Cena de “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho
Na cerimônia do Globo de Ouro 2026, que aconteceu neste domingo (11), Wagner Moura recebeu uma das maiores honrarias da noite, vencendo o prêmio de Melhor Ator-Drama por sua performance em “O Agente Secreto”, filme de Kleber Mendonça Filho.
“É um filme sobre memória, a falta dela e um trauma geracional. Eu acho que se um trauma pode ser passado por gerações, os valores também podem. Esse prêmio vai para quem está seguindo seus valores em momentos difíceis”, disse o baiano em seu discurso.
“E para todo mundo no Brasil que está assistindo isso agora, viva o Brasil e a cultura brasileira”, completou em português. Veja o discurso:
Moura disputava a categoria com Joel Edgerton (“Sonhos de Trem”), Oscar Isaac (“Frankenstein”), Dwayne Johnson (“Coração de Lutador”), Michael B. Jordan (“Pecadores”) e Jeremy Allen White (“Springsteen: Salve-me do Desconhecido”).
A vitória é um reflexo de seu grande momento na carreira, que inclui uma série de papéis marcantes, como o Capitão Nascimento em “Tropa de Elite” e o chefão do tráfico Pablo Escobar em “Narcos”.
Em uma entrevista recente ao New York Times, ele destacou a importância de escolhas cuidadosas em sua carreira. “Nunca fiz nada por dinheiro ou porque é um grande sucesso em Hollywood que todo mundo vai ver. E, especialmente depois de Narcos, não quero fazer nada que estereotipe os latinos”, afirmou.
Sua atuação no filme, que traz uma trama de espionagem e resistência política, foi amplamente elogiada pela crítica. O longa conquistou o Globo de Ouro 2026 de Melhor Filme em Língua Não-Inglesa.
Em 2024, ele esteve em “Guerra Civil”, filme de Alex Garland, e atualmente pode ser visto na série “Ladrões de Drogas”, da Apple TV.
Após a premiação, ele criticou Jair Bolsonaro, chamando-o de fascista. Assista:
Kleber Mendonça Filho e Wagner Moura no set de “O Agente Secreto”
“O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, fez história ao conquistar o Globo de Ouro 2026 de Melhor Filme em Língua Não-Inglesa. Um filme brasileiro não ganhava um prêmio da categoria desde 1999, com “Central do Brasil”.
Ao lado do ator Wagner Moura e de outros colaboradores do filme, o diretor iniciou seu discurso mandando um ‘alô’ para o Brasil, e encerrou afirmando: “Estou muito honrado de estar nesse grupo de filmes internacionais e dos Estados Unidos”.
“Eu dedico este filme para os cineastas jovens, porque este é um momento muito difícil para fazer filmes. Aqui nos Estados Unidos e no Brasil, jovens cineastas, façam filmes!”, disse Kleber Mendonça.
Veja o discurso:
O longa brasileiro, que já havia sido aplaudido no Festival de Cannes com dois prêmios, superou uma competição acirrada de grandes produções internacionais e levou para casa a estatueta.
Os filmes que concorriam contra “O Agente Secreto” eram “Foi Apenas um Acidente”, do Irã, “Valor Sentimental”, da Noruega, “Sirat”, da Noruega, “A Quem Eu Pertenço”, da Tunísia, e “A Única Saída”, da Coreia do Sul.
A trama, que mistura política e espionagem internacional, capturou a atenção de críticos e do público, não apenas pela sua narrativa envolvente, mas também pela sua maneira de abordar questões sociais e políticas com profundidade.
Além de ser premiado como Melhor Filme de Língua Não-Inglesa, o longa ainda disputa outras categorias de grande prestígio, como Melhor Filme-Drama e Melhor Ator-Drama para Wagner Moura, que também teve sua atuação exaltada nas críticas.
Dentre os concorrentes, “Valor Sentimental”, uma produção de Joachim Trier que explora as complicações familiares e a busca pela reconciliação, e “A Única Saída”, de Park Chan-Wook, com sua crítica social afiada, estavam entre os favoritos. Mesmo com esse forte elenco de filmes, foi o filme brasileiro que conquistou o prêmio, mostrando o crescente reconhecimento do Brasil no cinema internacional.
