
Além da saída já confirmada da ministra Gleisi Hoffmann, da Secretaria de Relações Institucionais, para disputar o Senado, o governo Lula (PT) deve passar por uma ampla debandada ministerial nos próximos meses, com ao menos outros 21 ministros deixando seus cargos até abril para concorrer às eleições de outubro.
A movimentação é tratada no Planalto como parte da estratégia eleitoral do PT e de aliados para fortalecer candidaturas nos estados e no Congresso.
Gleisi aceitou o pedido do presidente Lula para concorrer ao Senado pelo Paraná. A decisão foi tomada após reunião com o presidente na quarta-feira passada. Aliados relatam que Gleisi aceitou o desafio no mesmo dia e demonstrou entusiasmo com a candidatura.
Inicialmente, a ministra planejava deixar o cargo para tentar uma vaga na Câmara dos Deputados, considerada uma disputa mais previsível. A mudança de rota ocorreu diante da avaliação do partido de que era necessário um nome forte para polarizar a eleição estadual.
“A estratégia do PT é colocar os melhores quadros para também fazer a disputa no Legislativo. O presidente sabe que, para polarizar a disputa no Paraná, é preciso ter um nome forte. Estamos todos em um time só. A Gleisi está entusiasmada”, afirmou o deputado Jilmar Tatto.
Efeito sobre adversários
No PT, a avaliação é que uma chapa formada pelo deputado estadual Requião Filho (PDT) ao governo do Paraná e Gleisi ao Senado torna a disputa mais competitiva. Dirigentes também avaliam que a composição ajuda a “ocupar” o governador Ratinho Júnior (PSD), citado como possível adversário de Lula no plano nacional.
O apoio petista à candidatura de Requião Filho foi anunciado no mês passado e integra uma estratégia para enfrentar o senador Sergio Moro (União), líder nas pesquisas, além do grupo político de Ratinho Júnior, que deve indicar um sucessor ao governo estadual.
A costura envolve ainda o presidente da Itaipu Binacional, Enio Verri (PT), aliado de Gleisi. Ele chegou a ser cogitado para disputar o governo ou o Senado, mas deve concorrer à Câmara dos Deputados.
Outras saídas previstas no primeiro escalão
Além de Gleisi Hoffmann, o Planalto trabalha com a saída de diversos ministros que pretendem disputar cargos eletivos. Entre os principais movimentos em avaliação estão:
- Rui Costa (Casa Civil), cotado para o Senado pela Bahia;
- Sidônio Palmeira (Secom), que deve deixar o cargo para coordenar a campanha presidencial de Lula;
- Fernando Haddad (Fazenda), que avalia disputar o Senado ou o governo de São Paulo;
- Camilo Santana (Educação), cotado para o governo do Ceará;
- Renan Filho (Transportes), possível candidato ao governo de Alagoas;
- André Fufuca (Esporte), que avalia disputar o Senado ou o governo do Maranhão;
- Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos), que planeja concorrer ao Senado por Pernambuco;
- Waldez Goés (Integração Nacional), possível candidato ao Senado pelo Amapá;
- Simone Tebet (Planejamento), cotada para o Senado por São Paulo;
- Marina Silva, mencionada como possível candidata ao Senado;
- Jader Filho, que deve disputar vaga de deputado federal pelo Pará;
- Carlos Fávaro, que pretende buscar a reeleição ao Senado por Mato Grosso;
- Anielle Franco, que avalia candidatura a deputada federal pelo Rio de Janeiro;
- Paulo Teixeira, que deve tentar a reeleição como deputado federal;
- Marcio França, que avalia disputar cargo em São Paulo;
- Alexandre Silveira, cotado para o Senado por Minas Gerais;
- Macaé Evaristo, que pode concorrer a deputada estadual em Minas Gerais;
- Sonia Guajajara, que deve tentar a reeleição como deputada federal;
- Margareth Menezes, que avalia candidatura a deputada federal pela Bahia;
- Geraldo Alckmin, que pode disputar a reeleição como vice-presidente ou outro cargo por São Paulo.
Quem deve permanecer no governo
Dois ministros que hoje ocupam cadeiras na Câmara já avisaram que não pretendem deixar o governo para disputar eleições: Guilherme Boulos, recém-empossado na Secretaria-Geral da Presidência, e Alexandre Padilha, que seguirá no comando do Ministério da Saúde.

Fonte: DCM
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