaria a fazer parte de uma disputa eleitoral. “De repente senti: ‘Caramba, tô fazendo isso sozinho’. E em nome de quê? Tenho êxito na política, só não consegui ser presidente do Brasil. Deus não quis”, afirmou na ocasião.

Ciro Gomes já foi governador, deputado federal e estadual pelo Ceará, prefeito de Fortaleza (CE), além ministro da Fazenda entre 1994 e 1995 e da Integração Nacional entre 2003 e 2006.

Fonte: DCM

Com medo de Moraes, aliados de Bolsonaro já deixam malas prontas para prisão


Jair Bolsonaro e Alexandre de Moraes

A Operação Tempus Veritatis, que desvendou uma trama golpista enraizada no governo de Jair Bolsonaro (PL) está em pleno curso, revelando detalhes que apontam para uma investigação em expansão.

Mais de 20 indivíduos já foram alvo de depoimentos à Polícia Federal, e, segundo a jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, a expectativa é de que novas fases da apuração venham à tona, fazendo com que os alvos da PF sejam mais cautelosos na relação com o ministro Alexandre de Moraes, Supremo Tribunal Federal (STF).

A investigação já gerou tensão entre os envolvidos, com alguns chegando para prestar depoimento já com malas prontas, preparados para uma eventual ordem de prisão. “Não começou a investigação de fato, e muitos acham que serão detidos”, comentou um dos advogados envolvidos no caso.

Nesta sexta-feira (1°), o ex-comandante do Exército, Marco Antônio Freire Gomes, torna-se o último dos ex-chefes das Forças Armadas a ser ouvido pela PF, após a revelação da operação que expôs evidências as tentativas de golpe de Estado envolvendo Bolsonaro, ex-ministros e oficiais militares.

Prevê-se uma segunda fase da operação, com mais medidas de busca e apreensão, após a análise do material coletado na primeira etapa. Os investigados, apesar das queixas sobre o acesso limitado às provas, evitam confrontos desnecessários com Moraes, relator do caso.

Jair Bolsonaro, ex-presidente do Brasil. Foto: reprodução

Moraes negou um pedido de adiamento do depoimento de Bolsonaro, ressaltando que a defesa teve acesso integral às provas documentadas até o momento, excluindo apenas informações sobre diligências em andamento e a delação de Mauro Cid, que embasou a operação.

“Se o Alexandre de Moraes já negou tudo pro Bolsonaro, por que eu, que sou menor numa escala de importância, vou tentar a mesma estratégia? Esse momento não é de fazer embate nem ir pro confronto com o ministro”, avaliou o advogado ouvido em sigilo pela jornalista do Globo.

A falta de acesso à delação de Mauro Cid e aos resultados das buscas dificulta a construção das defesas, com receio de que versões apresentadas possam ser desmentidas por evidências reveladas posteriormente.

A garantia de acesso a informações sigilosas das investigações tem sido discutida no Congresso, como parte da PEC da Blindagem, em resposta a medidas adotadas pelo STF.

Fonte: DCM

Moraes vota para condenar mais 15 réus por atos terrorista no 8/1


Manifestante terroristas em Brasília, Foto: reprodução

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou para condenar mais 15 réus pelos atos terroristas promovidos por bolsonaristas nas sedes dos Três Poderes em Brasília, no dia 8 de janeiro, conforme informações do UOL.

O STF começou a julgar nesta sexta-feira (1°) os 15 acusados, denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por participação e incentivo nos eventos golpistas na capital federal. Moraes, que é o relator dos processos, foi o primeiro a apresentar seu voto.

Vale destacar que o julgamento está sendo realizado no plenário virtual, e os ministros têm até 8 de março para registrar seus votos por meio do sistema eletrônico. Nesse formato, não há debate em sessão presencial.

Até o momento, o STF já condenou 101 pessoas a penas de até 17 anos de prisão. Os acusados por crimes menos graves estão negociando acordos com a PGR, visando o cumprimento de serviço comunitário e o pagamento de multas.