Registros de passagem de tornado neste sábado pelo município de São José dos Pinhais (PR)
Neste sábado (10), um tornado atingiu o município de São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, gerando cenas de destruição. O fenômeno foi registrado por moradores, que compartilharam imagens de uma nuvem em formato de funil, que causou danos consideráveis, incluindo a derrubada de árvores e o destelhamento de casas. De acordo com o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), a tempestade também trouxe ventos fortes, com velocidades próximas a 70 km/h em Curitiba. O alerta para tempestades na região continua, com previsão de mais instabilidade até a manhã deste domingo (11).
A Defesa Civil do Paraná informou que o tornado causou a destruição de carros e o colapso de estruturas em São José dos Pinhais, além de diversos danos em Curitiba, onde pelo menos 57 árvores foram derrubadas. A área foi colocada sob alerta laranja para tempestades severas, devido à persistência de condições atmosféricas instáveis. No ano passado, o Paraná já havia sido atingido por tornados de grande intensidade, com ventos que chegaram a 330 km/h e destruíram diversas áreas, como o município de Rio Bonito do Iguaçu.
A situação em São José dos Pinhais e Curitiba continua sendo monitorada pelas autoridades, que realizarão vistorias para avaliar a intensidade do fenômeno e os danos causados. O órgão de monitoramento climático reforça que, embora tornados não sejam fenômenos comuns, as condições de alta umidade e instabilidade atmosférica na região favorecem a ocorrência desses eventos. Veja os vídeos:
Carlos e Jair Bolsonaro. Foto: ANDRé RIBEIRO/FUTURA PRESS
O vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) defendeu publicamente que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atue para pressionar o Brasil pela libertação de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A manifestação foi feita em publicação nas redes sociais, na qual Carlos comparou a situação brasileira a processos recentes de libertação de presos políticos em países da América Latina, com destaque para a Nicarágua.
Na postagem, Carlos afirmou que diferentes governos da região libertaram opositores após pressão externa. Ele citou a Venezuela, onde jornalistas, ativistas e adversários do governo teriam sido soltos, e a Nicarágua, que anunciou recentemente a libertação de dezenas de detidos por motivação política, entre líderes religiosos, opositores e ex-autoridades. Também mencionou Colômbia e Bolívia, apontando revisões políticas e institucionais nesses países.
Em contraste, Carlos Bolsonaro sustentou que, no Brasil, “presos políticos seguem encarcerados”, afirmando que o país estaria sendo comparado a regimes fechados. Na sequência, retomou críticas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), dizendo que, durante as eleições de 2022, teria havido proibição de menções às relações entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o venezuelano Nicolás Maduro e o nicaraguense Daniel Ortega. Segundo ele, os acontecimentos recentes dariam novo significado a essas restrições.
Jair Bolsonaro está preso desde 22 de novembro de 2025 na Superintendência Regional da Polícia Federal, em Brasília, onde cumpre pena de 27 anos e três meses por liderar uma trama golpista, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal. O local carrega uma ironia simbólica: em frente ao prédio há uma placa com o nome de Bolsonaro e a data em que a unidade da PF foi modernizada durante seu próprio governo. Nos primeiros anos de mandato, o então presidente investiu na infraestrutura da Polícia Federal, e a inauguração das obras registra também o nome de seu então ministro da Justiça, Anderson Torres, igualmente condenado pelo STF no mesmo processo.
A comparação feita por Carlos Bolsonaro ocorre no momento em que o governo da Nicarágua, copresidido por Daniel Ortega e Rosario Murillo, anunciou a libertação de “dezenas de pessoas” que permaneciam detidas, entre elas vários presos políticos. O anúncio foi feito no sábado (10), por ocasião dos 19 anos do governo no poder, e em meio a pressão dos Estados Unidos.
Em nota oficial, o Executivo nicaraguense afirmou que a medida seria um “símbolo de compromisso com a paz” e com a convivência familiar e comunitária. O governo não divulgou uma lista completa dos libertados, mas a agência EFE confirmou, com familiares, a soltura de pelo menos sete opositores, entre eles líderes políticos e um pastor evangélico. Veículos locais apontaram números que variam entre 19 e 30 presos políticos libertados.
A postagem da embaixada citou uma mensagem de Donald Trump na rede Truth Social, na qual o presidente norte-americano comemorou a libertação de presos políticos na Venezuela como sinal de busca por paz. O tema também foi retomado por grupos opositores nicaraguenses, que voltaram a exigir a libertação imediata de todos os detidos por motivação política no país.
