quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Inflação em novembro fecha em 0,18%, melhor resultado desde 2018

No ano, a inflação acumula alta de 3,92%, aponta o IBGE

      Supermercado. Foto: Divulgação

A inflação oficial brasileira avançou para 0,18% em novembro, influenciada principalmente pelo aumento das passagens aéreas. O resultado representa o melhor desempenho para um mês de novembro desde 2018. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (10). O órgão informou que o IPCA acumula alta de 3,92% no ano e de 4,46% nos últimos 12 meses.

O principal impacto no indicador veio do subitem passagem aérea, que registrou aumento de 11,9% e contribuiu com 0,07 ponto percentual do índice geral. A energia elétrica residencial também pressionou a inflação, subindo 1,27% após reajustes em concessionárias específicas. No grupo Despesas Pessoais, a hospedagem avançou 4,09%, influenciada especialmente pela alta de cerca de 178% observada em Belém durante a COP-30.

Entre as quedas, itens essenciais do consumo das famílias ajudaram a reduzir a pressão inflacionária. Fernando Gonçalves, gerente do IPCA, destacou recuos em higiene pessoal (-1,07%) e em alimentos importantes como o tomate (-10,38%) e o arroz (-2,86%). Segundo ele, “o cereal registrou uma trajetória de variações negativas ao longo de todo o ano de 2025, acumulando queda de 25%”.

Com isso, o grupo Alimentação e bebidas voltou ao terreno negativo, com variação de -0,01%. A alimentação no domicílio caiu 0,20% pelo sexto mês consecutivo. Já a alimentação fora do domicílio teve alta de 0,46%, mas desacelerou tanto nos lanches (de 0,75% para 0,61%) quanto nas refeições (de 0,38% para 0,35%).

O índice de difusão atingiu 56% em novembro, ligeiramente acima do mês anterior. Os serviços aceleraram de 0,41% para 0,60%, impulsionados principalmente pelas passagens aéreas e pela hospedagem. Já os preços monitorados subiram 0,21%, revertendo a queda registrada em outubro.

Nos índices regionais, Goiânia apresentou a maior variação (0,44%), influenciada pela energia elétrica residencial (13,02%) e pelas carnes (1,78%). A menor taxa foi observada em Aracaju (-0,10%), devido à queda no conserto de automóvel (-3,75%) e na gasolina (-1,40%).

INPC sobe 0,03% em novembro

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) registrou alta de 0,03% em novembro. O acumulado no ano é de 3,68% e o dos últimos 12 meses chega a 4,18%. Os alimentos recuaram 0,06%, enquanto os itens não alimentícios avançaram 0,06%.

Entre as regiões, Goiânia teve novamente a maior alta (0,51%), impulsionada pela energia elétrica e pelas carnes. Em Belém, o indicador caiu 0,26%, refletindo reduções no ônibus urbano (-15,54%) e em artigos de higiene pessoal (-3,20%).

O IPCA abrange famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos nas principais regiões metropolitanas do país. Já o INPC considera famílias com rendimento de 1 a 5 salários mínimos. O próximo resultado, referente a dezembro de 2025, será divulgado em 9 de janeiro de 2026.

Fonte: Brasil 247

ABI repudia agressão a jornalistas na Câmara e cobra Hugo Motta

“Com essas atitudes violentas e autoritárias, Hugo Motta perde todas as condições políticas de continuar presidindo a Câmara”, afirma a associação

      Hugo Motta (Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados)

A sessão desta terça-feira (9) na Câmara dos Deputados ficou marcada por confunsões e confrontos. A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) condenou com dureza a violência praticada dentro da Casa e o desligamento do sinal da TV Câmara, episódio que ganhou repercussão nacional.

Segundo o comunicado da entidade, os acontecimentos tiveram início quando o deputado Glauber Braga (Psol-RJ) foi retirado à força da Mesa Diretora por agentes da Polícia Legislativa, a mando do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). A ABI classificou como “um atentado à liberdade de imprensa” a decisão de expulsar jornalistas do plenário e cortar a transmissão oficial justamente no momento de maior tensão.

Na nota, a entidade destacou sua trajetória histórica em defesa da democracia e dos direitos fundamentais e afirmou que o episódio representa “o mais grave atentado à liberdade de imprensa” dentro da própria instituição responsável por zelar pelo regime democrático. A ABI repudiou as agressões dirigidas a profissionais da imprensa, parlamentares e servidores e cobrou explicações imediatas do presidente da Câmara.

