quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Criticada por "inércia", PF solicitou autorização para operação em outubro de 2025

Cronologia da Operação Compliance Zero indica que medidas cautelares foram solicitadas meses antes da crítica de Dias Toffoli

        Dias Toffoli (Foto: Rosinei Coutinho/STF)

A segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na quarta-feira (14), trouxe novos elementos sobre a investigação que envolve o Banco Master e seu CEO, Daniel Vorcaro. As medidas cautelares cumpridas pela Polícia Federal contra o banqueiro, familiares e outros suspeitos já haviam sido solicitadas à Justiça em outubro de 2025, semanas antes da primeira fase da operação e da posterior liquidação da instituição pelo Banco Central, informa Malu Gaspar, do jornal O Globo.

A sequência dos fatos contrasta com críticas feitas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, que apontou “inércia” e “falta de empenho” da Polícia Federal no cumprimento das decisões judiciais relacionadas ao caso.

Segundo a apuração, os investigadores haviam requerido as cautelares ainda quando o inquérito tramitava na Justiça Federal de São Paulo. À época, a Polícia Federal atuava a pedido do Ministério Público Federal (MPF) para apurar se o empresário Nelson Tanure exercia controle oculto sobre o Banco Master. O pedido, no entanto, não foi analisado de imediato. Fontes relataram que o juiz responsável solicitou esclarecimentos adicionais antes de decidir, em razão da complexidade do caso.

Enquanto isso, outra frente da investigação avançava em Brasília, dando origem à primeira fase da Compliance Zero, deflagrada em 18 de novembro. Nessa etapa, Daniel Vorcaro e quatro diretores do banco foram presos, e o Banco Central decretou a liquidação da instituição. O cenário mudou no início de dezembro, quando Dias Toffoli acolheu pedido da defesa de Vorcaro para que o processo fosse remetido ao STF, em razão da citação do deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA), que possui foro por prerrogativa de função.

Na decisão que autorizou novas diligências, Toffoli afirmou que as medidas cautelares haviam sido solicitadas ao Supremo no dia 6 e autorizadas no dia seguinte, com prazo de 24 horas para cumprimento. O ministro justificou a determinação “diante da gravidade dos fatos e necessidade de aprofundamento da investigação, com fartos indícios de práticas criminosas de todos os envolvidos”.

Em tom crítico, o magistrado escreveu: “Causa espécie a esse relator não só o descumprimento do prazo por mim estabelecido para cumprimento das medidas cautelares ordenadas, posto que resta claro que outros envolvidos podem estar descaraterizando as provas essenciais ao deslinde da causa, como a falta de empenho no cumprimento da ordem judicial para a qual a Polícia Federal teve vários dias para planejamento e preparação, o que poderá resultar em prejuízo e ineficácia das providências ordenadas”.

As declarações provocaram reação entre investigadores. De acordo com relatos feitos sob reserva, parte dos atrasos se deu porque um dos endereços dos alvos só foi confirmado na noite anterior à operação. Além disso, após o envio do inquérito ao Supremo, a Procuradoria-Geral da República passou a se manifestar favoravelmente às cautelares já solicitadas meses antes.

Um dos investigadores explicou: “Depois que o ministro determinou que o inquérito subisse para o Supremo, a PGR se manifestou favorável às cautelares. Toffoli determinou que a operação fosse executada no dia 12, mas tínhamos levantamentos pendentes e ontem solicitamos uma retificação e uma nova busca contra o principal alvo. Com a decisão e os endereços confirmados, cumprimos a ordem do STF hoje”.

Toffoli também destacou o horário em que a Polícia Federal solicitou a prisão preventiva de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, e mandados de busca e apreensão contra ele e Nelson Tanure. Segundo o ministro, o pedido foi protocolado às 19h13 da terça-feira (13), com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República às 20h49.

Na petição enviada ao STF, a PF informou que Zettel viajaria para Dubai em um jato particular a partir do Aeroporto Internacional de Guarulhos, apontando o embarque como uma “oportunidade única” para a “obtenção de elementos que corroborem, ainda mais, sua participação” nos fatos investigados. Após a prisão preventiva, celulares e outros materiais foram apreendidos, e o empresário acabou liberado.

Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo

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