quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Lula escolhe Miriam Belchior para substituir Rui Costa na Casa Civil

Ministro deixará o cargo para concorrer a uma vaga no Senado pela Bahia nas eleições

      Miriam Belchior (Foto: Wagner Lopes/CC)

O ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), confirmou nesta quinta-feira (29) que a atual secretária-executiva da pasta, Miriam Belchior, foi indicada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para assumir o comando do ministério a partir de abril. A mudança ocorrerá em razão da decisão de Rui Costa de deixar o cargo para concorrer a uma vaga no Senado nas próximas eleições, segundo relatou o próprio ministro à Rádio 95 FM, de Jequié (BA).

O ministro disse que a escolha já foi formalmente comunicada pelo presidente tanto a ele quanto à futura sucessora. Ao comentar a decisão, Rui Costa destacou o perfil técnico e a experiência de Miriam Belchior na administração pública. “O presidente já comunicou a sua escolha tanto a mim quanto à Miriam. Ela foi ministra do Planejamento, trabalha muito, é uma técnica competente e assume o ministério no início de abril”, afirmou.

Ainda segundo o ministro, a opção por um nome que já integra a equipe do governo segue uma diretriz clara do presidente Lula, com o objetivo de garantir continuidade às políticas em andamento. “A prioridade do presidente é que [as indicações] sejam de quem já está na equipe, para não haver descontinuidade nas ações de governo”, acrescentou Rui Costa.

Miriam Belchior já ocupou cargos estratégicos em governos anteriores, incluindo o Ministério do Planejamento, e atualmente exerce a função de secretária-executiva da Casa Civil, posição que a coloca diretamente envolvida na coordenação das principais ações do Executivo federal. Com a transição prevista para abril, a expectativa no governo é manter o ritmo das iniciativas em curso enquanto Rui Costa se prepara para a disputa eleitoral.

Fonte: Brasil 247

Entenda o esquema de grampos ilegais de Moro contra autoridades

Caso envolve escutas clandestinas, uso político de informações sigilosas e investigações fora da competência da Justiça Federal

         Brasília (DF) - 04/05/2024 - O senador Sergio Moro (Foto: Lula Marques/Agência Brasil)

A atuação do ex-juiz parcial Sérgio Moro na 13ª Vara Federal de Curitiba voltou ao centro do debate público após revelações sobre a existência de gravações clandestinas envolvendo autoridades com foro privilegiado. O material, produzido a partir de escutas ambientais realizadas sem autorização legal, teria sido mantido fora dos autos por anos e usado como instrumento de pressão política, segundo relatos de delatores e investigações posteriores. As acusações resforçam questionamentos sobre abuso de poder, violação de competências legais e o uso indevido de informações obtidas de forma irregular.

As informações já tinham sido divulgadas anteriormente pelo Brasil 247 e a TV 247, a partir de relatos de Tony Garcia, e foram agora complementadas por Daniela Lima, do UOL. Os fatos remontam a meados dos anos 2000, após o escândalo do Banestado. Naquele período, Moro despontava como referência em investigações sobre lavagem de dinheiro. Foi nesse contexto que surgiram acordos de colaboração informal com personagens como o doleiro Alberto Youssef e o ex-deputado estadual Antônio Celso Garcia, o Tony Garcia. Ainda sem amparo legal específico para delações premiadas, esses acordos teriam incluído missões explícitas para a coleta de informações sobre autoridades que só poderiam ser investigadas por tribunais superiores.

O acordo firmado com Tony Garcia previa uma série de tarefas. Entre essas missões estava a obrigação de “usar de todos os meios para apurar suspeitas” envolvendo o então presidente do Tribunal de Contas do Paraná e desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, autoridades fora da jurisdição de um juiz de primeira instância.

Para cumprir essas determinações, um agente da Polícia Federal foi instalado dentro do escritório de Tony Garcia, apresentado como secretário. “Esse agente cabia supervisionar o trabalho do Tony de fato buscar ativamente as provas, instalar as escutas ambientais. Então o escritório do Tony vira uma grampolândia. Era tudo grampeado”, relatou a jornalista. Os relatórios produzidos a partir dessas escutas eram encaminhados periodicamente ao então juiz do caso.

Daniela Lima destaca que, à época, não havia qualquer controvérsia jurídica sobre a ilegalidade dessas apurações. Permitir que um juiz de primeira instância reunisse informações sobre magistrados responsáveis por revisar suas decisões criava um conflito evidente. Apesar da quantidade de material coletado, grande parte das gravações nunca foi anexada a processos judiciais. Essa omissão é um dos pontos centrais da investigação atual, que apura se houve descumprimento do dever legal de encaminhar indícios de crimes às instâncias competentes.

O caso voltou à tona em 2023, quando, após a saída de Moro da magistratura e o desgaste da Lava Jato, Tony Garcia buscou acesso ao material que dizia ter produzido. Pedidos sucessivos foram ignorados até que o então juiz Eduardo Appio decidiu encaminhar o caso ao Supremo Tribunal Federal.

A partir daí, o ministro Dias Toffoli determinou diligências para localizar documentos e mídias que permaneciam sob guarda da 13ª Vara Federal de Curitiba. A resistência em entregar o material levou a uma medida inédita: uma operação de busca e apreensão dentro da própria vara judicial.

Entre os achados estava um conjunto de documentos guardados em uma “caixa amarela”, mencionada explicitamente na decisão judicial. As gravações confirmaram a existência de escutas envolvendo autoridades sem prerrogativa de investigação pela primeira instância. Daniela Lima relatou que há registros inclusive de situações de foro íntimo.

