sábado, 24 de janeiro de 2026

Fachin faz nota em defesa de Toffoli após cobrança de ministros do STF

Manifestação sobre crise do Banco Master veio após conversas internas e pressão de colegas para que presidente do Supremo defendesse o relator do caso

Dias Toffoli e Edson Fachin (Foto: Ton Molina/STF | Rosinei Coutinho/STF)

A primeira manifestação pública do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, sobre a crise envolvendo o Banco Master ocorreu após uma rodada de conversas com colegas da corte e cobranças diretas para que ele saísse em defesa do ministro Dias Toffoli, relator das investigações. O gesto foi interpretado internamente como necessário para preservar a unidade do tribunal e conter o desgaste institucional.

As informações foram publicadas pela Folha de S.Paulo, que mostrou que, ao longo dos últimos dias, ministros do STF articularam uma resposta institucional à crise de imagem da corte. Nesse contexto, magistrados afirmaram a Fachin que era fundamental que a presidência se posicionasse publicamente para demonstrar o “espírito de corpo” do Supremo, sobretudo diante das críticas direcionadas a Toffoli.

Segundo relatos, Fachin vinha enfrentando um impasse sobre como marcar posição em defesa da ética e avançar no debate sobre a implementação de um código de conduta no STF sem provocar reações internas adversas. Conforme revelou a Folha, a avaliação era de que uma postura mais incisiva poderia ser interpretada como provocação a colegas, aprofundando divisões internas e levando ao isolamento do presidente da corte.

Pelo menos três ministros, de acordo com interlocutores, resistem à fixação imediata de diretrizes éticas e defendem que o tema seja temporariamente suspenso até que as tensões diminuam. Para esse grupo, a defesa do código de conduta em um momento delicado poderia servir de munição para novas críticas do bolsonarismo ao Supremo.

Diante desse cenário, a orientação transmitida a Fachin foi para que, ainda que de forma provisória, deixasse a pauta do código em segundo plano e priorizasse uma manifestação de apoio institucional a Toffoli. A recomendação ganhou força após a Procuradoria-Geral da República (PGR) arquivar a representação que buscava afastar o ministro da relatoria do caso Master.

Na nota divulgada à imprensa na noite de quinta-feira (22), Fachin afirmou que Toffoli exerce “a regular supervisão judicial” das investigações sobre fraudes financeiras relacionadas ao banco. O presidente do STF também destacou que as críticas são legítimas no ambiente democrático, mas ressaltou que o tribunal “não se curva a ameaças ou intimidações”.

O texto não fez menção explícita ao código de ética. Embora trate do assunto em conversas reservadas com outros ministros, Fachin optou por uma abordagem mais ampla, afirmando apenas que “todas as instituições podem e devem ser aperfeiçoadas, mas jamais destruídas”, frase vista como tentativa de equilíbrio entre a defesa institucional e a cautela política.

Interlocutores do presidente do STF afirmam que a nota foi construída a partir de sugestões de colegas e buscou condensar, em um único texto, as diferentes visões existentes dentro da corte. A intenção teria sido reduzir ruídos internos e sinalizar coesão em um momento de forte exposição pública do Supremo.

A manifestação ocorreu em meio a alegações de suspeição contra Toffoli e à defesa, dentro da corte, de que as investigações sejam remetidas à primeira instância. Para parte dos ministros, essa alternativa representaria uma “saída honrosa”, já que, até o momento, não há linha investigativa que aponte para o envolvimento de autoridades com foro por prerrogativa de função.

Nesse entendimento, o envio do caso ao primeiro grau permitiria retirar o STF do centro da crise, preservando ao mesmo tempo a validade dos atos já praticados pelo relator. Toffoli, por sua vez, tem afirmado a auxiliares que sua imparcialidade não está em questão e que não há motivo para se afastar do processo.

Ao mesmo tempo, segundo relatos, o ministro indicou que os próximos passos da investigação —como os depoimentos previstos para a próxima semana— poderão fornecer elementos que justifiquem o envio do caso à primeira instância, encerrando, ao menos temporariamente, a atuação direta do Supremo no episódio.

Fonte: Brasil 247 com informações publicadas na Folha de S. Paulo

PSD vê racha entre Flávio e Tarcísio como chance para Ratinho Jr.

Para Kassab, racha entre Flávio Bolsonaro e Tarcísio cria brecha para atrair outras siglas ao projeto presidencial do governador do Paraná

       Gilberto Kassab e Tarcísio de Freitas (Foto: Reprodução/Facebook)

Diante da disputa de bastidores pelo protagonismo da direita entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), e o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, passaram a atuar para transformar o impasse em oportunidade eleitoral. A avaliação interna é que a divisão no campo conservador abriu espaço para a construção de um novo polo de articulação em torno de uma candidatura própria ao Palácio do Planalto em 2026, com foco especial no União Brasil.