A associação também responsabilizou diretamente Hugo Motta pelas ações que impediram a cobertura jornalística e limitaram o acesso da população às informações sobre a sessão. Para a entidade, as condutas do presidente da Casa são incompatíveis com a função: “Com essas atitudes violentas e autoritárias, Hugo Motta perde todas as condições políticas de continuar presidindo a Câmara dos Deputados”, afirma a nota.

O texto registra ainda solidariedade aos jornalistas e parlamentares agredidos, em especial ao deputado Glauber Braga, bem como aos servidores envolvidos na confusão.

Fonte: Brasil 247

Esperidião Amin será o relator do PL da Dosimetria no Senado

A informação foi adiantada pelo presidente da CCJ do Senado, Otto Alencar

Esperidião Amin (Foto: Divulgação (Senado))

O Senado se prepara para discutir o projeto que recalcula penas de envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, e a indicação do relator já está definida. Em entrevista ao Metrópoles nesta quarta-feira (10), o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Otto Alencar (PSD-BA), confirmou que o senador Esperidião Amin (PP-SC) será o responsável por conduzir a análise da proposta.

A Câmara dos Deputados aprovou, na madrugada desta quarta-feira, o chamado PL da Dosimetria. O texto reduz as penas impostas a condenados por crimes relacionados à tentativa de golpe e aos ataques às sedes dos Três Poderes.

Projeto chega ao Senado após forte debate na Câmara

O projeto avançou na Câmara em uma sessão estendida que teve resultado anunciado às 2h25 pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). Foram 291 votos favoráveis e 148 contrários. O relator do texto na Câmara, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), afirmou que a nova dosimetria poderá reduzir significativamente punições, incluindo a do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que, segundo ele, poderá ter a pena em regime fechado reduzida para até 2 anos e 4 meses.

Com a aprovação, o texto segue agora para avaliação do Senado, onde Esperidião Amin assume papel central na condução da tramitação.

Quem é o senador Esperidião Amin

Amin tem trajetória extensa na política brasileira. Foi governador de Santa Catarina, prefeito e atualmente cumpre mandato como senador. Formado em administração e direito, mantém forte presença no debate político catarinense e nacional. Envolvido nas articulações para a disputa ao Senado em 2026, não descarta nova candidatura, embora evite aprofundar discussões sobre as indefinições que cercam os pré-candidatos da próxima legislatura.

Fonte: Brasil 247 com informações do Metrópoles

PL da Dosimetria: Bolsonaro terá de estudar e trabalhar na cadeia para reduzir pena; entenda


O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Foto: Reprodução

O projeto que reduz penas dos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro diminui o tempo de prisão de Jair Bolsonaro (PL), mas a permanência no regime fechado só cairia para cerca de 2 anos e 4 meses caso o ex-presidente trabalhe ou estude na cadeia, permitindo a remição da pena. Com informações da Folha de S.Paulo.

Sem esse abatimento adicional, a redução seria menor e manteria Bolsonaro no regime fechado por um período estimado entre 3 anos e 4 meses e 4 anos e 2 meses. O parecer do PL da Dosimetria prevê mudanças estruturais na contagem das penas e no tempo de progressão de regime.

O relator afirma que a redução pode chegar ao patamar mínimo caso Bolsonaro tenha direito à remição. “Dá mais de 3 anos, mas depois tem a remição de penas, e cai para 2 [anos e] 4 [meses]”, declarou Paulinho à Folha. O projeto abre a possibilidade de remição também em regime domiciliar, algo hoje proibido.

Sem a remição, advogados apontam que o novo texto pode levar a interpretações diferentes no Supremo Tribunal Federal (STF), o que resultaria em reduções menores. Nesse cenário, o tempo em regime fechado pode variar entre 3 anos e 4 meses e 4 anos e 2 meses.

Paulinho diz que, sem votar dosimetria, isenção do IR corre risco
O deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), relator do PL da dosimetria. Foto: Reprodução


Como é hoje e como ficaria


Atualmente, com a condenação de 27 anos e 3 meses imposta pelo Supremo Tribunal Federal, Bolsonaro deve cumprir entre 6 anos e 10 meses e pouco mais de 8 anos em regime fechado. Em dezembro, a Vara de Execução Penal estimou que ele só migraria ao semiaberto em 23 de abril de 2033.

