A turista Gisele Madrid Spencer Cesar, de 50 anos, presa em Salvador por injúria racial, foi colocada em liberdade provisória após audiência de custódia realizada nesta sexta-feira. Ela estava detida desde a noite de quarta-feira (21). Com informações do UOL.
Gisele foi presa no Pelourinho, região central da capital baiana, após ser acusada de ofensas racistas contra uma vendedora ambulante que trabalhava em um evento no local. Segundo o registro policial, a turista também teria exigido atendimento exclusivo por um delegado de pele branca ao ser levada à delegacia.
Durante a audiência, a defesa pediu o relaxamento da prisão, alegando ilegalidade na detenção e ausência de materialidade do crime. O pedido foi negado pelo juiz Maurício Albagli Oliveira, que afirmou que os indícios de autoria e materialidade estavam demonstrados por depoimentos da vítima e dos policiais que atenderam a ocorrência.
Apesar disso, o magistrado acolheu parecer do Ministério Público da Bahia e concedeu liberdade provisória à investigada, sem exigência de pagamento de fiança. A turista deverá cumprir uma série de medidas cautelares impostas pela Justiça.
☉ Medidas cautelares impostas
- Comparecer a todos os atos do processo quando intimada, mantendo endereço atualizado;
- Comparecer bimestralmente em juízo, por um ano, a partir do dia 23 de março de 2026, para informar e justificar suas atividades;
- Não se ausentar da comarca de Porto Alegre (RS) por mais de dez dias sem autorização judicial, pelo prazo de seis meses;
- Não frequentar a Praça das Artes, no Pelourinho, por 12 meses;
- Não manter contato com a vítima nem com as testemunhas, devendo permanecer a pelo menos 300 metros de distância.
☉ Entenda o caso
De acordo com informações da Polícia Civil da Bahia, a vítima relatou em depoimento que foi chamada de “lixo” pela suspeita, que também teria cuspido nela durante o evento. Ainda segundo o relato, Gisele repetiu frases como “eu sou branca” e afirmou que o ambiente “não era para ela”.
A Polícia Militar foi acionada e conduziu a investigada à Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa. Conforme nota da Polícia Civil, mesmo na unidade policial, a mulher manteve a conduta discriminatória ao exigir atendimento por um delegado de pele branca.
☉ Racismo e injúria racial: qual a diferença
A Lei do Racismo, de 1989, trata de crimes de discriminação ou preconceito contra grupos, sendo inafiançável e imprescritível, com pena de um a cinco anos de prisão. Já a injúria racial ocorre quando a ofensa atinge uma pessoa específica, utilizando elementos relacionados à raça, cor, etnia, religião ou origem.
☉ Como denunciar
Denúncias podem ser feitas em delegacias especializadas ou em qualquer delegacia física ou online. Em casos de flagrante, o telefone é 190. Também é possível acionar o Disque 100 ou o serviço de denúncia do município.
Fonte: DCM
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