A movimentação foi revelada pelo jornal O Globo e ganhou corpo nas últimas semanas. Em reuniões internas, Ratinho Júnior passou a afirmar de forma direta que está decidido a disputar a Presidência da República. Kassab, por sua vez, tem reforçado publicamente e em conversas reservadas que, no cenário atual, o governador do Paraná reúne as melhores condições para representar o PSD na eleição presidencial, ainda que o partido mantenha outros nomes no radar e acompanhe os movimentos do Republicanos e do PL.

Na leitura da cúpula do PSD, a indefinição entre Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas não apenas atrasa a organização da direita como cria um vácuo de liderança. Flávio se apresenta como herdeiro político do bolsonarismo, mas enfrenta dificuldades para ampliar alianças além do núcleo ideológico. Tarcísio, por sua vez, alterna acenos ao projeto presidencial com sinais de que pode disputar a reeleição em São Paulo, o que, segundo aliados de Ratinho Júnior, favorece o paranaense.

Na sexta-feira, Tarcísio voltou a afirmar que seu projeto político está concentrado na reeleição em São Paulo e negou qualquer pressão do entorno bolsonarista por uma definição mais clara sobre 2026. Durante agenda em Embu das Artes, na região metropolitana paulista, o governador reforçou o apoio a Flávio Bolsonaro e minimizou os ruídos internos no campo da direita.

"Não tem nada de pressão. Até porque agora a gente vai trabalhar muito em prol do Flávio Bolsonaro, não vai ter problema nenhum com relação a isso. Acho que, com o tempo, as coisas vão se acomodando. Isso é absolutamente normal. Tenho certeza que teremos uma candidatura muito competitiva", afirmou Tarcísio.

A disposição de Flávio em disputar o Planalto mesmo sem o respaldo unânime da direita anima Kassab a avançar com o projeto presidencial de Ratinho Júnior. Segundo pessoas próximas ao dirigente do PSD, esta é a primeira vez que Kassab sustenta de forma concreta a candidatura do paranaense, não apenas como instrumento de negociação. O cálculo inclui também o segundo turno: internamente, a avaliação é que Ratinho teria mais chances contra o presidente Lula em um cenário com Flávio do que em uma disputa polarizada com Tarcísio.

Nesse contexto, uma estratégia de campanha começa a ser desenhada, com a participação do marqueteiro argentino Jorge Gerez. Entre as linhas em estudo está o uso da imagem do apresentador Carlos Massa, o Ratinho, como ativo eleitoral, além da exploração da segurança pública como vitrine administrativa, destacando indicadores do Paraná, investimentos em tecnologia e o uso de inteligência artificial.

Apesar do entusiasmo da direção nacional, dirigentes reconhecem entraves relevantes na montagem de palanques regionais. Em estados estratégicos, alianças locais do próprio PSD com o PT — como no Rio de Janeiro, Bahia e Piauí — dificultam um discurso nacional de oposição. Minas Gerais é tratado como ponto central da articulação, com diálogo em curso entre Ratinho Júnior e o governador Romeu Zema (Novo), em busca de um palanque competitivo e com autonomia regional para 2026.

Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo

Lula convoca participação política da população e alerta para eleições: "ou nós assumimos, ou eles assumem"

Presidente defende reforma agrária, cobra engajamento eleitoral e critica o avanço do unilateralismo no mundo

Lula convoca participação política da população e alerta para eleições: "ou nós assumimos, ou eles assumem" (Foto: Ricardo Stuckert)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ressaltou, em discurso, a necessidade da participação política da população brasileira na disputa eleitoral deste ano, ao nesta sexta-feira (23), do encerramento do 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), no Parque de Exposições Agropecuárias de Salvador (BA).

◎ Reforma agrária e fortalecimento do Incra

Durante a fala, Lula anunciou que pretende intensificar o diálogo com os movimentos do campo e marcou uma nova rodada de discussões para as próximas semanas. “Eu já combinei com a direção do MST que ainda no meio de fevereiro quero ter uma reunião com o agrupamento do movimento rural nesse país para discutir com mais precisão tudo o que foi feito e o que precisa ser feito no próximo período”, afirmou.

O presidente relembrou que, ao assumir o mandato em 2023, solicitou um levantamento nacional de terras destinadas à reforma agrária, incluindo áreas em conflito ou passíveis de desapropriação. Segundo ele, o trabalho esbarrou na falta de estrutura do Incra. “Acontece que quando os companheiros tomaram posse, a primeira dificuldade que eles encontraram é que o INCRA não tinha estrutura sequer para fazer 10% das coisas que eu queria que fosse feito. Então é preciso reestruturar, fazer concurso, contratar mais gente”, disse.

◎ Bancos públicos e medidas para pequenos produtores

Lula destacou o papel dos bancos públicos no apoio às políticas voltadas ao campo. “Eu acho que pela primeira vez a gente vai no encontro dos Sem Terra aplaudir o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, porque no nosso governo eles funcionam a serviço do povo trabalhador desse país”, declarou.

