quinta-feira, 5 de março de 2026

Erika Hilton propõe fim de aposentadoria para juízes condenados por violência contra mulheres

PEC apresentada pela deputada prevê demissão de magistrados condenados por violência contra mulheres, crianças ou crimes contra a dignidade sexual

      Erika Hilton (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados)

A deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) apresentou uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da aposentadoria compulsória como punição para magistrados condenados por violência contra mulheres, crianças e adolescentes ou por crimes contra a dignidade sexual. A iniciativa estabelece que, nesses casos, a penalidade máxima aplicada seja a demissão do cargo, após a conclusão de todos os procedimentos legais e garantido o direito de defesa, informa Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo.

Na justificativa da proposta, a parlamentar argumenta que a punição atualmente aplicada em processos disciplinares do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) é insuficiente diante da gravidade das condutas. Segundo ela, permitir que magistrados condenados continuem recebendo remuneração após a aposentadoria compulsória representa um problema social e institucional.

“Esta emenda à Constituição surge a partir da inviabilidade social de magistrados continuarem a receber como pena máxima, em processo administrativo nas instâncias disciplinares do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a penalidade de aposentadoria compulsória após acusações envolvendo violência contra a mulher, crimes contra a dignidade sexual e de violência contra crianças ou adolescentes”, afirma Erika Hilton no texto da PEC.

A deputada defende que a punição aplicada nesses casos seja mais severa. “A demissão deveria ser a punição para o magistrado que pratica qualquer tipo de violência”, acrescenta.

Segundo Hilton, a proposta foi motivada por episódios recentes envolvendo integrantes do Judiciário. Um dos casos citados é o do desembargador Magid Nauef Láuar, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, que absolveu um homem de 35 anos acusado de estupro de vulnerável contra uma menina de 12 anos. Posteriormente, o magistrado foi afastado após o CNJ ouvir cinco pessoas que denunciaram supostos abusos sexuais atribuídos a ele. Láuar não se pronunciou sobre as acusações.

Para a deputada, situações como essa indicam fragilidades institucionais no sistema de responsabilização de magistrados. “Esse caso aponta que há espaço normativo e institucional para que servidores da justiça deturpem o sistema de proteção às vítimas de violência sexual e atuem como protetores de criminosos, numa espécie de blindagem corporativa de suas próprias condutas criminosas contra a dignidade de meninas e mulheres vítimas de crimes sexuais”, declarou.

A parlamentar também menciona o caso do juiz Marcos Scalercio, acusado por ao menos três mulheres de assédio e importunação sexual em São Paulo. No processo disciplinar, o CNJ aplicou ao magistrado a punição de aposentadoria compulsória, com direito a vencimentos proporcionais ao tempo de serviço.

Na avaliação de Erika Hilton, decisões desse tipo acabam produzindo um efeito contrário ao esperado em políticas de enfrentamento à violência de gênero. “Em vez de decisões administrativas disciplinares que coopere para a eliminação de todas as formas de discriminação contra a mulher, o que decorre da penalidade de aposentadoria compulsória proporcional ao tempo de serviço é uma verdadeira premiação de condutas lesivas à dignidade sexual das vítimas e cumplicidade do Estado brasileiro com a violência de gênero”, afirma a deputada na justificativa da proposta.

A PEC apresentada por Hilton ainda terá de passar pela tramitação legislativa no Congresso Nacional para que possa ser analisada e votada pelos parlamentares.

Fonte: Brasil 247 com informações da Folha de S. Paulo

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