Confira quem são os 15 réus:

  • Ana Flavia de Souza Monteiro Rosa
  • Djalma Salvino dos Reis
  • David Michel Mendes Mauricio
  • Ulisses Freddi
  • Wellington Luiz Firmino
  • Vanessa Harumi Takasaki
  • Lucas Costa Brasileiro
  • Alice Nascimento dos Santos
  • Jose Cezar Duarte Carlos
  • Sirlene de Souza Zanotti
  • Jair Domingues de Morais
  • Francisco Gomes de Morais
  • Gisele do Rocio Bejes
  • Camila Mendonca Marques
  • Jose Ricardo Fernandes Pereira
Fonte: DCM

Lula cobra fim do bloqueio a Cuba e defende soberania argentina nas Malvinas: "interessa a todos nós"

 "Todas as formas de sanções unilaterais, sem amparo no Direito Internacional, são contraproducentes e penalizam os mais vulneráveis", afirmou o presidente na Celac

Lula durante cerimônia de Abertura da 8ª Cúpula de Chefes de Estado e Governo da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac)  Lula durante cerimônia de Abertura da 8ª Cúpula de Chefes de Estado e Governo da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

 O presidente Lula (PT) discursou nesta sexta-feira (1) na 8ª Cúpula da Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) e defendeu o fim das sanções contra Cuba e a soberania da Argentina sobre o território das Malvinas. "Defender o fim do bloqueio a Cuba e a soberania argentina nas Malvinas interessa a todos nós. Todas as formas de sanções unilaterais, sem amparo no Direito Internacional, são contraproducentes e penalizam os mais vulneráveis.

"Num momento em que os gastos militares globais ultrapassam 2 trilhões de dólares por ano, recuperar o espírito de solidariedade, diálogo e cooperação não poderia ser mais atual e necessário. Num mundo em que tantos conflitos vitimam milhares de inocentes, sobretudo mulheres e crianças, nossa região deve ser um exemplo de construção da paz", disse na sequência.

Leia o discurso na íntegra:

É muito bom vir a São Vicente e Granadinas para participar da oitava Cúpula da CELAC

Este belo e acolhedor país caribenho recebe hoje os líderes responsáveis por tornar realidade nossos ideais de integração.

Tive a oportunidade e a satisfação de viver um momento ímpar desse desejo coletivo de maior aproximação entre nós.

Trabalhamos pelo fortalecimento e ampliação do MERCOSUL e pela criação da UNASUL.

Participei das etapas iniciais de formação da CELAC em 2008, na Bahia, quando reunimos, pela primeira vez, os 33 chefes de Estado e de Governo da América Latina e do Caribe.

Foi preciso esperar 500 anos para que isso acontecesse.

Uma das experiências mais gratificantes dos meus primeiros mandatos está relacionada ao renascimento do projeto integracionista na primeira década do século XXI.

Apesar da nossa diversidade, soubemos avançar a passos firmes na construção de consensos regionais.

Nossa extraordinária variedade cultural, étnica e geográfica não foi um empecilho.

Nossos distintos modelos políticos e econômicos tampouco impediram o esforço permanente pelo entendimento.

Tínhamos a nos unir anseios comuns de justiça social, combate à pobreza e a promoção do desenvolvimento.

Construímos uma cultura de paz e entendimento.

Nos últimos anos, contudo, voltamos a ser uma região balcanizada e dividida, mais voltada para fora do que para si própria.

Entre muitos de nós, a intolerância ganhou força e vem impedindo que diferentes pontos de vista possam se sentar à mesma mesa.

Estamos deixando de cultivar nossa vocação de cooperação e permitindo que conflitos e disputas, muitas delas alheias à região, se imponham.

Defender o fim do bloqueio a Cuba e a soberania argentina nas Malvinas interessa a todos nós.

Todas as formas de sanções unilaterais, sem amparo no Direito Internacional, são contraproducentes e penalizam os mais vulneráveis.