Entre as ações citadas, o presidente mencionou iniciativas para fortalecer a produção leiteira. “A gente tem interesse de ainda este ano, distribuir 300 mil embriões para melhorar a qualidade do rebanho leiteiro dos pequenos produtores rurais brasileiros que vivem da produção de leite”, afirmou. Ele também falou sobre a tentativa de viabilizar uma unidade de beneficiamento. “Vamos tentar financiar uma fábrica de laticínio de leite em pó, uma fábrica de leite em pó aos pequenos produtores.”

◎ Participação política e eleições

O principal eixo do discurso foi o chamado à organização política e eleitoral. Lula afirmou que a correlação de forças no Congresso dificulta avanços sociais. “Não adianta a gente sonhar muito e depois o resultado eleitoral coloca 574 deputados como bancada ruralista e apenas dois sem terra eleitos como deputados federais”, afirmou.

Em seguida, alertou para os riscos da omissão política. “Vocês sabem qual é a desgraça de quem não participa da vida política? Vocês sabem qual é a desgraça de quem não gosta de política? É que é governado por quem gosta”, disse. Para ele, a participação direta é decisiva para mudar esse cenário. “Se quem gosta não gosta de nós, não vai acontecer nunca as coisas que nós queremos”, completou.

Lula também relatou o episódio que o levou a defender a criação de um Partido de Trabalhadores, no fim dos anos 1970, após constatar a baixa presença de representantes da classe trabalhadora no Congresso Nacional. “Quando eu cheguei lá, eu descobri que só tinha dois trabalhadores no Congresso Nacional”, afirmou. “Então não tem jeito. Eu vou ter que criar um partido. E criei um partido.”

◎ Agricultura familiar e produção de alimentos

O presidente defendeu que os movimentos sociais deem maior visibilidade ao papel da agricultura familiar na alimentação do país. “Quando a gente critica o agronegócio, 90% das críticas é verdadeira. Mas a contrapartida é dizer o que nós fizemos”, disse. Em seguida, reforçou: “Quem é que produz alimento? Quem é que luta contra o agrotóxico? Quem é que tenta produzir o alimento que vai para a nossa mesa? Somos nós.”

Segundo Lula, é necessário deixar claro o destino da produção. “O agronegócio produz para exportar e o pequeno produz para a gente comer. E isso precisa ficar claro para a sociedade brasileira”, afirmou.

◎ Economia, emprego e renda

Ao longo do discurso, Lula comparou indicadores econômicos de diferentes períodos e citou avanços recentes. Sobre o salário mínimo, declarou: “o salário mínimo, com o aumento além da inflação, foi para R$1.621, que é muito pouco, mas é o dobro do que era sem a gente colocar o PIB”.

O presidente também mencionou crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), queda do desemprego e ampliação do crédito rural, relacionando esses fatores à melhoria das condições de vida da população.

◎ Política internacional e defesa da paz

Na parte final, Lula abordou o cenário internacional e mencionou a eleição do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, além de mudanças políticas em países da América Latina. Para ele, o mundo vive um período de instabilidade. “Nós estamos vivendo um momento muito crítico na política mundial”, afirmou, ao criticar o enfraquecimento do multilateralismo.

Lula citou declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre poderio militar. “Toda vez que o presidente Trump fala na televisão, ele fala: ‘eu tenho o exército mais forte do mundo’”, disse. Ao reafirmar sua posição, declarou: “Eu não quero guerra, eu sou um homem da paz”, defendendo o diálogo e a diplomacia. “Eu quero fazer guerra com o poder do convencimento, com argumento, com narrativas, mostrando que a democracia é imbatível.”

◎ Encerramento e chamado à mobilização

Ao encerrar o discurso, Lula voltou a destacar a importância da disputa política. “Ou nós assumimos ou eles assumem”, afirmou. Ele também disse que pretende enfrentar a desinformação durante o processo eleitoral. “Nós vamos mostrar que esse é o ano da verdade. Nós vamos mostrar que a mentira não vai prevalecer.”

Fonte: Brasil 247

Moraes manda desmontar acampamentos na Papuda após pedido da PGR


           O ministro Alexandre de Moraes. Foto: Divulgação

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou a retirada imediata de acampamentos montados em frente ou nas imediações da Penitenciária Federal de Brasília, no Complexo da Papuda.

A ordem inclui o Núcleo de Custódia da Polícia Militar, conhecido como “Papudinha”, onde está preso o ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão foi tomada no âmbito da Petição 15285, a partir de representação da Procuradoria-Geral da República.

Segundo a PGR, após a transferência de Bolsonaro para a unidade prisional, manifestantes instalaram barracas no local e passaram a exibir faixas pedindo anistia e liberdade ao ex-presidente. A Procuradoria apontou que o ato tinha como objetivo declarado exercer pressão sobre o STF e poderia comprometer a segurança do estabelecimento penal.

Ao analisar o pedido, Moraes afirmou que os direitos de reunião e de livre manifestação não são absolutos. Para o ministro, esses direitos devem ser exercidos dentro de limites compatíveis com a ordem pública, a segurança e o funcionamento regular das instituições, especialmente em áreas sensíveis como o entorno de uma penitenciária federal de segurança máxima.

