sexta-feira, 27 de março de 2026

"Aceitei o desafio de disputar em São Paulo porque não quero ver o estado e o Brasil retrocederem", diz Haddad

Ex-ministro relata decisão após conversas com o presidente Lula, critica gestão Tarcísio e afirma que eleição paulista será decisiva para o futuro do país

03.03.2026 - Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, durante a abertura da 2º Conferência Nacional do Trabalho, no Teatro Celso Furtado. São Paulo - SP.

Foto: Ricardo Stuckert / PR (Foto: Ricardo Stuckert)

O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad afirmou que a eleição para o governo de São Paulo terá impacto direto no futuro político do Brasil e destacou o peso estratégico do estado no cenário nacional. Em entrevista ao programa Boa Noite 247, exibido na última terça-feira (24), ele ressaltou que a disputa paulista ultrapassa os limites regionais e influencia o rumo do país.


“São Paulo tem um peso específico importante. É uma eleição que projeta ideias para todo o país”, afirmou Haddad.

Segundo ele, o estado historicamente desempenha papel central na formação de lideranças políticas nacionais. “É uma eleição com conteúdo nacional”, disse.

☉ Decisão vinculada ao cenário político nacional
Haddad também explicou que sua decisão de disputar o governo paulista está ligada ao contexto político mais amplo. “Eu resolvi comprar essa briga porque eu acho que ela vale a pena”, afirmou.

Ele reforçou que sua motivação está relacionada à necessidade de evitar retrocessos. “Eu não quero ver o país retroceder de jeito nenhum”, declarou.

☉ Críticas à gestão estadual
O ex-ministro apontou sinais de deterioração em áreas essenciais da administração paulista. Segundo ele, há um conjunto de reclamações vindas de diferentes setores da sociedade.

“Tem gente falando que a qualidade da água piorou e o preço subiu, tem gente falando da evasão escolar, da qualidade do ensino e da insatisfação das polícias”, afirmou.

Haddad também disse que a percepção predominante entre especialistas é negativa. “Se você perguntar para quem acompanha os indicadores, a resposta quase unânime é de que as coisas pioraram”, declarou.

☉ Interior será decisivo
O ex-ministro reconheceu que o interior de São Paulo será determinante na disputa e destacou a necessidade de ampliar o diálogo com essa parcela do eleitorado.

“Nós temos que encontrar o caminho para dialogar com esse público que tem um valor enorme”, afirmou.

Ele relembrou o desempenho eleitoral anterior para justificar o diagnóstico. “Eu fiz 55% na região metropolitana e 35% no interior, e isso definiu o resultado”, disse.

☉ Campanha baseada em propostas
Haddad afirmou que pretende conduzir uma campanha focada em propostas e debate público. “Se depender de mim, eu vou fazer uma campanha mais profunda em termos de ideias e conceitos”, declarou.

Ele também defendeu mais debates sobre políticas públicas. “O melhor para a democracia é que possamos discutir profundamente temas como saúde, educação e segurança pública”, afirmou.

☉ Guerra de narrativas
O ex-ministro alertou ainda para o papel das redes sociais na disputa política atual. “Hoje é uma guerra de versões, uma guerra de narrativas”, disse.

Ele reconheceu que o campo progressista enfrenta dificuldades nesse ambiente. “A direita tem uma atuação de rede que nós ainda não aprendemos a fazer”, afirmou.

Apesar disso, defendeu o enfrentamento da desinformação com responsabilidade. “Não é com fake news que você combate fake news”, declarou.

☉ Papel de São Paulo no projeto nacional
Haddad destacou que a disputa no estado também será um espaço para apresentar os resultados do governo do presidente Lula. “São Paulo permite fazer o contraponto e defender o que deu certo no país”, afirmou.

Ele lembrou que o governo federal investiu no estado e renegociou a dívida paulista. “São Paulo foi tratado com respeito e recebeu apoio do governo federal”, disse.

☉ Disputa para evitar retrocessos
Ao final, Haddad reforçou o sentido político de sua candidatura. “Eu resolvi aceitar esse desafio porque acredito que ele é importante para o país”, afirmou.

E concluiu com a frase que sintetiza sua decisão: “Aceitei o desafio de disputar em São Paulo porque não quero ver o estado e o Brasil retrocederem”.

Fonte: Brasil 247

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