Um dos principais pontos revelados recentemente é a íntegra de uma conversa gravada entre Tony Garcia e o então presidente do Tribunal de Contas do Paraná. “São apenas 20 páginas de transcrição do grampo no escritório do Tony Garcia e tem indícios de crime”, afirmou Daniela. Segundo ela, na conversa surgem referências a diversas autoridades e críticas diretas à atuação de Moro. “Ele é textual, ele fala: ele não é só juiz, ele é policial, ele é o promotor, ele é o juiz e ele está usando os instrumentos que tem para perseguição política”, relatou.

Moro, hoje senador, sustenta a tese de que eventuais irregularidades estariam prescritas. Ele chegou a negar de forma categórica a existência de escutas contra autoridades com foro privilegiado, classificando as acusações como “fantasias de um criminoso condenado”. Posteriormente, admitiu a possibilidade das gravações, afirmando que não haveria crime e que os fatos estariam prescritos.

A Polícia Federal, no entanto, trabalha com a hipótese de crime continuado. O entendimento levado ao Supremo é de que a irregularidade não se encerrou no momento da gravação.

As investigações seguem em curso no Supremo Tribunal Federal e podem ter desdobramentos tanto no campo judicial quanto político.

Fonte: Brasil 247 com informações do UOL

Selic elevada pressiona juros bancários, freia crédito e amplia inadimplência em 2025

Alta dos juros leva bancos a encarecer empréstimos, desacelera expansão do crédito e empurra inadimplência para níveis elevados, segundo dados oficiais

         Prédio do Banco Central em Brasília 11/06/2024 REUTERS/Adriano Machado

A política monetária restritiva adotada para conter a inflação teve efeitos diretos sobre o custo do crédito no Brasil em 2025. Com a taxa Selic em patamar elevado, os juros cobrados pelos bancos subiram de forma expressiva ao longo do ano, contribuindo para a desaceleração do crédito e para o avanço da inadimplência entre famílias e empresas.

Segundo a autoridade monetária, a taxa média de juros bancários avançou 6,5 pontos percentuais em 2025, o maior aumento desde 2022, quando a elevação havia sido de 7,8 pontos percentuais. O cálculo considera apenas operações com recursos livres, excluindo crédito habitacional, rural e financiamentos do BNDES.

Ao longo de 2025, a Selic acumulou alta de 2,25 pontos percentuais e alcançou o nível mais elevado em quase duas décadas. Além de repassar o encarecimento do custo básico do dinheiro, os bancos elevaram suas taxas acima desse movimento. No crédito às empresas, os juros médios subiram de 21,7% ao ano em dezembro de 2024 para 25% ao ano no encerramento de 2025, uma alta de 3,3 pontos percentuais.

Para as pessoas físicas, o aumento foi ainda mais acentuado. A taxa média passou de 53,1% ao ano no fim de 2024 para 60,1% ao ano ao término de 2025, avanço de 7 pontos percentuais. O movimento ocorre em um contexto de Selic mantida em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom), pela quarta reunião consecutiva.

Entre as modalidades mais caras, o cheque especial apresentou nova elevação. A taxa média cobrada de pessoas físicas subiu de 134,8% ao ano em dezembro de 2024 para 138,6% ao ano no fim de 2025, aumento de 3,8 pontos percentuais no período.

Já no cartão de crédito rotativo, houve recuo dos juros, embora o patamar permaneça extremamente elevado. A taxa média caiu de 451,6% ao ano no final de 2024 para 438% ao ano em dezembro de 2025, redução de 13,6 pontos percentuais. Mesmo assim, trata-se da linha de crédito mais cara do sistema financeiro, com custo cerca de 30 vezes superior à taxa básica da economia.

Desde janeiro, o valor total da dívida no rotativo não pode ultrapassar o dobro do saldo original, desconsiderando o custo do IOF. A regra vale apenas para débitos contraídos a partir desse período. O crédito rotativo é acionado quando o consumidor não paga integralmente a fatura do cartão na data de vencimento.

O encarecimento do crédito também impactou o ritmo de expansão do sistema financeiro. Segundo o Banco Central, o estoque total de crédito bancário cresceu 10,2% em 2025, alcançando R$ 7,12 trilhões. O resultado representa uma desaceleração em relação a 2024, quando o crescimento havia sido de 11,5%, considerando valores ajustados.

A desaceleração já era esperada pela autoridade monetária, diante do nível elevado da Selic. Para 2026, o Banco Central projeta um crescimento ainda menor do crédito, estimado em 8,6%.

Paralelamente, a inadimplência avançou de forma significativa. A taxa média de atraso nos pagamentos subiu de 3% no fim de 2024 para 4,1% ao final de 2025, um dos níveis mais altos da série histórica iniciada em março de 2011.

Entre as pessoas físicas, a inadimplência passou de 3,5% em dezembro de 2024 para 5% no encerramento de 2025, alta de 1,5 ponto percentual. No segmento empresarial, o índice subiu de 2% para 2,5% no mesmo período, avanço de 0,5 ponto percentual.

