quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

ÁUDIO mostra discussão entre Leila e conselheiro do Palmeiras: “Você é um covarde”


     A presidente do Palmeiras Leila Pereira. Foto: Divulgação

A reunião do Conselho Deliberativo do Palmeiras, realizada na terça-feira (17), foi palco de um confronto entre a presidente Leila Pereira e o conselheiro José Corona Netto, que criticou abertamente a gestão da presidente. Ele acusou a presidente de incompetência, alegando que o clube gastou R$ 700 milhões em “jogadores medíocres” e comparou o investimento do Palmeiras com o do Flamengo.

Em sua fala, ele citou nomes como Giay, Micael, Emi Martínez, Aníbal, e outros jogadores contratados sob a gestão de Leila, e lamentou a falta de títulos em 2025. Ela não demorou a responder às acusações, chamando o conselheiro de “covarde” e “desequilibrado”.

A presidente defendeu sua gestão como a mais vitoriosa da história do clube, afirmando que sua administração levou o Palmeiras a alcançar recordes de receita e títulos, incluindo o tricampeonato brasileiro. “Eu sou muito mais homem do que muito homem”, afirmou Leila.

Fonte: DCM

Dino manda CGU auditar emendas no Dnocs

Auditoria vai apurar uso de emendas desde 2021 após indícios de irregularidades em obras financiadas pelas emendas parlamentares

    Ministro Flávio Dino (Foto: Gustavo Moreno/STF)

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Controladoria-Geral da União (CGU) realize uma auditoria sobre a execução de emendas parlamentares no Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs). A decisão foi tomada nesta quarta-feira (17) e abrange a aplicação de recursos federais a partir de 2021, no contexto de ações que discutem a transparência e a rastreabilidade do uso de verbas públicas destinadas pelo Congresso Nacional.

Segundo o Metrópoles, a decisão está relacionada a uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) relatada por Dino. O processo trata dos mecanismos de controle das emendas parlamentares e teve novos desdobramentos após a apresentação de relatórios técnicos que apontaram indícios de irregularidades em contratos de pavimentação financiados com esses recursos.

● Auditoria determinada no âmbito de ação do STF

Na decisão, o ministro ordenou que a CGU inclua, no Plano Anual de Auditorias de 2026, uma fiscalização específica sobre o Dnocs. O foco será a execução de emendas vinculadas à ação orçamentária “00SX – Apoio a Projetos de Desenvolvimento Sustentável Local Integrado”, considerada excessivamente genérica pelos órgãos de controle, o que dificulta o acompanhamento preciso da destinação dos recursos públicos.

● Emendas sob suspeita desde 2021

Flávio Dino é relator de processos no STF que analisam a transparência e a legalidade das emendas parlamentares. No fim de novembro, ele já havia autorizado uma operação conjunta da Polícia Federal e da CGU para apurar suspeitas de fraudes em contratos de pavimentação ligados ao Dnocs. As investigações apontaram um cenário marcado por superfaturamento, serviços não executados, uso de documentos falsos e falhas graves de fiscalização dentro da autarquia.

● Operação expôs falhas e indícios de fraude

De acordo com as investigações, um grupo que foi alvo de buscas e apreensões atuava de forma coordenada. Servidores do Dnocs teriam permitido que empresas contratadas apresentassem medições irreais, certificando obras inexistentes ou muito aquém do estágio informado. Em troca, segundo a Polícia Federal, haveria pagamento de vantagens financeiras indevidas.

Fonte: Brasil 247 com informações do Metrópoles

Gleisi afirma que governo rejeita redução de penas: "não há nenhuma negociação"

Ministra diz que proposta favorece crimes além dos atos golpistas e fere a defesa da democracia

     Gleisi Hoffmann (Foto: Brito Junior/SRI-PR)

A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que o governo federal se posiciona contra o projeto de lei que prevê a redução de penas para condenados pelos atos golpistas julgados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ela, não existe qualquer negociação ou acordo em curso no Senado sobre o tema.