Num momento em que os gastos militares globais ultrapassam 2 trilhões de dólares por ano, recuperar o espírito de solidariedade, diálogo e cooperação não poderia ser mais atual e necessário.

Num mundo em que tantos conflitos vitimam milhares de inocentes, sobretudo mulheres e crianças, nossa região deve ser um exemplo de construção da paz.

Senhoras e senhores,

Não podemos deixar de refletir sobre o nosso lugar no plano internacional.

Num contexto de difusão do poder global e de reforço constante da multipolaridade, a questão que volta a se colocar é se os países da América Latina e do Caribe querem se integrar ao mundo unidos ou separados.

Isso é particularmente relevante no momento atual, em que a nossa região se converterá no centro de gravidade da diplomacia global, ao receber as cúpulas do G20, da APEC, do BRICS e da COP30.

Se falamos como região, temos mais chances de influenciar os grandes debates da atualidade.

Se atuamos juntos, criamos sinergias que fortalecem nossos projetos individuais de desenvolvimento.

As três prioridades da presidência brasileira do G20 dialogam muito com nossos desafios históricos.

Nossa proposta da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, pode se beneficiar do Plano de Segurança Alimentar e Erradicação da Pobreza” da CELAC.

De acordo com a CEPAL, dos 660 milhões de latino-americanos e caribenhos, ainda há 180 milhões de pessoas que não possuem renda suficiente para suas necessidades básicas e 70 milhões ainda passam fome.

Esse é um paradoxo para uma região que abriga grandes e diversificados provedores de alimentos.

O desenvolvimento sustentável e a transição energética são uma urgência do nosso tempo e uma oportunidade para todos nós.

Possuímos o maior potencial energético renovável do mundo, se levarmos em conta a capacidade de produzir biocombustíveis, energia eólica, solar e hidrogênio verde.

Contamos com mais de um 1/3 das reservas de água do planeta e uma biodiversidade riquíssima.

Em nosso solo se encontra vasto e diversificado conjunto de minerais estratégicos de grande importância para os projetos industriais de última geração.

Neste ano em que celebramos os 60 anos da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), vale a pena retomar o debate sobre o caráter estrutural do subdesenvolvimento.

Economistas como Raul Prebisch e Celso Furtado explicitaram os riscos associados a uma inserção internacional baseada unicamente em vantagens comparativas.

Com a integração, podemos atuar para as ferramentas de Inteligência Artificia sejam uma aliada dos nossos projetos de reindustrilização, mitigando seus efeitos nefastos no mercado de trabalho.

O FMI estima que 40% dos empregos no mundo serão negativamente afetados por essas novas tecnologias.

As necessárias reformas das organizações internacionais embutem a demanda por mecanismos inovadores de financiamento.

Os bancos multilaterais de desenvolvimento devem destinar mais recursos, e de forma mais ágil e sem condicionalidades, para iniciativas que realmente façam a diferença.

Com isso, será mais fácil enfrentar nossa deficiente conexão física e investir na construção de estradas, ferrovias, pontes, portos e conexões aéreas que permitam uma efetiva circulação de pessoas e de mercadorias.

Senhoras e senhores,

Agradeço ao companheiro Ralph Gonsalves, uma vez mais, pelo excepcional trabalho realizado durante sua presidência.

Tenho certeza de que a companheira Xiomara Castro terá o mesmo êxito na condução da CELAC.

O Brasil acredita na CELAC como foro de construção de consensos, que cultiva a via do entendimento e que não se deixa tentar por soluções impositivas.

Quero concluir parafraseando o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, grande defensor da vertente regional da política externa brasileira e que nos deixou recentemente.

Para atingir seus objetivos estratégicos de desenvolvimento, os estados da periferia do mundo capitalista precisam enxergar uns aos outros pelos próprios olhos e não pelo prisma dos países centrais.

A CELAC nos proporciona essa possibilidade de pensar nossa inserção no mundo a partir de nossas agendas e interesses.