O parecer aprovado na Câmara — que recebeu 291 votos favoráveis, 148 contrários e uma abstenção — altera esse cálculo ao impedir a soma das penas pelos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.

Quando praticados simultaneamente, apenas a pena maior é aplicada. No caso de Bolsonaro, isso elimina 6 anos e 6 meses de pena, restando 20 anos e 9 meses.

A Câmara também mudou a regra de progressão de regime: em vez de um quarto da pena, o condenado poderá migrar após cumprir um sexto. Com essa alteração, Bolsonaro poderia deixar o regime fechado após cerca de 3 anos e 4 meses.

Especialistas ressaltam que o novo texto pode gerar efeitos diferentes dependendo da interpretação do juiz — neste caso, o STF.

Há leitura possível que amplia a pena de golpe de Estado entre um sexto e dois terços. Assim, a pena total poderia ficar entre 21 anos e 10 meses e 25 anos e 1 mês, o que manteria Bolsonaro no regime fechado por mais tempo antes da progressão.
Impacto para os demais condenados

O projeto também tem efeito expressivo sobre os outros envolvidos na trama golpista. Ele impede a soma de penas, reduz o requisito para progressão e autoriza diminuição entre um terço e dois terços para crimes cometidos “em contexto de multidão”, como os das centenas de condenados que depredaram as sedes dos Três Poderes. Para ter direito à redução, o réu não pode ter financiado ou liderado os atos.

O PL segue agora para o Senado e, em seguida, será analisado pelo presidente Lula (PT), que poderá vetá-lo. Deputados da oposição abriram mão de uma emenda que concederia anistia ampla aos réus em troca do apoio do Centrão à redução das penas.

Congresso deve votar nesta terça anistia a bolsonaristas dos atos terroristas do 8/1

Bolsonaristas durante o ataque golpista de 8 de janeiro de 2023 em Brasília. Foto: Reprodução 


Fonte: DCM com informações da Folha de S. Paulo

Defesa pede ao STF cirurgia, prisão domiciliar e nova tornozeleira para Bolsonaro

      O ex-presidente Jair Bolsonaro, então internado em hospital em São Paulo Foto: Reprodução


A defesa de Jair Bolsonaro (PL) pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, autorização para que o ex-presidente seja removido a um hospital para realizar cirurgias e, em seguida, cumpra prisão domiciliar em regime humanitário. O pedido foi apresentado nesta terça-feira (9), em Brasília.

Segundo os advogados, os médicos responsáveis estimam necessidade de internação imediata entre cinco e sete dias. O local indicado para o procedimento é o hospital DF Star, na capital federal.

De acordo com a petição, Bolsonaro precisa ser submetido a cirurgia para tratar crises de soluços recorrentes, associadas a sequelas de intervenções anteriores, além de uma piora no diagnóstico de hérnia inguinal unilateral, que também exige cirurgia sob anestesia geral.

A defesa informou que os episódios de soluços já levaram o ex-presidente a atendimentos hospitalares por falta de ar e episódios de síncope, conforme os documentos encaminhados ao STF.

O ex-presidente Jair Bolsonaro e sua tornozeleira eletrônica. Foto: Reprodução
No pedido de prisão domiciliar, os advogados sugerem a adoção de monitoramento eletrônico e outras medidas que eventualmente venham a ser determinadas pelo ministro relator.

Os defensores também solicitaram autorização para deslocamentos exclusivos para tratamento médico, com comunicação prévia ao Judiciário ou, em casos de urgência, com justificativa posterior.

No texto encaminhado ao STF, a defesa menciona princípios constitucionais como a dignidade da pessoa humana, o direito à saúde e a proteção integral à pessoa idosa.

Um relatório médico foi anexado ao pedido, apontando dores e desconforto na região inguinal nas últimas semanas, potencializados por aumento da pressão abdominal decorrente das crises de soluços.

Fonte: DCM

Ipsos-Ipec: Com 38%, Lula lidera corrida presidencial, aponta pesquisa


        O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) – Divulgação/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece com 38% das intenções de voto em todos os cenários testados pela pesquisa Ipsos-Ipec divulgada nesta terça-feira (9). O levantamento é o primeiro realizado após o senador Flávio Bolsonaro anunciar oficialmente sua pré-candidatura à Presidência da República pelo PL para a eleição de 2026.