Em publicação nas redes sociais, a presidente nacional do PT esclareceu que a iniciativa legislativa enfrenta resistência do Executivo por motivos já expostos publicamente. A informação foi divulgada pela própria Gleisi Hoffmann em seu perfil oficial na plataforma X (antigo Twitter).

“Não há nenhuma negociação ou acordo no Senado envolvendo o projeto de lei da redução de penas para os golpistas condenados pelo STF. O governo é contra essa proposta por razões já conhecidas: quem atentou contra a democracia tem de pagar por seus crimes e, além disso, o projeto aprovado na Câmara beneficia condenados por vários outros crimes.”

Fonte: Brasil 247

Lula anuncia demissão de ministro do Turismo após expulsão do União Brasil


       O deputado Celso Sabino. Foto: Divulgação

O presidente Lula anunciou nesta quarta-feira (17) a demissão de Celso Sabino do Ministério do Turismo, após a expulsão do ministro do União Brasil. Ele, que foi indicado pelo partido para o cargo, desobedeceu à ordem da sigla de deixar o governo petista após a legenda decidir romper com a gestão.

A decisão foi tomada pela cúpula do União Brasil no início de dezembro, após ele insistir em permanecer no cargo contra a vontade da legenda.

A saída foi oficializada após uma reunião ministerial na Granja do Torto, e o União Brasil imediatamente reivindicou o cargo, indicando Gustavo Damião, filho do deputado federal Damião Feliciano (União-PB), como seu substituto.

Sabino, que já havia considerado a possibilidade de sair do governo antes, destacou em sua despedida: “Saio com o sentimento de que fui injustiçado, mas saio com a cabeça erguida. Sigo ao lado do melhor presidente que o Brasil já teve, que é o presidente Lula.”

O presidente Lula ao lado Celso Sabino. Foto: Divulgação
O embate entre Sabino e o União Brasil começou quando ele desconsiderou a ordem de rompimento com o governo petista e permaneceu no cargo, contrariando o partido. A expulsão aconteceu em meio à tensão política interna, especialmente após o escândalo envolvendo o presidente da legenda, Antonio Rueda, e as acusações sobre sua relação com o tráfico de drogas.

Em sua saída, Sabino agradeceu à sigla e reafirmou sua pré-candidatura ao Senado em 2026. Após a demissão, a vaga no Ministério do Turismo deve ser ocupada por Gustavo Damião, que foi escolhido por um grupo mais governista dentro da bancada do União Brasil.

A troca foi vista também como uma estratégia para fortalecer os laços entre o governo e a sigla, além de representar uma tentativa de recomposição com figuras como o presidente da Câmara, Hugo Motta, que poderia se beneficiar com a aproximação.

O processo de substituição do ministro também está relacionado à tentativa do União Brasil de ajustar sua postura política frente ao governo de Lula, principalmente após a decisão de apoiar a candidatura presidencial de Tarcísio.

Sabino, por sua vez, seguirá sua carreira política e deve retomar o mandato na Câmara dos Deputados após deixar o governo.

Fonte: DCM

PF faz perícia médica em Bolsonaro para decidir sobre cirurgia


     Bolsonaro internado. Foto: Divulgação

Na quarta-feira (17), a Polícia Federal conduziu uma perícia médica no ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atendendo a uma solicitação do Supremo Tribunal Federal (STF). A perícia foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes para avaliar a condição de saúde de Bolsonaro, que pede autorização para uma cirurgia de correção de hérnias inguinais.

A defesa do ex-presidente apresentou um pedido urgente ao STF no dia 9 de dezembro, alegando que a condição de saúde de Bolsonaro se agravou, com a piora do diagnóstico de hérnia inguinal e a persistência de um quadro de soluços.

O ministro Moraes, no entanto, inicialmente negou a solicitação, alegando que os exames apresentados não eram recentes. Ele então determinou que a perícia médica fosse realizada pela PF dentro de 15 dias, o que foi cumprido na data de ontem.