Fonte: Brasil 247

Copom reduzirá a Selic a partir de março, mas sem indicar a dimensão dos cortes

Comunicado fala em “serenidade” e condiciona ritmo da distensão à confiança na inflação, enquanto apostas oscilam entre redução de 0,25 ou 0,5 ponto

Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, durante coletiva de imprensa, em Brasília - 27/03/2025 (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a Selic em 15% ao ano nesta quarta-feira, mas, ao mesmo tempo, sinalizou que o ciclo de queda dos juros está prestes a começar, com expectativa de corte já na reunião de março. A mensagem, porém, veio acompanhada de uma incerteza que ganhou o centro do debate: o primeiro passo será de 0,25 ponto percentual ou de 0,5 ponto?

A leitura foi detalhada em análise do Valor, que aponta como o comunicado divulgado logo após a decisão sugere distensão, mas evita cravar o tamanho do movimento inicial, empurrando parte das respostas para a ata do colegiado, que será divulgada na próxima terça-feira.

◎ Um sinal de distensão, sem número no papel

O Copom manteve o juro no nível mais alto do ciclo recente, mas adotou uma comunicação que, na prática, abre espaço para a redução da Selic. A chave é a ideia de que o cenário já permite discutir “calibração do nível de juros”, expressão que costuma aparecer quando o Banco Central avalia que o grau de restrição está alto o suficiente e que, adiante, pode começar a ser ajustado.

O problema, para o mercado, é que calibrar pode significar diferentes velocidades de ajuste. Um corte de 0,5 ponto, logo na largada, teria peso simbólico e prático, reforçando a percepção de que o Banco Central já enxerga margem para avançar na distensão. Um corte de 0,25 ponto, por sua vez, sinalizaria prudência adicional, limitando o entusiasmo de investidores e reduzindo o risco de o mercado precificar um ciclo mais agressivo do que o comitê estaria disposto a entregar.

◎ Mercado dividido: 0,25 ou 0,5 ponto?

As projeções mostram um quadro de disputa. No boletim Focus, a mediana das estimativas de economistas aponta para uma queda de 0,5 ponto em março, levando a Selic a 14,5% ao ano. Ao mesmo tempo, a média das projeções está em 14,59%, o que indica que há um volume considerável de analistas defendendo um corte menor.

Esse cenário também aparece nas opções relacionadas ao Copom citadas na análise. Cerca de 34,5% apostavam em corte de 0,5 ponto; 36% colocavam as fichas em 0,25 ponto; e 22% acreditavam que não haveria redução. O retrato é claro: o mercado já aceita que a distensão está no horizonte, mas não concorda sobre o tamanho do primeiro movimento.

◎ A palavra “serenidade” e a ambiguidade calculada

O trecho mais observado do comunicado foi o que trata do ritmo e da magnitude do ciclo. O Copom escreveu: “O compromisso com a meta impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo, que dependerão da evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária”.

À primeira vista, “serenidade” pode ser lida como um convite ao corte menor, de 0,25 ponto, por sugerir moderação e cautela. Mas a própria experiência recente mostra que o vocabulário do Copom nem sempre aponta, de maneira mecânica, para o tamanho da decisão seguinte.

A análise lembra que, em agosto de 2023, quando começou um ciclo de queda com corte de 0,5 ponto, o Copom afirmou que a conjuntura exigia “serenidade e moderação” — e ainda assim cortou 0,5 ponto no encontro seguinte. Ou seja, o termo, isoladamente, não encerra a discussão.

◎ “Ritmo” não é uma reunião só

Outro ponto central do debate é a diferença entre “primeiro corte” e “ritmo do ciclo”. Ritmo pressupõe sequência: trata do padrão de reduções ao longo do tempo. Por isso, há duas leituras plausíveis a partir do comunicado.

A primeira: o Copom poderia iniciar com um corte menor em março, de 0,25 ponto, e só depois definir um compasso mais intenso, eventualmente de 0,5 ponto por reunião, caso o cenário evolua bem. A segunda: já começar imprimindo o ritmo de 0,5 ponto de imediato, se o comitê considerar que há confiança suficiente na convergência da inflação.

O comunicado dá sinais de que o Copom busca flexibilidade. Ao condicionar ritmo e magnitude à evolução de fatores que aumentem a confiança no cumprimento da meta, o texto sugere que a decisão está “em aberto” e que dependerá da dinâmica inflacionária e do comportamento das expectativas até março.

◎ Projeções de inflação e o sinal embutido

Além da comunicação direta, há a leitura das projeções. O Copom estima inflação de 3,2% no horizonte relevante de política monetária. A análise menciona a interpretação do ex-diretor de Política Econômica do Banco Central, Diogo Guillen, para quem esse percentual, dadas as incertezas de estimativas de longo prazo, não se diferencia estatisticamente da meta de 3%.

Esse detalhe importa porque a projeção do comitê, conforme descrito, incorpora a trajetória de queda de juros prevista pelo mercado no Focus: queda de 0,5 ponto em março e Selic de 12,25% ao fim do ano. Ainda assim, o Banco Central tende a tratar esse tipo de sinal com cautela, justamente para preservar margem de manobra e não transformar um cenário condicional em promessa.

◎ Ata ganha peso e março vira o teste decisivo

Com o comunicado deixando espaço para múltiplas leituras, a ata da reunião passa a ser o documento mais aguardado. É nela que o Banco Central pode detalhar quais variáveis estão mais determinantes na visão do comitê, que tipo de “confiança” precisa ser construída para o início do ciclo e, principalmente, como o Copom interpreta a relação entre inflação, expectativas e o nível de restrição ainda necessário.