No primeiro cenário, com Tarcísio de Freitas como principal adversário, Lula tem 38%, Tarcísio registra 17%, Ratinho Junior aparece com 9%, Ronaldo Caiado tem 5% e Romeu Zema soma 3%. Brancos e nulos chegam a 19%, enquanto 8% não souberam ou não responderam.
Primeiro cenário da pesquisa. Foto: CNN
No segundo cenário, com Flávio Bolsonaro como candidato, Lula mantém os 38%. Flávio marca 19%, Ratinho Junior tem 9%, Caiado sobe para 7% e Zema fica com 5%. Brancos e nulos somam 17% e os indecisos, 6%.
Segundo cenário da pesquisa. Foto: CNN
No terceiro cenário, com Michelle Bolsonaro na disputa, Lula permanece com 38% e a ex-primeira-dama aparece com 23%, o melhor desempenho entre os nomes da oposição. Ratinho Junior registra 8%, Caiado tem 5% e Zema, 4%. Brancos e nulos ficam em 16%, e 5% não souberam responder.
Terceiro cenário da pesquisa. Foto: CNN

O quarto cenário testa a candidatura do deputado Eduardo Bolsonaro. Lula repete os 38%, Eduardo aparece com 18%, Ratinho Junior tem 9%, Caiado marca 7% e Zema soma 5%. Brancos e nulos atingem 17%, enquanto 6% não souberam ou não responderam.

A pesquisa foi realizada entre os dias (4) e (8) de dezembro, com 2.000 entrevistas em 131 municípios do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi divulgado após o ex-presidente Jair Bolsonaro indicar publicamente Flávio Bolsonaro como seu pré-candidato ao Planalto em 2026.

Fonte: DCM

Lula reclama de Hugo Motta e aponta falta de diálogo e de transparência

Nos bastidores, presidente Lula demonstra frustração com o presidente da Câmara, Hugo Motta

    Hugo Motta e Lula (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

O Palácio do Planalto enxergou sinais de ruptura especialmente após a ausência de Motta no evento de sanção da reforma do Imposto de Renda e, sobretudo, após a inclusão repentina na pauta do projeto de lei da dosimetria, votado na noite de terça-feira (9). A decisão contrariou diretamente o governo, que já havia expressado resistência ao texto.

A principal queixa do Executivo recai sobre a falta de previsibilidade e comunicação. Na véspera da votação, Motta participou de uma reunião com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e com a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, para tratar da agenda legislativa de fim de ano. O presidente da Câmara não mencionou que colocaria o PL da dosimetria em votação no dia seguinte.

O clima também se agravou após a retirada forçada do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) do plenário, episódio que acabou envolvendo agressões a jornalistas. A condução do caso foi duramente criticada pelo governo, que viu em Motta uma adesão à estratégia da oposição, contribuindo para o desgaste na relação institucional.

Diante desse cenário, interlocutores do Planalto consideram remota qualquer possibilidade de apoio da esquerda a uma eventual tentativa de reeleição de Hugo Motta à presidência da Câmara. No campo da direita, apesar de recentes gestos, parlamentares alinhados ao bolsonarismo também demonstram resistência a uma recondução do deputado, indicando um ambiente político mais adverso para o atual dirigente da Casa.

Fonte: Brasil 247

“Dia triste para o Brasil e para a democracia”, diz Paulo Pimenta

Deputado critica aprovação do projeto que reduz penas de condenados pelo 8 de janeiro e afirma que decisão enfraquece as instituições

       Paulo Pimenta (Foto: ViniLoures / Câmara dos Deputados)

O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) reagiu com dureza, na madrugada desta quarta-feira 10, à aprovação pela Câmara dos Deputados do projeto que reduz penas de condenados pelos ataques golpistas de 8 de janeiro e pela tentativa de golpe de Estado. Em publicação nas redes sociais, o parlamentar classificou o episódio como “um dia triste para o Brasil” e “um dia triste para a democracia”.



A manifestação ocorreu logo após a votação que aprovou, por 291 votos a 148, o texto-base da proposta que flexibiliza punições impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) aos responsáveis pelos ataques contra o Estado Democrático de Direito.

“Tenta reescrever a história para proteger quem atentou contra a República”

No texto publicado, Pimenta acusou a Câmara de promover uma operação política para recontar os fatos de 8 de janeiro e beneficiar os condenados. “A Câmara acaba de aprovar um projeto que tenta reescrever a história para proteger quem atentou contra a República”, afirmou.

