sexta-feira, 27 de março de 2026

Haddad atribui a Campos Neto expansão do Banco Master e denuncia armação contra Lula

Ex-ministro afirma que irregularidades cresceram entre 2019 e 2024, diz que Galípolo conteve crise e critica PowerPoint que tentou envolver o presidente

        Fernando Haddad (Foto: Diogo Zacarias/MF)

O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou que a expansão do Banco Master — investigado por uma das maiores fraudes financeiras da história do país — ocorreu durante a gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central. Em entrevista ao programa Boa Noite 247, exibido na última terça-feira (24), Haddad também denunciou tentativas de uso político do caso e classificou como “indefensável” o PowerPoint da Globonews que tentou associar o presidente Lula e o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ao escândalo.


Haddad explicou que, após uma negativa inicial no início de 2019, o Banco Master passou a receber autorizações que permitiram sua rápida expansão no mercado financeiro ainda naquele ano, já sob a presidência de Roberto Campos Neto. “Começa uma escalada do Banco Master a partir de uma série de autorizações para atuar de forma mais ampla e adquirir instituições financeiras, o que fez o banco dobrar de tamanho até atingir um passivo de R$ 80 bilhões”, declarou.

☉ Expansão ocorreu sob gestão anterior
Haddad foi categórico ao delimitar o período de crescimento do banco. “Toda a liberação de atuação do Banco Master aconteceu entre 2019 e 2024, ou seja, na gestão do Roberto Campos Neto”, afirmou.

Ele também destacou que diversos agentes do sistema financeiro alertaram o Banco Central ao longo dos anos. “Todo mundo alertou o Banco Central durante anos de que alguma coisa de muito errada estava acontecendo no Banco Master”, disse, citando bancos, entidades do setor e o Fundo Garantidor de Crédito.

Para o ex-ministro, houve uma falha grave de supervisão. “O pecado original que foi cometido foi o de supervisão desta instituição financeira”, declarou.

☉ Governo Lula atuou para conter a crise
Haddad afirmou que a situação começou a ser revertida com a mudança no comando do Banco Central já no governo do presidente Lula. “Quando toma posse o presidente do Banco Central indicado pelo presidente Lula, estanca a sangria do Banco Master”, disse, em referência a Gabriel Galípolo.

Ele relatou ainda que, ao assumir o Ministério da Fazenda, foi procurado por representantes do sistema financeiro preocupados com o caso. “Já havia suspeita de corrupção no seio do sistema financeiro, com pessoas dizendo que não era possível que tudo aquilo estivesse acontecendo sem algum tipo de irregularidade no Banco Central”, afirmou.

Haddad também questionou a lógica financeira das operações do banco. “Não existe negócio no mundo de R$ 80 bilhões que renda 140% do CDI”, disse.

☉ PowerPoint foi “indefensável”
O ex-ministro criticou duramente o PowerPoint que tentou associar Lula, o PT e Galípolo ao caso. “Aquilo é indefensável sob todos os aspectos”, afirmou.

Ele questionou a presença de elementos políticos no material. “A bandeira do PT está fazendo o quê ali? Por que um partido político aparece em uma apresentação desse tipo?”, disse.

Haddad defendeu que as investigações ocorram com responsabilidade e sem exploração política. “Nós temos que pedir para a polícia e para o Ministério Público que cheguem à verdade, e que cada um responda pela gravidade dos atos que eventualmente tenha cometido”, afirmou.

☉ Defesa da verdade e responsabilização
O ex-ministro também alertou para o risco de repetição de práticas de perseguição política. “Nós não podemos cometer os erros que cometeram contra nós”, disse.

Ele enfatizou que o foco deve ser a responsabilização individual. “O risco não deve ser traçado entre partidos, mas entre pessoas honestas e pessoas desonestas”, afirmou.

Haddad concluiu defendendo confiança nas instituições. “O trabalho está sendo feito com seriedade pelo Banco Central atual, pela Polícia Federal e pelo Ministério Público. O que nós queremos é a verdade e a responsabilização de quem estiver envolvido”, declarou.

Fonte: Brasil 247

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