Até lá, o cenário segue com uma conclusão e uma interrogação. A conclusão: a distensão foi sinalizada e o mercado se prepara para uma Selic menor. A interrogação: o Copom vai iniciar com um corte mais simbólico e firme, de 0,5 ponto, ou com um passo mais contido, de 0,25 ponto, para moderar expectativas e preservar a “restrição adequada” mencionada no comunicado.

Fonte: Brasil 247

PF e CGU investigam suspeita de desvio de R$ 912 mil em recursos públicos no Acre

Operação apura uso de emendas parlamentares em contratações de shows financiados por secretaria municipal no interior do estado

        Agente da Polícia Federal (Foto: Divulgação/PF)

A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) realizam, nesta quinta-feira (29), uma operação conjunta para apurar suspeitas de irregularidades no uso de recursos públicos destinados à contratação de shows musicais no município de Sena Madureira, no Acre. As investigações indicam que os fatos podem ter provocado um prejuízo de aproximadamente R$ 912 mil aos cofres públicos, envolvendo verbas federais repassadas por meio de emendas parlamentares.

Batizada de Operação Graco, a ação tem como foco contratos firmados pela Secretaria Municipal de Cultura de Sena Madureira para a realização de eventos musicais em setembro de 2024. Segundo a apuração, os recursos utilizados teriam origem nas chamadas “Emendas Pix”, modalidade de repasse direto da União que dispensa convênios formais e prestação de contas prévia, o que amplia o risco de desvios caso não haja controle posterior.

Como parte da operação, policiais federais cumprem 14 mandados de busca e apreensão no Acre e no Distrito Federal. As ordens judiciais foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal, em razão do envolvimento de pessoas com prerrogativa de foro, segundo informado pelas autoridades responsáveis pela investigação.

A apuração envolve suspeitas de crimes como associação a organização criminosa, fraude em licitação, corrupção e lavagem de dinheiro, além de outros delitos conexos que ainda estão sendo analisados ao longo das diligências.

A Polícia Federal informou que as investigações seguem em andamento, com o objetivo de esclarecer o destino dos recursos públicos e identificar todos os responsáveis pelas possíveis irregularidades apuradas até o momento.

Fonte: Brasil 247

Sobrevivente da Boate Kiss divulga foto feita minutos antes do incêndio que matou 242 jovens

O registro foi compartilhado nas redes sociais por Delvani Rosso, um dos sobreviventes do incêndio

        Tragédia na boate Kiss (Foto: Tomaz Silva / Agência Brasil)

Treze anos após o incêndio que devastou a Boate Kiss, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, um sobrevivente da tragédia voltou a chamar atenção para a dimensão humana do episódio ao divulgar uma fotografia registrada poucos minutos antes do início do fogo. A imagem mostra um grupo de amigos reunidos no interior da casa noturna, cerca de dez minutos antes do incêndio que vitimou 242 pessoas e deixou mais de 600 feridas, na madrugada de 28 de janeiro de 2013.

O registro foi compartilhado nas redes sociais por Delvani Rosso, um dos sobreviventes do incêndio, acompanhado de uma mensagem de luto e reflexão sobre a tragédia que marcou o país.

Na fotografia, Delvani aparece ao lado de amigos dentro da boate, em um momento de aparente normalidade, pouco antes do início do incêndio provocado por um artefato pirotécnico utilizado durante uma apresentação musical. Minutos depois, o fogo se espalharia rapidamente pelo local, agravado pela presença de material inflamável no teto e pela falta de saídas de emergência adequadas.

O incêndio da Boate Kiss é considerado uma das maiores tragédias da história do Brasil em número de vítimas. A maioria dos mortos eram jovens universitários que participavam de uma festa na casa noturna. Muitos faleceram por asfixia causada pela inalação de fumaça tóxica, que se espalhou rapidamente pelo ambiente fechado.

Ao longo dos anos, a tragédia se tornou símbolo de falhas graves em fiscalização, segurança e prevenção de incêndios em estabelecimentos de grande público. O caso gerou mudanças em legislações estaduais e municipais, além de debates nacionais sobre responsabilidade civil, criminal e administrativa.

A publicação da foto ocorre em meio às lembranças que tradicionalmente marcam o mês de janeiro em Santa Maria, quando familiares, sobreviventes e a sociedade civil realizam atos em memória das vítimas. Para muitos, imagens como essa reforçam a dimensão pessoal da tragédia, ao lembrar que, minutos antes do incêndio, centenas de jovens celebravam a vida sem imaginar o que estava por acontecer.

Após uma longa sequência de idas e vindas judiciais, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul manteve a validade do júri popular realizado em dezembro de 2021, que condenou quatro réus por homicídio com dolo eventual. A decisão consolidou a responsabilização penal dos envolvidos, encerrando discussões sobre nulidades do julgamento levantadas pelas defesas em instâncias anteriores.

Apesar da manutenção das condenações, o tribunal decidiu rever as penas aplicadas. Os sócios da boate, Elissandro Callegaro Spohr e Mauro Londero Hoffmann, tiveram as condenações reduzidas para cerca de 12 anos de prisão. Já os réus ligados à banda que se apresentava na noite do incêndio, Marcelo de Jesus dos Santos e Luciano Bonilha Leão, tiveram penas fixadas em aproximadamente 11 anos.

Com a redução das penas, os condenados passaram a preencher os requisitos legais para progressão de regime. Em 2025, a Justiça autorizou que três dos quatro réus migrassem do regime fechado para o semiaberto, com possibilidade de trabalho externo. O quarto condenado também obteve benefícios previstos na Lei de Execução Penal, como saídas temporárias, conforme decisões individuais da Vara de Execuções Criminais.

