quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

PF vai abrir inquérito sobre influenciadores pagos para atacar o BC e defender banco Master

Investigação mira possível ação coordenada paga para questionar a liquidação do Banco Master e defender interesses da instituição

Segurança do lado de fora do Banco Master, após a prisão do acionista controlador do banco, Daniel Vorcaro, em São Paulo - 18 de novembro de 2025 (Foto: REUTERS/ Amanda Perobelli)

A Polícia Federal vai instaurar um inquérito para investigar a possível contratação de influenciadores digitais com o objetivo de atacar o Banco Central (BC) e defender o Banco Master, instituição que teve a liquidação decretada pela autoridade monetária. A abertura da apuração foi confirmada pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e busca esclarecer se houve pagamento e coordenação nas ações realizadas nas redes sociais. As informações são do G1.

A iniciativa surge após relatos de influenciadores que afirmaram ter recebido propostas para difundir uma narrativa crítica à decisão do Banco Central. Segundo esses relatos, a estratégia consistiria em divulgar vídeos e publicações que colocassem em dúvida a atuação do BC e ecoassem posições favoráveis ao banco liquidado.

Na mesma semana, os influenciadores de direita Rony Gabriel e Juliana Moreira Leite tornaram público que teriam sido procurados para impulsionar conteúdos com esse teor em seus perfis. A ideia, conforme apurado, era questionar a rapidez da decisão do Banco Central e reforçar argumentos contrários à medida adotada pela autoridade financeira.

Procurada, a defesa do Banco Master afirmou não ter conhecimento sobre qualquer contratação de influenciadores para difamar o Banco Central. Ainda assim, a apuração ganhou força após a identificação, pela GloboNews, de publicações semelhantes feitas por outros influenciadores no mesmo período. Somados, esses perfis alcançam mais de 36 milhões de seguidores apenas no Instagram, o que levantou suspeitas sobre a dimensão e o impacto da possível campanha.

Além de mapear quem participou das postagens, a Polícia Federal pretende apurar se houve remuneração e atuação coordenada entre os influenciadores. O foco é verificar se a mobilização nas redes configurou um ataque articulado contra o Banco Central em meio à crise envolvendo o Banco Master.

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) também se manifestou sobre o episódio. Em nota, a entidade afirmou que “foi identificado, no final de dezembro, volume atípico de postagens com menções à entidade e seus representantes, referentes ao noticiário sobre liquidação de instituição financeira”. A federação acrescentou que “está analisando se as postagens identificadas naquele período caracterizariam ou não eventual ataque coordenado à entidade, sendo que já se observou nos últimos dias uma redução significativa daquele volume atípico”.

Paralelamente a esse novo inquérito, a Polícia Federal dará continuidade às investigações sobre possíveis fraudes praticadas pelo Banco Master antes de sua liquidação. Conforme revelou o blog do jornalista Valdo Cruz, no g1, a expectativa é colher novos depoimentos ainda neste mês de janeiro para aprofundar as apurações.

Integrantes da corporação avaliam já existirem indícios concretos de irregularidades bancárias cometidas pela instituição financeira. Estão previstos novos depoimentos de ex-diretores do Banco Master e do Banco de Brasília (BRB), que deverão ocorrer após a acareação realizada no Supremo Tribunal Federal entre Daniel Vorcaro, proprietário do banco liquidado, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB.

A condução dessa acareação, determinada pelo ministro Dias Toffoli, relator do inquérito no STF, foi alvo de críticas de juristas, que apontaram a realização do procedimento antes da tomada de depoimentos formais no curso da investigação. Enquanto isso, a Polícia Federal segue analisando documentos, celulares e computadores apreendidos durante a operação “Compliance Zero”, deflagrada em 18 de novembro do ano passado. Na ocasião, Daniel Vorcaro e outros dirigentes do Banco Master chegaram a ser presos, mas foram liberados posteriormente mediante medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.

Fonte: Brasil 247 com informações do G1

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