Deputado avalia veto ao PL da dosimetria, critica o bolsonarismo e defende Ministério da Segurança Pública como eixo central da eleição de 2026
Leonel Radde e Lula (Foto: Divulgação/Câmara Municipal de Porto Alegre | Ricardo Stuckert)
“Se a gente tivesse numa zona normal, o Lula seria eleito, sem dúvidas, no primeiro turno das eleições de 2026.” A avaliação é do deputado estadual Leonel Radde (PT-RS), em entrevista concedida ao jornalista Otávio Rosso no programa Boa Noite 247, exibido no dia 10 de janeiro de 2026, na TV 247.
Ao longo da conversa, Radde analisou o veto do presidente Lula ao chamado PL da dosimetria, apontou os riscos da ofensiva bolsonarista no Congresso, defendeu uma mobilização nacional para sustentar a decisão presidencial e avaliou o cenário político e eleitoral que se desenha para 2026, tanto no plano nacional quanto no Rio Grande do Sul.
O programa teve início com a repercussão dos dados do IBGE sobre a inflação oficial. O IPCA fechou 2025 em 4,26%, abaixo do teto da meta de 4,5%. Para Otávio Rosso, o dado tem peso político relevante. “A inflação… está controlado nesse ano eleitoral”, afirmou o jornalista ao introduzir o tema.
● Resultados econômicos fortalecem Lula
Na avaliação de Leonel Radde, os indicadores econômicos criam uma base sólida para a reeleição do presidente. “O Lula vai terminar o quarto ano desse mandato dele com a menor inflação da história… de um mandato completo”, afirmou. Segundo ele, o governo também entregará “a menor taxa de desemprego da história”, além do “maior ganho real do salário mínimo” e aumento do poder de compra da classe trabalhadora.
Radde também rebateu críticas sobre dívida pública, lembrando que o endividamento cresceu mais durante o governo Bolsonaro, especialmente no período da pandemia. Para ele, o debate central deveria estar nos juros, tema que classificou como responsabilidade do Banco Central, que é independente do governo federal.
● “Não existe terceira via” na direita
Ao analisar o campo conservador, o deputado foi categórico ao afirmar que a chamada terceira via não se sustenta eleitoralmente. “Não existe essa terceira via. A terceira via da direita, que seria uma direita democrática, ela foi totalmente engolida e coptada pela extrema direita, pelo bolsonarismo”, declarou.
Radde citou pesquisas que colocam Flávio Bolsonaro à frente de Tarcísio, interpretando o dado como prova da força do núcleo bolsonarista. “Quando coloca o Flávio Bolsonaro… o Flávio Bolsonaro tá muito à frente do Tarcísio”, disse, ressaltando que isso desmonta a narrativa de uma direita moderada viável fora do bolsonarismo.
● Veto ao PL da dosimetria e confronto institucional
O veto do presidente Lula ao PL da dosimetria foi apontado por Radde como um divisor de águas na relação entre Executivo, Congresso e STF. Para ele, a tentativa de derrubar o veto tem menos a ver com mérito jurídico e mais com estratégia política. “O objetivo central deles é tensionar com STF”, afirmou.
O deputado defendeu que a manutenção do veto depende de pressão popular organizada. “A mobilização social é extremamente importante nesse sentido”, disse, lembrando que outras propostas já recuaram diante de reação da sociedade.
Radde também criticou duramente o argumento bolsonarista de que o projeto serviria para corrigir “excessos”.“Essa lei da dosimetria todo mundo sabe que vai favorecer pedófilo, que vai favorecer o crime organizado, faccionados, vai favorecer o criminoso comum”, afirmou, defendendo que esse seja o eixo central da campanha para manter o veto presidencial.
● Desinformação, redes e pressão dos Estados Unidos
Para Leonel Radde, a eleição de 2026 não será decidida apenas por indicadores econômicos. “A gente tá lidando com grupos fanatizados, que têm muito recurso financeiro e uma rede de desinformação muito bem ajeitada”, afirmou, citando o papel de algoritmos, WhatsApp e Telegram.
Ele também relacionou o cenário brasileiro a um contexto internacional mais amplo, mencionando os Estados Unidos sob Donald Trump, atual presidente norte-americano. “Agora conta com os Estados Unidos, com o Trump lá nos Estados Unidos, com o objetivo de desestabilizar toda a América”, disse.
● Segurança pública e a saída de Lewandowski
Questionado sobre a saída de Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça, Radde avaliou que o ex-ministro teve desempenho positivo “dentro das limitações” e citou projetos debatidos durante sua gestão.
