sexta-feira, 27 de março de 2026

Vorcaro comprou três jatos à vista por R$ 260 milhões, prática incomum no mercado

Aquisições incomuns de aeronaves de alto valor chamam atenção de especialistas e ocorrem em meio a investigações e bloqueios judiciais

Vorcaro comprou três jatos à vista por R$ 260 milhões, prática incomum no mercado (Foto: Reprodução)

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro adquiriu três jatos executivos à vista entre 2022 e 2024, somando quase R$ 260 milhões, em uma prática considerada incomum no setor de aviação privada. As informações foram publicadas pela Folha de S.Paulo.

De acordo com dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), não há registros de financiamento nas três operações, o que foge ao padrão do mercado para aeronaves desse porte, geralmente adquiridas por meio de leasing ou crédito estruturado.

O avião mais caro da frota é um Gulfstream GV-SP, fabricado em 2010, comprado em junho de 2023 por cerca de R$ 120 milhões. Na sequência, Vorcaro adquiriu um Dassault Falcon 7X, também de 2010, por aproximadamente R$ 117 milhões, em agosto de 2024. Este último ficou conhecido após ser apreendido pela Polícia Federal em novembro de 2025, quando o empresário foi preso ao tentar embarcar para o Oriente Médio.

O terceiro jato é um Falcon 2000, fabricado em 2000, adquirido em fevereiro de 2022 por pouco mais de R$ 21 milhões. As três aeronaves foram incorporadas à frota da empresa Viking, da qual Vorcaro é sócio.

Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que o pagamento integral à vista para aeronaves desse valor é raro. O professor da Universidade de São Paulo, Carlos Portugal Gouvêa, explica que as condições de financiamento para esse tipo de ativo costumam ser vantajosas. "Os juros para aeronaves são muito favoráveis, historicamente no patamar de 6% a 8% ao ano no mercado internacional. As taxas são baixas porque as próprias aeronaves são dadas em garantia e são seguradas. Então é um bem de fácil recuperação", afirma.

Segundo ele, a compra à vista pode indicar motivações atípicas. "É muito incomum que aeronaves particulares sejam adquiridas à vista, sem qualquer financiamento. Pode ser um indício de que a aquisição tenha uma motivação não usual, como a blindagem patrimonial", diz.O advogado Angelo Paschoini, especialista no setor, reforça que o padrão do mercado é o uso de leasing, sobretudo em aeronaves de alto valor. "Pagar à vista é exceção. Geralmente se usa um leasing, especialmente nos casos de aeronaves mais caras, acima de R$ 20 milhões. Essas nunca são pagas à vista. Não faz sentido", afirma.

Apesar disso, ele pondera que compras à vista podem ocorrer em casos de aeronaves menores e mais baratas, o que não se aplica aos modelos adquiridos por Vorcaro.As aquisições ocorreram antes da crise envolvendo o banco Master, ligado ao empresário. Dois meses antes de sua prisão e da liquidação da instituição, Vorcaro vendeu 55% da empresa Viking a um fundo de investimentos. Mesmo após seu afastamento, os três jatos foram alvo de bloqueio judicial no contexto das investigações.

Procurada, a assessoria de Vorcaro não explicou a opção pelas compras à vista. Empresas envolvidas nas transações também evitaram comentar, com exceção da Timbro Trading, que afirmou que a operação seguiu o modelo de importação por encomenda, no qual o pagamento à trading é feito à vista antes de eventual estruturação de financiamento ao comprador final.

O caso segue sob análise das autoridades e amplia o escrutínio sobre as movimentações financeiras do ex-banqueiro, especialmente em um momento em que seus ativos e operações são alvo de investigações.

Fonte: Brasil 247 com informações publicadas pela Folha de S. Paulo

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