domingo, 25 de janeiro de 2026

Lula articula palanques estaduais para sustentar reeleição em 2026

Presidente concentra esforços nos grandes colégios eleitorais e pressiona aliados a disputar governos e o Senado para repetir desempenho decisivo de 2022

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de assinatura de contratos para construção de navios gaseiros, empurradores e barcaças. Rio Grande (RS) - Brasil (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem se dedicado pessoalmente à montagem de palanques estaduais para dar sustentação à sua candidatura à reeleição, com foco em preservar ao menos a votação obtida em 2022. A estratégia envolve investir sobre potenciais candidatos e costurar alianças nos maiores colégios eleitorais do país.

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, Lula tem priorizado articulações no Sudeste e no Sul, sem descuidar do Nordeste, região em que tradicionalmente obtém vitórias mais amplas. A avaliação no Palácio do Planalto é de que o desempenho estadual foi decisivo para a vitória nacional na última eleição e voltará a ser central no próximo pleito.

Em São Paulo, o presidente está convencido de que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), deve ser candidato ao governo estadual e pretende insistir nessa hipótese, embora Haddad sinalize não ter interesse em voltar a disputar eleições. Em conversa recente, Lula pediu que o ministro o acompanhe em uma viagem internacional antes de deixar o governo, ocasiões em que costuma tratar de projetos políticos. O presidente viajará ao Panamá no fim de janeiro e à Índia e à Coreia do Sul em meados de fevereiro.

Ainda com foco em São Paulo, Lula não descarta tentar convencer o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) a disputar uma vaga no Senado. A cúpula do governo e do PT avalia que a evolução da votação presidencial no estado foi determinante em 2022: após Haddad ter obtido 7,2 milhões de votos no segundo turno de 2018, Lula alcançou 11,5 milhões quatro anos depois, desempenho que, apesar da derrota local, contribuiu para o triunfo nacional.

Aliados também consideram ideal uma coligação que inclua as ministras Simone Tebet (Planejamento) e Marina Silva (Meio Ambiente). Tebet, porém, é de Mato Grosso do Sul e precisaria transferir seu domicílio eleitoral para São Paulo, além de eventualmente mudar de partido, já que o MDB apoia o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Lula deve levá-la em uma viagem para discutir seu futuro político.

Em Minas Gerais, segundo maior eleitorado do país, o presidente mantém a aposta em convencer o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD) a disputar o governo estadual. Lula já avisou a aliados que fará novo apelo, em articulação que pode envolver o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e chegou a sugerir que o MDB seria um bom destino partidário para Pacheco. Procurado, o senador não se manifestou.

No Rio de Janeiro, Lula conversou recentemente com o prefeito Eduardo Paes (PSD), pré-candidato ao governo, e a aliança está acertada. A deputada Benedita da Silva deve representar o PT na chapa, como candidata ao Senado, em um estado que possui o terceiro maior eleitorado do país, segundo dados divulgados em 2024.

Fora do Sudeste, o presidente acompanha com atenção a situação da Bahia e do Ceará, ambos governados pelo PT. Pesquisas indicam risco de derrota dos governadores Jerônimo Rodrigues (BA) e Elmano de Freitas (CE), cenário que Lula não aceita. Para reagir, acionou os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Camilo Santana (Educação) para garantir as vitórias; no Ceará, Camilo tenta fortalecer Elmano diante da ameaça representada por Ciro Gomes (PSDB), enquanto, na Bahia, o senador Jaques Wagner defendeu a reeleição de Jerônimo. “Essa ideia [lançar Rui Costa para governador], para mim, não existe. Nem é cogitada”, disse Wagner à Folha. “Sou pela naturalidade da política. A naturalidade da política é a reeleição do governador Jerônimo Rodrigues.”

Fonte: Brasil 247 com informações por meio de reportagem da Folha de S. Paulo

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