Essas decisões provocaram forte reação de familiares das vítimas e de associações que representam sobreviventes do incêndio. Para esses grupos, a redução das penas e a concessão de benefícios reforçam a sensação de impunidade em um dos casos mais emblemáticos da história recente do país. Representantes das famílias seguem apresentando recursos e manifestações formais junto aos tribunais superiores, questionando tanto a dosimetria das penas quanto o regime de cumprimento.

Do ponto de vista jurídico, especialistas avaliam que o processo entrou em uma fase mais técnica, com menos espaço para reavaliação dos fatos e maior foco em questões processuais e de execução penal. Ainda assim, recursos extraordinários podem manter o caso em discussão por mais alguns anos, especialmente no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no Supremo Tribunal Federal (STF).

Paralelamente aos trâmites judiciais, Santa Maria mantém ações voltadas à preservação da memória das vítimas. As obras do memorial em homenagem aos mortos no incêndio foram retomadas e têm previsão de conclusão em 2026. O espaço é visto por familiares como um símbolo de luto coletivo e também como instrumento de conscientização sobre segurança em locais de grande público.

Fonte: Brasil 247

Juro real no Brasil atinge maior nível em 20 anos com Selic a 15%

Manutenção da taxa básica eleva juros reais para cerca de 10,6%, patamar não visto desde 2006, em meio a desaceleração da inflação esperada

       Prédio do Banco Central do Brasil, em Brasília (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

A decisão do Banco Central de manter a taxa Selic em 15% ao ano mantém os juros reais da economia brasileira em torno de 10,6%, considerando as expectativas de inflação para os próximos 12 meses. Esse é o nível mais elevado registrado desde maio de 2006, quando a taxa real alcançou 10,7%, marcando um retorno a patamares que ficaram fora da realidade econômica do país por quase duas décadas, segundo cálculos de mercado relatados pela Folha de São Paulo.

Após permanecerem abaixo de 10% por cerca de 20 anos, os juros reais voltaram a ultrapassar esse limite em julho do ano passado, quando a Selic atingiu o atual patamar de 15%. Desde então, a queda nas projeções de inflação — cuja mediana é de 4% em 2026, conforme o último boletim Focus — contribuiu para a elevação da taxa real. Em 2006, cenário frequentemente comparado ao atual, a Selic estava em 15,25% ao ano, com expectativa de inflação de 4,1%.

A decisão de manter os juros básicos foi tomada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) pela quinta reunião consecutiva, com voto unânime de seus integrantes. Para o professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) Bernardo Carvalho, o atual nível dos juros reais é atípico para os padrões recentes da economia brasileira. “No passado, o patamar alto da taxa real era em torno de 7%, e o patamar de 10% não é comum para os últimos anos da economia brasileira”, afirma.

Juros altos freiam a economia e ampliam ganhos de rentistas

A permanência de juros reais em níveis tão elevados produz efeitos negativos sobre a atividade econômica. O encarecimento do crédito dificulta o acesso de empresas a financiamentos, desestimula novos investimentos e compromete planos de expansão produtiva, com reflexos diretos sobre a geração de empregos e a renda. Para as famílias, taxas mais altas reduzem o consumo, elevam o custo das dívidas e pressionam o orçamento doméstico, contribuindo para um ambiente de crescimento mais lento.

No setor público, juros elevados aumentam o custo do serviço da dívida, restringindo o espaço fiscal para políticas de investimento e gasto social. Em sentido oposto, esse cenário beneficia sobretudo os rentistas, grupo que concentra aplicações financeiras e passa a obter rendimentos elevados e com baixo risco em ativos indexados à taxa básica de juros, como os títulos da dívida pública. Esse mecanismo intensifica a transferência de recursos da economia real para o sistema financeiro, reforçando a concentração de renda e aprofundando distorções históricas do modelo econômico brasileiro.

Fonte: Brasil 247 com informações da Folha de S. Paulo

Estadão condena tolerância de Campos Neto com o Banco Master

Editorial aponta que a condução do Banco Central sob Roberto Campos Neto foi decisiva para a escalada do escândalo envolvendo a instituição financeira

      Roberto Campos Neto (Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados)

A liquidação do Banco Master não é vista, neste momento, como uma decisão precipitada, mas como o desfecho previsível de uma sucessão de falhas graves ignoradas ao longo do tempo. Em editorial, o jornal O Estado de São Paulo sustenta que o banco construiu sua expansão sobre bases frágeis, com um modelo de negócios considerado insustentável, enquanto articulava influência política em Brasília para evitar uma intervenção precoce. O texto argumenta que a dimensão alcançada pelo caso está diretamente associada à condução excessivamente tolerante do Banco Central durante a gestão de Roberto Campos Neto.

Segundo o editorial, as informações reveladas pela imprensa levantam questionamentos consistentes sobre a demora do Banco Central em agir, apesar de alertas claros. Reportagem do próprio jornal mostrou que a autoridade monetária tinha conhecimento dos problemas de liquidez do Master mais de um ano antes da liquidação, mas optou por conceder sucessivas chances de ajuste, mesmo diante de uma administração temerária.