O deputado destacou que a decisão diminui a gravidade dos crimes cometidos. “Reduziram a gravidade de um ataque direto ao Estado Democrático de Direito, como se fosse possível minimizar um dos momentos mais graves da nossa história recente”, escreveu.

“O que aconteceu nesta noite enfraquece as instituições”

Pimenta advertiu que a aprovação do projeto representa um retrocesso institucional. “O que aconteceu nesta noite não fortalece as instituições, enfraquece”, declarou.

Ele acrescentou que a medida não protege a democracia, mas “expõe suas feridas”.

O parlamentar encerrou sua avaliação com um alerta sobre a gravidade do momento: “Um dia triste para o Brasil, um dia triste para a democracia!”

Fonte: Brasil 247

Aprovado pela Câmara, PL da Dosimetria enfrenta resistência no Senado

Presidente do Senado, Davi Alcolumbre articula para convencer bancadas expressivas da Casa

Brasília-DF - 27/11/2025 - O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (Foto: Lula Marques/Agência Brasil)

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), trabalha para levar ao plenário ainda este ano o projeto que diminui as penas aplicadas aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023 e, por consequência, pode reduzir o tempo de prisão de Jair Bolsonaro (PL). A iniciativa ganhou força após aprovação na Câmara, mas encontra barreiras entre bancadas influentes, segundo o jornal O Globo.

A proposta, que atende a pleitos antigos da oposição contrária às condenações relacionadas ao episódio, também foi tema de tratativas entre Alcolumbre e o presidente da Câmara, Hugo Motta. Embora o texto avance, lideranças de partidos como PSD e MDB demonstram resistência à votação acelerada.

Alcolumbre afirma ter assumido um compromisso político para apreciar a matéria ainda em 2025. “Fiz um compromisso com líderes, comigo mesmo, com o Senado e o Brasil, que se a Câmara deliberasse, o Senado deliberaria. [...] Nós vamos deliberar esse projeto assim que a Câmara deliberar. Este ano ainda”, declarou.

O relatório aprovado na Câmara, de autoria do deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), modifica dispositivos do Código Penal e da Lei de Execução Penal, atribuindo efeitos retroativos por se tratar de norma mais branda. Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses por crimes como tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Em defesa da modernização das leis, Alcolumbre argumentou: “Acho que temos que buscar um meio termo para modernizar a legislação, para suprirmos as lacunas estabelecidas na lei. Sempre disse e repito que achava que o bom entendimento entre a Câmara dos Deputados era fazermos a modernização e atualização dessa lei”.

Apesar do movimento do presidente do Senado, o clima na Comissão de Constituição e Justiça não é favorável à celeridade desejada. O presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), afirmou ser contrário à votação imediata. “Ficou na Câmara há meses e chega aqui e vota no plenário? Não é possível que não possamos discutir uma matéria como essa. [...] Sem afogadilho”, declarou.

O senador Renan Calheiros (MDB-AL) reforçou a crítica, destacando o impacto direto da proposta sobre a pena de Bolsonaro. “O texto do relator traz a redução da pena do ex-presidente da República condenado e preso por tentar dar um golpe de Estado no Brasil. O Senado não pode aceitar passivamente que isso tramite aqui na Casa no mesmo dia”, afirmou, apoiando a posição de Otto Alencar.

A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), declarou que o governo é contrário ao projeto. Caso o Senado altere o texto, ele retornará à Câmara; se mantido, seguirá para decisão presidencial, podendo ser sancionado integralmente ou com vetos.

Ainda que a norma seja aprovada, a redução das penas não será automática. As defesas deverão requisitar a revisão à Justiça, e no caso dos crimes relacionados ao 8 de janeiro, a execução penal permanece sob responsabilidade do Supremo Tribunal Federal (STF).

Penas previstas atualmente

  • Abolição violenta do Estado Democrático de Direito: até 8 anos
  • Golpe de Estado: até 12 anos
  • Organização criminosa: até 8 anos (com possível agravante de 4 anos se houver uso de arma de fogo)
  • Dano qualificado: até 3 anos
  • Deterioração de patrimônio público: até 3 anos

Condenações aplicadas a Jair Bolsonaro

  • Organização criminosa: 7 anos e 7 meses
  • Abolição violenta do Estado Democrático de Direito: 6 anos e 6 meses
  • Golpe de Estado: 8 anos e 2 meses
  • Dano qualificado: 2 anos e 6 meses
  • Deterioração de patrimônio tombado: 2 anos e 6 meses