Após a recusa, os advogados de Bolsonaro solicitaram que um médico da equipe de defesa fosse autorizado a realizar um exame de ultrassom. O ministro Moraes autorizou o procedimento no sábado (13), e, no domingo (14), a ultrassonografia confirmou a presença de hérnias inguinais bilaterais em Bolsonaro.

Bolsonaro preso na Superintendência da PF. Foto: Divulgação
A defesa, com base nos novos exames, destacou a gravidade e o agravamento do quadro de saúde do ex-presidente. O relatório médico enviado ao STF ressaltou que a condição de saúde de Bolsonaro é “grave, complexa e progressivamente debilitada”.

Segundo os advogados, as crises de soluço, que aumentam a pressão abdominal, têm intensificado a dor e o desconforto na região inguinal, tornando o tratamento cirúrgico uma medida urgente. A defesa ainda pede que o Supremo analise a possibilidade de prisão domiciliar humanitária, considerando o estado de saúde de Bolsonaro.

O resultado da perícia realizada pela PF será divulgado na próxima sexta-feira (19), e, com base na avaliação médica, o ministro Moraes poderá decidir se autoriza a realização da cirurgia e se há necessidade de medidas adicionais, como a prisão domiciliar.

Fonte: DCM

“Crime continuado”: PF acredita que Moro omitiu grampos ilegais por 20 anos


          Sergio Moro (União-PR), ex-juiz e senador. Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

As investigações da Polícia Federal sobre grampos ilegais na operação Lava Jato apontam para a hipótese de crime continuado de Sergio Moro (União-PR), ex-juiz e senador, segundo a jornalista Daniela Lima. Documentos revelados pela corporação indicam que informações sigilosas sobre autoridades com foro privilegiado foram omitidas por cerca de 20 anos.

Esses documentos, que comprovam interceptações feitas durante o período em que Sergio Moro atuava como juiz, foram encontrados recentemente na 13ª Vara Federal de Curitiba. A PF agora investiga se o caso envolve crime continuado, pois essas interceptações ocorreram em uma época em que não houve ação judicial sobre as denúncias.

“Houve lá atrás a violação legal da atribuição de investigar desembargadores, presidentes de tribunal de contas, conselheiros de tribunal de contas, mas esses documentos foram omitidos da Justiça durante os 20 anos. Há inclusive decisão recente do atual juízo se recusando a enviar esses dados ou documentos relacionados a ele, a esses dados para o Supremo Tribunal Federal”, disse a jornalista no UOL News.

“Essas queixas foram feitas aos juízes que sucederam o Moro e nada foi feito por eles. Até que o polêmico Eduardo Appio, ele também hoje juiz federal, e está afastado, foi quem recebeu o pedido e falou, ‘Opa, isso aqui é grave’ e mandou para o Supremo Tribunal Federal. Esse caso está nas mãos do Dias Toffoli tem dois anos”, prosseguiu.

Ela aponta que o magistrado vem dando andamento ao caso há dois anos. “Pela primeira vez na história, a Polícia Federal ter de fazer uma batida numa vara federal para poder entender qual era o tamanho do buraco. E o buraco é fundo”, completou.
Prédio onde fica a 13ª Vara Federal de Curitiba (PR). Foto: Reprodução
Moro alegou que a investigação contra ele é um “factoide” e uma tentativa de desviar a atenção de apuração envolvendo Lulinha, o filho do presidente Lula. Em post nas redes, ele atacou a jornalista, afirmou que ela é a “favorita do PT”, sugeriu a prescrição do caso e disse que Daniela Lima republicou uma matéria de 2023.

O senador também disse que as acusações contra ele são baseadas em relatos de delatores condenados, como Tony Garcia, ex-deputado estadual que fez acordo de delação premiada com ele 21 anos atrás. O ex-juiz negou que tenha agido de forma ilegal ao utilizar os delatores para monitorar autoridades fora de seu alcance legal e argumentou que todas as gravações realizadas estavam devidamente registradas nos autos.

