quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Adélio tem delírios na cadeia e precisa de hospital psiquiátrico, aponta laudo


Adélio Bispo, autor da facada contra Jair Bolsonaro em 2018. Foto: Reprodução

Um novo laudo médico concluiu que Adélio Bispo, autor da facada contra o ex-presidente Jair Bolsonaro em 2018, apresentou piora significativa do quadro de saúde mental no sistema prisional, com delírios persistentes, comprometimento da realidade e necessidade de internação em hospital psiquiátrico de custódia, conforme informações da colunista Manoela Alcântara, do Metrópoles.

O documento aponta diagnóstico de esquizofrenia paranoide e classifica a situação como de “risco contínuo”, destacando que Adélio não tem perspectiva de melhora em ambiente prisional e não pode conviver sem medidas de segurança.

A recomendação médica é de “internação em hospital psiquiátrico de custódia”, sem qualquer indicação de concessão de liberdade.

Encaminhado em caráter sigiloso à 5ª Vara Criminal de Campo Grande, o laudo indica mudança em relação à perícia de 2019, quando Adélio foi considerado inimputável por transtorno delirante permanente paranoide. Sete anos depois, os peritos apontam deterioração do quadro, com alucinações frequentes e prejuízo funcional significativo.

Recusa terapêutica e agravamento no cárcere

Segundo os peritos, Adélio não reconhece que está doente, não compreende a necessidade de tratamento e recusa medicação, afirmando que “não é doido”. O laudo descreve isolamento social, baixa integração institucional e episódios de instabilidade emocional ao longo do acompanhamento.

“A análise clínica longitudinal do Sr. Adélio Bispo de Oliveira demonstra um quadro de transtorno mental crônico, com características compatíveis com transtorno esquizofrênico, manifestado por sintomas positivos persistentes, prejuízo afetivo, ausência de insight e recusa terapêutica decorrente da própria psicose. Trata-se de condição clínica que, pela natureza e gravidade, exige cuidado especializado, contínuo e estruturado, conforme a literatura psiquiátrica consolidada”, diz trecho do laudo.

Os peritos também consideram o ambiente prisional um fator agravante, apontando que a vigilância intensa contribui para a manutenção e o agravamento do quadro, apesar de não haver registro recente de agressividade.

Perícia, recomendações e situação atual

A perícia foi elaborada a pedido da Defensoria Pública da União (DPU) e buscou avaliar se Adélio teria condições de deixar o sistema prisional. O exame foi realizado no início de novembro do ano passado.

Os especialistas sugerem encaminhamento para um Centro de Atenção Psicossocial (Caps) em Montes Claros (MG), cidade natal do detento, mas destacam que a permanência em presídio federal não é indicada.

Ainda assim, Adélio tem permanência garantida no sistema prisional até, pelo menos, 2038, quando completará 60 anos, conforme decisão judicial. Atualmente, ocupa uma cela de cerca de seis metros quadrados e, desde que ingressou no sistema, não mantém convívio com outros detentos.

De acordo com os peritos, todas as avaliações do processo indicam que o ataque ocorreu durante um “surto psicótico, com evidente incapacidade de autocrítica”. Os laudos mencionam delírios autorreferenciais e persecutórios e perda do juízo de realidade, interpretação compartilhada por peritos oficiais e assistentes técnicos.

Fonte: DCM com informações do Metrópoles

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