O relator destacou que o perímetro do complexo prisional integra rotas utilizadas para escoltas federais e deslocamento de internos e autoridades. Segundo ele, a ocupação do espaço representa risco concreto à segurança pública e à execução penal, além de interferir no regular cumprimento de decisões judiciais.

Fachada do presídio da Papuda, em Brasília Foto: Reprodução
Na decisão, Moraes relembrou os acampamentos instalados em frente a quartéis do Exército após as eleições de 2022, que, segundo ele, foram tolerados por omissão de autoridades e acabaram culminando nos atos violentos de 8 de janeiro de 2023. Para o ministro, a repetição desse cenário é “inadmissível” diante dos danos institucionais já registrados.

A representação da PGR também mencionou a convocação de uma “Caminhada da Paz” para os próximos dias e a mobilização de parlamentares em apoio aos manifestantes. De acordo com o órgão, as iniciativas guardam semelhança com estratégias adotadas antes dos ataques às sedes dos Três Poderes.

Moraes citou precedentes nacionais e internacionais para sustentar que manifestações podem sofrer restrições proporcionais de tempo, local e forma quando colocam em risco a segurança, a ordem pública ou os direitos de terceiros. Ele afirmou que a liberdade de expressão não pode ser usada como instrumento de intimidação ou coação do Poder Judiciário.

A decisão determina que os órgãos de segurança do Distrito Federal, em especial a Polícia Militar, adotem imediatamente as providências necessárias para a remoção dos acampamentos e para impedir novas ocupações no local. O texto também autoriza a prisão em flagrante de pessoas que resistirem ou descumprirem a ordem judicial.

Por fim, o ministro ordenou a notificação das secretarias de Segurança Pública e de Assuntos Penitenciários do DF, além da Polícia Federal, para garantir o cumprimento da medida. Segundo Moraes, a determinação busca preservar a ordem pública, assegurar a execução da pena e evitar a repetição de práticas que atentem contra o Estado Democrático de Direito.

Fonte: DCM

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

RedeTV! promove demissão em massa e gera pânico nos bastidores


     Estúdio da RedeTV! Foto: Reprodução

A RedeTV! promove nesta quinta (23) uma onda de demissões que atinge diretamente o setor de jornalismo. Segundo relatos de bastidores, ao menos 20 profissionais já foram dispensados, incluindo integrantes das equipes de operação, técnica e reportagem. A movimentação ainda está em curso, com uma lista que pode alcançar cerca de 60 cortes.

Segundo a coluna de Fábia Oliveira no Metrópoles, o clima interno é descrito como de forte apreensão. Funcionários relatam sensação de pavor e insegurança diante da possibilidade de novas demissões ao longo do dia, em um processo que tem afetado diferentes núcleos do jornalismo da emissora. A falta de comunicação clara sobre o alcance da reestruturação amplia a tensão nos corredores.

As demissões ocorrem uma semana após a saída de Luciana Gimenez, que deixou a RedeTV! depois de mais de 25 anos. Na ocasião, a saída já era vista internamente como parte de um movimento mais amplo de mudanças, e não como um caso isolado. Fontes apontam que a emissora passa por um redesenho profundo de suas equipes.

A reestruturação está ligada ao afastamento de profissionais associados a Marcelo de Carvalho, que recentemente vendeu sua participação na empresa ao sócio Amilcare Dallevo Jr.. A saída de Luciana teria sido articulada ainda em dezembro e, segundo relatos que circulam internamente, contou com a influência de Daniela Albuquerque, esposa de Dallevo, informação comentada nos bastidores da emissora.

Fonte: DCM com informações da coluna da jornalista Fábia Oliveira, no Metrópoles

VÍDEO – Lula endurece discurso contra quem defende o Banco Master: “Falta vergonha”


O presidente Lula durante evento “Minha Casa, Minha Vida”. Foto: DivulgaçãO

Sem citar nominalmente Daniel Vorcaro, o presidente Lula afirmou nesta sexta-feira (23) que há pessoas que o defendem “por falta de vergonha na cara”. A declaração foi feita durante um evento em Maceió, capital de Alagoas, na cerimônia de entrega de 1,3 mil moradias do programa “Minha Casa, Minha Vida”.

Ao discursar sobre a situação da população de baixa renda, Lula comparou as dificuldades enfrentadas pelos mais pobres com o que classificou como um grande desfalque envolvendo o Banco Master. Segundo o presidente, o impacto das irregularidades recai, na prática, sobre o sistema financeiro e, indiretamente, sobre a sociedade.

“Não é possível que a gente continue vendo o pobre ser sacrificado, enquanto um cidadão, como esse do Banco Master, que deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões. E quem vai pagar? São os bancos. É o Banco do Brasil, é a Caixa Econômica Federal, é o Itaú. Um cidadão que deu um desfalque de quase R$ 40 bilhões nesse país”, afirmou ele.