Impacto do projeto na pena de Bolsonaro

  • Projeção de saída antes: 5 anos e 11 meses
  • Projeção de saída agora: 3 anos e 3 meses (podendo cair para 2 anos e 3 meses, segundo o relator)
  • Pena total antes: 27 anos e 3 meses
  • Pena total agora: 22 anos e 1 mês
Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo

AP 2693: STF ouve defesas dos réus do Núcleo 2 da tentativa de golpe de Estado

Julgamento será retomado na próxima terça-feira (16), a partir das 9h, com o voto do relator e dos demais integrantes da Primeira Turma
        Foto: Antonio Augusto/STF

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) ouviu, nesta terça-feira (9), os argumentos das defesas dos seis réus do Núcleo 2 da tentativa de golpe de Estado, que respondem  à Ação Penal (AP) 2693. Eles são acusados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de elaborar a chamada “minuta do golpe”, articular a Polícia Rodoviária Federal (PRF) para dificultar o voto de eleitores da Região Nordeste nas eleições de 2022 e, ainda, de planejar a operação “Punhal Verde Amarelo”, que tinha como objetivo o assassinato de autoridades.

Os réus respondem pelos crimes de tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, envolvimento em organização criminosa armada, deterioração do patrimônio tombado e dano qualificado por violência e grave ameaça contra o patrimônio da União.  

Confira o resumo dos argumentos apresentados pelas defesas: 

Fernando de Sousa Oliveira
O advogado Guilherme de Mattos Fontes afirmou que a PGR não apresentou provas da participação do delegado da Polícia Federal e ex-secretário-adjunto de Segurança Pública do Distrito Federal na tentativa de golpe de Estado. Oliveira é acusado de colaborar com a operação da PRF que teria buscado impedir que eleitores da Região Nordeste votassem nas eleições de 2022 e de se omitir nos atos de 8 de janeiro.

Segundo o advogado, testemunhas de defesa e de acusação foram unânimes em afirmar que o réu não tinha nenhuma ascendência sobre as Polícias Federal e Rodoviária Federal e que não houve orientação de Oliveira para alterar o planejamento das corporações nas eleições de 2022. A defesa também negou que ele tivesse vínculo pessoal com Silvinei Vasques, ex-diretor-geral da PRF, e com Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do DF. Disse que Fernando Oliveira foi convidado a assumir o cargo de secretário-adjunto de Segurança Pública do DF por seu perfil técnico e discreto e, embora ele estivesse à frente da secretaria no dia 8 de janeiro de 2023, não estava formalmente nomeado.

Filipe Martins
O advogado Jeffrey Chiquini afirmou que o ex-assessor internacional da Presidência da República estaria sendo responsabilizado por “uma viagem que não fez, uma minuta que não existe e reuniões das quais não participou”. Ele sustentou que a delação de Mauro Cid teria originado toda a narrativa contra seu cliente. Sobre o primeiro ponto, o advogado disse que o nome de Martins estava na lista provisória da viagem da comitiva presidencial para Orlando (EUA) em 30/12/2022. Contudo, desde outubro de 2023, a Polícia Federal teria acesso a registros de geolocalização que indicavam que ele não deixou o Brasil, e, ainda assim, sua prisão foi solicitada.

Ao tratar da “minuta do golpe” e da suposta presença de Filipe Martins em reuniões com comandantes militares, o defensor afirmou que Cid teria atribuído a seu cliente a autoria e a apresentação do documento, embora a denúncia se baseasse em uma minuta “apócrifa e sem origem identificada”. O advogado citou ainda inconsistências nas datas apontadas pela PGR e alegou que Mauro Cid teria manipulado registros extraoficiais de entrada no Palácio da Alvorada para inserir o nome de Martins em momentos em que buscava se eximir de responsabilidade.

Marcelo Costa Câmara
O advogado Luiz Eduardo Kuntz pediu a absolvição do coronel da reserva e ex-assessor da Presidência da República sob alegação de que ele apenas cumpria rotinas administrativas de sua função. Para a defesa, a própria acareação realizada no processo reforça que Câmara não sabia da existência da operação “Copa 2022” e do plano “Punhal Verde e Amarelo” nem participou de reuniões ou núcleos operacionais relacionados ao intento golpista.

