sábado, 24 de janeiro de 2026

A discrepância entre os resorts de luxo e a vida simples dos irmãos de Toffoli

 

Casa de José Eugênio Dias Toffoli em Marília (SP), onde é registrada a sede da sede da Maridt Participações S.A.. Foto: Diego Felix/Folhapress
A participação de empresas ligadas a parentes do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), em um resort de luxo no Paraná colocou familiares do magistrado no centro de um caso que envolve transações milionárias, fundos associados ao Banco Master e questionamentos sobre conflitos de interesse no Judiciário. No interior de São Paulo, onde parte da família vive, o silêncio passou a marcar a rotina desde a divulgação das informações.

O endereço de José Eugênio Dias Toffoli, irmão do ministro, fica em uma rua estreita do bairro Jardim Universitário, em Marília. A casa simples, com três carros na garagem, um BYD, um Toyota Etios e um Volkswagen Taos, avaliados em cerca de R$ 400 mil, também aparece como sede da Maridt Participações.

A empresa teve participação no resort Tayayá e na DGEP Empreendimentos, em Ribeirão Claro (PR), e vendeu sua fatia por R$ 6,7 milhões em duas etapas. Nesta semana, a mulher de José Eugênio, Cássia, afirmou ao jornal O Estado de S. Paulo que não sabia que o imóvel funcionava como sede da empresa nem que havia ligação com o resort.

Funcionários do hotel relataram à Folha que os irmãos Toffoli ainda são vistos como donos do empreendimento, ao lado do atual proprietário Paulo Humberto Barbosa, advogado que atua para a JBS, multinacional dos irmãos Joesley e Wesley Batista. O resort oferece piscinas aquecidas, passeios de caiaque, quadras de beach tennis e cassino. O ministro Dias Toffoli costuma chegar ao local de helicóptero.

Dias Toffoli, ministro do STF. Foto: reprodução
Empresas ligadas a parentes do ministro também tiveram como sócio o fundo Arleen, associado ao Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central após apuração de fraudes contra o sistema financeiro. Toffoli é relator de processos relacionados ao caso no STF, o que levou a pressões públicas para que deixe a função.

Segundo a Folha de S.Paulo, que tentou entrevistar moradores, apesar da movimentação interna, ninguém atendeu à campainha na última sexta-feira (23). Desde que o caso veio a público, familiares do ministro têm evitado aparições em Marília, onde a família é historicamente influente. O pai do magistrado, Luiz Toffoli, dá nome a uma avenida da cidade.

Outro irmão, José Carlos Dias Toffoli, conhecido como padre Carlão, respondeu pelo interfone: “A Maridt já deu a sua comunicação. Passar bem e até logo”. Ele se referia à Maridt Participações S.A., da qual é sócio ao lado de José Eugênio.

Por causa da sociedade, ele se afastou da paróquia Sagrada Família e hoje atua como cônego em regime de “uso de ordens”, segundo a Diocese de Marília, o que significa que pode celebrar missas apenas quando convidado.

Em nota, José Eugênio afirmou que a participação da Maridt no resort foi encerrada em duas negociações: uma com o fundo Arleen, em setembro de 2021, e outra com a PHD Holding, em fevereiro de 2025, todas declaradas à Receita Federal. Dados da Junta Comercial do Paraná indicam, porém, que os repasses ocorreram de forma parcelada e em valores distintos, tanto no Tayayá quanto na DGEP.

Outro integrante da família, Mario Umberto Degani, primo do ministro, integrou o grupo fundador do resort desde 1999 e deixou a sociedade entre julho e setembro de 2025, recebendo R$ 12 milhões. Ele vive em um condomínio fechado em Marília, onde casas são avaliadas em até R$ 2,5 milhões. Procurado, não respondeu aos contatos.

Entre os nove irmãos da família Toffoli, José Ticiano Toffoli foi prefeito de Marília entre 2011 e 2012. Não há registro de envolvimento dele com o resort Tayayá.

Fonte: DCM com informações da Folha de S. Paulo

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