Na sequência, defendeu a criação imediata de um Ministério da Segurança Pública, separado do Ministério da Justiça. “Eu defendo essa tese de que é necessária a criação do Ministério da Segurança Pública, independente do Ministério da Justiça”, afirmou, classificando a segurança como o tema central das eleições de 2026.
Radde rejeitou a ideia de adiar a criação do novo ministério para transformá-la em promessa eleitoral. “Eu discordo. Eu acredito que se foi promessa de campanha tem que ser cumprida”, declarou.
● Comunicação da esquerda e o medo na sociedade
O deputado também fez uma autocrítica ao campo progressista sobre a forma de abordar a segurança pública. “A esquerda só aparece no momento de crítica”, afirmou, alertando que isso facilita a narrativa da direita de que a esquerda seria contrária às forças policiais.
Segundo Radde, ignorar o medo da população abre espaço para soluções autoritárias. “A sociedade tem medo”, disse, defendendo um discurso que combine direitos humanos, propostas concretas e diálogo com as categorias da segurança.
● Rio Grande do Sul e a disputa local
No plano estadual, Leonel Radde disse ver com preocupação o avanço da extrema direita no Rio Grande do Sul. “É muito preocupante. Uma disputa muito difícil aqui no estado”, afirmou, defendendo a unidade do campo democrático.
Ele também comentou a disputa ao Senado e afirmou que o PT já tem um nome definido. “O Paulo Pimenta será o candidato ao Senado da chapa do PT”, declarou.
● Um retrato do embate que vem pela frente
Ao longo da entrevista ao Boa Noite 247, Leonel Radde apresentou o veto ao PL da dosimetria como parte de um embate mais amplo entre governo, Congresso conservador e extrema direita, em um cenário marcado por desinformação, medo e disputa institucional.
Mesmo com indicadores econômicos favoráveis, o deputado alertou que a eleição será dura. Ainda assim, manteve a convicção expressa no início da entrevista. “Se fosse pela racionalidade, se fosse por índices, se fosse por governança, o Lula ganharia tranquilamente no primeiro turno.”
A decisão do presidente Lula de vetar o projeto conhecido como “PL da dosimetria” está “em sintonia com a gravidade do que aconteceu” no 8 de janeiro, quando extremistas atacaram as sedes dos Três Poderes, afirmou Ricardo Cappelli, presidente da ABDI e pré-candidato ao governo do Distrito Federal.
A declaração foi feita em entrevista concedida à TV 247, na qual Cappelli avaliou os atos de lembrança do 8 de janeiro, comentou a disputa política sobre punições a crimes contra a democracia e relatou bastidores do momento em que assumiu o comando da segurança pública do Distrito Federal durante a crise.
☉ “O que aconteceu foi tentativa de criar um estopim para um golpe de estado”
Ao defender a realização de solenidades para marcar a data, Cappelli rejeitou qualquer tentativa de relativizar a violência golpista.
“Eu acho muito importante esses dois atos, porque eles reforçam que primeiro o que aconteceu não foi um passeio no parque, não foi uma manifestação democrática”, afirmou. “O que aconteceu foi a tentativa de criar um stopim para um golpe de estado.”
Na entrevista, ele sustentou que o país viveu uma mudança inédita na responsabilização de golpistas.
“Pela primeira vez na história do Brasil, conspiradores, golpistas, civis e militares sentaram no banco dos réus, foram julgados respeitando o devido processo legal, foram condenados e alguns estão presos”, disse.
Cappelli também ressaltou que a democracia exige cuidado permanente.
“A democracia nunca é uma obra pronta, finalizada”, afirmou, ao defender que a memória institucional do 8 de janeiro fortalece princípios democráticos na sociedade.
☉ “O veto do presidente Lula tá em sintonia com a gravidade do que aconteceu”
No trecho mais político da conversa, Cappelli relacionou diretamente o veto presidencial à dimensão do plano golpista revelado por investigações.
“Acho que o veto do presidente Lula tá em sintonia com a gravidade do que aconteceu”, declarou. “Não é possível que depois de ter conhecimento que existia um plano para assassiná-lo, para assassinar o vice-presidente da República, para assassinar o ministro Alexandre de Moraes, o presidente Lula simplesmente sancionasse uma redução de penas daqueles que planejaram isso.”