As informações repassadas por ele a Mauro Cid, segundo o advogado, decorreram exclusivamente de suas funções administrativas, com base em fontes abertas. O coronel teria sido usado pelo ajudante de ordens para obter dados para práticas ilícitas. Sobre uma das mensagens a respeito do monitoramento do ministro Alexandre de Moraes, o advogado disse que Câmara se referiu ao magistrado com o codinome “professor” porque a expressão surgiu como “uma brincadeira”, pela qual o próprio coronel já pediu desculpas em interrogatório. O defensor reconheceu que a brincadeira foi indevida, mas insistiu que o cliente “não merece ser criminalizado por isso”.

Marília Alencar
Segundo o advogado Eugênio Aragão, a acusação de envolvimento da ex-diretora de Inteligência do Ministério da Justiça na operação da PRF no segundo turno das eleições de 2022 se baseia apenas em um relato, sem respaldo nas provas. Ele afirmou também que as mensagens encontradas no celular dela sobre o caso não permitem mais do que uma dúvida razoável sobre sua participação e são insuficientes para condená-la.

Sobre os ataques de 8 de janeiro, Aragão sustentou que sua cliente atuou dentro dos limites de sua função no Ministério da Justiça, emitindo informes sobre a mobilização nos dias anteriores nos arredores da Praça dos Três Poderes. “Se a Polícia Militar, responsável pela ordem pública naquele momento, não mobilizou efetivo suficiente, não se pode atribuir a Marília má vontade ou omissão. Ela fez o que podia naquele momento”, defendeu.

Mário Fernandes
O advogado Marcos Vinícius Figueiredo sustentou que o general da reserva do Exército não praticou nenhum crime e não pode ser responsabilizado por atos de outras pessoas. Ao pedir a absolvição de seu cliente, ressaltou que o general não participou de organização armada e não fazia parte do núcleo de monitoramento de autoridades públicas.

Segundo a defesa, Mauro Cid declarou que Fernandes nunca solicitou, participou ou teve conhecimento de monitoramentos. Disse também que a perícia contratada confirmou informações da Polícia Federal de que a minuta do plano “Punhal Verde e Amarelo” não foi impressa em três vias e concluiu que, sem o HD apreendido, restariam apenas coincidências no processo.

Silvinei Vasques
Segundo o advogado Eduardo Pedro Nostrani Simão, não há prova de que o ex-diretor-geral da PRF tenha determinado ações irregulares da corporação no dia das eleições de 2022. A defesa sustenta que a acusação se apoia em material desinformativo que viralizou nas redes sociais e posteriormente foi reproduzida pela imprensa, sem comprovação factual.

O advogado insistiu que não há, nos autos, nenhuma foto, vídeo ou prova material de bloqueios da PRF que tenham impedido eleitores de votar e que todos os relatos verificados pela própria corporação mostraram fiscalizações rotineiras, paradas por falha mecânica de ônibus ou vídeos antigos usados como se fossem daquele dia. Silvinei, segundo a defesa, cumpriu as diretrizes operacionais do Ministério da Justiça, incompatíveis com a tese de que teria atuado para impedir o resultado legítimo das urnas.

O julgamento da AP 2693 prosseguirá na próxima terça-feira (16), a partir das 9h, com o voto do relator e dos demais integrantes da Primeira Turma.

Fonte: STF

Juiz suspende benefícios a Bolsonaro após ação movida por Pedro Rousseff, sobrinho de Dilma

Magistrado afirma que manutenção das mordomias é ilegal durante o cumprimento de pena em regime fechado

       Dilma Rousseff e Pedro Rousseff (Foto: Reprodução/Instagram)

A Justiça Federal em Minas Gerais determinou a suspensão imediata das mordomias concedidas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, após pedido apresentado por Pedro Rousseff, vereador do PT em Belo Horizonte, em ação popular. A decisão foi proferida pelo juiz federal substituto Pedro Pereira Pimenta, da 8ª Vara Federal Cível de Belo Horizonte, e consta do processo analisado pelo magistrado

No pedido inicial, Pedro Rousseff argumentou que Bolsonaro — condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e 3 meses de prisão pelos crimes de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa armada, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado — não poderia continuar recebendo os benefícios da Lei 7.474/1986 enquanto cumpre pena em regime fechado. Segundo o autor, somente no primeiro semestre de 2025, a manutenção da estrutura custou mais de R$ 521 mil aos cofres públicos.

