Senador organiza visitas a grandes denominações após apoio de líder da Assembleia de Deus a Ronaldo Caiado
O senador Flávio Bolsonaro (PL) prepara uma série de visitas às principais igrejas evangélicas do país nos próximos meses, em meio a sinais de divisão no segmento religioso sobre seu nome na disputa presidencial. A estratégia busca reforçar o apoio entre lideranças e fiéis após movimentos recentes que indicaram possíveis dissidências no grupo, segundo o Metrópoles.
O cenário ganhou novos contornos no fim de março, quando o bispo Samuel Ferreira, uma das principais lideranças da Assembleia de Deus Ministério de Madureira, declarou apoio ao pré-candidato Ronaldo Caiado (PSD). A manifestação surpreendeu integrantes do meio político e religioso, especialmente após a migração de parlamentares ligados à denominação para o PL, movimento que sugeria alinhamento com Flávio Bolsonaro.
Diante desse contexto, a pré-campanha do senador passou a organizar uma agenda estruturada de encontros com diferentes denominações. No último dia 6 de abril, Flávio esteve na sede da Assembleia de Deus Ministério do Belém, na zona leste de São Paulo, onde participou de uma reunião com o pastor José Wellington, presidente de honra da Convenção Geral das Assembleias de Deus.
O deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do partido na Câmara e pastor licenciado da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, afirmou que vem coordenando a aproximação com base em critérios objetivos. “Eu fiz um trabalho para a aproximação do Flávio com o segmento, por ordem de tamanho e de grandeza. Eu peguei todo o planejamento e falei: ‘vamos sentar com cada um desses líderes denominacionais’. O Bolsonaro, da vez passada, até se encontrou com eles, mas como não parametrizou pelos dados do IBGE, o que acontecia é que, às vezes, ele ia num líder menor e aí o líder maior ficava enciumado”, declarou.
A agenda prevê encontros com igrejas como a do Evangelho Quadrangular, considerada a terceira maior do país, além de lideranças da Igreja Batista. Também está em articulação um evento nacional da Congregação Cristã, uma das maiores denominações pentecostais, apesar de não possuir liderança centralizada. Em maio, Flávio deve participar de um encontro da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, ligada ao pastor Silas Malafaia.
Nos bastidores, no entanto, há relatos de insatisfação entre lideranças evangélicas quanto à condução da pré-campanha. Interlocutores apontam falta de diálogo e dificuldade de acesso ao senador. Um integrante da bancada evangélica afirmou: “Não sei o que pode acontecer daqui para frente, mas tem um versículo na Bíblia que diz que a arrogância precede a ruína. A pessoa acha que já está tudo ganho e não está”.
As tensões ficaram evidentes durante o encontro na Assembleia de Deus do Belém, quando o deputado Marco Feliciano (PL-SP) pediu a palavra para cobrar compromissos políticos. Segundo ele, o partido não estaria cumprindo um acordo firmado com Jair Bolsonaro (PL) em 2022, que previa sua candidatura ao Senado em São Paulo.
Apesar das divergências, aliados do senador avaliam que o apoio evangélico tende a se consolidar. O pastor Silas Malafaia minimizou o impacto da adesão de Samuel Ferreira a Caiado. “Não acho nada demais o bispo Samuel Ferreira apoiar o Caiado. O Caiado também é a direita. Isso aí são as preferências. Acredito que o Flávio vai levar o maior quinhão do mundo evangélico. O Ministério de Madureira é um grande ministério, só que a Convenção Geral é maior. É a maior organização evangélica do país”, afirmou.
Nos bastidores, há diferentes interpretações sobre a posição do Ministério de Madureira. Entre elas, a avaliação de que a denominação mantém diálogo com diversos campos políticos, sinalizando simultaneamente ao bolsonarismo, ao centro e até a setores ligados ao governo federal.
Mesmo diante das divergências, a expectativa de aliados é de que Flávio Bolsonaro amplie sua presença nas igrejas e consolide apoio entre as principais lideranças evangélicas ao longo dos próximos meses.
Fonte: Brasil 247 com informações do Metrópoles
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