Ele criticou o caráter pontual do projeto e defendeu que mudanças penais não podem ser desenhadas para responder a um único episódio.
“Fazer uma alteração na legislação casuística em função de um ato, de um fato, não me parece o caminho mais adequado”, disse. “Você não pode alterar leis para responder a um fato.”
☉ Congresso, veto e STF: “Vamos aguardar”
Cappelli afirmou preferir o cenário em que o Congresso não derrube o veto, embora reconheça que a disputa faz parte da dinâmica institucional.
“Eu prefiro ser um otimista e acreditar que o veto do presidente pode não ser derrubado pelo Congresso”, disse. “Faz parte do jogo democrático.”
Ele observou, porém, que mesmo com eventual derrubada do veto, a questão pode ser judicializada.
“Se o Congresso derrubar o veto, a matéria ainda pode ser apreciada pelo Supremo Tribunal Federal”, afirmou, ao repetir que se trata de uma “alteração legislativa casuística”.
☉ Bastidores do 8 de janeiro: “Assuma o comando do que tá acontecendo”
Ao relembrar sua atuação no Ministério da Justiça naquele dia, Cappelli descreveu a ausência de comando local como fator crítico e relatou a ordem que recebeu ao ser nomeado para a intervenção federal na segurança pública do DF.
“Nós estávamos vendo os prédios públicos sendo tomados… e as forças de segurança completamente sem comando”, disse, ao mencionar que o governador do DF “simplesmente estava desaparecido” e que o secretário de segurança “estava nos Estados Unidos”.
Segundo ele, o recado foi objetivo:
“Olha, o presidente da República acabou de te nomear interventor federal da segurança pública no Distrito Federal. Vá à Secretaria de Segurança, reúna com o comando que tem lá, desça e assuma o comando do que tá acontecendo.”
Cappelli disse ter recusado sobrevoo de helicóptero e determinado atuação direta na linha de frente.
“Eu disse para eles: ‘Não, eu não vou de helicóptero. Nenhum dos senhores vai de helicóptero. Nós vamos sair daqui agora e vamos pra linha de frente comandar a tropa’”, afirmou. E completou a orientação operacional: “Efetuar o máximo de prisões possíveis e desmontar o acampamento golpista nessa noite.”
☉ Prisões e investigação: “Maior operação de polícia judiciária da história do Brasil”
Cappelli reconheceu a possibilidade de que algumas pessoas tenham escapado durante a madrugada, mas destacou o desmonte do acampamento e o volume de prisões.
“A gente conseguiu desmontar o acampamento e efetuar a prisão de todos que estavam no acampamento sem nenhum incidente”, afirmou.
Ele citou o transporte de cerca de 1.500 pessoas e classificou o esforço como sem precedentes.
“Durante 3 dias realizamos a maior operação de polícia judiciária da história do Brasil, que não é brincadeira prender 1500 pessoas”, disse, mencionando o cumprimento do devido processo legal com participação de diferentes órgãos.
☉ Livros de história e memória: “Você não pode dizer que não aconteceu”
Na entrevista à TV 247, Cappelli afirmou não ter dúvidas de que o 8 de janeiro será incorporado ao ensino e ao registro histórico, independentemente de disputas políticas.
“São fatos objetivos”, disse. “Você pode ter até opiniões sobre os fatos, mas você não pode dizer que não aconteceu.”
Ele também mencionou ter publicado um livro sobre o episódio.
“Publiquei um livro, 8 de janeiro, que o Brasil não viu”, afirmou, defendendo que o registro é essencial “para que jamais se repita o que aconteceu”.
Segurança pública na eleição: “O crime tá cada vez mais organizado”
Ao tratar do cenário político, Cappelli avaliou que segurança pública será tema decisivo no debate eleitoral, citando pesquisas de opinião.
☉ “Segurança pública aparece como preocupação número um”, afirmou.
Ele argumentou que o problema se tornou nacional com a atuação de grandes organizações criminosas.
“Você tem duas ou três organizações criminosas que verticalizaram o crime no Brasil”, disse, defendendo integração entre órgãos federais e coordenação política para enfrentar o problema.
“Precisa ter alguém no Ministério com coragem, com decisão, com vontade de enfrentar o crime organizado no Brasil”, declarou. “O crime tem penetrado em todas as instituições da República.”
