Gorete Pereira é alvo de operação que investiga fraude bilionária nos benefícios de aposentados> Parlamentar usará tornozeleira eletrônica
A deputada federal Gorete Pereira (MDB-CE) adquiriu um apartamento avaliado em R$ 4 milhões e um veículo de luxo com preço superior a R$ 400 mil com recursos oriundos de um esquema criminoso de desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), segundo apuração da Polícia Federal. As informações foram divulgadas nesta terça-feira (17) pela coluna de Fabio Serapião.
A parlamentar foi alvo de mandado de busca e apreensão cumprido nesta terça-feira no âmbito da nova fase da operação Sem Desconto, que apura descontos ilegais aplicados nas folhas de pagamento de aposentados e pensionistas do INSS. As investigações, conduzidas pela PF em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), identificaram irregularidades praticadas entre 2019 e 2024, com prejuízo estimado em até R$ 6,3 bilhões.
De acordo com os investigadores, Gorete Pereira exercia o papel de articuladora política junto a órgãos públicos dentro do esquema. O repasse dos valores ilícitos a ela destinados teria ocorrido por meio de terceiros e de empresas de fachada, utilizadas para dissimular a origem criminosa do dinheiro.
O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, responsável pelo caso, negou o pedido de prisão formulado pela PF e determinou a aplicação de medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica. Na decisão, o magistrado detalhou o nível de envolvimento da parlamentar com as entidades investigadas.
"Maria Gorete controlava efetivamente essas entidades por meio de procuração que lhe fora outorgada com amplos poderes. Há, ainda, indícios robustos de que Maria Gorete recebia, em sua própria conta bancária, vultosas quantias de recursos ilícitos de empresas de fachada administradas por ela e por seus familiares", registrou André Mendonça na decisão. Em nota enviada por meio de assessoria, Gorete afirmou que "não praticou qualquer ato ilícito".
A investigação indica que a parlamentar não apenas se beneficiava financeiramente do esquema, mas tinha participação ativa na administração das estruturas utilizadas para movimentar os recursos desviados, incluindo organizações controladas por membros de sua própria família.
As apurações também alcançaram os vínculos entre a deputada e a advogada Cecília Rodrigues Mota, identificada pelas autoridades como uma das peças centrais na engrenagem do desvio, responsável por receber quantias das entidades envolvidas e redistribuí-las a pessoas com ligação a dirigentes do INSS.
Os investigadores da PF constataram que "pessoas físicas e jurídicas relacionadas a Cecilia Rodrigues Mota receberam R$ 14.081.937,35 das entidades associativas e das empresas intermediárias relacionadas às entidades associativas".
Entre as organizações que mantiveram transações com a advogada figuram a Aapen (Associação dos Aposentados e Pensionistas Nacional) — anteriormente conhecida como Associação Brasileira dos Servidores Públicos — e a AAPB (Associação dos Aposentados e Pensionistas do Brasil).
Fonte: Brasil 247 com informações da coluan do jornalista Fábio Serapião, no UOL
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