Na sequência, o presidente voltou a criticar os defensores do empresário. “Então, companheiros, e tem gente que defende porque também está cheio de gente que falta um pouco de vergonha na cara nesse país”, completou, mantendo o tom duro ao tratar do caso.


A fala de Lula está relacionada ao funcionamento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), responsável por ressarcir investidores que adquiriram CDBs do Banco Master. O fundo não utiliza recursos do governo nem recebe aportes diretos dos clientes, atuando como um mecanismo de proteção do sistema financeiro.

O FGC é capitalizado por instituições privadas e também por bancos públicos. Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a Caixa Econômica Federal responde por cerca de um terço da capitalização do fundo, o que amplia o impacto do caso sobre o setor público.

As investigações envolvendo o Banco Master avançaram nas últimas semanas e revelaram uma rede de operações financeiras consideradas irregulares. Nesta sexta-feira, a Polícia Federal realizou buscas contra o presidente e diretores do Rioprevidência, o regime próprio de previdência do Estado do Rio de Janeiro, em mais um desdobramento do caso.

O Rioprevidência informou ter realizado, nos últimos anos, aportes de quase R$ 1 bilhão em fundos ligados ao conglomerado de Vorcaro. Para a Polícia Federal, essas operações “expuseram o patrimônio da autarquia a risco elevado e incompatível com sua finalidade”, afetando recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões de cerca de 235 mil servidores e dependentes.

As apurações tiveram início em 2024, após o Banco Central identificar irregularidades e comunicar o Ministério Público Federal. A investigação apontou a emissão de títulos de crédito sem lastro, como CDBs com promessa de rendimento até 40% acima da taxa básica de mercado.

Em novembro de 2025, a Operação Compliance Zero levou à prisão de Vorcaro e de outros executivos e à liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central, encerrando as atividades da instituição.

Fonte: DCM

PRF notifica Nikolas e cobra medidas de segurança durante caminhada


     Nikolas Ferreira e aliados bolsonaristas durante caminhada. Foto: Reprodução

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) notificou formalmente o gabinete do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e cobrou a adoção de medidas de segurança durante a chamada “caminhada pela liberdade”. Segundo a corporação, foram identificados riscos operacionais ao longo do trajeto realizado por rodovias federais.

Em nota enviada à imprensa nesta sexta (23), a PRF informou que reforçou o alerta ao parlamentar após o movimento completar o quinto dia. Até agora, o grupo percorreu mais de 144 quilômetros, com a adesão de manifestantes e aliados políticos, formando uma mobilização que supera 100 pessoas.

De acordo com a PRF, os participantes seguem pelo acostamento da BR-040 enquanto o tráfego de veículos permanece normal na pista. “A PRF informa que notificou formalmente o gabinete do deputado federal Nikolas Ferreira sobre os riscos operacionais identificados durante o deslocamento na BR-040”, afirmou o órgão, ao destacar a necessidade de ações para mitigar perigos à segurança viária.

Veículo da PRF. Foto: Divulgação
A notificação aponta que Nikolas é o responsável pelo ato político e, portanto, deve orientar os manifestantes para reduzir riscos, garantir organização no acostamento e evitar incidentes. A corporação frisou que não impede a continuidade da caminhada, mas exige cuidados para que o protesto ocorra de forma pacífica e segura.

A corporação também informou que seguirá monitorando o deslocamento de forma ininterrupta, com equipes dedicadas. “A PRF reforça que seguirá acompanhando a movimentação de forma ininterrupta, com o objetivo de mitigar riscos, preservar a segurança viária e proteger tanto os participantes quanto os demais usuários da rodovia”, diz o comunicado.

A caminhada teve início na segunda (19), no interior de Minas Gerais, e segue em direção a Brasília. O ato conta com a presença de parlamentares aliados de Jair Bolsonaro, entre eles deputados federais e senadores, e tem como destino final uma manifestação marcada para domingo (25), ao meio-dia, na Praça do Cruzeiro, na capital federal.

Fonte: DCM

VÍDEO – TromPetista toca berrante na caminhada de Nikolas: “Tem gado na pista”


TromPetista zomba de bolsonaristas que acompanham Nikolas Ferreira em caminhada. Foto: Reprodução

O músico Fabiano Leitão, o TromPetista, apareceu na caminhada promovida pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) entre Minas Gerais e Brasília para zombar do parlamentar e outros bolsonaristas. O episódio ocorreu no trecho entre Cristalina e Luziânia, às margens da rodovia.

Em vídeo publicado nas redes, Fabiano aparece no alto de um morro tocando um berrante e um trompete em direção aos participantes da mobilização. “Cuidado. Tem gado solto na pista”, escreveu na legenda. A gravação superou 108 mil visualizações e mostra o músico tocando um berrante e, em seguida, a canção “Marcha, soldado” no trompete.

Durante a cena, veículos que trafegavam pela estrada buzinaram em apoio ao trompetista. Em meio às imagens, é possível ouvir gritos de “É Lula!”, em referência ao presidente, em clima de celebração e provocação política aos apoiadores do deputado.