Em entrevista à TV 247, ex-presidente do PT critica governadores que apoiam Trump, defende mobilização popular e uma nova política de defesa nacional
José Genoino (Foto: Mario Agra/Câmara dos Deputados)
O ex-deputado federal e ex-presidente do Partido dos Trabalhadores José Genoino afirmou que a classe dominante brasileira é “corrupta, autoritária e entreguista” e que o país vive uma encruzilhada histórica que exige enfrentamento político, mobilização popular e clareza de lado.
Logo no início da conversa, Genoino sintetizou sua avaliação do momento político brasileiro e internacional. “A classe dominante brasileira é corrupta, autoritária e entreguista. Por isso que nós temos que ter essa clareza para lutar por um Brasil diferente do que tá aí”, afirmou, ao comentar desde o escândalo do Banco Master até a postura de autoridades brasileiras diante da ofensiva dos Estados Unidos contra a Venezuela.
Segundo ele, não se trata sequer de uma elite no sentido clássico do termo. “Isso não é elite. Coisa em lugar nenhum do mundo ser elite. É baixo nível demais”, disse, ao criticar governadores que manifestaram apoio a Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos. Para Genoino, essas posições revelam um “espírito vira-lata” e uma tradição histórica de subserviência. “Essa subserviência, esse entreguismo não tem ideia de projeto nacional, de soberania nacional, de democracia, de amor pelo povo”, afirmou.
Durante a entrevista, Genoino avaliou que a crise atual tem um aspecto pedagógico. “A crise tá deixando claro as coisas. Não precisa interpretar muito, é só ver. É um verdadeiro manual de política, um verdadeiro manual de teoria política”, disse. Para ele, a conjuntura junta, de forma explícita, a luta antiimperialista, a defesa da democracia e a luta por direitos sociais.
O dirigente histórico do PT relatou sua participação em atos recentes e disse ver o início do ano marcado por mobilização. “Eu sou otimista, até porque o ano tá se iniciando no clima de luta”, afirmou. Ele citou o ato em frente ao consulado dos Estados Unidos em solidariedade à Venezuela e a mobilização em memória do 8 de janeiro. Também declarou apoio à decisão do presidente Lula de vetar o projeto que alterava a dosimetria das penas dos condenados pelos atos golpistas. “O Lula deu uma grande contribuição”, disse.
Genoino foi enfático ao criticar a tentativa de relativizar as penas dos golpistas. “Quando era o andar de baixo, eles não falavam em dosimetria. Quando chegou no andar de cima, aí vem a dosimetria e eles se vitimizam como coitadinhos”, afirmou. Para ele, há uma tentativa recorrente de “passar o pano” e repetir o padrão histórico brasileiro de “mudar alguma coisa para que nada mude”.
Na avaliação do ex-deputado, a grande mídia tem papel central nesse processo. “A maneira como a grande mídia monopolista cobre essa questão da dosimetria é uma vergonha”, afirmou. Segundo ele, práticas que antes eram tratadas como inaceitáveis estão sendo normalizadas. “O grande problema é que a barbárie tá sendo normalizada como algo que faz parte da vida”, alertou.
No plano internacional, Genoino afirmou que o mundo vive uma situação de extrema gravidade diante da postura dos Estados Unidos sob o governo Trump. “Nós estamos diante de uma grave ameaça. É uma situação muito extremada o que esse imperador tá fazendo com o mundo”, disse. Ele criticou a ideia de “paz pela força” e afirmou que Trump “perdeu qualquer vergonha de assumir os seus interesses”, citando explicitamente o petróleo da Venezuela e ameaças a outros países, como Cuba e a Groenlândia.
Para Genoino, a resposta do Brasil deve passar por uma política externa ativa e pela integração regional. Ele elogiou os contatos feitos pelo presidente Lula com Colômbia, México e outros países. “O presidente Lula tomou uma decisão correta. A posição dele tá evoluindo para uma definição mais clara sobre a integração latino-americana”, avaliou. Ao mesmo tempo, criticou duramente a Europa. “A Europa é vassala. A Europa é uma vergonha”, afirmou.
Outro eixo central da entrevista foi a política de defesa nacional. Genoino defendeu uma profunda reformulação das Forças Armadas, com nova doutrina e subordinação efetiva ao poder civil. “Não basta só botar dinheiro. Simplesmente aumentar o orçamento sem discutir uma política é um equívoco”, disse. Para ele, é necessário abandonar a lógica do “inimigo interno” e reconhecer que as ameaças são externas. “Não é o inimigo interno, é o externo com todas as letras”, afirmou.
