Presidente defende reforma agrária, cobra engajamento eleitoral e critica o avanço do unilateralismo no mundo
Lula convoca participação política da população e alerta para eleições: "ou nós assumimos, ou eles assumem" (Foto: Ricardo Stuckert)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ressaltou, em discurso, a necessidade da participação política da população brasileira na disputa eleitoral deste ano, ao nesta sexta-feira (23), do encerramento do 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), no Parque de Exposições Agropecuárias de Salvador (BA).
◎ Reforma agrária e fortalecimento do Incra
Durante a fala, Lula anunciou que pretende intensificar o diálogo com os movimentos do campo e marcou uma nova rodada de discussões para as próximas semanas. “Eu já combinei com a direção do MST que ainda no meio de fevereiro quero ter uma reunião com o agrupamento do movimento rural nesse país para discutir com mais precisão tudo o que foi feito e o que precisa ser feito no próximo período”, afirmou.
O presidente relembrou que, ao assumir o mandato em 2023, solicitou um levantamento nacional de terras destinadas à reforma agrária, incluindo áreas em conflito ou passíveis de desapropriação. Segundo ele, o trabalho esbarrou na falta de estrutura do Incra. “Acontece que quando os companheiros tomaram posse, a primeira dificuldade que eles encontraram é que o INCRA não tinha estrutura sequer para fazer 10% das coisas que eu queria que fosse feito. Então é preciso reestruturar, fazer concurso, contratar mais gente”, disse.
◎ Bancos públicos e medidas para pequenos produtores
Lula destacou o papel dos bancos públicos no apoio às políticas voltadas ao campo. “Eu acho que pela primeira vez a gente vai no encontro dos Sem Terra aplaudir o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, porque no nosso governo eles funcionam a serviço do povo trabalhador desse país”, declarou.
Entre as ações citadas, o presidente mencionou iniciativas para fortalecer a produção leiteira. “A gente tem interesse de ainda este ano, distribuir 300 mil embriões para melhorar a qualidade do rebanho leiteiro dos pequenos produtores rurais brasileiros que vivem da produção de leite”, afirmou. Ele também falou sobre a tentativa de viabilizar uma unidade de beneficiamento. “Vamos tentar financiar uma fábrica de laticínio de leite em pó, uma fábrica de leite em pó aos pequenos produtores.”
◎ Participação política e eleições
O principal eixo do discurso foi o chamado à organização política e eleitoral. Lula afirmou que a correlação de forças no Congresso dificulta avanços sociais. “Não adianta a gente sonhar muito e depois o resultado eleitoral coloca 574 deputados como bancada ruralista e apenas dois sem terra eleitos como deputados federais”, afirmou.
Em seguida, alertou para os riscos da omissão política. “Vocês sabem qual é a desgraça de quem não participa da vida política? Vocês sabem qual é a desgraça de quem não gosta de política? É que é governado por quem gosta”, disse. Para ele, a participação direta é decisiva para mudar esse cenário. “Se quem gosta não gosta de nós, não vai acontecer nunca as coisas que nós queremos”, completou.
Lula também relatou o episódio que o levou a defender a criação de um Partido de Trabalhadores, no fim dos anos 1970, após constatar a baixa presença de representantes da classe trabalhadora no Congresso Nacional. “Quando eu cheguei lá, eu descobri que só tinha dois trabalhadores no Congresso Nacional”, afirmou. “Então não tem jeito. Eu vou ter que criar um partido. E criei um partido.”
◎ Agricultura familiar e produção de alimentos
O presidente defendeu que os movimentos sociais deem maior visibilidade ao papel da agricultura familiar na alimentação do país. “Quando a gente critica o agronegócio, 90% das críticas é verdadeira. Mas a contrapartida é dizer o que nós fizemos”, disse. Em seguida, reforçou: “Quem é que produz alimento? Quem é que luta contra o agrotóxico? Quem é que tenta produzir o alimento que vai para a nossa mesa? Somos nós.”
Segundo Lula, é necessário deixar claro o destino da produção. “O agronegócio produz para exportar e o pequeno produz para a gente comer. E isso precisa ficar claro para a sociedade brasileira”, afirmou.
◎ Economia, emprego e renda
Ao longo do discurso, Lula comparou indicadores econômicos de diferentes períodos e citou avanços recentes. Sobre o salário mínimo, declarou: “o salário mínimo, com o aumento além da inflação, foi para R$1.621, que é muito pouco, mas é o dobro do que era sem a gente colocar o PIB”.
O presidente também mencionou crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), queda do desemprego e ampliação do crédito rural, relacionando esses fatores à melhoria das condições de vida da população.
◎ Política internacional e defesa da paz
Na parte final, Lula abordou o cenário internacional e mencionou a eleição do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, além de mudanças políticas em países da América Latina. Para ele, o mundo vive um período de instabilidade. “Nós estamos vivendo um momento muito crítico na política mundial”, afirmou, ao criticar o enfraquecimento do multilateralismo.
Lula citou declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre poderio militar. “Toda vez que o presidente Trump fala na televisão, ele fala: ‘eu tenho o exército mais forte do mundo’”, disse. Ao reafirmar sua posição, declarou: “Eu não quero guerra, eu sou um homem da paz”, defendendo o diálogo e a diplomacia. “Eu quero fazer guerra com o poder do convencimento, com argumento, com narrativas, mostrando que a democracia é imbatível.”
◎ Encerramento e chamado à mobilização
Ao encerrar o discurso, Lula voltou a destacar a importância da disputa política. “Ou nós assumimos ou eles assumem”, afirmou. Ele também disse que pretende enfrentar a desinformação durante o processo eleitoral. “Nós vamos mostrar que esse é o ano da verdade. Nós vamos mostrar que a mentira não vai prevalecer.”
Fonte: Brasil 247
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