segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

China condena ataque dos EUA à Venezuela e denuncia "grave violação do direito internacional"

Chancelaria chinesa critica uso da força, apoia reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU e defende respeito à autodeterminação venezuelana

               Guo Jiakun, porta-voz da chancelaria chinesa (Foto: Global Times)

A ofensiva militar lançada pelos Estados Unidos contra a Venezuela no sábado (3), que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, provocou forte reação internacional e ampliou a tensão geopolítica na América Latina e no Caribe. A operação, considerada sem precedentes na região desde a invasão do Panamá em 1989, incluiu bombardeios aéreos em Caracas e em outras áreas do norte do país, além da captura do chefe de Estado venezuelano por forças especiais norte-americanas.

Em comunicado divulgado nesta segunda-feira (5), o Ministério das Relações Exteriores da China condenou duramente a ação militar dos Estados Unidos. Segundo a chancelaria chinesa, “a China condena o uso flagrante da força pelos Estados Unidos contra a Venezuela, que viola gravemente o direito internacional e as normas básicas das relações internacionais, infringe a soberania da Venezuela e ameaça a paz e a segurança na região da América Latina e do Caribe”.

A nota oficial afirma ainda que Pequim “exorta as partes a respeitarem o direito da Venezuela de escolher de forma independente seu caminho de desenvolvimento e a trabalharem pela estabilidade e pelo retorno da ordem no país”. A China também declarou apoio ao Conselho de Segurança das Nações Unidas na convocação de uma reunião de emergência para discutir os ataques militares dos Estados Unidos e ressaltou que o órgão deve “desempenhar seu papel conforme o mandato que lhe foi conferido”.

De acordo com o governo chinês, o país está disposto a atuar junto à comunidade internacional para “defender firmemente a Carta da ONU e os princípios fundamentais da justiça internacional”, em referência às normas que regem a soberania dos Estados e a resolução pacífica de conflitos.

A ofensiva norte-americana, batizada de Operação Resolução Absoluta, teve início nas primeiras horas da manhã, com o emprego de mais de 150 aeronaves das Forças Armadas dos Estados Unidos em ataques a alvos militares e estratégicos. No centro da ação esteve a detenção de Nicolás Maduro, que foi levado a Nova York, onde deverá responder a acusações de narco-terrorismo e tráfico de cocaína em tribunais federais norte-americanos.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a operação em suas redes sociais, afirmando que a intervenção fazia parte de um esforço para combater o narcotráfico e enfrentar supostas ameaças à segurança nacional. Trump também declarou que Washington administraria temporariamente a Venezuela até uma “transição segura de poder” e mencionou interesses estratégicos ligados ao setor petrolífero venezuelano.

O governo da Venezuela classificou a ação como um ato de agressão e uma violação direta de sua soberania. Após o sequestro de Maduro, a vice-presidente Delcy Rodríguez foi nomeada presidente interina. Autoridades cubanas informaram que 32 oficiais de Cuba que atuavam junto às forças venezuelanas morreram durante a operação militar.

A reação da China se soma a uma série de críticas internacionais ao ataque, que reacendeu o debate sobre intervenções unilaterais, o respeito ao direito internacional e o papel das Nações Unidas diante de conflitos armados envolvendo grandes potências.

Fonte: Brasil 247

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