sexta-feira, 27 de março de 2026

"Foi Lula que acabou com a 'Bolsofarra' do INSS", diz Rogério Correia

Deputado aponta fraudes bilionárias contra aposentados e defende relatório alternativo com mais de 170 indiciamentos

         Rogério Correia (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados)

O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) afirmou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi responsável por desmontar o esquema de fraudes que atingiu aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A declaração foi feita em entrevista à TV Senado, antes da leitura do relatório da CPMI do INSS.

Segundo o parlamentar, o problema teve origem anos antes, com o credenciamento de entidades que passaram a realizar descontos em benefícios previdenciários sem a devida prestação de serviços. Ele explicou que “a partir de 2016 muitas entidades foram cadastradas para fazer descontos e prestar serviços aos aposentados. Só que apareceu um monte de entidade picareta, que não prestava serviço nenhum e fazia desconto de R$ 30, R$ 40, R$ 50, R$ 80”.

Rogério Correia afirmou que o esquema atingiu milhões de beneficiários e provocou prejuízos bilionários. De acordo com ele, “são milhões de aposentados e foram bilhões de recursos desviados do bolso do aposentado”. O deputado acrescentou que, ao assumir o governo, Lula promoveu mudanças que interromperam o modelo de descontos e iniciaram a devolução dos valores.

“O governo do presidente Lula desmontou isso. Não se pode mais fazer desconto associativo e foi devolvido o recurso [desviado]”, disse. Ainda segundo o parlamentar, o prejuízo acumulado ultrapassou R$ 6 bilhões, valor que precisou ser coberto com recursos públicos para ressarcir os aposentados.

O deputado também destacou medidas posteriores para recuperar os valores desviados. “Estamos agora recuperando esse dinheiro a partir do confisco de bens daqueles que foram responsáveis pelo roubo”, afirmou.

As declarações ocorrem no contexto de preparação para a apresentação de um relatório alternativo da CPMI do INSS, elaborado por parlamentares governistas. Segundo Rogério Correia, o documento propõe mais de 170 indiciamentos e identifica dez núcleos responsáveis pelas fraudes, incluindo grupos ligados a entidades, operadores financeiros, agentes políticos e servidores públicos.

“É um relatório muito consistente, onde colocamos nove grupos que atuaram nesse rombo e mais um outro grupo de agentes políticos e servidores públicos que se corromperam no processo. Então são dez núcleos que a gente responsabiliza”, afirmou.

O parlamentar também mencionou irregularidades envolvendo operações de crédito consignado, apontando a atuação de instituições financeiras e casos de lavagem de dinheiro. Ele citou nominalmente o empresário Fabiano Zettel e afirmou que há suspeitas relacionadas a doações eleitorais. “É o caso do Fabiano Zettel, que, além de doar R$ 5 milhões para a campanha do Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, remeteu R$ 40 milhões para a Igreja Lagoinha”, declarou. O deputado ainda mencionou denúncias envolvendo o pastor André Valadão e defendeu o aprofundamento das investigações.

Após o início da sessão da CPMI, Rogério Correia reforçou suas críticas em publicações nas redes sociais. Segundo ele, o esquema teria sido iniciado em governos anteriores e ampliado posteriormente. “Nasceu com Temer. Engordou com Bolsonaro. Acabou com Lula. Um abriu as portas, o outro acolheu a bandidagem. Foi só Lula que acabou com a Bolsofarra do INSS e mandou investigar os ladrões”, escreveu.

O deputado também atribuiu ao atual governo medidas como afastamento e prisão de envolvidos, suspensão dos descontos associativos e ressarcimento em massa. De acordo com os dados apresentados por ele, cerca de 4,3 milhões de beneficiários já teriam sido ressarcidos, com devolução de R$ 2,9 bilhões.

O relatório alternativo da CPMI do INSS deve ser analisado pelos integrantes da comissão em meio a divergências políticas sobre as conclusões e responsabilidades pelas fraudes no sistema previdenciário.

Fonte: Brasil 247

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