quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Influenciadores que atacaram BC foram pagos por empresa ligada a sócio do Brazil Journal e antigo operador de Aécio

Relações entre Flávio Carneiro, Banco Master, mídia e política revelam rede de influência por trás de ofensiva digital

                                   Daniel Vorcaro (Foto: Divulgação (Banco Master))

A revelação de que influenciadores digitais receberam pagamentos milionários para atacar o Banco Central trouxe à tona uma complexa rede de relações empresariais, midiáticas e políticas que converge em torno do empresário Flávio Carneiro. Sócio em grupos de comunicação, operador conhecido do banqueiro Daniel Vorcaro e personagem de episódios ligados ao deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG), Carneiro surge como figura central em uma estratégia destinada a defender o Banco Master e pressionar a autoridade monetária.

A existência da articulação pela contratação de influenciadores para defender o Master foi revelada pela jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, a partir de documentos, mensagens e comprovantes bancários que indicam a contratação de criadores de conteúdo alinhados à direita para questionar publicamente o processo de liquidação do Banco Master conduzido pelo Banco Central. A iniciativa era chamada internamente de “projeto DV”, em referência direta a Daniel Vorcaro, controlador da instituição financeira.

Os contratos previam valores elevados e metas precisas de publicações. Um influenciador com mais de 1 milhão de seguidores recebeu proposta de R$ 2 milhões por três meses, com a obrigação de fazer oito postagens mensais. Para perfis com menos de 500 mil seguidores, o valor oferecido foi de R$ 250 mil, nas mesmas condições de tempo e volume de conteúdo. Em pelo menos um caso, o pagamento foi feito antes da veiculação das postagens.

Segundo relatos de dois influenciadores que participaram das negociações, a contratante final seria a Agência MiThi, controlada por Thiago Miranda, ex-CEO e sócio do Grupo Leo Dias, que possui 10% da empresa. Comprovantes bancários apontam que ao menos um dos pagamentos partiu diretamente da conta pessoal de Miranda. O principal sócio da MiThi, com 60% de participação, é Flávio Carneiro.

Meses atrás, o Brasil 247 ouviu o fundador do Brazil Journal, Geraldo Samor, que confirmou ser sócio de Flávio Carneiro, mas negou que ele seja sócio formal de Daniel Vorcaro. Apesar da negativa, no mercado financeiro Carneiro é amplamente identificado como operador de Vorcaro, atuando em negociações e articulações estratégicas ligadas ao Banco Master.

Pequeno império de comunicação

De acordo com a reportagem do Brasil 247 publicada em novembro de 2025, Vorcaro vinha montando nos bastidores um projeto de expansão de influência na mídia nacional. Por meio de Flávio Carneiro e de Antônio Freixo, conhecido como “mineiro”, o banqueiro teria investido em participações acionárias ou parcerias em veículos relevantes, como o Brazil Journal, a operação digital da IstoÉ e da IstoÉ Dinheiro, o portal PlatôBR e o site de celebridades de Léo Dias. O objetivo seria criar um ecossistema midiático capaz de sustentar seus interesses econômicos e políticos.

A estratégia incluía ainda tentativas de assumir o controle de jornais tradicionais, como o Correio Braziliense e o Estado de Minas, pertencentes aos Diários Associados, por meio do uso de precatórios para o pagamento de dívidas fiscais. Com maior presença na mídia e articulação política em Brasília, Vorcaro acreditava que poderia destravar a venda do Banco Master para o BRB, operação posteriormente barrada pelo Banco Central.

O Grupo Entre, controlador das revistas IstoÉ e IstoÉ Dinheiro, divulgou nota em 2025 negando qualquer vínculo societário ou de governança com Daniel Vorcaro ou com o Banco Master, afirmando que suas empresas mantêm gestão editorial independente e estrutura societária pública e regular.

Aécio Neves

O histórico de Flávio Carneiro também inclui sua ligação com o deputado federal Aécio Neves. Ele foi citado na operação “E o Vento Levou”, que investigou desvios milionários da Cemig, estatal mineira. Segundo a Polícia Federal, recursos desviados teriam sido lavados por meio de empresas de fachada e parte do dinheiro entregue em espécie a Flávio Jacques Carneiro, em São Paulo. O montante investigado teria origem em um esquema de desvio estimado em R$ 40 milhões.

Amigo pessoal de Aécio Neves, Carneiro já foi apontado como intermediário no repasse de propinas ao parlamentar. A soma dessas conexões — com o Banco Master, com veículos de imprensa e com figuras centrais da política brasileira — ajuda a compreender o alcance e o peso da operação que tentou influenciar o debate público e institucional em torno da atuação do Banco Central.

Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo

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