Fonte: DCM com informações do UOL News

Eduardo diz que nunca ameaçou ministros do STF e é desmentido por ele mesmo; veja VÍDEOS


     Eduardo Bolsonaro. Foto: Saul Loeb/AFP

Em um recurso apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF), Eduardo Bolsonaro (PL-RJ) negou ter feito ameaças aos ministros da Corte, como alegado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que o denunciou por coação no curso do processo. O deputado argumentou que suas declarações consistiram em “críticas” e não em tentativas de intimidar ou interferir nas investigações.

A Defensoria Pública da União (DPU), que defende Eduardo Bolsonaro, afirmou que o deputado se manifestou de maneira pública e, por isso, as falas não configuram uma “grave ameaça”. O órgão ainda alegou que “críticas a decisões judiciais e a autoridades públicas integram o debate democrático”.

“A Constituição não exclui o Poder Judiciário do debate público. Magistrados, como todas as autoridades públicas, estão sujeitos a críticas no debate democrático”, prosseguiu a DPU no recurso.

Eduardo impetrou embargos de declaração, alegando que a decisão do STF, que acolheu a denúncia da PGR, teve omissões. Ele foi acusado de articular sanções contra ministros, políticos e agentes federais envolvidos em ações contra seu pai.

A articulação golpista liderada por Eduardo e Paulo Figueiredo nos EUA resultou em sanções contra 18 autoridades brasileiras. Entre os afetados estavam o ministro do STF Alexandre de Moraes, que teve sua inclusão na Lei Magnitsky revertida em dezembro, e outros membros da Corte, como Luís Roberto Barroso, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Edson Fachin. A sanção também atingiu o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

A Lei Magnitsky, que visa punir violações de direitos humanos, foi usada para aplicar restrições de vistos de entrada nos EUA a esses ministros e autoridades.

A medida, liderada por Eduardo, foi vista como uma forma de retaliar decisões do STF que afetavam seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e sua defesa no contexto da tentativa de golpe de Estado.

Veja algumas ameaças de Eduardo a Moraes e outras autoridades:

Fonte: DCM

Projeto da dosimetria passa na CCJ e vai ao plenário do Senado

Texto aprovado na CCJ beneficia os condenados pelos atos golpistas do 8/1

Projeto foi aprovado na CCJ, com relatoria do senador Vanderlan Cardoso. Anulação de parte da regulamentação do Estatuto do Desarmamento vai a Plenário (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou nesta quarta-feira (17) o projeto de lei conhecido como PL da Dosimetria, que promove alterações nas regras de cálculo e execução das penas no país. A proposta foi aprovada por 17 votos a 7 e já está prevista para análise no plenário da Casa ainda hoje, após uma sessão marcada por debates intensos e divergências políticas. As informações são da CNN Brasil.

◉ Aprovação na CCJ

O texto aprovado corresponde ao parecer do relator, senador Esperidião Amin (PP-SC), que incorporou uma emenda apresentada pelo ex-juiz suspeito e senador Sergio Moro (União Brasil-PR). A alteração buscou restringir a redução de penas em regime fechado nos casos de crimes contra o Estado Democrático de Direito. Ainda assim, o projeto pode beneficiar não apenas os condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro, mas também outros réus condenados por crimes contra a democracia, incluindo os julgados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Ao defender o parecer, Esperidião Amin afirmou que “o projeto embora não configure a desejada anistia, busca corrigir distorções, como foi salientado aqui, a mão pesada. Se foi culpa da lei ou se foi culpa do juiz, eu não sei, mas há um consenso de que a mão foi pesada, muito pesada”.

◉ Emenda e divergência sobre mérito do texto

Apesar da mudança promovida pela emenda, o relator classificou a alteração como de redação, e não de mérito. Esse entendimento permite que o projeto não retorne à Câmara dos Deputados caso seja aprovado pelo plenário do Senado. A avaliação, no entanto, foi questionada por integrantes da comissão.

O presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), considerou que a emenda alterava o mérito da proposta. A pedido do líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), a comissão decidiu submeter a interpretação à votação. Em decisão simbólica, a maioria dos senadores considerou a mudança como redacional.

◉ Mudanças no cálculo e na progressão das penas

O PL da Dosimetria altera dispositivos da Lei de Execução Penal, estabelecendo novos percentuais mínimos para a progressão de regime e para o cumprimento das penas. Pela regra atual, a progressão pode ocorrer após o cumprimento de 16% da pena, desde que o crime não envolva violência ou grave ameaça.

A proposta prevê a possibilidade de progressão após o cumprimento de um sexto da pena, com percentuais mais elevados para crimes hediondos, feminicídio, constituição de milícia e reincidência. O texto também autoriza que a remição da pena seja compatível com a prisão domiciliar.

Nos casos de condenação por liderança de organização criminosa voltada à prática de crime hediondo, o projeto estabelece o cumprimento mínimo de 50% da pena. Esse dispositivo pode atingir o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelo STF a 27 anos e 3 meses de prisão, com agravante de liderança de organização criminosa considerada na dosimetria.

◉ Debate político e reação do governo

Antes da votação, senadores do PT apresentaram requerimentos para tentar impedir a análise do texto, mas os pedidos foram rejeitados. Parlamentares como Alessandro Vieira (MDB-SE), Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso, e Rogério Carvalho (PT-SE), líder do PT no Senado, chegaram a apresentar votos em separado pela rejeição integral da proposta.

Durante a discussão, surgiram especulações sobre um possível acordo envolvendo o governo para não barrar o avanço do projeto em troca de apoio a medidas da agenda econômica. O líder do governo, Randolfe Rodrigues, negou a existência de negociação, assim como a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.

Alessandro Vieira declarou que o projeto “é uma legislação que vai beneficiar todos indistintamente. Esse benefício vai criar um grande desequilíbrio? Não, não vai, porque se retirou o risco de atender a outros crimes além dos que estão verbalizados. Mas, de fato, o governo depois vai ter que explicar que preço foi pago para fazer esse acordo”.

◉ Defesa do projeto

Apesar das críticas, o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ex-presidente do Senado, saiu em defesa do projeto e rejeitou a ideia de que a proposta represente uma anistia. “Nós precisamos enfrentar, fazer o que precisa ser feito e eu considero que o que está neste projeto dá um tamanho seguro ao que recomenda este caso concreto, ao que recomenda essa adequação legislativa. Repetindo, em alto e bom som: não se trata de uma anistia, pois, se se tratasse de uma anistia, teria a minha posição absolutamente contrária”, afirmou.

Fonte: Brasil 247 com informações da CNN Brasil

Randolfe descarta acordo e pede rejeição do PL da dosimetria

Líder do governo no Congresso afirma que não há espaço para anistia e promete reação na CCJ para barrar o projeto

        Brasília (DF) - 02/09/2024 - Randolfe Rodrigues (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou na quarta-feira (17) que não existe qualquer possibilidade de acordo para a aprovação do projeto de lei da dosimetria, em análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Segundo ele, a orientação da base governista é atuar pela rejeição integral da proposta.

As declarações foram divulgadas pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado, após a circulação de informações de que o texto faria parte de um entendimento entre governo e oposição. Randolfe negou essa versão e sustentou que não há tolerância para iniciativas que possam beneficiar condenados por crimes contra a democracia brasileira.

De acordo com o senador, a proposta não representa uma solução aceitável, independentemente da forma como venha a ser apresentada. Ele afirmou que o debate na CCJ será conduzido com o objetivo de barrar o projeto e impedir qualquer tipo de anistia, direta ou indireta, relacionada aos ataques às instituições democráticas.

Mais cedo, senadores haviam relatado que o projeto da dosimetria estaria vinculado a um acordo político envolvendo a tramitação de outra proposta sobre benefícios tributários. Randolfe, porém, reiterou que parlamentares governistas recorrerão a instrumentos regimentais para assegurar que o texto volte à Câmara dos Deputados caso o Senado promova mudanças que alterem o mérito da matéria.