Meus amigos e minhas amigas,

Na Ucrânia, a cada dia em que os combates prosseguem, aumentam o sofrimento humano, a perda de vidas e a destruição de lares.

No Haiti, precisamos agir com rapidez para aliviar o sofrimento de uma população dilacerada pela caos social. Há anos o Brasil vem dizendo que o problema do Haiti não é só de segurança, mas, sobretudo, de desenvolvimento.

A tragédia humanitária em Gaza requer de todos nós a capacidade de dizer um basta para a punição coletiva que o governo de Israel impõe ao povo palestino.

As pessoas estão morrendo na fila para obter comida.

A indiferença da comunidade internacional é chocante.

Quero aproveitar a presença do secretário-geral da ONU, meu companheiro António Guterres, para propor uma moção da CELAC pelo fim imediato desse genocídio.

O secretário-geral pode invocar o artigo 99 da Carta da ONU para levar a atenção do Conselho tema que ameaça a paz e a segurança internacional.

Faço um apelo ao governo japonês, que assume a presidência do Conselho a partir de hoje, para que paute esse tema com toda a urgência.

Peço aos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU que deixem de lados suas diferenças e ponham fim a essa matança.

Já são mais de 30 mil mortos. As vidas de milhares de mulheres e crianças inocentes estão em jogo.

As vidas dos reféns do Hamas também estão em jogo.

Eu quero terminar dizendo para vocês que a nossa dignidade e humanidade estão em jogo. Por isso é preciso parar a carnificina em nome da sobrevivência da humanidade, que precisa de muito humanismo.

Muito obrigado.

Fonte: Brasil 247

Na Celac, Lula exige um 'basta à punição coletiva que o governo de Israel impõe aos palestinos'

 Presidente fez um discurso forte e cobrou o Conselho de Segurança da ONU e seus membros permanentes: "deixem de lado suas diferenças e ponham fim a essa matança"

Luiz Inácio Lula da Silva e Luis ArceLuiz Inácio Lula da Silva e Luis Arce (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O presidente Lula (PT) discursou nesta sexta-feira (1) na 8ª Cúpula da Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) e exigiu que a comunidade internacional dê um "basta" ao genocídio promovido pelo governo de Israel à população palestina da Faixa de Gaza.

O mandatário brasileiro ainda cobrou o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e seus membros permanentes: "deixem de lado suas diferenças e ponham fim  a essa matança".

"A tragédia humanitária em Gaza requer de todos nós a capacidade de dizer um basta para a punição coletiva que o governo de Israel impõe ao povo palestino. As pessoas estão morrendo na fila para obter comida. A indiferença da comunidade internacional é chocante. Quero aproveitar a presença do secretário-geral da ONU, meu companheiro António Guterres, para propor uma moção da CELAC pelo fim imediato desse genocídio. O secretário-geral pode invocar o artigo 99 da Carta da ONU para levar a atenção do Conselho tema que ameaça a paz e a segurança internacional. Faço um apelo ao governo japonês, que assume a presidência do Conselho a partir de hoje, para que paute esse tema com toda a urgência. Peço aos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU que deixem de lados suas diferenças e ponham fim a essa matança. Já são mais de 30 mil mortos. As vidas de milhares de mulheres e crianças inocentes estão em jogo. As vidas dos reféns do Hamas também estão em jogo. Eu quero terminar dizendo para vocês que a nossa dignidade e humanidade estão em jogo. Por isso é preciso parar a carnificina em nome da sobrevivência da humanidade, que precisa de muito humanismo", afirmou.

Leia o discurso na íntegra

É muito bom vir a São Vicente e Granadinas para participar da oitava Cúpula da CELAC.

Este belo e acolhedor país caribenho recebe hoje os líderes responsáveis por tornar realidade nossos ideais de integração.

Uma das experiências mais gratificantes dos meus primeiros mandatos está relacionada ao renascimento do projeto integracionista na primeira década do século XXI.

Tive a oportunidade e a satisfação de viver um momento ímpar desse desejo coletivo de maior aproximação entre nós.