Desde segunda (19), Nikolas Ferreira conduz a chamada “Caminhada pela Justiça e Liberdade”, com percurso de cerca de 240 quilômetros entre Paracatu, em Minas Gerais, e Brasília. Segundo o parlamentar, o ato ocorre em defesa de Jair Bolsonaro e dos golpistas condenados pelo 8 de janeiro de 2023.

Fonte: DCM

VÍDEO – Lula detona Bolsonaro e diz que ele tratou Brasil “como casa alugada”


O presidente Lula durante discurso nesta sexta (23). Foto: Reprodução

O presidente Lula afirmou nesta sexta (23) que encontrou o país “desmantelado” ao reassumir o governo após a gestão de Jair Bolsonaro. Segundo ele, o Brasil parecia uma “casa alugada” quando seu antecessor deixou o poder.

“Esse país era como se fosse uma casa alugada para quem não prestava, tá? Quem fez tudo que não prestava”, declarou. Lula disse que os dois primeiros anos de seu terceiro mandato foram dedicados à reconstrução.

“Nós tivemos dois anos de reconstrução porque nós encontramos esse país desmantelado”, afirmou, ao comentar o cenário herdado do governo anterior. As falas ocorreram durante evento em Maceió.

O discurso foi feito na celebração do marco de duas milhões de moradias contratadas pelo Minha Casa, Minha Vida desde 2023. Na ocasião, também foram entregues 1,3 mil unidades do programa habitacional.


Sem citar nominalmente Bolsonaro, o presidente detonou a atuação do governo passado. “A única coisa que sabiam fazer era mentir, mentir e mentir. Todo mundo sabe que a mentira voa e a verdade engatinha. Tem muita gente contando mentira, e nós não podemos permitir que a mentira volte a governar”, prosseguiu.

Lula afirmou que 2026 será um ano de comparação entre gestões. Ele incluiu no contraste os governos de Bolsonaro e do ex-presidente Michel Temer, indicando que os dados de políticas públicas serão colocados lado a lado.

“Nós vamos comparar quem cuidou mais das estradas e quem fez mais estrada. Nós vamos comparar quem fez mais saúde neste país, quem fez mais operação”, afirmou. O presidente também citou educação e políticas territoriais.

“Nós vamos comparar quem fez mais universidade, quem fez mais institutos federais, quem legalizou mais quilombos nesse país, quem legalizou mais terra indígena nesse país”, completou.

Fonte: DCM

VÍDEO – Homem é preso em SC após circular com suástica nazista em carro

 

Carro flagrado com adesivo de suástica nazista em SC. Foto: Reprodução
Um homem foi preso na tarde de quinta (22) em Araranguá, no Extremo Sul de Santa Catarina, após circular com um adesivo de suástica nazista colado no vidro do carro. O veículo chamou a atenção de moradores, que acionaram a polícia ao perceber o símbolo exposto em via pública.

A Polícia Militar de Santa Catarina localizou o automóvel circulando pela cidade e identificou o proprietário. O homem foi detido e encaminhado à Central de Flagrantes da Polícia Civil de Santa Catarina, onde o caso foi registrado.

Além da suástica, o carro trazia a frase “Brasil Guerra Civil Já” no vidro traseiro. No porta-malas, também havia adesivos com as bandeiras de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. O veículo, um Chevrolet Classic, foi encontrado estacionado, trancado e sem ocupantes no momento da abordagem.

Segundo a Polícia Militar, funcionários de estabelecimentos próximos relataram que o motorista deixou o carro no local após uma pane mecânica. Imagens de câmeras de segurança mostraram um homem de meia-idade, com barba e cabelo branco, abandonando o veículo na rua, o que ajudou na identificação do suspeito.


De acordo com o delegado Adriel Alves, responsável pela ocorrência, a prisão foi efetuada com base na Lei nº 7.716/1989, que trata de crimes de racismo e apologia ao nazismo.

Em depoimento, o homem afirmou que encomendou os adesivos e decidiu mantê-los no carro mesmo após alertas de familiares. “Ele disse que o veículo é de sua propriedade e que ele mesmo encomendou e colou os adesivos no carro”, afirmou o delegado.

O suspeito permanece preso e à disposição da Justiça, aguardando audiência de custódia. A polícia informou que este não é um caso isolado na região. Em 2025, uma operação realizada em quatro estados levou à apreensão de material de apologia ao nazismo em uma residência no município de Cocal do Sul, também no Sul catarinense.

Fonte: DCM

Nikolas se hospeda em hotel na sua “caminhada pela liberdade” e é detonado nas redes

A manifestação reúne apoiadores e aliados do deputado para defender pessoas condenadas por ações golpistas

       Nikolas Ferreira (Foto: Kayo Magalhaes/Câmara dos Deputados

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) esteve hospedado no município de Cristalina, em Goiás, durante a participação em um protesto político batizado de “caminhada pela liberdade”. O parlamentar ficou hospedado no Hotel Quartzo, com diárias que variam entre R$ 285 e R$ 332. A cidade goiana iAntegra o percurso da mobilização, que atravessa diferentes municípios até Brasília (DF).