Em março de 2024, o Banco Central identificou indícios de descasamento entre ativos e passivos e determinou que a instituição apresentasse um plano de contingência para cumprir seu cronograma de desembolsos. O banco se comprometeu a captar R$ 15 bilhões no mercado, mas conseguiu levantar apenas R$ 2 bilhões, menos de 15% do previsto. Ainda assim, não houve intervenção imediata, reforçando a percepção de complacência apontada pelo editorial.

O texto também destaca uma norma editada em outubro de 2023, que permitiu que exposições a precatórios e direitos creditórios adquiridos até junho daquele ano não fossem contabilizadas em balanço, sob o argumento de evitar impactos adversos nos mercados. O Master já utilizava intensamente esse tipo de ativo desde 2021 e, em vez de corrigir distorções, ampliou sua presença após o prazo limite, desperdiçando a oportunidade de ajuste.

Para o jornal, esse seria o momento de exigir venda de ativos ou novos aportes dos sócios, como prova de solidez. O caminho adotado foi outro: a continuidade da captação agressiva por meio da emissão de CDBs com taxas de até 140% do CDI e prazos de oito anos, muito acima do padrão do mercado. A estratégia se apoiava na garantia do Fundo Garantidor de Créditos, descrita no editorial como instrumento para “vender ilusões” aos investidores.

A situação se agravou em novembro de 2024, quando o Master deixou de recolher depósitos compulsórios, passando a inadimplir com o próprio Banco Central. Mesmo assim, Roberto Campos Neto, em fim de mandato, concedeu novo prazo, até março de 2025, para que o banco encontrasse uma solução definitiva.

O editorial avalia que o controlador Daniel Vorcaro explorou brechas regulatórias, favorecido por uma visão do então presidente do Banco Central alinhada à ampliação da concorrência no sistema financeiro. A crença em uma solução de mercado persistiu até a tentativa de socorro por parte do BRB, banco estatal do Distrito Federal. A proposta foi vetada pelo Banco Central em setembro, dois meses antes da liquidação.

Ao reconstruir essa sequência de fatos, o jornal sustenta que houve leniência do regulador diante de uma instituição que demonstrava baixa confiabilidade. Reconhece-se que a liquidação é uma medida extrema e irreversível, que exige rigor técnico e respeito ao direito de defesa, o que afasta acusações de precipitação no ato final. Ainda assim, o editorial conclui que uma atuação mais firme desde os primeiros sinais de risco poderia ter evitado que o episódio alcançasse a dimensão de escândalo institucional que acabou envolvendo diferentes esferas do poder público.

Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Estado de S. Paulo



Boulos critica juros a 15% e acusa Banco Central de favorecer “agiotagem”

Ministro afirma que juros elevados corroem o poder de compra do trabalhador, mesmo com a inflação no menor patamar desde o Plano Real

       Guilherme Boulos (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, criticou duramente a decisão do Banco Central de manter a taxa básica de juros em 15% ao ano e afirmou que a política monetária atual beneficia o sistema financeiro em detrimento da população. Em publicação na rede social X, Boulos declarou que “o Banco Central alimenta a agiotagem ao manter os juros em 15%. O trabalhador perde poder de compra, enquanto o banqueiro ri à toa”. A manifestação ocorre no mesmo dia em que o Comitê de Política Monetária (Copom) sinalizou que deve iniciar o ciclo de queda da Selic apenas a partir de março, mas sem indicar a intensidade do primeiro corte.

◉ Críticas em meio a cenário de inflação controlada

A crítica de Boulos ganha força no contexto de desaceleração inflacionária. Dados recentes mostram que o Brasil registra a inflação acumulada mais baixa em um governo desde o Plano Real, resultado que integrantes do Palácio do Planalto atribuem à política econômica conduzida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo aliados do governo, o controle da inflação e a responsabilidade fiscal criam espaço para uma redução mais rápida dos juros, sem riscos à estabilidade econômica.

“O nosso governo, liderado por Lula, está fazendo a sua parte”, afirmou o ministro, ao defender que a política monetária acompanhe o novo cenário macroeconômico. Para Boulos, a manutenção da Selic em patamar elevado penaliza o consumo, desestimula investimentos produtivos e limita a geração de empregos.

◉ Copom sinaliza distensão, mas evita compromisso

O texto do Copom afirma que o comitê atuará com “serenidade” e indica que a próxima reunião, marcada para março, poderá marcar o início do ciclo de cortes de juros.

No entanto, o Banco Central evitou indicar a dimensão da redução. As apostas do mercado se dividem entre um corte inicial de 0,25 ponto percentual, visto como mais conservador, e um movimento de 0,5 ponto, que teria maior impacto simbólico e prático na sinalização de mudança de rumo da política monetária.

Fonte: Brasil 247

Tarcísio desponta como favorito ao governo e Haddad, Marina e Alckmin lideram disputa ao Senado em São Paulo

Pesquisa 100% Cidades/Futura mostra vantagem do governador e aponta Haddad, Marina e Alckmin como principais nomes na corrida senatorial

Tarcísio desponta como favorito ao governo e Haddad, Marina e Alckmin lideram disputa ao Senado em São Paulo (Foto: PAULO GUERETA / GOVSP)

O Instituto 100% Cidades/Futura divulgou na quarta-feira (28) uma ampla pesquisa sobre o cenário eleitoral de São Paulo para as eleições de 2026, reunindo dados sobre a corrida ao governo estadual e também sobre a disputa pelas duas vagas ao Senado que estarão em jogo. O levantamento apresenta intenções de voto em primeiro e segundo turnos, além de índices de rejeição e diferentes simulações estimuladas para os principais cargos em disputa no estado.

