domingo, 30 de novembro de 2025

Comunidade internacional denuncia arrogância colonial de Donald Trump ao fechar espaço aéreo da Venezuela

Estados Unidos ampliam pressão contra Caracas, com o objetivo de se apoderar das maiores reservas de petróleo do mundo

Nicolás Maduro, Donald Trump, navio anfíbio USS Iwo Jima navegando no mar do Caribe e o mapa da América do Sul ao fundo (Foto: Divulgação I Logan Goins/Marinha dos Estados Unidos)

Organizações políticas, movimentos sociais e governos de diversas regiões do mundo condenaram neste sábado (30) a decisão unilateral do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de declarar “fechado” o espaço aéreo da Venezuela, medida que amplia a escalada de tensões no Caribe e gera preocupação sobre a segurança aeronáutica internacional. As informações foram divulgadas inicialmente pelo teleSUR, que reuniu reações de entidades da América Latina, do Caribe, da África e do Oriente Médio.

Segundo a reportagem, a decisão de Trump inclui também a suspensão dos voos regulares para o retorno de migrantes venezuelanos aos Estados Unidos e está acompanhada de um reforço militar norte-americano na região, além da autorização para operações encobertas da CIA.

◈ Condenações na América Latina: ataques à soberania e alerta sobre risco para a paz

O Partido Comunista do Uruguai (PCU) classificou a medida como “ilegal e irresponsável”, afirmando que ela “agrava mais a tensão no Caribe, onde os EUA têm uma força militar de enorme poder destrutivo”. A sigla denunciou ainda ações encobertas e ataques contra embarcações venezuelanas realizados sem qualquer prova, tanto no Caribe quanto no Pacífico.

Em nota contundente, o PCU afirmou: “A desculpa do combate ao narcotráfico se cai por si só quando o próprio Trump e seus principais chefes militares e diplomáticos reconhecem publicamente que querem derrubar o Governo venezuelano, e congressistas yanquis falam abertamente da necessidade de ficar com o petróleo venezuelano.”

A organização uruguaia recordou a longa trajetória de intervenções dos Estados Unidos na região e reforçou que América Latina e Caribe devem permanecer como uma zona de paz, conforme estabelecido pelo Tratado de Tlatelolco e pela declaração da Celac, instrumentos que, segundo o PCU, estão sendo violados por Washington.

◈ Internacional Antifascista da República Democrática do Congo denuncia “barbárie”

Da África, a Internacional Antifascista – RD Congo também condenou o ato de Trump, considerando-o “inicuo e ilegal” e apontando que a medida viola a Carta das Nações Unidas e princípios básicos da convivência pacífica.

Segundo a entidade: “É expressão da barbárie da Administração Trump, que não respeita a lei nem a coexistência pacífica entre os povos.”

A organização convocou as forças progressistas do mundo a defenderem a soberania da Venezuela, afirmando que o imperialismo “submerge novamente o planeta na bestialidade de outra época”.

◈ Movimento paraguaio fala em “arrogância colonial” e “embestida imperial”

No Paraguai, o Movimento Paraguayo de Solidaridad con la Revolución Bolivariana afirmou que “nem Trump nem ninguém tem autoridade para ameaçar a Venezuela” e classificou a ação como “nova embestida imperial de Donald Trump”.

Em tom direto, a entidade declarou que Trump age em um “arrebato de arrogancia colonial” ao tentar ditar ordens sobre o espaço aéreo venezuelano. Para o movimento, a ameaça do presidente dos Estados Unidos é “absurda e desesperada”, demonstrando que “o imperialismo estadunidense segue empenhado em impor seu domínio a força de mentiras, chantagens e provocações”.

A organização completou: “Não é e não será jamais o seu pátio traseiro.”

◈ Irã e Cuba alertam para riscos à segurança internacional

O Ministério de Relações Exteriores do Irã classificou a ação como “arbitrariedade” e alertou para as “consequências perigosas” do fechamento unilateral do espaço aéreo venezuelano. Para o porta-voz Ismail Baqai, trata-se de uma ameaça sem precedentes à segurança aeronáutica global.

“É uma arbitrariedade e uma ameaça sem precedentes para a segurança aeronáutica internacional”, afirmou.

Cuba também reagiu com firmeza. Segundo o chanceler Bruno Rodríguez Parrilla, a medida é um “ato agressivo para o qual nenhum Estado tem autoridade fora de suas fronteiras nacionais”. Em sua mensagem, o ministro acrescentou: “É uma gravíssima ameaça ao direito internacional e um incremento da escalada da agressão militar e da guerra psicológica contra o povo e o Governo venezuelanos.”

Rodríguez pediu que a comunidade internacional denuncie o que chamou de “prelúdio de um ataque ilegítimo”.

Fonte: Brasil 247

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