Trabalhamos pelo fortalecimento e ampliação do MERCOSUL e pela criação da UNASUL.

Participei das etapas iniciais de formação da CELAC em 2008, na Bahia, quando reunimos, pela primeira vez, os 33 chefes de Estado e de Governo da América Latina e do Caribe.

Foi preciso esperar 500 anos para que isso acontecesse.

Apesar da nossa diversidade, soubemos avançar a passos firmes na construção de consensos regionais.

Nossa extraordinária variedade cultural, étnica e geográfica não foi um empecilho.

Nossos distintos modelos políticos e econômicos tampouco impediram o esforço permanente pelo entendimento.

Tínhamos a nos unir anseios comuns de justiça social, combate à pobreza e a promoção do desenvolvimento.

Construímos uma cultura de paz e entendimento.

Nos últimos anos, contudo, voltamos a ser uma região balcanizada e dividida, mais voltada para fora do que para si própria.

Entre muitos de nós, a intolerância ganhou força e vem impedindo que diferentes pontos de vista possam se sentar à mesma mesa.

Estamos deixando de cultivar nossa vocação de cooperação e permitindo que conflitos e disputas, muitas delas alheias à região, se imponham.

Defender o fim do bloqueio a Cuba e a soberania argentina nas Malvinas interessa a todos nós.

Todas as formas de sanções unilaterais, sem amparo no Direito Internacional, são contraproducentes e penalizam os mais vulneráveis.

Num momento em que os gastos militares globais ultrapassam 2 trilhões de dólares por ano, recuperar o espírito de solidariedade, diálogo e cooperação não poderia ser mais atual e necessário.

Num mundo em que tantos conflitos vitimam milhares de inocentes, sobretudo mulheres e crianças, nossa região deve ser um exemplo de construção da paz.

Senhoras e senhores,

Não podemos deixar de refletir sobre o nosso lugar no plano internacional.

Num contexto de difusão do poder global e de reforço constante da multipolaridade, a questão que volta a se colocar é se os países da América Latina e do Caribe querem se integrar ao mundo unidos ou separados.

Isso é particularmente relevante no momento atual, em que a nossa região se converterá no centro de gravidade da diplomacia global, ao receber as cúpulas do G20, da APEC, do BRICS e da COP30.

Se falamos como região, temos mais chances de influenciar os grandes debates da atualidade.

Se atuamos juntos, criamos sinergias que fortalecem nossos projetos individuais de desenvolvimento.

As três prioridades da presidência brasileira do G20 dialogam muito com nossos desafios históricos.

Nossa proposta da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, pode se beneficiar do Plano de Segurança Alimentar e Erradicação da Pobreza” da CELAC.

De acordo com a CEPAL, dos 660 milhões de latino-americanos e caribenhos, ainda há 180 milhões de pessoas que não possuem renda suficiente para suas necessidades básicas e 70 milhões ainda passam fome.

Esse é um paradoxo para uma região que abriga grandes e diversificados provedores de alimentos.

O desenvolvimento sustentável e a transição energética são uma urgência do nosso tempo e uma oportunidade para todos nós.

Possuímos o maior potencial energético renovável do mundo, se levarmos em conta a capacidade de produzir biocombustíveis, energia eólica, solar e hidrogênio verde.

Contamos com mais de um 1/3 das reservas de água do planeta e uma biodiversidade riquíssima.

Em nosso solo se encontra vasto e diversificado conjunto de minerais estratégicos de grande importância para os projetos industriais de última geração.

Neste ano em que celebramos os 60 anos da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), vale a pena retomar o debate sobre o caráter estrutural do subdesenvolvimento.

Economistas como Raul Prebisch e Celso Furtado explicitaram os riscos associados a uma inserção internacional baseada unicamente em vantagens comparativas.

Com a integração, podemos atuar para as ferramentas de Inteligência Artificial sejam uma aliada dos nossos projetos de reindustrialização, mitigando seus efeitos nefastos no mercado de trabalho.

O FMI estima que 40% dos empregos no mundo serão negativamente afetados por essas novas tecnologias.