Ele defendeu investimentos em áreas estratégicas. “O Brasil tem que investir na guerra cibernética, no enriquecimento do urânio, na tecnologia do espaço aéreo”, disse, alertando para riscos à soberania, como a cessão da base de Alcântara e a gestão estrangeira de satélites brasileiros. Segundo Genoino, sem um projeto de desenvolvimento autônomo, não há política de defesa consistente.
Genoino também fez críticas à trajetória histórica das Forças Armadas, marcada, segundo ele, pela doutrina da tutela e pela formação voltada contra o próprio povo. “O conceito do povo como inimigo gerou um despreparo total para a verdadeira defesa da soberania nacional”, afirmou. Para ele, é urgente estabelecer uma nova doutrina de defesa nacional, alinhada às exigências de um mundo em crise.
Ao longo da entrevista, o ex-presidente do PT ressaltou que o Brasil vive uma disputa profunda. “É um Brasil em disputa”, afirmou, destacando que estão em jogo a democracia, os direitos do povo negro, das mulheres, dos povos originários, o desenvolvimento econômico e a soberania nacional. “Tudo tá em disputa, tudo escancarado”, disse.
Na avaliação final, Genoino afirmou que não há espaço para ilusões. “Não dá para esperar bons modos do capitalismo”, declarou. Para ele, o único caminho possível é o da luta política e social. “O caminho é o da luta, é o do protesto, é o da indignação, é o de organizar essas energias que tão dispersas”, afirmou, concluindo que a resistência ao imperialismo e à barbárie exige clareza, mobilização e enfrentamento permanente.
O presidente venezuelano enviou sua primeira mensagem após ter sido sequestrado no bombardeio em Caracas
Nicolás Maduro e Cilia Flores em Caracas, Venezuela - 17/5/2018 (Foto: REUTERS/Carlos Jasso)
O deputado Nicolás Ernesto Maduro Guerra, filho do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, sequestrado e preso pelos Estados Unidos, informou no sábado (10) que seu pai enviou uma mensagem por meio de seus advogados, na qual assegurou que tanto ele quanto sua esposa, a primeira-dama Cilia Flores, estão bem.
O presidente venezuelano enviou sua primeira mensagem após ter sido sequestrado no bombardeio dos EUA em Caracas, em 3 de janeiro. Naquele dia, a Venezuela foi alvo de uma operação militar em várias localidades dos estados Miranda, Aragua e La Guaira, além da capital, Caracas. A ação deixou mais de uma centena de mortos entre civis e militares, além de dezenas de feridos.
O parlamentar relatou que o presidente Nicolás Maduro Moros pediu a seus apoiadores que não caiam na tristeza e reafirmou sua condição de lutador diante da adversidade. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Maduro Guerra destacou que seu pai é “um homem que não conseguiram vencer por nenhum meio e tiveram de usar uma força desproporcional, mas não o venceram, ele está forte”.
Em 3 de janeiro, os Estados Unidos lançaram um ataque de grandes proporções contra a Venezuela, capturando Maduro e sua esposa, Cilia Flores, e levando-os para Nova York. Trump anunciou que Maduro e Flores enfrentariam julgamento por suposto envolvimento em “narco-terrorismo” e por representarem uma ameaça, inclusive aos Estados Unidos. Caracas solicitou uma reunião de emergência da ONU em razão da operação norte-americana. O Supremo Tribunal da Venezuela transferiu temporariamente as funções de chefe de Estado para a vice-presidente Delcy Rodríguez, que foi oficialmente empossada como presidente interina perante a Assembleia Nacional em 5 de janeiro.
Secretário do Tesouro, Scott Bessent, diz que medida pode ocorrer já na próxima semana e envolver FMI e Banco Mundial
Scott Bessent - 06/05/2025 (Foto: REUTERS/Jonathan Ernst)
Os Estados Unidos avaliam retirar novas sanções econômicas impostas à Venezuela já na próxima semana, como parte de uma estratégia para facilitar a retomada das vendas de petróleo do país sul-americano. A informação foi divulgada neste sábado (10) pelo secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, as informações são da agência Reuters.
Segundo Bessent, a possível flexibilização das sanções ocorre após a retomada do comércio petrolífero entre os dois países, interrompido desde a ruptura das relações diplomáticas. Ele afirmou que o governo dos EUA estuda medidas para destravar mecanismos financeiros e comerciais que hoje dificultam a circulação de recursos provenientes da venda do petróleo venezuelano.