A manifestação reúne apoiadores e aliados do deputado ao longo de um trajeto de aproximadamente 200 quilômetros, que liga Paracatu, em Minas Gerais, à capital federal. A caminhada teve início na segunda-feira (19) e está programada para ser concluída neste fim de semana.

A mobilização tem caráter político e reúne manifestantes que defendem o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outras pessoas condenadas por participação em ações golpistas. Bolsonaro foi sentenciado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos de prisão no âmbito do inquérito que apurou a chamada trama golpista, recebendo a pena mais elevada entre as 29 condenações resultantes desse processo.

Os atos investigados pelo STF incluem os ataques de 8 de janeiro de 2023, quando sedes dos Três Poderes, em Brasília, foram depredadas. Essas ações integraram uma apuração mais ampla conduzida pela Corte sobre a tentativa de ruptura institucional. No julgamento específico relacionado às manifestações daquele dia, o STF condenou 1.399 pessoas por envolvimento nos atos.

Conforme números divulgados em 8 de janeiro deste ano, 179 pessoas permanecem presas em decorrência dessas condenações. Desse total, 114 cumprem pena em regime fechado, enquanto outras 50 estão em prisão domiciliar. Também existem 15 prisões preventivas em vigor, entre elas a de Felipe Martins, ex-assessor de Jair Bolsonaro.

A caminhada liderada por Nikolas Ferreira se insere nesse contexto de mobilização política em defesa dos condenados e ocorre enquanto seguem em andamento os desdobramentos judiciais relacionados aos ataques às instituições democráticas brasileiras.

 

 

Fonte: Brasil 247

Moraes aciona PGR para avaliar prisão de Filipe Martins após uso do LinkedIn

O ex-assessor de Bolsonaro foi condenado a 21 anos de prisão no inquérito da trama golpista

      Filipe Martins (Foto: Artur Max/MRE)

 O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes enviou à Procuradoria-Geral da República (PGR) um requerimento para emitir um posicionamento sobre um pedido de reconsideração da prisão de Filipe Martins, condenado pelo STF a 21 anos de prisão no inquérito da trama golpista, que registrou 29 condenações, entre elas a de Jair Bolsonaro (27 anos de reclusão).

O magistrado do STF determinou a prisão preventiva de Martins em 2 de janeiro. Segundo Moraes, o ex-assessor de Bolsonaro descumpriu uma medida cautelar que proibia o uso de redes sociais. O procurador-geral Paulo Gonet terá 15 dias para emitir um parecer. O relato foi divulgado no SBT.

Em dezembro, Martins e outros condenados no processo da trama golpista passaram a cumprir prisão domiciliar. A ação ainda não tinha trânsito em julgado, quando não há mais possibilidade de recurso. Mas, de acordo com o STF, o ex-assessor violou algumas medidas cautelares determinadas pela Corte e, por consequência, foi necessaria a detenção preventiva.

Conforme o despacho do ministro, assinado na terça-feira (20), a defesa de Filipe Martins contesta a decisão e sustenta que não houve descumprimento das restrições judiciais. Os advogados argumentam que o registro identificado no LinkedIn no fim do ano passado não configurou uso ativo da rede social.

No pedido encaminhado ao STF, a defesa classificou o episódio como um evento técnico, sem intenção de comunicação ou interação. Segundo os advogados, o acesso teria ocorrido de forma automática, sem qualquer ação deliberada por parte de Martins.

“Não houve utilização da plataforma LinkedIn, nem se verificou qualquer modalidade de uso comunicacional de redes sociais, próprias ou por intermédio de terceiros, tampouco a prática de ato voluntário, consciente ou finalisticamente orientado a frustrar, ou contornar a finalidade da cautelar imposta", afirma a defesa no documento apresentado ao Supremo.

A manifestação da Procuradoria-Geral da República será analisada por Alexandre de Moraes antes de uma decisão definitiva sobre a manutenção ou eventual revisão da prisão preventiva de Filipe Martins, que segue detido por ordem do STF no contexto das investigações sobre a tentativa de ruptura institucional.

Fonte: Brasil 247

Chico Lucas deixa o Piauí e assume papel-chave na segurança do governo Lula

Ex-secretário estadual assume secretaria nacional com missão de ampliar políticas baseadas em dados, integração policial e tecnologia

       Francisco Lucas Costa Veloso, o "Chico Lucas" (Foto: Governo do Piauí)

Francisco Lucas Costa Veloso, conhecido como Chico Lucas, foi escolhido para comandar a Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça. Aos 41 anos, o advogado piauiense chega a Brasília após três anos à frente da pasta no Piauí, onde apostou no uso intensivo de dados, na integração das forças policiais e no diálogo com a academia para reduzir indicadores de violência. A nomeação o coloca no centro de uma das áreas mais sensíveis do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com a tarefa de articular políticas nacionais e enfrentar a expansão do crime organizado, informa a Folha de São Paulo.