As necessárias reformas das organizações internacionais embutem a demanda por mecanismos inovadores de financiamento.

Os bancos multilaterais de desenvolvimento devem destinar mais recursos, e de forma mais ágil e sem condicionalidades, para iniciativas que realmente façam a diferença.

Com isso, será mais fácil enfrentar nossa deficiente conexão física e investir na construção de estradas, ferrovias, pontes, portos e conexões aéreas que permitam uma efetiva circulação de pessoas e de mercadorias.

Senhoras e senhores,

Agradeço ao companheiro Ralph Gonsalves, uma vez mais, pelo excepcional trabalho realizado durante sua presidência.

Tenho certeza de que a companheira Xiomara Castro terá o mesmo êxito na condução da CELAC.

O Brasil acredita na CELAC como foro de construção de consensos, que cultiva a via do entendimento e que não se deixa tentar por soluções impositivas.

Quero concluir parafraseando o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, grande defensor da vertente regional da política externa brasileira e que nos deixou recentemente.

Para atingir seus objetivos estratégicos de desenvolvimento, os estados da periferia do mundo capitalista precisam enxergar uns aos outros pelos próprios olhos e não pelo prisma dos países centrais.

A CELAC nos proporciona essa possibilidade de pensar nossa inserção no mundo a partir de nossas agendas e interesses.

Meus amigos e minhas amigas,

Na Ucrânia, a cada dia em que os combates prosseguem, aumentam o sofrimento humano, a perda de vidas e a destruição de lares.

No Haiti, precisamos agir com rapidez para aliviar o sofrimento de uma população dilacerada pela caos social. Há anos o Brasil vem dizendo que o problema do Haiti não é só de segurança, mas, sobretudo, de desenvolvimento.

A tragédia humanitária em Gaza requer de todos nós a capacidade de dizer um basta para a punição coletiva que o governo de Israel impõe ao povo palestino.

As pessoas estão morrendo na fila para obter comida.

A indiferença da comunidade internacional é chocante.

Quero aproveitar a presença do secretário-geral da ONU, meu companheiro António Guterres, para propor uma moção da CELAC pelo fim imediato desse genocídio.

O secretário-geral pode invocar o artigo 99 da Carta da ONU para levar a atenção do Conselho tema que ameaça a paz e a segurança internacional.

Faço um apelo ao governo japonês, que assume a presidência do Conselho a partir de hoje, para que paute esse tema com toda a urgência.

Peço aos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU que deixem de lados suas diferenças e ponham fim a essa matança.

Já são mais de 30 mil mortos. As vidas de milhares de mulheres e crianças inocentes estão em jogo.

As vidas dos reféns do Hamas também estão em jogo.

Eu quero terminar dizendo para vocês que a nossa dignidade e humanidade estão em jogo. Por isso é preciso parar a carnificina em nome da sobrevivência da humanidade, que precisa de muito humanismo.

Muito obrigado.

Fonte: Brasil 247

Haddad diz que alta de 2,9% do PIB em 2023 passa confiança e reitera expectativa de 2,2% para 2024

 "Nós continuamos mantendo a nossa projeção de 2,2% neste ano", disse o ministro da Fazenda, classificando o número esperado para 2024 como "comedido"

Fernando HaddadFernando Haddad (Foto: Reuters/Adriano Machado)

Reuters - O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta sexta-feira que o crescimento de 2,9% registrado pela economia brasileira em 2023 é "positivo" para o país e passa "confiança", indicando que o governo segue com expectativa de expansão de 2,2% neste ano.

Em entrevista coletiva em São Paulo, Haddad avaliou que o afrouxamento da política monetária deve ajudar a economia e que há espaço para mais cortes de juros e mais crescimento. Ele apontou para a política restritiva do Banco Central como um dos fatores da desaceleração econômica no segundo semestre do ano passado.

"Fechar o ano em 2,9% é bastante positivo para o Brasil, passa para o mercado nacional, internacional... uma confiança na economia brasileira", disse o ministro.