O líder do governo no Congresso também avaliou que, se aprovado, o projeto deverá ser vetado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na avaliação de Randolfe, não há espaço para conciliação com agentes que tentaram atentar contra a ordem democrática ou promover um golpe de Estado no país.

Ele acrescentou que, mesmo que eventuais alterações sejam classificadas formalmente como ajustes de redação, a base governista reagirá caso essas mudanças tenham impacto substantivo no conteúdo do projeto, defendendo o retorno da proposta à Câmara para nova análise.

Segundo a reportagem, governistas reforçaram o discurso contrário ao texto. O material também lembra que, ao longo do ano, alguns senadores — entre eles o próprio Randolfe e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA) — chegaram a admitir a possibilidade de discutir mecanismos para redução de penas, mas, neste momento, a posição declarada é de rejeição do projeto da dosimetria.

Fonte: Brasil 247

STF forma maioria e derruba marco temporal de terras indígenas

Corte entende que lei de 2023 viola a Constituição e gera insegurança jurídica

STF e um protesto indígena em Brasília contra o marco temporal (Foto: ABr | Gabriel Paiva/Fotos Publicas)

O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria nesta quarta-feira (17) para declarar inconstitucional o marco temporal aplicado à demarcação de terras indígenas. O entendimento consolida a posição da Corte de que os direitos territoriais dos povos indígenas não podem ser limitados à comprovação de ocupação em 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição. As informações são da CNN Brasil.

O julgamento ocorre no plenário virtual do STF e analisa quatro ações que questionam a Lei do Marco Temporal, aprovada pelo Congresso Nacional em 2023. Os ministros que ainda não registraram seus votos têm prazo até as 23h59 de quinta-feira (18) para se manifestar.

● Julgamento no Supremo e formação de maioria

Antes mesmo da aprovação da lei pelo Congresso, o STF já havia decidido, em 2023, que o direito dos povos indígenas à terra independe da existência de um marco temporal. Com base nesse entendimento, a maioria dos ministros considera que a legislação aprovada pela Câmara e pelo Senado afronta a Constituição.

O relator das ações, ministro Gilmar Mendes, foi o primeiro a votar. Ele afirmou que o dispositivo da lei que define terras tradicionalmente indígenas como aquelas ocupadas “na data da promulgação da Constituição” contraria tanto a tese firmada pelo próprio Supremo quanto a jurisprudência da Corte Interamericana de Direitos Humanos. O voto do decano da Corte já havia sido acompanhado pelos ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin, Luiz Fux e Dias Toffoli.

● Voto de Gilmar Mendes e fundamentos jurídicos

Em seu voto, Gilmar Mendes classificou a Lei do Marco Temporal como desproporcional e geradora de insegurança jurídica. Segundo o ministro, a norma impõe de forma retroativa um critério que exige das comunidades indígenas provas praticamente impossíveis de ocupação tradicional.

Para o relator, essa exigência atinge de maneira mais severa povos que não dispõem de documentação formal, o que acaba restringindo direitos constitucionalmente assegurados.

● Demarcações e omissão do Estado

Gilmar Mendes também apontou uma omissão inconstitucional do Estado brasileiro em relação à demarcação de terras indígenas. Ele defendeu que a União conclua, em até dez anos, os processos de demarcação ainda em andamento.

O ministro lembrou que a Constituição previa um prazo de cinco anos, a partir de sua promulgação, para a conclusão dessas demarcações, determinação que, segundo ele, permanece descumprida até hoje.

Outro ponto considerado inconstitucional foi a proibição de ampliação de terras indígenas já demarcadas. Para o relator, a Constituição assegura a possibilidade de revisão de atos administrativos, entendimento que também foi acompanhado pela maioria dos ministros.