Na corrida pelo governo paulista, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) aparece isolado na liderança em todos os cenários em que seu nome é testado. Na pergunta espontânea, quando os entrevistados respondem sem lista prévia de candidatos, Tarcísio é citado por 32% do eleitorado, muito à frente de Simone Tebet (MDB), com 3,3%, e Fernando Haddad (PT), com 2,5%. O índice de indecisos chega a 49,4%, enquanto votos brancos e nulos somam 4,8%.

Nos cenários estimulados de primeiro turno, o governador mantém desempenho consistente. Em uma das simulações, Tarcísio alcança 41% das intenções de voto, seguido por Geraldo Alckmin (PSB), com 24,6%, e Pablo Marçal (PRTB), com 12,6%. Em disputas diretas contra Haddad e Simone Tebet, o governador oscila entre 40,4% e 42,5%, mantendo vantagem confortável sobre os adversários.

Quando Tarcísio não aparece nas listas, Pablo Marçal lidera todos os cenários de primeiro turno, apesar de estar inelegível até 2032 por decisão do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo. Em uma das simulações, Marçal registra 29%, seguido por Fernando Haddad, com 23%. Em outro cenário, há empate técnico entre Marçal, com 29,4%, e Geraldo Alckmin, com 27,2%.

As simulações de segundo turno mostram cenários definidos, sem empates técnicos. Tarcísio de Freitas venceria Fernando Haddad por 56,6% a 31,2% e superaria Geraldo Alckmin por 53,9% a 35,4%. Contra Simone Tebet, a vantagem seria ainda maior: 60,1% a 26,6%. Nos confrontos sem o governador, Alckmin e Tebet aparecem como os nomes mais competitivos, derrotando Felicio Ramuth (PSD) e Gilberto Kassab (PSD), em cenários marcados por elevados índices de votos brancos e nulos.

O levantamento também aferiu a rejeição dos pré-candidatos ao governo. Fernando Haddad lidera esse indicador, com 39,5% dos entrevistados afirmando que não votariam nele de forma alguma. Pablo Marçal aparece com 30,6%, enquanto Érika Hilton (Psol) e Geraldo Alckmin registram 29,1% cada. Tarcísio de Freitas tem rejeição de 21,8%, percentual inferior ao de vários concorrentes.

Senado

Além da disputa pelo Palácio dos Bandeirantes, a pesquisa 100% Cidades/Futura analisou as intenções de voto para o Senado por São Paulo, cargo para o qual duas cadeiras estarão em disputa em 2026. No primeiro cenário estimulado, Fernando Haddad lidera numericamente com 33,2%, em situação de empate técnico com Marina Silva (Rede), que soma 30%, dentro da margem de erro de 2,8 pontos percentuais. Como são duas vagas, ambos seriam eleitos nesse cenário.

Na soma geral dos votos desse primeiro cenário, Guilherme Derrite (PP) aparece com 19,9%, seguido por Ricardo Salles (Novo), com 14,1%, Baleia Rossi (MDB), com 12,1%, e Paulinho da Força (Solidariedade), com 10,4%. Os índices de votos brancos, nulos e indecisos são elevados, ultrapassando 60% quando considerados em conjunto.

Em um segundo cenário para o Senado, o nome mais citado é o do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que alcança 39,2% das intenções de voto, abrindo vantagem superior à margem de erro sobre Marina Silva, que registra 30,3%. Na soma desse cenário, Derrite aparece com 21%, seguido por Ricardo Salles, com 15,3%, e Baleia Rossi, com 11,6%.

Quando a pesquisa separa o primeiro e o segundo votos para cada eleitor, Alckmin lidera o primeiro voto no segundo cenário, com 25,4%, enquanto Marina Silva aparece com 16,4%. No segundo voto, há empate técnico entre os dois, ambos com 13,9%, em um quadro marcado por alto percentual de indecisos.

A pesquisa foi realizada com 1,2 mil entrevistados entre os dias 20 e 23 de janeiro de 2026. O levantamento foi contratado pela Futura Pesquisas e Assessorias Ltda., tem nível de confiança de 95% e margem de erro de 2,8 pontos percentuais. O registro no Tribunal Superior Eleitoral é o SP-04679/2026.

Fonte: Brasil 247

Efeito Lula: inflação foi menor para pobres e maior para ricos em 2025, aponta Ipea


    Mercado em SP. Foto: Divulgação

A inflação teve comportamentos distintos entre as faixas de renda no Brasil em 2025, segundo levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. O estudo mostra que as famílias mais pobres enfrentaram uma alta menor de preços do que as mais ricas ao longo do ano passado, invertendo uma percepção comum sobre o impacto inflacionário.

Entre os domicílios de renda muito baixa, a inflação acumulada foi de 3,81% em 2025. Esse foi o menor avanço entre os seis grupos analisados pelo Ipea e o único abaixo de 4%. Já entre as famílias de renda alta, a taxa chegou a 4,72%, a maior do levantamento, criando uma diferença de 0,91 ponto percentual entre os extremos.

De acordo com o instituto, a desaceleração da inflação para os mais pobres está ligada principalmente ao comportamento dos alimentos. A supersafra de grãos e a queda do dólar ao longo de 2025 reduziram a pressão sobre os preços da comida, item central no orçamento dessa parcela da população.