"Nós continuamos mantendo a nossa projeção de 2,2% neste ano", acrescentou, classificando o número esperado para 2024 como "comedido". Segundo o ministro, já "tem gente falando em mais".

O IBGE divulgou nesta sexta-feira que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 2,9% no ano passado, diante de um desempenho recorde da agropecuária, mas com estagnação no quarto trimestre.

Para este ano, Haddad pontuou que a continuação do ciclo de crescimento econômico no Brasil dependerá, principalmente, do comportamento da inflação, do contínuo afrouxamento da política monetária pelo BC e do controle das contas públicas.

Ele também disse que serão necessários mais investimentos no país, para que a economia possa crescer de forma "saudável", e a aprovação de reformas econômicas adicionais no Congresso, o que permitiria um crescimento mais "estrutural" do que "conjuntural".

"Com investimento você cresce sem risco inflacionário... essa é a forma mais saudável de crescer", afirmou.

Questionado sobre a arrecadação federal em fevereiro, Haddad afirmou que o governo está vendo uma evolução "bastante compatível" com janeiro, quando as contas públicas registraram a melhor arrecadação para todos os meses da série histórica da Receita Federal, iniciada em 1995.

O ministro ainda pontuou que o crescimento da arrecadação não está sendo causado apenas por elementos "extraordinários", como a implementação de medidas no ano passado para taxação de "offshores" e fundos exclusivos.

"Mesmo excluindo da conta essas eventualidades, que vai entrar uma vez e não vai entrar mais, a arrecadação tem indo bem, inclusive da previdência."

No final deste mês, o Tesouro Nacional divulgará o primeiro relatório bimestral do ano sobre as receitas e despesas do governo, momento em que ficará mais evidente se a equipe econômica conseguirá cumprir a meta fiscal de defícit zero para 2024.

Fonte: Brasil 247 com Reuters


Envolvidos na tentativa de golpe dizem que investigação está ainda 'só na ponta do iceberg' e até preparam mala para a cadeia

 É consenso entre os investigados que a Polícia Federal ainda revelará muito sobre a trama golpista. Um deles foi depor na semana passada com uma mala preparada caso fosse preso

Jair Bolsoanro e ato golpista em BrasíliaJair Bolsoanro e ato golpista em Brasília (Foto: REUTERS/Carla Carniel | Joédson Alves/Agencia Brasil)

 Os mais de 20 investigados por uma tentativa de golpe de Estado supostamente articulada por membros e aliados do governo Jair Bolsonaro (PL) concordam, segundo Malu Gaspar, do jornal O Globo, que o que já foi revelado pela Polícia Federal "é só a ponta do iceberg". A Operação Tempus Veritatis, na avaliação deles, ainda terá outras fases, deverá contar com novos delatores e poderá complicar ainda mais a situação de Bolsonaro e seu entorno.

"Até aqui, mais de 20 pessoas já prestaram depoimento à Polícia Federal. O temor de parar atrás das grades é tão grande que um dos investigados se preparou para o pior: chegou para prestar depoimento, na semana passada, com uma mala de mão preparada para o caso de ser dada uma ordem de prisão e ele ter que sair da PF direto para a cadeia", conta a reportagem. Um advogado que acompanha de perto as investigações afirma: “ainda nem começou a investigação de fato, e muitos acham que vão ser detidos”. Advogados de militares e de ex-integrantes do governo Bolsonaro apostam em uma nova fase da Operação Tempus Veritatis, com mais buscas e apreensões contra novos alvos. 

A estratégia dos investigados neste momento inclui não 'comprar briga' com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, relator do caso. “Se o Alexandre de Moraes já negou tudo para o Bolsonaro, por que eu, que sou menor numa escala de importância, vou tentar a mesma estratégia? Esse momento não é de fazer embate nem ir para o confronto com o ministro”, afirma um advogado.

Fonte: Brasil 247 com informações da coluna da jornalista Malu Gaspar, no jornal O Globo