Decisão afirma incompatibilidade entre regime fechado e mordomias

Ao analisar o caso, o juiz destacou que as prerrogativas concedidas pela Lei 7.474/1986 – como quatro seguranças, dois motoristas, dois veículos oficiais e assessores de nível DAS-5 – foram concebidas para ex-presidentes em vida civil, com circulação pública e agenda institucional ativa. No entanto, Bolsonaro encontra-se recolhido em cela na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, sob custódia integral do Estado, que é responsável por sua segurança e deslocamento.

Segundo o magistrado, manter essa estrutura durante o encarceramento é incompatível com a finalidade original da lei, configurando “ato administrativo ilegal, por inexistência de motivos e desvio de finalidade”, em prejuízo da moralidade administrativa.

Juiz cita risco ao erário e afronta ao princípio republicano

Na decisão, o juiz observou que os gastos são contínuos e elevados, o que justifica a urgência da medida. Ele também apontou o dano simbólico causado pela manutenção dos privilégios:

“A mensagem de que alguém condenado pelo STF [...] possa continuar a ser beneficiário de aparato estatal próprio de ex-Chefe de Estado em vida civil fragiliza a confiança no princípio republicano e na coerência da ordem constitucional”, escreveu o magistrado.

Além disso, o juiz afirmou que, no âmbito da execução penal, toda a segurança do preso cabe ao Estado e não pode coexistir com uma “dupla cadeia de comando”, caso houvesse simultaneamente escolta penitenciária e equipe do Gabinete de Segurança Institucional.

Suspensão deve ocorrer em até 48 horas

No dispositivo, o magistrado determinou:

  • suspensão, em até 48 horas, de toda a estrutura prevista na Lei 7.474/1986 colocada à disposição de Bolsonaro enquanto durar o regime fechado;
  • apresentação, pela União, de relatório detalhado com custos e servidores atualmente alocados;
  • esclarecimento de que a decisão não interfere nas obrigações legais de garantir a integridade física e moral do preso.

O juiz também ressaltou que a medida é reversível: caso a ação seja julgada improcedente, os benefícios poderão ser restabelecidos.

Processo reforça debate sobre privilégios e responsabilidade pública

Ao longo de mais de 15 páginas, a decisão cita precedentes do STF e do STJ para demonstrar que benefícios personalíssimos sem finalidade pública clara violam o princípio republicano. O magistrado também explicou que não se trata de “cancelamento” do direito previsto em lei, mas de delimitação de sua incidência diante da incompatibilidade fática causada pelo cumprimento da pena em regime fechado.

Com isso, a Justiça reconhece que, enquanto Bolsonaro permanecer preso, não há justificativa legal nem administrativa para que continue recebendo as mordomias pagas pela União – um gasto que, segundo a ação, já ultrapassa milhões desde 2023.

Fonte: Brasil 247

Entenda o PL da Dosimetria, aprovado pela Câmara e que reduz penas dos golpistas


Paulinho da Força (Solidariedade-SP), relator do PL da Dosimetria. Foto: Billy Boss/Câmara dos Deputados

A Câmara aprovou nesta quarta-feira (10) o Projeto de Lei da Dosimetria, proposta apresentada pelo deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP) que altera regras do Código Penal e da Lei de Execução Penal e pode reduzir as penas dos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro. A votação foi pautada pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos), e ultrapassou as 3h da manhã.

O texto determina que, quando os crimes de tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito ocorrerem no mesmo contexto, as penas não poderão ser somadas — mesmo nos casos de “desígnio autônomo”, quando haveria intenção distinta para cada delito.

Outro dispositivo trata dos crimes cometidos em contexto de multidão. Pela proposta, réus que não tenham financiado os atos nem exercido funções de liderança terão direito à redução da pena entre um terço e dois terços, o que pode alcançar parte dos condenados pelos ataques de 8 de janeiro.
Bolsonaristas nos atos golpistas do 8/1. Foto: reprodução
O projeto também modifica as regras de progressão de regime, restabelecendo o percentual geral de um sexto da pena para que o condenado possa solicitar a mudança de regime. Hoje, para crimes cometidos com violência ou grave ameaça — como os ligados à trama golpista — o percentual é de 25%. Com a nova regra, condenados primários teriam a exigência reduzida para cerca de 16% da pena total.

Além disso, o texto permite remição de pena para pessoas em prisão domiciliar, desde que comprovem trabalho ou estudo. A aplicação das novas regras aos casos já julgados dependerá de interpretação do STF, responsável pelos processos relativos aos atos antidemocráticos.

Fonte: DCM