O convite partiu do novo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, e contou com o apoio do Conselho Nacional de Secretários de Segurança Pública (Consesp), que reúne os chefes das pastas estaduais. A escolha reflete o peso político e técnico acumulado por Chico Lucas no Piauí, estado governado por Rafael Fonteles (PT), de quem é aliado de longa data. Filiado ao PT, ele construiu uma trajetória que mescla atuação jurídica, experiência institucional e protagonismo na formulação de políticas públicas.

Formado em direito pela Universidade Federal do Piauí, Chico Lucas é procurador do estado desde 2009. Iniciou a carreira ainda jovem, aos 19 anos, na Polícia Rodoviária Federal, e tornou-se procurador aos 25. Entre 2016 e 2018, presidiu a seccional da Ordem dos Advogados do Brasil no Piauí. A relação com Rafael Fonteles vem da juventude, quando estudaram na mesma escola, e se consolidou politicamente ao longo dos anos.

Ao assumir a Secretaria de Segurança Pública do Piauí, em 2023, adotou uma estratégia de forte presença policial nas ruas, especialmente por meio de blitze em vias urbanas das principais cidades. A política lhe rendeu o apelido de “Chico Blitze” e marcou o início de uma gestão que combinou ações ostensivas com planejamento técnico. Paralelamente, montou uma equipe com mais de 50 pesquisadores, entre mestres e doutores, responsáveis por subsidiar a formulação de políticas de segurança baseadas em evidências.

Os resultados apareceram nos indicadores oficiais. Entre 2022 e 2025, o estado registrou redução de 31% nas mortes violentas, queda de 38% nos roubos de veículos e diminuição de 49% nos roubos em geral. As mortes decorrentes de intervenções policiais também recuaram, somando 20 casos em 2025. O desempenho contrastou com a realidade de outros estados do Nordeste governados pelo PT, como Bahia, Ceará e Rio Grande do Norte, que enfrentaram crises mais agudas relacionadas à disputa entre facções criminosas.

A principal vitrine da gestão, no entanto, foi o programa de recuperação de celulares roubados e furtados. A iniciativa reduziu esse tipo de crime em 53% e possibilitou a recuperação de mais de 14 mil aparelhos no Piauí. O modelo ganhou projeção nacional, foi incorporado pelo Ministério da Justiça em 2024 e passou a ser replicado em pelo menos nove estados, entre eles São Paulo e Rio de Janeiro.

Outra frente de inovação foi o lançamento do BO Fácil, aplicativo que permite o registro de boletins de ocorrência, o envio de denúncias anônimas e o acionamento do número 190 por meio do WhatsApp. A ferramenta ampliou o acesso da população aos serviços de segurança e reforçou o uso da tecnologia como eixo central da política estadual.

No Piauí, Chico Lucas construiu a imagem de um gestor de perfil linha-dura, mas que defende a adoção de políticas alinhadas à garantia dos direitos humanos. É descrito como um articulador pragmático, disposto a enfrentar embates políticos quando necessário. Logo no início da gestão, protagonizou debates intensos ao lançar o programa “Pacto pela Ordem”, um conjunto de 13 medidas voltadas ao combate ao crime organizado. O pacote endureceu punições para crimes envolvendo policiais e criou um fundo destinado a apoiar vítimas da violência.

Entusiasta do uso de tecnologia, investiu em sistemas de videomonitoramento, abriu concurso para a contratação de 3 mil policiais e ampliou, ao longo de três anos, o número de mandados de prisão cumpridos e de apreensões de drogas. Apesar dos avanços, a gestão também lidou com desafios persistentes, como o fortalecimento das facções criminosas e o aliciamento de jovens em situação de vulnerabilidade.

Dados do governo estadual apontam que as ocorrências de tráfico de drogas cresceram 117% nos últimos dois anos, totalizando 2.650 registros. As organizações criminosas diversificaram suas atividades, passando a atuar em esquemas de lavagem de dinheiro, falsificação de bebidas e controle de postos de combustíveis. Segundo o sociólogo Arnaldo Eugênio, especialista em segurança pública, “elas disputam territórios e aliciam jovens que são vulneráveis. É preciso reforçar ações nas áreas educacional e social”.

Em dezembro, em operação integrada com a polícia de São Paulo, a Secretaria de Segurança do Piauí prendeu empresários investigados na operação Carbono Oculto 86 e interditou cerca de 40 postos de combustíveis ligados ao PCC. A ofensiva evidenciou a capacidade de articulação interestadual que agora será exigida em escala nacional.

À frente da Secretaria Nacional de Segurança Pública, Chico Lucas terá como desafios centrais avançar nas discussões para a aprovação da PEC da Segurança no Congresso Nacional, enfrentar a resistência de governadores alinhados à direita e coordenar estratégias de combate às facções criminosas em todo o país, ampliando uma agenda que combina repressão qualificada, inteligência e políticas públicas estruturantes.

Fonte: Brsil 247 com informações da Folha de S. Paulo