Notícia-crime cita reportagens sobre resort no Paraná e menciona dever de imparcialidade do ministro, que é relator de processos ligados ao banco
O ex-procurador da Lava-Jato e ex-deputado federal Deltan Dallagnol apresentou uma notícia-crime à Procuradoria-Geral da República (PGR) para que sejam apurados possíveis crimes de responsabilidade atribuídos ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli. A iniciativa tem como base reportagens que associam fundos ligados ao Banco Master a um resort no Paraná que teria, entre seus sócios, irmãos do magistrado.
As informações foram divulgadas pelo blog de Lauro Jardim, em O Globo, e detalhadas em reportagens da Folha de S. Paulo e do Estadão. Segundo as publicações, o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, adquiriu em 2021 parte da participação dos irmãos de Toffoli no resort Tayayá, por meio de fundos geridos pela Reag, empresa investigada por supostas fraudes envolvendo o banco.
Dias Toffoli é relator, no STF, de processos relacionados ao Banco Master e, após as revelações, passou a enfrentar pressões para deixar a relatoria. Na notícia-crime, Dallagnol pede que a PGR investigue a extensão de eventuais vínculos econômicos, benefícios indiretos, estruturas societárias e fluxos financeiros relacionados ao empreendimento citado nas reportagens.
De acordo com a peça, os fatos divulgados repercutem em três planos: o dever de imparcialidade e possíveis hipóteses de impedimento ou suspeição; eventual responsabilização político-jurídica; e a necessidade de apuração de fluxos e estruturas patrimoniais, como fundos, empresas e offshores, para afastar ou confirmar riscos de opacidade e de benefícios indevidos. O documento é assinado pelo advogado Leandro Rosa.
Entre os pontos destacados, está o uso frequente do resort por Toffoli, apontado por funcionários como o “proprietário de fato” do espaço, elemento que, segundo a peça, poderia indicar benefício indireto ou vínculo econômico relevante. O texto também cita o endereço supostamente de “fachada” da empresa dos irmãos do ministro e a transferência de ativos para uma offshore por parte de um fundo no qual familiares de Toffoli teriam participação.
PGR arquiva pedido de deputados para afastar Toffoli
Paralelamente, a Procuradoria-Geral da República decidiu arquivar um pedido apresentado por deputados federais para afastar Dias Toffoli da relatoria do caso do Banco Master. O requerimento foi protocolado após o ministro ter viajado para Lima, no Peru, para assistir à final da Libertadores entre Flamengo e Palmeiras, no mesmo voo particular que um advogado que defende um diretor do banco.
O pedido foi apresentado pelos deputados Adriana Ventura (Novo-SP), Carlos Jordy (PL-RJ) e Caroline de Toni (PL-SC), que solicitaram a declaração de impedimento e suspeição de Toffoli na investigação sobre fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, alvo da operação Compliance Zero. No requerimento, os parlamentares afirmam: “À conta de suposta viagem realizada pelo ministro relator a Lima, no Peru, em 28.11.2025, na mesma aeronave em que se encontrava o advogado Augusto Arruda Botelho, defensor do diretor de compliance da instituição referida, Luiz Antônio Bull”.
Na decisão, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que não havia providências a serem adotadas, uma vez que o tema já está sob análise do Supremo Tribunal Federal. “O caso a que se refere a representação já é objeto de apuração perante o Supremo Tribunal Federal, com atuação regular da Procuradoria-Geral da República. Não há, portanto, qualquer providência a ser adotada no momento”, escreveu Gonet, ao justificar o arquivamento, assim como de outros três pedidos sobre o mesmo assunto.
Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo, Folha de S. Paulo e o Estadão
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