quarta-feira, 25 de março de 2026

"Quem se diz valente não aguenta cumprir regra", critica Lindbergh após filhos de Bolsonaro reclamarem de prisão domiciliar

Deputado petista rebateu críticas de Flávio e Carlos Bolsonaro à decisão de Moraes e lembrou que ex-presidente arrancou tornozeleira eletrônica. Vídeo


             Lindbergh Farias (Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados)

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) foi à ofensiva nesta quarta-feira (25) contra as manifestações públicas dos filhos de Jair Bolsonaro (PL) em torno da prisão domiciliar concedida ao ex-presidente pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Em postagem na rede social X, o parlamentar petista não poupou críticas e lembrou o histórico de descumprimento de regras pelo ex-mandatário. "Quem se diz valente, mas não aguenta cumprir regra, não sustenta discurso", escreveu.

Conforme publicado pelo próprio Lindbergh Farias em seu perfil no X, o deputado também evocou o episódio em que Bolsonaro arrancou a tornozeleira eletrônica — instrumento de monitoramento ao qual já esteve submetido anteriormente. "Agora vejo a família de Jair Bolsonaro reclamando de prisão domiciliar, sendo que ele já descumpriu regra antes. Ele ARRANCOU a tornozeleira eletrônica", afirmou o parlamentar, em referência direta às queixas públicas dos filhos do ex-presidente.

Lindbergh foi além e traçou um paralelo com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que cumpriu pena de prisão entre 2018 e 2019. "Eu vi o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficar 580 dias preso e não abrir mão da própria dignidade", declarou. O deputado ainda fez uma previsão sobre o comportamento de Bolsonaro diante das novas restrições: "Eu conheço bem o modus operandi deles: vão descumprir de novo. Podem anotar o que eu tô dizendo… Bolsonaro pode acabar voltando pra Papudinha".

☉ Filhos de Bolsonaro criticam a decisão

Os filhos do ex-presidente não ficaram em silêncio. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência da República, classificou a decisão de Moraes como "exótica" em entrevista à CNN Brasil. "Essa domiciliar humanitária temporária, não consigo compreender coerência nisso. Sua vida estava em risco no batalhão, por mais que ele tenha um tratamento digno ali, como funciona? Ele volta para um local em que a saúde dele estava piorando? Eu não consegui compreender a lógica desse período de 90 dias", questionou o senador.

Já o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) optou por uma crítica mais ampla ao STF e ao que chamou de cerceamento progressivo das liberdades. "A liberdade sendo, dia após dia, cerceada. A censura avançando de forma silenciosa, porém implacável. A humilhação não apenas imposta, mas meticulosamente planejada e executada", escreveu em postagem no X. Carlos ainda afirmou que o pai é deliberadamente afastado do contato com a população. "Insistem em afastá-lo daquilo que mais ama: o contato direto com o povo, seu maior prazer e principal razão de existir", declarou.

☉ Violação de tornozeleira

Peritos do Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal concluíram, em 17 de dezembro, que há evidências de que Jair Bolsonaro tentou danificar o dispositivo de monitoramento eletrônico que usava durante o cumprimento de prisão domiciliar.

O ex-presidente havia sido detido em 22 de novembro depois de admitir ter utilizado um ferro de solda na tentativa de romper o equipamento. A análise técnica realizada pelos especialistas identificou marcas de violação na tornozeleira, com danos expressivos registrados na sua proteção plástica externa.

☉ A decisão de Moraes

A prisão domiciliar foi concedida a pedido da própria defesa de Bolsonaro e tem validade inicial de 90 dias, contados a partir da alta médica do ex-presidente. O objetivo é permitir que ele se recupere de uma broncopneumonia que o mantém hospitalizado desde 13 de março em uma unidade particular no Distrito Federal. Nesta terça-feira (24), Bolsonaro deixou a UTI, mas segue sob cuidados hospitalares.

A medida foi tomada um dia após o procurador-geral da República, Paulo Gonet, emitir parecer favorável à transferência. No documento, Gonet argumentou que o estado de saúde do ex-presidente exige atenção constante e que o ambiente familiar oferece condições mais adequadas para a recuperação do que o sistema prisional.

Ao deferir o pedido, Moraes estabeleceu que, ao fim do prazo de 90 dias, as condições serão reavaliadas, com possibilidade de realização de perícia médica. Jair Bolsonaro cumpre pena de 27 anos de prisão por liderar uma organização criminosa responsável pela tentativa de golpe de Estado no Brasil.

☉ Regras da prisão domiciliar

A decisão do ministro impõe uma série de restrições ao ex-presidente. O cumprimento da medida ocorrerá na residência de Bolsonaro, com monitoramento contínuo por tornozeleira eletrônica. As visitas dos filhos estão autorizadas às quartas-feiras e sábados — as mesmas condições vigentes quando ele estava recolhido na Papudinha, presídio do Distrito Federal.

Os advogados poderão visitá-lo diariamente, por até 30 minutos, mediante agendamento prévio. Profissionais de saúde já cadastrados pela defesa têm autorização para atendimentos a qualquer momento, sem necessidade de comunicação prévia.

Bolsonaro está proibido de utilizar celular, telefone ou qualquer outro canal de comunicação externa, direta ou indiretamente, incluindo redes sociais, gravação de vídeos e produção de áudios.

☉ Fiscalização e consequências do descumprimento

A vigilância das condições impostas ficará a cargo do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, que enviará relatórios mensais ao STF. A corporação também será responsável pelo monitoramento presencial da área externa da residência, pela vistoria dos veículos que saírem do endereço e pela garantia de que não haja acampamentos, manifestações ou aglomerações em um raio de um quilômetro ao redor da casa.

O descumprimento de qualquer uma das condições estabelecidas resultará no retorno imediato de Bolsonaro ao regime fechado ou ao hospital penitenciário — exatamente o cenário que Lindbergh Farias prevê como provável desfecho.


Fonte: Brasil 247

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