Troca na Fazenda ocorre em meio a desafios fiscais e cenário internacional instável
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou nesta quinta-feira (19), durante evento em São Paulo, que Dario Durigan será o substituto de Fernando Haddad no Ministério da Fazenda. O anúncio foi feito publicamente antes do discurso do presidente, quando ele chamou Durigan para se apresentar ao público.
Durante o evento, segundo o G1, Lula destacou o novo integrante da equipe econômica e antecipou a mudança no comando da pasta. “Queria cumprimentar o companheiro Dario Durigan. Dario levanta aí, levanta para as pessoas conhecerem o Dario. Será o substituto do Haddad no Ministério da Fazenda a partir do anúncio do Haddad. Olha bem para a cara dele, que é dele que vocês vão cobrar muitas coisas”, afirmou.
◎ Haddad faz balanço e agradece apoio político
Ainda no cargo, Fernando Haddad discursou em tom de despedida e destacou o apoio recebido ao longo da gestão. “Hoje, para mim é um dia especial, é um dia que eu estou deixando o Ministério da Fazenda. E hoje eu queria agradecer as pessoas que estão aqui e vou explicar o porquê. Ontem [quarta] eu tive a alegria de visitar Câmara e Senado para agradecer o empenho que foi feito pelo Congresso Nacional em aprovar as medidas econômicas necessárias para trazer o Brasil até aqui”, declarou.
O ministro também ressaltou a importância da articulação federativa para os resultados alcançados. “Mas eu faço questão de também cumprimentar os prefeitos do Brasil e de São Paulo, aos governadores do Brasil, porque sem o pacto federativo ter sido recuperado, nós teríamos chegado até aqui”, acrescentou.
◎ Quem é Dario Durigan
Formado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), Dario Durigan construiu carreira no setor público e privado. Atuou como consultor na Advocacia-Geral da União entre 2017 e 2019 e, posteriormente, foi diretor de Políticas Públicas do WhatsApp entre 2020 e 2023.
Durigan também integrou a equipe de Haddad na Prefeitura de São Paulo, entre 2015 e 2016. Com perfil discreto, é visto como um articulador com bom trânsito entre diferentes setores da economia.
◎ Desafios fiscais e econômicos no horizonte
À frente da Fazenda, Durigan terá de conduzir a política econômica em um período de forte pressão política, marcado pela campanha à reeleição de Lula. Entre os principais desafios está a regulamentação da reforma tributária, especialmente a definição do imposto seletivo, conhecido como “imposto do pecado”.
A proposta prevê taxação sobre produtos com impacto negativo, como bebidas alcoólicas e cigarros, o que pode gerar aumento de preços e intensificar o debate político.
O novo ministro também será responsável pela condução do orçamento até 2026, com a meta de alcançar superávit fiscal. Para este ano, o governo projeta resultado positivo de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a cerca de R$ 34,3 bilhões, dentro das regras do arcabouço fiscal.
Apesar disso, o modelo permite excluir determinadas despesas do cálculo oficial, o que pode resultar, na prática, em déficit estimado em R$ 23,3 bilhões. Ao mesmo tempo, o crescimento das despesas obrigatórias pressiona o espaço para investimentos.
No cenário internacional, a guerra no Oriente Médio também impõe desafios adicionais, com a alta do petróleo acima de US$ 100 por barril, ampliando os impactos sobre a economia global e brasileira.
Fonte: Brasil 247
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