Divergência envolve estratégia para ato, com disputa entre impeachment de ministros do STF e prioridade à anistia de Bolsonaro
Nikolas Ferreira e Flávio Bolsonaro (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados | Carlos Moura/Agência Senado)
Líderes da extrema direita anunciaram protesto para o dia 1º de março para surfar na onda de ataques a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Mas o que era para ser um momento alto para movimentar apoiadores em um ano eleitoral, aprofundou divisões internas no campo bolsonarista e colocou em lados opostos o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) e aliados de Jair Bolsonaro (PL).
O conflito gira em torno das prioridades políticas do ato: enquanto Nikolas defende que a manifestação tenha como bandeira central o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e críticas ao presidente Lula (PT), uma ala bolsonarista prefere concentrar esforços na anistia aos condenados pelos ataques de 8 de janeiro e na liberdade do ex-presidente.
A divergência se tornou pública após Nikolas lançar a mobilização sob o lema “Fora, Lula, Moraes e Toffoli”, incluindo o ministro Dias Toffoli entre os alvos. Parte do bolsonarismo, no entanto, avalia que insistir agora no impeachment de integrantes do STF não seria estratégico, especialmente às vésperas do calendário eleitoral. Segundo essa leitura, uma eventual saída de um ministro abriria espaço para indicação presidencial, o que poderia beneficiar Lula politicamente.
Nos dias seguintes ao anúncio, parlamentares alinhados à família Bolsonaro passaram a divulgar a manifestação com outro enfoque, priorizando a pauta da anistia e da liberdade irrestrita para Jair Bolsonaro. Fizeram convocações nesse sentido nomes como Mário Frias, Gil Diniz, Lucas Bove e o vice-prefeito de São Paulo Coronel Mello Araújo.
A divergência estratégica provocou reações públicas. No domingo (15), Nikolas criticou a posição de aliados bolsonaristas: “Se impeachment de ministros não é válido agora, por que estão há 3 anos pedindo o do Moraes? [...] Até para criar narrativa, precisa de um mínimo de coerência. Patético a tentativa de esconder isso das pessoas”.
Um dia antes, o deputado já havia reforçado que a defesa do impeachment deveria ser condição para apoiar o protesto: “Não acredite em ninguém que convoque para a manifestação do dia 01/03 e não peça o impeachment de ministros do STF e Fora Lula”.
Segundo ele, outro objetivo central da mobilização é derrubar o veto presidencial ao projeto conhecido como PL da Dosimetria, que considera a medida mais eficaz para alcançar a liberdade dos presos do 8 de janeiro e de Bolsonaro.
Do outro lado, aliados do ex-presidente rejeitam a acusação de blindagem a ministros do Supremo. Gil Diniz reagiu com críticas indiretas ao parlamentar mineiro: “Muitos aqui parecem ter esquecido dos presos que estão nas masmorras, estão eufóricos com o alcance do algoritmo, parece que engajamento, like e compartilhamento são tudo que importa com ‘hype’ da vez!”.
Horas depois, publicou nova mensagem: “Não acredite em nenhum alpinista político (pequeno ou grande) que cresceu com o apoio do Presidente Jair Bolsonaro e não tem por prioridade nesse momento a Anistia Geral e Irrestrita para todos os presos políticos!”.
Fonte: Brasil 247
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