Investigação da PF aponta repasses de emendas da Saúde a associação vinculada a suposta operadora de propinas no INSS
A deputada federal Maria Gorete Pereira (MDB-CE) é alvo de investigação da Polícia Federal no âmbito da Operação Indébito/Sem Desconto, que apura um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões. Segundo a investigação, a parlamentar destinou R$ 2,2 milhões em emendas parlamentares da área da Saúde a uma associação vinculada a uma advogada suspeita de operar pagamentos de propina a dirigentes do INSS, segundo o jornal O Estado de São Paulo.
A operação foi deflagrada na terça-feira (17), quando a deputada foi alvo de mandado de busca e apreensão e passou a ser monitorada por tornozeleira eletrônica. Os recursos foram repassados entre 2016 e 2020, período anterior ao acordo firmado pela entidade com o INSS para oferecer serviços a aposentados mediante descontos diretos em folha.
As verbas foram direcionadas à Associação de Santo Antônio, conhecida como Cenap Asa, sediada no Ceará, base política da deputada. Parte dos recursos teve como destino o Fundo Nacional de Saúde, com finalidade de aquisição de equipamentos hospitalares no estado.
A entidade firmou, em 2024, um acordo de cooperação técnica com o então diretor de Benefícios do INSS, André Fidélis. O filho dele, o advogado Eric Fidélis, recebeu R$ 520 mil da advogada Cecília Rodrigues Mota, apontada como lobista e operadora de propinas no esquema. Cecília possuía procuração para atuar em nome da associação.
A relação entre a advogada e a deputada é anterior às investigações. Em depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, Cecília afirmou: “eu assessorei ela nas eleições”. A Polícia Federal também identificou mensagens que indicariam supostos pagamentos à parlamentar, em troca de atuação junto a órgãos públicos em benefício da entidade.
O inquérito aponta ainda conversas via WhatsApp envolvendo o empresário Natjo de Lima Pinheiro, conhecido como “ADM”, que mencionariam uma tabela de repasses de propina. Uma das mensagens sugere que a deputada teria recebido R$ 780 mil em uma única ocasião dentro do esquema investigado.
Outras comunicações analisadas pelos investigadores indicam a aquisição de um apartamento no valor de R$ 4,43 milhões pela parlamentar, com registro de pagamento de uma parcela de R$ 1,1 milhão diretamente de sua conta.
A advogada Cecília Mota também foi alvo da operação e teve prisão decretada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. Ela já presidiu uma entidade que havia sido cassada pelo INSS em 2020, posteriormente rebatizada e reabilitada sob gestão de André Fidélis.
A Cenap Asa foi a única associação a ter contrato rescindido ainda na gestão do ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, semanas antes da primeira fase da operação. A entidade mantinha vínculo com o empresário Igor Delecrode, investigado por suspeita de fraudar sistemas de biometria de aposentados, utilizando imagens de documentos para simular reconhecimento facial.
Delecrode já havia participado da criação de associações como Amar Brasil, Master Prev e Aasap, que juntas arrecadaram mais de R$ 700 milhões com descontos aplicados sobre benefícios previdenciários. Essas organizações também são investigadas por possível pagamento de propinas a dirigentes do INSS.
As defesas dos citados não se manifestaram até o momento.
Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Estado de S. Paulo
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