Congresso reage com proposta de emenda constitucional

Paralelamente ao julgamento no STF, o Senado aprovou, na última semana, uma proposta de emenda à Constituição que fixa o marco temporal na data da promulgação da Constituição, em 5 de outubro de 1988. O texto ainda será analisado pela Câmara dos Deputados e, se aprovado, poderá ser promulgado sem a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A estratégia do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, busca dificultar uma eventual derrubada da medida pelo Supremo. Diferentemente de uma lei ordinária, uma emenda constitucional só pode ser invalidada caso viole cláusulas pétreas, que protegem direitos e garantias fundamentais. Se a PEC for promulgada, o STF deverá ser novamente provocado a analisar a constitucionalidade do texto, podendo decidir de forma distinta do julgamento em curso.

Fonte: Brasil 247 com informações da CNN Brasil

Lula acena aos evangélicos e diz que vai transformar música gospel em patrimônio brasileiro

Pesquisa Quaest revelou que segmento evangélico ainda é aquele em que o presidente apresenta maior dificuldade eleitoral

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a 13ª Conferência Nacional dos Direitos Humanos. Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB) – Brasília (DF) (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Em reunião ministerial realizada nesta quarta-feira (17), a última de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sinalizou uma aproximação com o segmento evangélico ao anunciar a intenção do governo de transformar a música gospel em patrimônio cultural brasileiro. A declaração foi feita no contexto de um balanço político e econômico do ano, em meio à preparação do governo para o cenário eleitoral de 2026.

No discurso, Lula fez uma avaliação positiva do momento vivido pelo país, destacando avanços econômicos, institucionais e legislativos alcançados ao longo do ano.

Segundo o presidente, o governo conseguiu aprovar pautas consideradas estratégicas mesmo sem uma base parlamentar ampla. “Tudo aquilo que os analistas políticos achavam impossível acontecer num governo que tinha menos de 120 deputados numa Câmara de 513 e 14 ou 15 senadores num Senado de 81, aconteceu”, afirmou. Para Lula, os resultados foram fruto da articulação política e do diálogo constante com o Congresso Nacional.

O presidente também ressaltou a aprovação de medidas que classificou como sagradas”, entre elas a política tributária e mudanças no Imposto de Renda. “Aconteceu pela persistência de cada um de vocês, pela capacidade de conversa, de argumentação”, disse aos ministros, ao enfatizar a importância do diálogo como método de governo.

Ao mencionar conversas com líderes internacionais, Lula citou um diálogo com Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, para reforçar a defesa da diplomacia. “Eu falei para o Trump: fica mais barato conversar e menos sofrido do que guerra. Se a gente acreditar no poder do argumento, no poder da palavra, a gente evita muita confusão na vida dos países”, declarou.

Apesar do cenário que classificou como amplamente favorável, Lula reconheceu dificuldades na percepção pública dos avanços do governo. Segundo ele, a polarização política tem impacto direto nas pesquisas de opinião. “Existe uma polarização no país. É como se fosse Corinthians e Palmeiras, Ceará e Fortaleza, Grêmio e Internacional, Atlético Mineiro e Cruzeiro, Flamengo e Vasco”, comparou, ao afirmar que mudanças de posição tendem a ocorrer apenas em momentos decisivos, como as eleições.

O presidente afirmou que 2026 será decisivo para o debate político nacional. “O ano eleitoral vai ser o ano da verdade. Nós temos que criar a ideia da ‘hora da verdade’, para mostrar quem é quem nesse país”, disse, defendendo que o governo precisa comunicar melhor as transformações ocorridas em áreas como economia, educação, saúde e políticas de inclusão social.

Lula também reforçou o papel dos ministros e dos partidos aliados no processo eleitoral. “Cada ministro e cada partido vai ter que estar no processo eleitoral e vai ter que definir de que lado está. Será inexorável as pessoas definirem o discurso que vão fazer”, afirmou.

