Acordo de cessar-fogo entre Teerã e Washington abre caminho para retomada parcial do tráfego na rota estratégica
Vista aérea da costa iraniana e do porto de Bandar Abbas, no estreito de Ormuz, em 10 de dezembro de 2023 (Foto: REUTERS/Stringer)
A implementação do cessar-fogo de duas semanas entre Irã e Estados Unidos abriu caminho para a retomada parcial do tráfego no Estreito de Ormuz, mas cerca de mil embarcações continuam retidas no Golfo Pérsico, segundo levantamento da empresa multinacional de notícias Euronews. O acúmulo de navios ocorre em meio ao impacto direto do conflito na região, considerada estratégica para o comércio global de energia. As informações são do jornal O Globo.
Empresas de navegação adotam cautela diante da possibilidade de retomada plena das operações e cobram definições claras sobre regras de trânsito antes de liberar novas travessias. Os prejuízos já são significativos. A companhia Hapag-Lloyd estima perdas semanais de aproximadamente US$ 55 milhões, impulsionadas pelo aumento de custos com seguros, taxas portuárias e demurrage — cobrança aplicada quando as embarcações permanecem além do prazo nos portos.
Sinais iniciais de retomada surgiram após o anúncio da trégua. Dois navios mercantes realizaram a travessia do estreito: o graneleiro grego NJ Earth, às 8h44 no horário local, e o Daytona Beach, de bandeira liberiana, às 6h59, após deixar o porto iraniano de Bandar Abbas, segundo dados da plataforma MarineTraffic.
Entenda a reabertura
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a reabertura da rota é condição central do acordo, defendendo que ocorra de forma "completa, imediata e segura". Já o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou que a passagem poderá ocorrer durante a trégua, desde que cessem os ataques ao país e haja coordenação com as Forças Armadas iranianas.
Autoridades regionais indicam ainda que Irã e Omã estudam a cobrança de taxas de trânsito no estreito, o que representa uma mudança em relação ao histórico de gratuidade da rota. Os valores e as regras, porém, ainda não foram divulgados.
Monitoramento da situação
Empresas como a japonesa NYK Line seguem monitorando a situação. Mesmo com uma eventual liberação parcial, operadores avaliam que exigências militares e novas tarifas ampliam a complexidade das operações e dificultam decisões mais amplas no curto prazo.
O cenário permanece em evolução, com negociações diplomáticas previstas para ocorrer em Islamabad, mediadas pelo Paquistão. Até o momento, a reabertura do Estreito de Ormuz ocorre de forma limitada e controlada, sem impacto imediato na longa fila de embarcações que aguardam autorização para cruzar a região.
Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo
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