Segundo a pesquisadora Maria Andreia Parente Lameiras, responsável pelo estudo, os gastos com alimentação representam cerca de 30% da cesta de consumo das famílias de renda muito baixa. Esse peso explica por que a trégua dos alimentos teve impacto direto no resultado final da inflação desse grupo.

No caso das famílias de renda mais alta, o cenário foi diferente. A inflação foi puxada principalmente pelos serviços, que têm peso maior no padrão de consumo dessa faixa. “Houve reajustes relevantes em itens que afetam mais os mais ricos”, explica Maria Andreia.

Entre os destaques estão passagens aéreas, que subiram 7,85%, transporte por aplicativo, com alta expressiva de 56,08%, e gastos com recreação, que avançaram 6,7% em 2025. Esses serviços contribuíram para manter a inflação elevada nesse segmento.

Mercado em SP. Foto: Divulgação
Para 2026, a expectativa do Ipea é de aproximação entre as taxas de inflação de pobres e ricos. A pesquisadora avalia que os alimentos devem voltar a subir com mais força, enquanto os serviços tendem a desacelerar, influenciados pelos juros altos e pelo endividamento das famílias.

“A gente deve ter, em 2026, inflações muito próximas dentro de todas as faixas. Não vai ter a discrepância que teve dessa vez [2025]. A inflação dos mais pobres tem um viés de ser um pouco maior em 2026, e a dos mais ricos, um viés de ser um pouco menor”, afirma Maria Andreia, que projeta taxas próximas de 4% no acumulado do ano.

O estudo é baseado nos dados do IPCA, divulgado pelo IBGE, mas com cestas de consumo ajustadas à realidade de cada faixa de renda. Em termos gerais, o IPCA fechou 2025 em 4,26%.

Mesmo com a convergência esperada, o impacto da inflação segue desigual. “As camadas mais pobres são aquelas que, de fato, sofrem mais com a inflação, porque têm um orçamento muito menor”, diz a pesquisadora, ao destacar que a população de renda alta consegue se proteger melhor por meio de investimentos e maior margem financeira.

O cenário de 2026 também será influenciado por fatores como eleições presidenciais, comportamento do dólar e desempenho da safra agrícola. Maria Andreia alerta que a produção de grãos deve ser um pouco menor do que a de 2025 e que as carnes tendem a subir mais, após um ano de forte oferta.

“Neste ano, os próprios produtores já avisaram que o número de abates vai ser menor. Então, vai ter uma pressão maior dos preços”, afirma. Ela ressalta que mudanças no câmbio ou surpresas na safra podem alterar as projeções ao longo do ano.

Fonte: DCM

VÍDEO: Bolsonarista eliminado do BBB é “humilhado” por Louro José e viraliza


     Matheus durante entrevista no “Mais Você”. Foto: reprodução

Eliminado do “Big Brother Brasil 26” após inúmeras falas homofóbicas e esvaziamento de pautas raciais, o ex-participante bolsonarista Matheus virou piada do fantoche Louro José, do “Mais Você”, durante uma entrevista com Ana Maria Braga, na última quarta-feira (28). Ao tentar justificar-se, ele argumentou que esqueceu as câmeras e agiu “como se tivesse em um bar”, ressaltando que essas coisas não se podem falar no BBB.

“Nem no bar”, zombou o fantoche. Na sequência, a apresentadora cobrou ainda de Matheus que ele se inspire na mãe e namorada, que também criticaram sua postura no reality, e desenvolva a empatia: “Espero que você olhe seu caminho pela frente e se informe para viver em sociedade, usando uma coisa que chamamos de empatia”.

Antes da conversa, Ana Maria brincou com o constrangimento de ter que conversar com um participante rejeitado pelo público. Eu tentei, mas não me deram aquele negócio de quando a gente não vem trabalhar”, ironizou na abertura do “Mais Você”, contando com a explicação do personagem Louro José que se tratava de um atestado médico.

Fonte: DCM

PF investiga deputado Eduardo Velloso por desvio de emendas no Acre

Operação da Polícia Federal mira suposto uso irregular de quase R$ 1 milhão em emendas parlamentares destinadas ao estado

      Eduardo Velloso (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados)

A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (29), uma operação para investigar suspeitas de desvio de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares destinadas ao Acre. Entre os alvos da ação está o deputado federal Eduardo Velloso, do União Brasil, conforme apuração divulgada pela TV Globo. A investigação busca esclarecer o possível uso irregular de verbas federais, especialmente emendas individuais conhecidas como emendas PIX, segundo informações preliminares, informa o G1.

De acordo com os dados apurados até o momento, policiais federais cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços vinculados ao parlamentar na cidade de Rio Branco, capital acreana, e também no apartamento funcional utilizado por ele em Brasília. Os investigadores apontam indícios de que quase R$ 1 milhão, proveniente de emendas apresentadas por Velloso, pode ter sido desviado.

A operação faz parte de um conjunto de ações da Polícia Federal voltadas a apurar a destinação e a execução de recursos públicos transferidos por meio de emendas parlamentares, mecanismo que permite repasses diretos para estados e municípios. No caso específico, os investigadores analisam a aplicação dos valores enviados ao Acre e eventuais irregularidades no processo.

Até o momento, não foram divulgados detalhes adicionais sobre os crimes investigados nem sobre possíveis medidas judiciais além do cumprimento dos mandados. A Polícia Federal informou que a apuração segue em andamento e que novas informações poderão ser divulgadas conforme o avanço das investigações.

Fonte: Brasil 247 com informações do G1