As sanções americanas em vigor proíbem bancos internacionais e credores de negociar com o governo da Venezuela sem autorização específica. De acordo com instituições financeiras, essas restrições são um dos principais entraves para a reestruturação da dívida venezuelana, estimada em cerca de US$ 150 bilhões, considerada essencial para atrair novamente capital privado ao país.
Em entrevista à Reuters, Scott Bessent afirmou que quase US$ 5 bilhões em ativos monetários da Venezuela, atualmente congelados no Fundo Monetário Internacional (FMI) na forma de Direitos Especiais de Saque (SDRs), poderiam ser utilizados para apoiar a reconstrução da economia venezuelana. O secretário também disse que o Tesouro dos EUA analisa mudanças para facilitar a repatriação das receitas obtidas com a venda de petróleo, que hoje permanecem, em grande parte, armazenadas em navios.
“Como podemos ajudar isso a voltar para a Venezuela, para manter o governo, os serviços de segurança e chegar ao povo venezuelano?”, afirmou Bessent à Reuters, sem detalhar quais medidas práticas estão em estudo.
De acordo com o secretário, ele pretende se reunir com autoridades do FMI e do Banco Mundial para discutir a retomada das relações comerciais com a Venezuela. Bessent afirmou ainda acreditar que empresas privadas menores tendem a retornar rapidamente ao setor de petróleo venezuelano, diante da perspectiva de flexibilização das restrições.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu que grandes companhias petrolíferas invistam pelo menos US$ 100 bilhões na Venezuela como forma de ampliar a influência americana na região. Executivos do setor, no entanto, demonstraram cautela. O CEO da ExxonMobil, Darren Woods, afirmou que o país é atualmente “ininvestível”.“Já tivemos nossos ativos confiscados lá duas vezes, então você pode imaginar que reentrar uma terceira vez exigiria mudanças bastante significativas”, declarou.
“Estamos confiantes de que, com esta administração e o presidente Trump, trabalhando lado a lado com o governo venezuelano, essas mudanças podem ser implementadas”, acrescentou Woods. Já o vice-presidente da Chevron, Mark Nelson, disse que a empresa permanece comprometida com investimentos na Venezuela, sendo atualmente a única grande petroleira dos EUA ainda em operação no país.
Após a retirada de Nicolás Maduro do poder, o comércio de petróleo entre EUA e Venezuela foi retomado sob forte controle americano. Segundo o Departamento de Energia dos EUA, toda a receita obtida com as vendas será inicialmente depositada em contas controladas pelo governo norte-americano em bancos reconhecidos internacionalmente.
“Contamos com o apoio financeiro das principais empresas de comercialização de commodities e bancos importantes do mundo para viabilizar e concretizar essas vendas de petróleo bruto e derivados”, informou o Departamento de Energia. De acordo com o órgão, os recursos ficarão sob controle dos EUA para “garantir a legitimidade e a integridade da distribuição final dos recursos”, que ocorrerá “em benefício do povo americano e do povo venezuelano, a critério do governo dos EUA”.
Na última terça-feira (6), Trump afirmou que os EUA refinariam e venderiam até 50 milhões de barris de petróleo venezuelano retidos em razão do bloqueio imposto por Washington. Segundo o Departamento de Energia, as vendas começaram “imediatamente” e devem continuar por tempo indeterminado. O presidente afirmou que o petróleo será comercializado a preço de mercado e que os recursos serão controlados pelo governo americano.
“O petróleo será transportado por navios de armazenamento e levado diretamente a terminais de descarga nos Estados Unidos”, declarou Trump. O volume corresponde a aproximadamente dois meses da produção atual da Venezuela.
Desde dezembro, milhões de barris de petróleo venezuelano permanecem estocados em navios e tanques, sem possibilidade de exportação, em razão do bloqueio imposto pelos EUA. Nesta semana, autoridades americanas apreenderam um petroleiro vazio de bandeira russa, com ligações à Venezuela, no Oceano Atlântico, como parte da estratégia de controle do fluxo de petróleo na região.
Apesar de possuir as maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela produz atualmente cerca de 1 milhão de barris por dia, volume bem abaixo do potencial do país, devido às sanções econômicas e à deterioração da infraestrutura do setor.
Fonte: Brasil 247 com informações da agência Reuters