Categoria se mobiliza diante do aumento do preço do diesel e outras insatisfações
Governo deve anunciar novas medidas para evitar greve de caminhoneiros (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)
O governo federal intensificou a articulação para evitar uma possível greve nacional dos caminhoneiros, diante do aumento do preço do diesel e da crescente insatisfação da categoria. Entre as iniciativas previstas, está o anúncio de medidas para ampliar a fiscalização do cumprimento da tabela do piso mínimo do frete, além de ações para responsabilizar empresas que descumprirem as regras, informa o Metrópoles.
De acordo com o ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB), o objetivo é tornar mais efetiva a aplicação da política de frete mínimo. Em publicação nas redes sociais, ele afirmou: “Essa é uma defesa concreta do caminhoneiro garantindo remuneração justa pelo cumprimento da tabela, concorrência leal e mais eficiência para a logística do país”. Segundo o ministro, as mudanças pretendem substituir um modelo considerado pouco eficiente por um sistema capaz de assegurar melhores condições ao setor.
◎ Fiscalização do frete entra no centro das ações
A estratégia do governo busca responder diretamente às principais reivindicações dos caminhoneiros, que têm pressionado por maior rigor na fiscalização do piso do frete. A ideia é coibir práticas irregulares e garantir que o valor mínimo estabelecido seja respeitado em todo o país.
Além disso, as medidas devem prever punições para infratores reincidentes, numa tentativa de reduzir distorções no mercado e fortalecer a renda dos profissionais autônomos.
◎ Operação nacional mira preços dos combustíveis
Em paralelo, o governo também anunciou uma força-tarefa para fiscalizar os preços dos combustíveis. Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, a operação já alcançou 669 postos em 16 estados, além de 64 distribuidoras e pelo menos uma refinaria.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), destacou a importância da participação da população no processo de fiscalização. “É importante que a sociedade se envolva, que a sociedade procure o Procon nos seus estados para que a gente possa a cada dia mais fechar o cerco sobre esses crimes contra a economia popular, que afetam o abastecimento e afetam o preço na bomba de combustível para todos os brasileiros”, afirmou.
◎ Governo minimiza risco de paralisação
Apesar das ameaças de greve, integrantes do governo demonstram cautela ao tratar do tema. O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, evitou antecipar possíveis medidas emergenciais caso uma paralisação seja confirmada. “Trabalhar com hipóteses não seria adequado nem prudente”, disse.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin (PSB), também afirmou não ver justificativa para uma greve no momento. Ele destacou ações adotadas para conter os impactos externos sobre o preço dos combustíveis. “Foram feitas duas medidas. Retirou todo o imposto federal, que era o PIS e Cofins. Zerou e ainda está dando uma subvenção para evitar o efeito do preço. E você não tem o condão de parar a guerra. O que você pode fazer é minimizar o impacto. Então, as duas preocupações estão sendo atuadas”, declarou.
Entre as iniciativas mencionadas está a redução a zero das alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel, o que representa uma queda estimada de R$ 0,32 por litro no preço final. Ainda assim, a Petrobras promoveu um reajuste de 11,6% no valor do combustível nas refinarias.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também comentou o cenário recentemente: “Estamos fazendo um sacrifício enorme, uma engenharia econômica para evitar que os efeitos da irresponsabilidade da guerra cheguem ao povo brasileiro”.
◎ Entidades da categoria apoiam mobilização
Mesmo com as medidas anunciadas, entidades representativas dos caminhoneiros seguem pressionando por mudanças mais amplas. A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL), a Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava) e o Sindicato dos Caminhoneiros de Santos (Sindicam) já manifestaram apoio à possibilidade de paralisação.
Segundo Wallace Landim, presidente da Abrava, conhecido como Chorão, uma assembleia com representantes de diversos estados aprovou a mobilização, sinalizando que o risco de greve permanece no radar do governo.
Fonte: Brasil 247 com informações do Metrópoles
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