Ao final do discurso, o presidente destacou o que chamou de superação da invisibilidade social no país. “Nós acabamos com a invisibilidade do povo pobre desse país”, declarou. Em seguida, anunciou a iniciativa voltada ao segmento evangélico: “A última novidade, na semana que vem, é que nós vamos transformar a música gospel em patrimônio brasileiro. Vamos fazer um reconhecimento”.

Em tom descontraído, Lula ainda se dirigiu ao advogado-geral da União, Jorge Messias, ao comentar a futura medida. “Você pode estar preparado porque além de ser ministro da Suprema Corte, você vai poder cantar música gospel dentro do Palácio do Planalto”, disse, encerrando a fala com referência direta ao anúncio que dialoga com um dos grupos sociais apontados por pesquisas como o de maior resistência eleitoral ao presidente.

Fonte: Brasil 247

A manipulação da Quaest para garantir liderança de Flávio Bolsonaro contra Lula


      Flávio Bolsonaro

Ao longo de todo o dia de ontem, a mídia reproduziu com entusiasmo a manchete conveniente. Flávio Bolsonaro apareceria como o segundo colocado, atrás apenas de Lula, em todos os seis cenários testados na Quaest. A afirmação, repetida como dado objetivo, não resiste a uma leitura minimamente atenta da própria pesquisa.

Não é possível estabelecer quem ocupa a segunda posição real sem comparar desempenhos equivalentes. Isso pressupõe cenários em que cada nome da extrema-direita dispute isoladamente contra Lula, sem a presença constante de um concorrente favorecido. A Quaest escolhe não fazê-lo.

Na lâmina 64, o procedimento fica exposto. Flávio permanece fixo em todos os cenários, enquanto os demais candidatos da extrema-direita, Tarcísio, Zema, Ratinho, Caiado, Ciro e Aldo, são alternados como presenças episódicas. O resultado não mede força eleitoral. Preserva uma hierarquia previamente definida. A narrativa do “segundo colocado” se desfaz, substituída por algo mais funcional e menos rigoroso. Uma distorção deliberada, de aparência técnica e conteúdo ralo.

Há ainda um elemento central na pesquisa, a cuidadosa construção narrativa do suposto segundo lugar de Flávio. Antes de apresentar sua súbita e quase milagrosa consolidação nessa posição, a Quaest dedica as lâminas 48 a 59, doze páginas inteiras, ao campo da extrema-direita, numa espécie de aquecimento para o desfecho anunciado. Poderia ser uma análise densa, atravessada por tensões reais, divergências programáticas e disputas de base. Não é.

O recorte é estreito e reiterativo. Avalia-se se Bolsonaro acertou ao lançar Flávio e como os entrevistados percebem os demais postulantes, sempre enquadrados como alternativas menores, quase acessórios de um projeto já escolhido. Não há exame consistente de programas, alianças, limites políticos ou conflitos internos. Tudo converge para uma pergunta que já contém a resposta.

O mesmo cuidado narrativo reaparece nas lâminas 61 e 62. Ali, a pesquisa reúne um contingente desmedido de indecisos, atribuindo ao Brasil atual a existência improvável de 65% de eleitores sem qualquer inclinação definida. Isso não corresponde a um detalhe técnico inocente, mas à criação de um estoque estratégico. Indecisos em excesso oferecem margem ampla para leituras posteriores, ajustes de discurso e rearranjos oportunos. Em um país politicamente tensionado há quase uma década, esse número não se sustenta. Não é falha estatística. É construção consciente.

Resta, então, a pergunta que a própria pesquisa evita formular, mas que se impõe ao leitor atento com absoluta naturalidade. Por que a Faria Lima está tão empenhada em emplacar a candidatura de Flávio Bolsonaro? A resposta não se encontra nas lâminas, nem nos percentuais, nem nos gráficos de barras cuidadosamente alinhados. Ela habita o silêncio organizado da pesquisa, aquilo que se opta por não testar, não comparar, não expor. Em política, como em estatística, as ausências também dizem muito. E, neste caso, dizem o suficiente para dispensar legenda.

Fonte: DCM