A taxa é a segunda menor para o mês desde o Plano Real
A prévia da inflação oficial registrou variação de 0,20% em janeiro, indicando desaceleração de 0,05 ponto percentual em relação ao resultado de dezembro. A taxa é a segunda menor para o mês desde o Plano Real. O desempenho foi influenciado principalmente pelo aumento dos preços no grupo Saúde e cuidados pessoais, que exerceu o maior impacto individual sobre o índice no início do ano.
Os dados fazem parte do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), divulgado nesta segunda-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No acumulado do ano, o indicador soma alta de 0,20%, enquanto, em 12 meses, alcança 4,50%, superando os 4,41% registrados no período imediatamente anterior. Em janeiro de 2025, a taxa havia sido de 0,11%.
Entre os nove grupos de produtos e serviços pesquisados, Saúde e cuidados pessoais apresentou a maior variação, com avanço de 0,81%. O principal destaque foi o aumento de 1,38% nos artigos de higiene pessoal, após queda de 0,78% em dezembro. Os planos de saúde também contribuíram para o resultado, com variação positiva de 0,49%.
O grupo Alimentação e bebidas, de maior peso no índice, acelerou de 0,13% em dezembro para 0,31% em janeiro. A alimentação no domicílio voltou a subir após sete meses consecutivos de queda, registrando alta de 0,21%. Entre os itens que mais pressionaram os preços estão o tomate, com aumento de 16,28%, a batata-inglesa, com 12,74%, as frutas, com 1,65%, e as carnes, com 1,32%. Em sentido oposto, apresentaram queda o leite longa vida (-7,93%), o arroz (-2,02%) e o café moído (-1,22%). Já a alimentação fora do domicílio teve variação de 0,56%, puxada pelos aumentos do lanche (0,77%) e da refeição (0,44%).
O segundo maior avanço entre os grupos foi observado em Comunicação, com alta de 0,73%, influenciada principalmente pelo aumento de 2,57% nos preços dos aparelhos telefônicos. Artigos de residência também voltaram a subir, com variação de 0,43%, após queda em dezembro, refletindo a elevação de 1,79% nos itens de televisão, som e informática.
Por outro lado, os grupos Habitação e Transportes ajudaram a conter a inflação no mês. Habitação recuou 0,26%, impacto atribuído sobretudo à queda de 2,91% na energia elétrica residencial, que exerceu o maior efeito negativo sobre o índice geral. A redução está associada à mudança da bandeira tarifária amarela, vigente em dezembro, para a bandeira verde em janeiro, sem cobrança adicional. Mesmo com reajustes tarifários em algumas concessionárias, o efeito líquido foi de queda.
Transportes apresentou recuo de 0,13%, influenciado pela forte queda de 8,92% nas passagens aéreas e pela redução de 2,79% no ônibus urbano. O resultado reflete, entre outros fatores, a adoção de tarifa zero aos domingos e feriados em cidades como Belo Horizonte, além de políticas semelhantes em Brasília, Curitiba e Belém. Apesar disso, houve reajustes em sistemas de transporte público em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza e Salvador. No mesmo grupo, os combustíveis subiram 1,25%, com destaque para o etanol, que avançou 3,59%, e a gasolina, com alta de 1,01%.
Na análise regional, Recife registrou a maior variação do IPCA-15 em janeiro, com alta de 0,64%, pressionada pelos aumentos da gasolina e dos itens de higiene pessoal. Já São Paulo apresentou o menor resultado, com queda de 0,04%, influenciada principalmente pelos recuos no leite longa vida e na energia elétrica residencial.
Para o cálculo do IPCA-15, os preços foram coletados entre 13 de dezembro de 2025 e 14 de janeiro de 2026 e comparados com aqueles vigentes de 14 de novembro a 12 de dezembro de 2025. O indicador abrange famílias com rendimento de um a 40 salários mínimos e contempla regiões metropolitanas de nove capitais, além de Brasília e Goiânia. A próxima divulgação do IPCA-15 está prevista para 27 de fevereiro.
Fonte: Brasil 247
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